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Atualizado: 46 minutos 17 segundos atrás

Teoria da relatividade: como eclipse solar no Ceará há 100 anos transformou Einstein em celebridade mundial

sex, 24/05/2019 - 16:56

Há 100 anos, astrônomos britânicos foram a Sobral, no Ceará, para um experimento que mudou a maneira como a ciência enxergava o universo. O eclipse total do Sol, fotografado no Ceará, permitiu que cientistas britânicos confirmassem as previsões do jovem alemão Albert Einstein sobre como a luz se comporta em relação à gravidade Science Museum London "A população estacionou nas praças públicas, impressionada com o surpreendente espetáculo que a natureza lhe oferecia. Parecia que a aurora ia romper e, naquela escuridão, os galos cantavam e as avezinhas procuravam agasalho." Assim o jornal Folha do Littoral descreveu o momento em que a população de Sobral, no interior do Ceará, presenciou um eclipse total do Sol em 1919. Mas aquele não era um eclipse qualquer. O fenômeno permitiu que um grupo de cientistas comprovasse pela primeira vez a teoria da relatividade geral do físico alemão Albert Einstein, consolidando uma das maiores revoluções da história da ciência. Meses depois do fim da Primeira Guerra Mundial, a façanha catapultou o físico, que até então era pouco conhecido, para a fama mundial. "Alguns cientistas dizem que o anúncio dos resultados do experimento feito nesse eclipse foi um dos maiores momentos da ciência", disse à BBC News Brasil o físico Luis Carlos Bassalo Crispino, da Universidade Federal do Pará (UFPA), autor de artigos sobre o episódio. Nos anos seguintes, a relatividade geral de Einstein permitiria a formulação da teoria do Big Bang, um modelo para explicar como começou o universo. Um ramo especial da astrofísica, a cosmologia física, foi criado só para estudar esse tema. As ideias do alemão também permitiram que os cientistas desenvolvessem a ideia dos buracos negros e, muitos anos depois, o funcionamento do sistema de GPS - que usa a posição de satélites no espaço para localizar aparelhos na Terra. Mas tudo começou com uma ideia pouco convencional. BBC Uma revolução incomparável No século 19, a física avançava a passos largos, com descobertas sobre a eletricidade, a energia cinética (movimento), a termodinâmica (energia em forma de calor) e a luz, finalmente entendida como uma onda eletromagnética. Foi a partir destas ideias que o físico alemão Albert Einstein começou a pensar sobre o comportamento da luz e sua velocidade, usando uma série de "experimentos mentais" - problemas cujo resultado ele previa apenas em sua imaginação. Em 1905, ele afirma que as medidas de espaço e tempo poderiam mudar de acordo com o ponto de referência. Até então, toda a física se amparava na ideia de que tempo e espaço eram absolutos. A teoria da relatividade especial, como ficou conhecida, já causou espanto e interesse na comunidade científica, mas servia apenas para casos específicos da física. Nos anos seguintes, enquanto as potências europeias, entre elas a Alemanha e o Reino Unido, caminhavam para a Primeira Guerra Mundial, o jovem alemão daria um passo ainda mais ousado: questionar a Lei da Gravitação Universal do inglês Isaac Newton. Sua teoria da relatividade geral, publicada em 1915, confrontava um dos fundamentos da física clássica. Nesta teoria, Einstein afirma que o espaço e o tempo, interligados, formam uma espécie de tecido que conforma tudo ao nosso redor e que pode se curvar, de acordo com a massa dos corpos. Essas curvaturas explicam desde a gravidade, até o movimento dos planetas e estrelas no espaço, a existência dos buracos negros e a formação de todo o universo. "Filosoficamente, a relatividade geral foi quase tão importante quanto a ideia de Copérnico de que a Sol, e não o Terra, estava no centro do universo. Ela revolucionou completamente a maneira como os cientistas deveriam pensar sobre o funcionamento do mundo ao seu redor. As coisas ficaram mais complexas", disse à BBC News Brasil Teresa Wilson, física do Observatório Naval dos Estados Unidos. Newton baseou as afirmações de Einstein BBC O fato de um alemão, naquele momento, propor uma mudança tão fundamental na física também causou polêmica. Alguns pesquisadores simplesmente não acreditaram nele, e outros ignoraram suas ideias. "Por causa da guerra, os cientistas alemães e austríacos eram ignorados e excluídos dos órgãos internacionais. Havia muito ressentimento com relação a eles. Também deixaram de ser convidados a conferências e associações", disse à BBC News Brasil o astrofísico e historiador Daniel Kennefick, autor do livro No Shadow of a Doubt (Sem Sombra de Dúvida, em tradução livre), sobre eclipse de 1919. Mas alguns acadêmicos se consideravam "internacionalistas" - acreditavam que a ciência deveria reunir esforços de pessoas de qualquer nacionalidade. Entre eles estava o próprio Einstein, que havia renunciado a sua cidadania alemã e adotado a suíça em protesto contra o militarismo do regime germânico. Para vencer a resistência da comunidade científica à teoria de Einstein, no entanto, seria preciso confirmar suas previsões. Isso só aconteceria quatro anos após a formulação da teoria - e após o término da Primeira Guerra (em 1918) -, quando pesquisadores ingleses puderam viajar até o interior do Brasil para ver um eclipse. Por que um eclipse? Segundo a relatividade geral, a força de gravidade é um efeito causado pela curvatura do espaço-tempo. Um corpo massivo como o Sol, por exemplo, distorce o espaço-tempo a seu redor, e faz com que outros objetos menores tenham que seguir essa distorção. Einstein explicou a gravidade como a curvatura criada por um corpo massivo, como o Sol, no tecido do espaço-tempo BBC Até mesmo a luz de outras estrelas, em seu caminho até nós na Terra, tem sua trajetória alterada quando passa perto do Sol. Por isso, se pudessem ser vistas durante o dia, as estrelas se pareceriam um pouco mais afastadas do Sol do que realmente estão. Cálculos de Einstein previam um desvio da luz duas vezes maior do que o que era previsto de acordo com a teoria de Newton. Para testar a teoria, seria necessário fotografar estrelas próximas ao Sol e depois fotografá-las no mesmo lugar à noite. Em seguida, medir a posição delas no céu a cada momento, e encontrar a diferença entre estas medidas. O cenário ideal para isso seria um eclipse total, um alinhamento que faz com que a Lua esconda o Sol, projetando sua sombra sobre a Terra. A escuridão permite que os astrônomos observem as estrelas, os planetas e a atmosfera solar durante o dia, com mais facilidade. "Para comprovar que o campo gravitacional do Sol desvia a luz de uma estrela, ela precisa estar próxima do Sol, senão você não consegue perceber esse efeito. Mas o Sol é tão brilhante que normalmente não se consegue ver as estrelas durante o dia. Por isso era necessário fazer o experimento durante um eclipse total", explica Daniel Kennefick. BBC Einstein sabia que organizar esse experimento era complicado. Ele chegou a investir suas próprias economias na expedição do astrônomo alemão Erwin Finlay-Freundlich para observar um eclipse na Crimeia, na Rússia, em 1914, um ano antes de publicar a teoria da relatividade geral. Mas, quando Freundlich chegou à Rússia, explodiu a Primeira Guerra. Seus instrumentos foram confiscados e ele não conseguiu realizar o experimento. A busca pelo 'eclipse perfeito' Em 1917, os astrônomos ingleses Frank Watson Dyson, diretor do Observatório Real de Greenwich, o mais importante do Reino Unido, e Arthur Stanley Eddington, um conhecido astrofísico, queriam comprovar - ou não - a teoria de Einstein, por motivos diferentes. "Como muitos astrônomos, Frank Dyson era cético em relação à relatividade geral. E, naquele momento, os alemães eram percebidos como o inimigo. Ele também tinha um certo sentimento patriótico de que a teoria de Isaac Newton (que era inglês) deveria ser tratada com mais respeito do que a de um jovem da Alemanha", disse à BBC News Brasil o astrônomo Tom Kerss, do Real Observatório de Greenwich. Eddington, por sua vez, era um entusiasta das teorias de Einstein e um internacionalista, que acreditava no ideal de juntar as melhores mentes de todas as nacionalidades em busca da verdade científica. Frank Watson Dyson e Arthur Stanley Eddington usaram eclipse de 1919 para testar a teoria de Einstein; um era cético, e o outro era entusiasta das ideias do alemão Science Photo Library Segundo o historiador Daniel Kennefick, o entusiasmo de Eddington ajudou a convencer Dyson sobre a importância de organizar uma expedição para testar as ideias de Einstein sobre a luz. "Dyson já havia observado muitos eclipses e sabia que aquele experimento era importante e possível. Era um momento em que os instrumentos já tinham evoluído o suficiente pra medir com confiança os resultados que Einstein previa", disse Tom Kerss. Cálculos indicavam que em 1919 um eclipse seria visível na América do Sul e na África. Nesse momento, o Sol estaria perto de um aglomerado de estrelas especialmente brilhantes, as Híades. Parecia a oportunidade perfeita para a ciência e para os dois astrônomos ingleses. O primeiro passo era escolher o local onde eles iriam observar o fenômeno. "Durante um eclipse solar, a sombra da Lua viaja pela Terra de oeste para leste. Então eles desenhavam seu trajeto precisamente em um mapa e começavam a pesquisar", explica Kennefick. Mapa mostra a aparição do eclipse BBC Nesse caso, a faixa de totalidade do eclipse - ou seja, o trecho em que o Sol estaria completamente encoberto - cruzaria toda a América do Sul, começando na Bolívia, passaria pelo Oceano Atlântico e terminaria no continente africano, na Tanzânia. "Na Bolívia e no leste da África não funcionaria, porque o Sol estaria ainda nascendo ou já começando a se pôr, e isso causaria distorções atmosféricas que prejudicariam a medição. A maior parte do trajeto também seria em áreas de floresta tropical de um lado ou de outro. No oceano Atlântico também não era bom, porque um navio não teria estabilidade suficiente para os instrumentos", diz o historiador. A decisão de ir ao Brasil foi tomada depois que Dyson recebeu uma carta do engenheiro Henri Charles Morize, diretor do Observatório Nacional do Rio de Janeiro e um dos fundadores da Academia Brasileira de Ciências (ABC). Na carta, Morize dizia que Sobral - a segunda maior cidade do Ceará, bem conectada por trens e por um porto relativamente próximo - seria o melhor lugar para acompanhar o fenômeno. No entanto, Dyson e Eddington decidiram que ter apenas um ponto de observação não seria suficiente. Era comum que os resultados de expedições como essa fossem prejudicados por más condições de tempo. Em geral, nuvens acabavam impedindo que as estrelas fossem fotografadas. "Apesar do risco, eles estavam determinados a aproveitar essa oportunidade, porque sabiam que aquele eclipse, com uma duração longa e estrelas tão brilhantes, seria especial", disse Kennefick. Por isso, eles decidiram mandar duas equipes de astrônomos a lugares diferentes: a Sobral, no Brasil, e à Ilha de Príncipe, parte do arquipélago de São Tomé e Príncipe, na costa africana. Como fazer ciência em meio à guerra? Depois de decidir seu destino, os cientistas tiveram que solucionar outro problema: a Europa ainda estava em guerra. Dyson usou sua influência para conseguir financiamento e convencer o governo britânico a manter seu colega Eddington fora da frente de batalha. Mesmo assim, era muito difícil encontrar astrônomos com experiência e navios para levá-los ao Brasil e a África. "Eddington queria ir para Príncipe, mas precisou levar com ele um relojoeiro do interior da Inglaterra, porque todos os seus assistentes haviam morrido na guerra", afirma Kennefick. Dyson teve que ficar na Inglaterra e, após uma série de contratempos, encontrou dois candidatos para mandar a Sobral. Os escolhidos foram Charles Davidson, um calculista sem formação acadêmica, mas com muita experiência em telescópios, e o astrônomo irlandês Andrew Crommelin, que operaria um segundo telescópio levado por segurança. Depois de muitas mudanças de planos, o calculista Charles Davidson e o astrônomo irlandês Andrew Crommelin foram os escolhidos para a expedição do Brasil Observatório Nacional "Outro problema da guerra era que os britânicos tinham poucos instrumentos disponíveis, alguns haviam sido confiscados pelos russos em 1914. Eles tiveram que pedir um telescópio emprestado aos irlandeses", disse à BBC News Brasil o astrofísico Tom Ray, do Instituto de Estudos Avançados de Dublin, que encontrou e restaurou o equipamento original que foi a Sobral. Apesar de ser menor e mais velho, o telescópio irlandês foi o autor dos resultados que fizeram história. "Naquele momento, era preciso ter telescópios que fossem estáveis e precisos para conseguir fazer imagens do Sol de longa exposição. O telescópio irlandês tinha sido criado especialmente para eclipses em 1900 e tinha um campo visual maior, que permitia ver mais estrelas", explica Ray. Em novembro de 1918, o Armistício de Compiègne anunciou o fim da guerra e abriu caminho para a expedição. Eddington foi para Príncipe com seu assistente e Davidson e Crommelin saíram de Liverpool, na Inglaterra, para Belém, no Pará, à bordo do Anselm, o primeiro navio inglês a retomar a rota para o Brasil - que tinha sido paralisada por conta da guerra. Os 'sábios ingleses' em Sobral Em Belém, Davidson e Crommelin foram recebidos com festa no porto, e ainda tiveram tempo de fazer uma viagem de barco pelo rio Amazonas até Manaus. Em seguida, os britânicos foram de navio para Camocim, já no Ceará, e de trem para Sobral. No Ceará, a imprensa também se animava com a chegada dos estrangeiros, que eram chamados de "sábios ingleses". O navio Anselm, que levou os astrônomos britânicos de Liverpool a Belém, foi o primeiro a retomar as viagens para a América do Sul após a guerra Luiz Crispino/ Biblioteca Pública Arthur Vianna Em 26 de abril, o jornal O Malho dizia que "por amor à ciência", eles iriam "afrontar a seca, a febre amarela e a falta de conforto". Na época, de acordo com a pesquisa de Luis Crispino, da UFPA, o governo brasileiro enviou uma equipe de médicos especialmente para conter a febre amarela no Ceará, preocupado com os visitantes. "Precisamos defendê-los, por todos os modos, para que não se arrependam da sua viagem ao Ceará. É o ministério da Agricultura quem os vai hospedar em Sobral, e esse, de acordo comigo, fará proteger as casas que lhes forem destinadas com telas de arame, a fim de evitar a entrada do mosquito que serve de veículo à febre", escreveu o médico paraense Emygdio de Matos, que era parte da comissão de combate ao vírus no país. O Observatório Nacional organizou a logística da expedição britânica e também de uma americana, que foi fazer medições sobre o campo magnético terrestre e da eletricidade atmosférica. Mas a "falta de conforto" anunciada pelo jornal não atingiu os pesquisadores. Eles se hospedaram na casa do deputado e coronel Vicente Saboya, dono de um poço artesiano próprio. Água ali, tanto para as atividades diárias quanto para revelar as imagens do eclipse, não seria um problema. A pista de corrida do Jockey Club da cidade, que costumava atrair curiosos, também foi reservada para o acampamento de observação dos britânicos e americanos. "Pelos registros que temos, dá pra perceber que eles ficaram impressionados com a boa recepção das pessoas de lá. Havia muito interesse na chegada deles e todo mundo queria ajudar", diz Daniel Kennefick. "Mas eles também perceberam que Sobral passava por um período ruim. Estava muito seco e as condições de vida eram difíceis. Crommelin escreveu que a cidade tinha um aspecto deprimente, porque era muito seca e empoeirada. Ele também mostrou compaixão pelas pessoas que viu desesperadas cavando buracos em um rio seco, buscando água." Enfim, o eclipse A excitação em Sobral era tamanha que, segundo os jornais da época, o dia do eclipse foi um feriado informal na cidade. Todo o comércio foi fechado e a população encheu as praças públicas desde o início da manhã. As igrejas também ficaram repletas de fiéis com medo de que o escurecimento do céu fosse o anúncio de um mau agouro. "A Prefeitura Municipal instalou dois pequenos telescópios, cobrando pequenas quantias aos que desejavam observar o eclipse. Esse dinheiro reverterá a favor da construção do jardim da cidade. Aqueles aparelhos foram disputadíssimos", dizia o jornal O Malho. No entanto, o dia 29 de maio de 1919 amanheceu nublado. Por sorte, cerca de um minuto antes que o Sol fosse completamente coberto pela sombra da Lua, um vento afastou as nuvens. Os astrônomos tiveram cerca de quatro minutos para fazer 27 fotos do céu, mostrando as 12 estrelas que queriam observar. Nas ruas, os moradores de Sobral chegaram a quebrar as vidraças da porta de uma casa para conseguir pedaços de vidro que, escurecidos por velas, servissem para olhar o céu. "Na fase aguda do eclipse, o 'stock' esgotou-se e o recurso que se apresentou foi o assalto às vidraças. A casa de um nosso vizinho, na sua ausência, pois andava também vendo o eclipse, sofreu um terrível ataque, e uma das portas de sua linda habitação ficou sem duas lâminas das maiores e mais preciosas", escreveu o correspondente do jornal Folha do Littoral. Os britânicos tiveram um problema. O calor intenso em Sobral, segundo o físico Luis Crispino, pode ter causado uma dilatação incomum no espelho do seu principal telescópio. Por isso, algumas imagens ficaram distorcidas e, portanto, menos confiáveis. O pequeno telescópio irlandês, no entanto, produziu oito imagens nítidas e impressionantes do Sol escurecido e da luz das estrelas. Um mês mais tarde, Davidson e Crommelin fotografaram as mesmas estrelas, exatamente no mesmo lugar do céu, só que à noite. Agora já tinham o que precisavam para testar a teoria de Einstein. Em agosto de 1919, os britânicos começaram o caminho de volta à Inglaterra. Em Príncipe, Eddington teve menos sorte. O tempo fechado permitiu poucas imagens aproveitáveis, nas quais aparecia um número menor de estrelas. Seus resultados já pareciam favoráveis à teoria de Einstein, mas, sem base de comparação, crescia a ansiedade pela chegada da expedição de Sobral. Jornais brasileiros cobriram o dia a dia das expedições brasileira, britânica e americana em Sobral; alguns chegaram a "adiantar" o resultado favorável a Einstein, mesmo antes de os cientistas compilarem os dados Ildeu Moreira O dia que mudou a física Em novembro de 1919, foi publicado o estudo final sobre o eclipse, assinado por Dyson, Eddington e Davidson. "Os resultados das observações aqui descritas parecem confirmar a teoria da relatividade geral de Einstein", diz o trabalho. Nele, os pesquisadores também afirmam que as imagens do telescópio irlandês de Sobral eram as mais importantes e confiáveis. Era o primeiro experimento prático a confirmar a teoria do jovem físico alemão. "Nem todos ficaram convencidos", disse à BBC News Brasil Virginia Trimble, professora de Física e Astronomia da Universidade de Califórnia Irvine, nos EUA. "Os cientistas continuaram fazendo medições em eclipses para comparar seus resultados. E, nos anos 1970, as imagens de 1919 foram examinadas outra vez, com instrumentos mais avançados, para garantir que os números estavam corretos", "Na verdade, a teoria da relatividade geral foi testada muitas vezes e passou perfeitamente em todos os testes que fizemos. É impressionante." Como Einstein reagiu? Em setembro, Albert Einstein tinha recebido um telegrama de um amigo holandês dizendo que os resultados da expedição de Eddington a Príncipe, ainda que inconclusivos, apontavam para a confirmação da sua teoria. Eddington já falava disso em conferências internacionais, mas não escreveu pessoalmente a Einstein por causa do clima tenso que ainda existia entre acadêmicos da Inglaterra e da Alemanha após a guerra, terminada em novembro de 1918. "Einstein estava muito ansioso pelo experimento, mas quando o resultado finalmente chegou, ele já estava tão convencido da beleza e da coerência de sua teoria, que parecia nem precisar da comprovação", disse Daniel Kennefick. "Luzes distorcidas no céu", Teoria de Einstein triunfa", diz a capa do jornal americano The New York Times em 15 de novembro de 1919 The New York Times Anos depois, a filósofa alemã Ilse Rosenthal-Schneider contou em um de seus livros que estava com Einstein no momento em que ele recebeu o telegrama. Ela perguntou o que ele faria se o resultado final fosse desfavorável a suas ideias, e ele, calmamente, respondeu: "Eu teria pena de Deus, porque a teoria está correta". Mas, logo em seguida, o físico escreveu a sua mãe contando que recebeu a "notícia feliz" de que sua teoria havia sido confirmada. No dia 6 de novembro, o resultado final foi anunciado com pompa na União Astronômica Internacional. O filósofo e matemático Alfred North Whitehead, que estava na cerimônia, descreveu a cena como "de intensa emoção". "Havia um elemento dramático naquele cerimonial tão cênico e tão tradicional, que ocorria tendo como pano de fundo um retrato de Newton e nos lembrava que a maior das generalizações científicas acabava - depois de mais de dois séculos - de receber a sua primeira modificação", escreveu. No entanto, o próprio Einstein se manteve humilde em relação a sua descoberta. Em um artigo publicado dias depois da cerimônia no jornal Times of London, ele afirmou que "ninguém deve pensar que a grande criação de Newton pode ser derrubada por esta ou qualquer outra teoria". "Suas ideias claras e amplas sempre terão a importância de serem a base sobre a qual nossa concepção moderna da física foi construída." No mesmo artigo, Einstein reconhece a "alegria e gratidão" que sentia pela oportunidade de se comunicar com cientistas ingleses "depois do lamentável rompimento das relações internacionais entre homens da ciência" que aconteceu na Primeira Guerra. Einstein e Eddington só se encontraram na Inglaterra anos depois do eclipse que comprovou a relatividade geral; por causa da Primeira Guerra, o clima ainda era tenso entre cientistas britânicos e alemães Science Photo Library O ressentimento com relação a alemães e austríacos permaneceu por muito tempo depois da guerra, segundo Daniel Kennefick, mas Einstein passou a ser uma exceção. "Em muitos encontros científicos ele era o único alemão convidado", diz. A atenção que a relatividade geral recebeu da imprensa também fez com que Einstein se tornasse uma celebridade mundial. Ele chegava a ser parado nas ruas por admiradores. "Disso ele não gostou muito. Não suportava ter que falar com repórteres o tempo inteiro e chegou a dizer que: 'esse tormento é culpa daquela expedição inglesa'", conta Kennefick. Ele não esqueceu, no entanto, da alegria de ver comprovada a teoria que chamava de "seu pensamento mais feliz". Em 1925, quando fez uma visita ao Rio de Janeiro, o físico alemão escreveu em dedicatória ao empresário Assis Chateaubriand: "O problema concebido pela minha mente foi respondido pelo luminoso céu do Brasil". Um ilustre desconhecido Em Sobral, o tempo diminuiu o alvoroço causado pelo eclipse. Só em 1999 a cidade ganhou um pequeno museu dedicado ao episódio e, em 2015, um planetário. Sobral terá uma série de comemorações nos 100 anos do eclipse, e ganhou uma nova estátua de Albert Einstein, mas muitos na cidade ainda não sabem exatamente qual a relação entre o físico e a cidade Prefeitura de Sobral O físico Ildeu Moreira, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), disse à BBC News Brasil acreditar que "a vinda dos britânicos em 1919 tenha contribuído para que Sobral desse mais atenção à educação". "Mas um motorista de táxi me disse que a maioria das pessoas hoje não sabe nada sobre a expedição." Segundo Moreira, é preciso retomar a importância da cidade na história da ciência não só para os próprios moradores, mas também para a comunidade internacional, que atribuiu a confirmação da relatividade geral mais a Eddington, o mais famoso dos cientistas envolvidos, do que à expedição que foi ao Brasil. No último mês de março, em preparação para os eventos de comemoração dos 100 anos do eclipse, a prefeitura de Sobral inaugurou uma estátua de Albert Einstein feita de argila e bronze. Nela, o cientista aparece descontraído, de bermuda, camisa aberta, chinelos de couro e cabelos ao vento. "Quando colocamos a estátua na praça, alguns jovens encostaram e perguntaram: 'Quem é esse?'. Disseram que deveríamos ter colocado uma placa com o nome dele, mas achamos que é mais interessante deixar as pessoas pesquisarem", diz Moreira.
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Vazamento de gás: por que é tão perigoso e como você pode evitá-lo

sex, 24/05/2019 - 12:48

Seis brasileiros foram encontrados mortos por inalação de gás em apartamento na capital do Chile, Santiago. Seis brasileiros foram encontrados mortos por inalação de gás em apartamento na capital do Chile, Santiago Pixabay A inalação de monóxido de carbono, que teria vitimado seis brasileiros que estavam de férias em Santiago, no Chile, está entre as principais causas de mortes por envenenamento no mundo. O grupo, quatro adultos e dois adolescentes, estava no país havia uma semana. Eles tinham alugado um apartamento no centro da cidade por meio do serviço Airbnb. "Constatamos que havia seis pessoas mortas, quatro adultos e dois menores de idade, e que provavelmente suas mortes foram causadas por um vazamento de gás", informou o comandante da polícia chilena, Rodrigo Soto, à imprensa local. Os bombeiros esvaziaram o prédio, assim como imóveis na vizinhança. Eles testaram o ar dentro do apartamento e dizem ter descoberto altas concentrações de monóxido de carbono. Uma investigação foi aberta sobre o incidente. Autoridades chilenas ainda não identificaram a causa do vazamento nem seu local exato. Também não sabem por quanto tempo os brasileiros foram expostos ao gás. Segundo o Itamaraty, serão realizados exames para determinação das causas das mortes. A família lançou uma campanha de arrecadação para trazer os corpos de volta ao Brasil. No início da tarde desta quinta-feira, o Airbnb informou que vai custear o translado. O monóxido de carbono é liberado pela queima incompleta de combustíveis fósseis e se inalado por longos períodos pode levar à morte. Altamente tóxico, esse gás é incolor (sem cor) e inodoro (não tem cheiro) e por esse motivo fica difícil detectar sua presença no meio ambiente. "Ele se liga à hemoglobina (substância que dá a cor vermelha ao sangue e é responsável pelo transporte de oxigênio) de forma bastante ávida e estável (muito mais que a ligação entre a hemoglobina e o oxigênio), reduzindo drasticamente a capacidade de transporte de oxigênio no sangue", explica à BBC News Brasil Gustavo Faibischew Prado, pneumologista da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT). "A baixa oxigenação do sangue pode gerar desde dores de cabeça e turvação visual, até desorientação, sonolência, perda de consciência, arritmias e depressão cardiovascular, podendo culminar no óbito", acrescenta Prado. Essa talvez seja a explicação mais provável sobre por que a família dos turistas brasileiros diz ter recebido telefonemas em que seus parentes falavam coisas desconexas e sem sentido. Preocupados, os familiares entraram em contato com a polícia brasileira. Um delegado de Florianópolis, por sua vez, acionou o consulado brasileiro em Santiago, que enviou um representante ao apartamento. O diplomata chegou ao local acompanhado de agentes da polícia, que tiveram que entrar à força no imóvel depois que ninguém respondeu à campainha. Quando abriram a porta, os seis corpos foram encontrados. As janelas do apartamento estavam fechadas. "Ambientes de instalação devem ser adequadamente ventilados para que haja troca de ar com o ambiente externo e, em particular, os aquecedores de água a gás devem ser instalados em áreas externas ou de serviço e sua chaminé deve ser dimensionada e mantida para que haja exaustão correta dos fumos", diz Edson Moro, gerente Executivo de Operações da Comgás, em nota enviada à BBC News Brasil. "Quando não há exaustão e ventilação adequados, pode haver concentração de monóxido de carbono, resultado de uma queima incompleta, e que é altamente tóxico e inodoro, podendo levar à morte por sua inalação. Por isso, a importância de que todos os requisitos de segurança sejam seguidos", acrescenta ele. Prado, da SBPT, lembra que "alguns sistemas de aquecimento de água e ambiente (calefação) à gás, especialmente os mais antigos, contam com uma "chama-piloto"". Em ambientes fechados, a combustão do gás pela chama-piloto e por outros aparelhos como fornos e fogões também pode levar gradativamente à maior produção de monóxido de carbono, reduzindo o oxigênio do ambiente. Entre as condições que levam à queima incompleta e a uma produção maior de monóxido de carbono estão a presença de sujeira nas tubulações do forno ou aquecedor, a falta de regulagem na admissão de ar e gás em proporções adequadas ou a falta de ventilação no ambiente. Vale lembrar que essa situação pode acabar sendo potencializada em localidades de clima frio, onde as janelas ficam fechadas por mais tempo.  Monóxido de carbono é liberado pela queima incompleta de combustíveis fósseis e se inalado por longos períodos pode levar à morte Pixabay Cheiro forte? Mas relatos de testemunhas indicam que havia um cheiro forte de gás, o que também pode indicar a hipótese de vazamento de gás de cozinha (normalmente uma mistura de propano e butano). "Nesta situação, na ausência de suficiente ventilação, exaustão ou renovação, o ambiente fechado teria sua "microatmosfera" tão saturada desses gases advindos do vazamento que a concentração de oxigênio acabaria por chegar a valores muitíssimo inferiores aos quase 21 % em que naturalmente se encontra na natureza", explica Prado, da SBPT. Esse gás também é inodoro e incolor. Essa é a razão pela qual se adiciona a ele um composto de enxofre chamado mercaptano. Essa substância, de odor forte e desagradável, serve para alertar sobre possíveis vazamentos ─ como se convencionou chamar "cheiro de gás". "Numa situação em que pode ter havido um pouco de vazamento, alguma combustão (mesmo sem um incêndio ou explosão), concorreriam então ao menos três causas para a asfixia: a escassez relativa de oxigênio no ambiente fechado pela presença dos gases que vazaram, a escassez absoluta do oxigênio pelo consumo (no fogão ou chama-piloto de aquecedores) e a redução do transporte de oxigênio no sangue pela intoxicação por monóxido de carbono", enumera Prado, da SBPT. Como identificar um vazamento No caso do gás de cozinha, segundo especialistas, o primeiro passo para saber se há realmente um vazamento ou identificar o local do problema é passar uma esponja com água e sabão neutro nas conexões e nas superfícies suspeitas. O aparecimento de bolhas indica vazamento. Esse procedimento vale para quem tem botijão de gás em casa, presente em 95% dos lares brasileiros, segundo dados do Sindigás (Sindicato Nacional dos Distribuidores de Gás). Se o vazamento ocorrer durante o uso, a detecção é normalmente feita por "cheiro de gás", por causa do odor do mercaptano. Em relação ao gás natural encanado, o método para detectar vazamento é feito a partir do teste de estanqueidade, que verifica as condições de toda a tubulação e conexões. Esse teste é exigência do Corpo de Bombeiros e, segundo o órgão, é a única forma de garantir que não há vazamento no sistema. Além disso, outras orientações devem ser seguidas caso haja a suspeita de vazamento de gás. São elas: Feche a válvula de gás imediatamente Abra as portas e as janelas Não fume, não acenda velas, isqueiros ou produza qualquer tipo de faísca Não ligue nem desligue equipamentos eletrônicos, nem acione interruptores de eletricidade (luzes ou campainha, por exemplo). Em vez disso, desligue a chave geral de eletricidade. Não use telefone fixo ou celular. No caso de um vazamento, a recomendação é acionar o número de emergência da concessionária que fornece o gás ou o Corpo de Bombeiros de sua região. Também avise a seus vizinhos sobre o vazamento. Outra opção cada vez mais comum é instalar sensores de detecção de gás. Nesse caso, o consumidor precisa ficar atento à melhor maneira de instalá-lo. Também vai depender do tipo de gás a ser detectado. No caso do gás natural, é aconselhável colocar os sensores em paredes livres de obstáculos. O aparelho tem que estar próximo das articulações e da fonte principal de fornecimento. Cuidado com reformas Moro, da Comgás, também alerta para reformas, que "podem danificar as tubulações e modificar a ventilação permanente necessária". "Atenção também deve ser dada ao posicionamento da tubulação de gás, como no uso de furadeiras, que podem danificar o tubo e gerar vazamentos", acrescenta. Ele lembra ainda da necessidade de manutenção regular. "As instalações prediais que utilizam gás e as instalações e manutenções de equipamentos requerem profissionais habilitados para sua execução", conclui.
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Alguma coisa acertou a Via Láctea e não sabemos o que foi

sex, 24/05/2019 - 06:00

Satélite da Agência Espacial Europeia (ESA) que está mapeando a Via Láctea Divulgação/ESA Lembra do projeto Gaia? Aquele satélite da Agência Espacial Europeia (ESA) que está mapeando a Via Láctea inteira? O satélite, além de medir a posição de mais de 1 bilhão de estrelas, ainda está determinando a velocidade de quase 100 mil delas. Com a combinação das duas informações é possível estabelecer a distância até elas com extrema precisão. No fim das contas, o Gaia está produzindo o mais preciso e completo mapa da Via Láctea. Com isso, as estruturas já conhecidas, como o espalhamento de estrelas nas proximidades do Sol, estão revelando detalhes importantes que ajudam a explicar a morfologia da nossa galáxia. Mas o mapeamento está revelando também novas estruturas, como a deformação nas regiões exteriores. Essas novas estruturas só fazem aumentar a lista de perguntas ainda não respondidas. A última descoberta é ainda mais intrigante. A nossa galáxia possui alguns conjuntos de estrelas enfileiradas formando longas linhas. Essas “filas” de estrelas são originárias da destruição de aglomerados globulares que atravessam a nossa galáxia. Fazendo esses mergulhos perigosos, a gravidade da Via Láctea vai produzindo forças de marés, fazendo com que as estrelas sejam arrancadas do aglomerado e, como resultado da combinação das forças envolvidas, elas se alinham. Recentemente, Ana Bonaca, uma astrônoma envolvida com a missão Gaia, mostrou em uma conferência que a maior dessas fileiras de estrelas, chamada GD-1, tem uma interrupção. Sim, tem um buraco, como se alguma coisa a tivesse atravessado! Para ser mais preciso, o esperado era que a linha tivesse de fato uma interrupção, exatamente no local onde o aglomerado se rompeu. Nesse ponto, forma-se uma linha para cada lado e as estrelas seguem em fila, uma na direção oposta da outra. O que Bonaca apresentou nessa conferência foi que além desse buraco “progenitor”, a linha de GD-1 tem um outro, formando um vazio bem no meio da linha. Imagem de linha GD-1 Ana Bonaca/Gaia Mais ainda, o furo nessa linha tem em suas bordas muitas estrelas espalhadas ("spur" na figura), fruto da interação com o objeto que a atravessou. Mas, o que pode ter sido? Para causar o estrago que Bonaca e seus colaboradores encontraram, o objeto precisaria ter muita massa. Mas, em princípio, massa está associada a luminosidade, mesmo que seja em comprimentos de onda que não enxergamos como rádio, raios-X ou infravermelho. Então, deveria ser um bicho grande e brilhante, mas cadê? Nada foi encontrado. Pior, a massa estimada para gerar o estrago observado gira em torno de alguns milhões de massas solares. Nenhuma estrela tem tudo isso. Na verdade, essa é a escala de massa de buracos negros supermassivos, daqueles que habitam o centro das galáxias. No centro da Via Láctea tem um de cerca de 4 milhões de massas solares e o buraco negro no centro de M87, que teve imagem e tudo, tem da ordem de bilhões de massas solares. Pela primeira vez, telescópios conseguiram captar a imagem de um buraco negro, no centro da galáxia M87 Reprodução Mas o problema é outro, a ideia corrente é que uma galáxia possua apenas um buraco negro supermassivo. Colegas meus na USP até encontraram casos em que poderia haver dois buracos negros supermassivos na mesma galáxia, mas ambos estariam no centro dela, como resultado da colisão entre duas galáxias muito tempo atrás. Teria, então, um outro buraco negro atravessando nossa galáxia? Difícil dizer. Bonaca e colaboradores ainda admitem a hipótese de que o agente do impacto esteja dentro da Via Láctea, mas escondido por trás de nuvens de poeira, ou confundido com estrelas da nossa galáxia. A equipe já observou GD-1 com outros telescópios para medir a velocidade das estrelas para, de fato, identificar aquelas que fazem parte da fila, separando aquelas que parecem estar nela, mas, na verdade, é apenas um efeito de projeção. Outra possibilidade, ainda mais esquisita, é que a nossa galáxia teria sido atravessada por um, digamos, pedaço de matéria escura. Isso seria muito estranho no sentido que não se espera que a matéria escura se aglomere e se concentre em regiões do espaço, como uma nuvem, por exemplo. Pelo contrário, imagina-se que ela esteja dispersa, formando verdadeiros halos ao redor das galáxias. Dentre as soluções menos especulativas estão galáxias anãs e aglomerados globulares. São categorias de objetos diferentes, com escalas de massa e tamanho diferentes, mas que poderiam produzir estragos semelhantes a depender da sua velocidade. Objetos menos massivos, como os aglomerados, mas viajando a alta velocidade, produzem o mesmo efeito dinâmico que galáxias anãs, com mais massa, mas que tenham velocidades mais baixas. O trabalho da Ana ainda não foi publicado em uma revista arbitrada, ou seja, ainda não passou pela revisão de seus pares, mas a palestra dela teve boa aceitação e ela sobreviveu. Agora é juntar mais evidências para saber onde procurar o agente do impacto. Ela especula que o evento foi recente, na casa de dezenas de milhões de anos, mas como ainda não dá para dizer se ele vinha rápido ou devagar, não dá para dizer até onde ele deve ter entrado na Via Láctea.
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Entenda os riscos do monóxido de carbono, gás que pode ter provocado a morte de seis brasileiros no Chile

sex, 24/05/2019 - 05:00

Aparelhos movidos a combustíveis, como aquecedores elétricos, podem vazar gás que mata por asfixia em minutos. Empresa solicita aos locatários que instalem detector de monóxido de carbono nos imóveis. Bombeiros atendem a chamado por vazamento de gás em Santiago, capital do Chile @cbsantiago/Reprodução/Twitter Autoridades do Chile suspeitam que a inalação de monóxido de carbono (CO) causou a morte de seis brasileiros em um apartamento em Santiago, na noite de quarta-feira (22). Os oficiais acreditam que o gás invisível e sem cheiro pode ter vazado de um aparelho doméstico, como um aquecedor. De acordo com a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), as moléculas de monóxido de carbono se ligam à hemoglobina presente no sangue. Isso dificulta a circulação e distribuição do oxigênio – essencial para vida humana – no corpo. É uma morte por asfixia. Os sintomas da asfixia por monóxido de carbono são: Dores de cabeça Tontura Fraqueza Dores abdominais e vômitos Dor no peito Confusão mental Na maioria das vezes, as vítimas não percebem que estão sob efeito do monóxido de carbono justamente porque o gás não tem cheiro nem cor. Como evitar acidentes? Aquecedores a combustível podem vazar monóxido de carbono caso estejam mal posicionados ou sem manutenção. Confinado em um ambiente fechado ou sem janelas, o gás mata em minutos. Há também outros aparelhos que podem causar mortes pela inalação do CO, como geradores de energia e churrasqueiras. Veja como prevenir acidentes, de acordo com o Centro para Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês): Aquecedores ou qualquer outro aparelho doméstico movido a gás, óleo ou carvão devem passar por vistoria técnica ao menos uma vez por ano; Jamais deixe ligado um carro ou outro veículo na garagem, mesmo que haja uma porta aberta; Nunca use um fogão para aquecer a casa; Mantenha geradores e máquinas de lava a jato a ao menos seis metros de uma janela ou porta; Instale detectores em casa, dispositivos geralmente pequenos e que funcionam com pilhas ou baterias; Deixe o local imediatamente e procure os serviços de emergência caso sinta tonturas, dores e suspeite de vazamento de monóxido de carbono. Empresa pede que anfitriões instalem detectores A Airbnb, empresa de aluguel por temporadas pela qual a família brasileira alugou o apartamento em Santiago, afirma solicitar aos anfitriões que disponibilizem detectores de fumaça e monóxido de carbono dentro dos imóveis. No site oficial, a companhia diz que fornece o aparelho gratuitamente, quando solicitada. A instalação não é obrigatória – exceto quando a cidade ou o país tem uma lei ou regulamento específico sobre o assunto. Ainda assim, a Airbnb notifica os hóspedes quando estão prestes a alugar um imóvel sem detector de monóxido de carbono. Sobre o incidente em Santiago, a Airbnb informou ao G1 que os anfitriões têm direito a seguro de US$ 1 milhão – cerca de R$ 4 milhões. A empresa também disse que vai arcar com o traslado dos corpos, e que também presta assistência aos responsáveis por oferecer o apartamento – a identidade do locatário não foi revelada. Local onde os brasileiros foram encontrados mortos em Santiago, capital do Chile Guilherme Luiz Pinheiro/G1
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SpaceX lança primeiros satélites para rede que vai prover internet do espaço

sex, 24/05/2019 - 04:18

Um foguete Falcon 9 da empresa decolou de Cabo Canaveral, na Flórida, com 60 satélites. Empresa tem Elon Musk, da Tesla, em seu comando. Falcon 9 da SpaceX é lançado com 60 satélites em Cabo Canaveral, na Flórida, na quinta (23) Malcolm Denemark/AP A SpaceX lançou nesta quinta-feira (23) os primeiros 60 satélites de seu sistema "Starlink", cujo objetivo é prover Internet a partir do espaço. Elon Musk, que também é dono da montadora de carros elétricos Tesla, é quem está por trás da empresa espacial. Em 2018, o empresário chegou a enviar um carro Roadster para o espaço, durante o lançamento do 'superfoguete' Falcon Heavy. SpaceX anuncia contrato para levar ao espaço 1º turista para voar ao redor da Lua Um foguete Falcon 9 da empresa decolou de Cabo Canaveral, na Flórida, por volta das 22h30 local (23h30 em Brasília). Os satélites começaram a ser liberados uma hora após o lançamento, a uma altitude de 440 km, e usarão seus próprios propulsores para se posicionar em uma órbita relativamente baixa, a 550 km. Elon Musk anunciou o sucesso da operação por meio de seu Twitter. "Implementação bem-sucedida de 60 satélites Starlink confirmada", disse Musk. Initial plugin text Inicialmente, o lançamento estava previsto para a semana passada, mas foi adiado devido à necessidade de atualizações de um software. Cada satélite pesa 227 kg e foi construído em Redmond, na região de Seattle. Imagem mostra lançamento de foguete Falcon 9 com 60 satélites Starlink da SpaceX SpaceX / via AFP Photo SpaceX na corrida espacial A empresa do magnata Elon Musk lidera a corrida espacial privada. Musk espera captar entre 3% e 5% do futuro mercado global, o que poderá render à SpaceX US$ 30 bilhões ao ano, dez vezes mais do que arrecada com o lançamento de foguetes. SpaceX leva cápsula à Estação Espacial Internacional, em parceria com a Nasa A SpaceX obteve aprovação do governo dos Estados Unidos para lançar até 12 mil satélites, em diferentes níveis de órbita, mas Musk avaliou na véspera que mil serão suficientes para que o sistema seja "economicamente viável". A Starlink começará a funcionar assim que forem ativados 800 satélites, o que exigirá uma dúzia de lançamentos. "Acredito que dentro de um ano e meio, talvez dois, se as coisas forem bem, é provável que SpaceX tenha mais satélites em órbita que todos os demais satélites combinados", disse Musk na semana passada. Atualmente, há cerca de 2.100 satélites ativos orbitando a Terra, além de milhares já inativos. Para reduzir o risco de acidente com outros satélites, cada equipamento da Starlink contará com tecnologia contra colisão, segundo a SpaceX. Para receber o sinal de Internet da SpaceX os usuários precisarão de uma antena que "basicamente se parece com uma pizza média", disse Musk. Em 2018, SpaceX enviou Tesla Roadster para o espaço SpaceX via AP
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Slime com bórax pode provocar queimaduras e intoxicação; entenda riscos da ingestão e do contato

qui, 23/05/2019 - 18:50

Composto químico é tóxico se ingerido ou absorvido pela pele. Bórax contém ácido bórico, substância que também está contida em outros ingredientes usados para fazer slimes. Pediatras e químicos alertam para os riscos de intoxicação com slime Sesc Garanhuns/Divulgação A utilização do produto químico bórax na confecção do slime pode comprometer a saúde das crianças. O slime é a massa colorida, de aspecto gosmento, que pode ser comprada em lojas ou produzida em casa. O bórax é um dos ingredientes usados, mas ele tem ácido bórico em sua composição e pode causar inchaço, vermelhidão e queimaduras no contato com a pele. Se ingerido ou inalado em grandes quantidades, o bórax pode provocar ainda dor abdominal, náuseas, vômito e até hemorragia no sistema digestivo. O contato constante com as mãos pode levar a dermatites e desgaste das digitais, com potencial de provocar lesões. A água boricada, que pode ser usada no lugar do bórax para dar consistência gelatinosa à massa, também contém ácido bórico, mas em concentração mais baixa e considerada opção mais segura por pediatras. A toxicidade do bórax no slime pode aumentar se o produto for combinado com outras substâncias químicas, como as presentes em corantes, amaciantes e cremes de barbear - ingredientes que também são usados em algumas receitas de slime. Ana Escobar alerta para os riscos do slime Riscos do slime "O grande problema do slime é ter o bórax na composição", explica a pediatra Ana Escobar, colunista do G1. A médica indica que os pais não comprem slimes que tenham bórax na lista de ingredientes. Escobar recomenda ainda que os adultos não permitam que a substância seja usada na confecção de slimes caseiros. Para Werther Brunow de Carvalho, coordenador de pediatra do Hospital Santa Catarina, as brincadeiras com slime devem ser sempre supervisionadas pelos pais ou responsáveis das crianças. "Quando a brincadeira é com um slime feito em casa a gente tem que ter ainda mais precaução", alerta Carvalho. "Quando a criança vai fazendo a mistura, pode acabar colocando uma quantidade de ácido bórico muito maior do que a encontrada em produtos industrializados." O bórax em pó ou líquido é usado em receitas de slime e põe em risco a saúde das crianças Pixabay Como brincar de slime com segurança? Os pediatras Ana Escobar e Werther Brunow de Carvalho dão dicas de como crianças e adultos podem manusear o slime de maneira segura: Prefira os slimes vendidos prontos em lojas de brinquedos, considerados mais seguros por pediatras. Escolha produtos que não contenham bórax na lista de ingredientes. Se optar pelo slime caseiro, um adulto precisa estar responsável pela confecção do brinquedo. Opte por receitas de slime que não contenham bórax e que levem pequenas quantidades de água boricada. Utilize avental e luvas na hora de misturar os ingredientes do slime. Faça a mistura sempre em locais abertos e bem arejados. Evite acrescentar amaciante ou espuma de barbear, produtos que podem reagir com o ácido bórico. Guarde os produtos utilizados na confecção do slime em locais de difícil acesso para crianças. Limite o tempo de contato da criança com o slime a até 30 minutos por período. Lave as mãos das crianças com bastante água corrente depois da brincadeira. Para evitar a sensibilização da pele, aplique produtos hidratantes nas mãos depois de limpas. Efeitos do bórax na saúde A intoxicação causada pelo bórax pode ocorrer pelo contato da substância com a pele ou pela ingestão e inalação do composto. "O mais perigoso é ingerir o bórax, colocando a mão suja de slime na boca, por exemplo", explica Escobar. Nesses casos os sintomas da intoxicação são dor abdominal, náuseas, vômito e até hemorragia. Já o contato da pele com a substância pode ocasionar sintomas locais, como inchaço, vermelhidão e queimaduras. As lesões podem ser ainda mais graves se ocorrerem em áreas de mucosas, como lábios e olhos. Como ainda não existe no Brasil um exame laboratorial que comprove a intoxicação por bórax, o diagnóstico é feito por exclusão, com exames que descartem outras doenças. Não há antídoto para o bórax, por isso o tratamento é paliativo e focado em aliviar os sintomas da contaminação. Desde a suspeita de contaminação a criança deve se afastada imediatamente dos produtos que contêm a substância. O que é bórax? Também conhecido como borato de sódio, o bórax é um mineral derivado da mistura de um tipo de sal com ácido bórico. O ácido bórico é um ingrediente comum em diversos produtos cujo consumo e manuseio é seguro para humanos. A água boricada, usada em várias receitas de slime e também no tratamento de doenças oftalmológicas, é feita com ácido bórico em baixa dosagem e diluído em água. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) classifica o bórax como uma substância altamente tóxica e determina que ela esteja presente em concentrações de no máximo 20% nos produtos comercializados no país. De acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês), dos Estados Unidos, o boráx é uma substância perigosa que pode causar irritações na pele, olhos, nariz e garganta. Slime é um tipo de massa elástica, que pode ser produzida em casa pelas crianças Reprodução/TV Globo Alguns órgãos de saúde pelo mundo já alertaram para os riscos que a exposição contínua ao bórax pode trazer. Em 2016 a agência de saúde do Canadá emitiu um parecer recomendando que os pais evitem o bórax na confecção de slimes caseiros. Um estudo conduzido pelo órgão canadense mostrou que a exposição excessiva a grandes concentrações de ácido bórico teria potencial para causar problemas na saúde reprodutiva e no desenvolvimento de crianças e fetos. A Comissão Europeia também alerta que o contato com grandes quantidades de ácido bórico pode afetar a fertilidade. A instituição recomenda que o contato com produtos que contêm bórax seja feito dentro dos limites indicados pela comissão.
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Brasil vota contra decisão da OMS que pede apoio de saúde à Palestina

qui, 23/05/2019 - 16:53

Apesar do voto contrário da delegação brasileira, projeto foi aprovado por 96 a 11. Itamaraty justificou que a OMS 'deve priorizar temas relacionados à saúde'. Mulher palestina e criança em campo de refugiados em Gaza REUTERS/Ibraheem Abu Mustafa O Brasil votou contra um projeto apresentado na Organização Mundial da Saúde (OMS) que estabelece uma série de medidas de apoio médico-hospitalar à Palestina. Apesar do voto brasileiro contrário, a proposta foi aprovada na quarta-feira (22) por 96 votos a favor e 11 contra, além de 21 abstenções. Aprovado com o título "Condições de Saúde nos Territórios Palestinos Ocupados, incluindo Jerusalém Oriental, e no Golã Sírio Ocupado", o texto pede à Direção-Geral da OMS que: Forneça apoio aos serviços de saúde da Palestina; Assegure o fornecimento de vacinas, medicamentos e equipamentos médicos em linha com padrões e leis internacionais; Garanta assistência técnica para o atendimento médico aos palestinos, inclusive detentos; Apoie o desenvolvimento de um sistema de saúde nos Territórios Palestinos, com foco no desenvolvimento e na alocação de recursos humanos e financeiros. A delegação brasileira em Genebra (Suíça) justificou o voto ao dizer que "a OMS deve priorizar temas relacionados à saúde, em conformidade com os mandatos da Organização". "O Brasil considera que o acordo constitutivo da OMS confere à Organização mandato abrangente para acompanhar a situação de saúde em qualquer região do globo, à luz de critérios técnicos e do quadro objetivo no terreno", afirmou o Itamaraty. O voto contrário do Brasil está em linha com a decisão de países como Estados Unidos, Israel, Alemanha e Hungria. A favor do texto, votaram representantes de delegações como Rússia, China, França e Japão – além das 26 nações de maioria muçulmana que apresentaram o texto junto com Bolívia, Cuba e Venezuela. Voto em linha com Israel O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, durante reunião em comissão na Câmara Vinicius Loures/Câmara dos Deputados O voto do Brasil na OMS condiz com a nova postura do país nas relações internacionais desde o início do governo de Jair Bolsonaro, com forte aproximação de Israel, entre outras mudanças. Em março, o Brasil votou contra resoluções apresentadas no Conselho de Direitos Humanos da ONU que pediam a condenação de Israel por repressão a civis na fronteira da Faixa de Gaza. No dia da votação, o ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo, comentou a votação em uma rede social. "Apoiar o tratamento discriminatório contra Israel na ONU era uma tradição da política externa brasileira dos últimos tempos", escreveu. "Estamos rompendo com essa tradição espúria e injusta, assim como estamos rompendo com a tradição do antiamericanismo, do terceiromundismo e tantas outras", disse Araújo na ocasião.
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Defensoria Pública reconhece visão monocular como deficiência e garante reserva de vagas em concursos

qui, 23/05/2019 - 14:17

Atendimento prioritário também será oferecido pelo órgão. Apenas cegueira ou baixa visão costumam ser consideradas deficiências. Jornalista Amália Barros tem visão monocular Reprodução/Instagram A Defensoria Pública da União decidiu, nesta quinta-feira (23), considerar a visão monocular como deficiência. Portanto, pessoas que enxergam apenas com um dos olhos terão direito à reserva de vagas em concursos públicos do órgão e ao atendimento prioritário. Pela resolução, publicada no Diário Oficial da União, o grupo passará a ter esses benefícios previstos na Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência e na Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. A Defensoria Pública entende que, como a visão monocular impõe um impedimento de longo prazo, deve ser considerada deficiência - assim como a cegueira total ou a baixa visão. Pessoas que não enxergam com um dos olhos têm limitações nas noções de profundidade e de tamanho relativo, por exemplo. Discussão na Justiça A discussão sobre o assunto corre na Justiça também por meio do Projeto de Lei nº 1645, de 2019, que busca assegurar aos cidadãos com visão monocular os mesmos direitos previstos na legislação da pessoa com deficiência. Ele foi apresentado em 14 de maio na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa e segue em tramitação. Caso seja aprovado, esse grupo passaria a ter acesso, entre outros fatores: a serviços do SUS que promovam políticas públicas de acessibilidade; à educação inclusiva (vedada cobrança de mensalidade extra); a provas acessíveis em universidades (se comprovada a necessidade); à prioridade em serviços de socorro e proteção; à disponibilização de recursos que garantam igualdade; a estações e terminais de transporte público com garantia de embarque e desembarque; à comunicação acessível; à restituição do imposto de renda. O projeto é chamado de "Lei Amália Barros", nome de uma jornalista que tem visão monocular e que defende a causa. "Luto para que o governo deixe de considerar a colocação de prótese ocular como procedimento estético e passe a pagar a cirurgia para quem precisa. Uma mulher com câncer de mama tem direito à prótese do seio, o que é justo. Por que com o olho não existe o mesmo entendimento?", questiona Amália. Nas redes sociais, uma campanha busca chamar atenção para a importância dos direitos desse grupo - cantores famosos postaram fotos cobrindo um dos olhos com a mão. Initial plugin text Em abril de 2009, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) também discutiu o tópico e decidiu, na Súmula nº 377, que a visão monocular asseguraria o benefício de concorrer, em concursos públicos, às vagas reservadas aos candidatos com deficiência. Ainda assim, persistem os casos em que esse direito é negado.
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Unicamp cria biscoito 'Brasileirinho' de arroz e feijão com alto valor nutricional e sem glúten

qui, 23/05/2019 - 13:18

Receita crocante foi realizada no laboratório de Engenharia de Alimentos em Campinas e atende às necessidades de pessoas com restrições alimentares. Pesquisadores criam combinação de arroz com feijão em forma de biscoito Pesquisadores da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp em Campinas (SP) desenvolveram um biscoito com altos valores nutricionais com dois ingredientes básicos da alimentação brasileira: o arroz e feijão. Apelidado de "Brasileirinho", o biscoito apresenta uma combinação nutritiva de proteínas, lipídios, minerais, carboidratos, entre outras propriedades. O arroz e o feijão consumidos separadamente não garantem o mesmo benefício. Para o pesquisador e doutor em alimento e nutrição David Welei Silva, é um estímulo ao consumo. "Quando você junta os dois, você tem esse fator complementar que torna ambos muito melhores do que cada um individualmente. Nutricionalmente falando, é uma fórmula campeã", explica o especialista. A reportagem da EPTV, afiliada da TV Globo, apresentou a opção para os consumidores, que aprovaram. Veja como foram as impressões no vídeo acima. Biscoito de arroz e feijão desenvolvido pela Unicamp em Campinas. Reprodução/EPTV O sabor do biscoito foi uma das preocupações da pesquisa, assim como a busca por um produto que agrade e atenda às necessidades de pessoas que possuam alguma restrição alimentar e enfrentam carência de opções no mercado. "Ele é muito indicado para essa população intolerante ao glúten, ou alérgico ao glúten, ou celíaco, e também para o público vegetariano porque não vai nada de origem animal, o público vegano", complementa o pesquisador. O biscoito não é um substituto de um prato de arroz e feijão, levando em consideração que cada pacote do "Brasileirinho" contém seis biscoitos, que equivalem a uma colher de arroz e meia colher de feijão. Entretanto, a porção de proteínas, vitaminas, sais minerais e fibras pode ser levada na bolsa ou na mochila. É uma opção para quem vive na correria e acaba sempre trocando o arroz e o feijão por lanches rápidos e menos nutritivos. Outro benefício é que a validade é de até dois meses. Biscoito 'Brasileirinho' de arroz e feijão tem alto valor nutricional, aponta pesquisa da Unicamp em Campinas. Reprodução/EPTV A estudante Luiza Morais Rossi é alérgica a glúten desde a adolescência. Recentemente, também descobriu a intolerância à lactose, o que dificulta na hora de encontrar alternativas para não abrir mão de pães, salgadinhos e queijos. Ela aprovou a versão compacta de arroz e feijão. "É gostoso, bem bom! Dá para sentir o gostinho do feijão mesmo. Eu levaria na bolsa sim", comenta Luiza. A próxima etapa da pesquisa é patentear a fórmula do produto para comercializá-lo em padarias mercados, para toda a população. Para o pesquisador, o público poderá se acostumar ao novo modelo de alimentação básica do cotidiano. "Agora no formato crocante", brinca. Pesquisador da Unicamp em Campinas desenvolve biscoito de arroz e feijão com alto valor nutricional. Reprodução/EPTV Veja mais notícias da região no G1 Campinas
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Como nossos dentes podem ajudar a ciência

qui, 23/05/2019 - 13:00

Diversas universidades brasileira mantêm bancos de dentes humanos para pesquisas odontológicas e com células-tronco; veja como doar. Além dos dentes de leite infantil, os permanentes também podem ser úteis em pesquisas científicas Pixabay Depois de perder um dente ao cair enquanto brincava, a professora Tamiris de Souza Rodrigues, na época com 12 anos, recebeu atendimento na Faculdade de Odontologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Ao ser avaliada, os dentistas informaram à menina que o dente não poderia ser recolocado e seria substituído por um de resina. "Os dentistas me explicaram, então, que eu poderia doar meu dente para pesquisas na universidade, e eu o doei", lembra Tamiris. O dente permanente da professora infantil foi para um Banco de Dentes Humanos, uma instituição sem fins lucrativos vinculada às universidades, que utilizam dentes humanos para desenvolverem estudos como parte de cursos de graduação, mestrado e doutorado. "Inúmeras pesquisas utilizam dentes em seus estudos. As mais comuns são: endodontia (tratamentos de doenças e lesões da polpa dentária), dentística (odontologia estética e restauração), ortodontia (alinhamento dos dentes), odontopediatria, próteses e implantes", explica o professor José Carlos Imparato, da Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo. "Nos dentes dos Bancos de Dentes Humanos, aprimoramos técnicas com os alunos e pesquisadores para tratar canais, testamos materiais, como as massinhas para cobrir buracos deixados por cárie e etc", prossegue Imparato. "São graças às pesquisas com dentes cariados, por exemplo, que hoje é muito menos invasivo retirar uma cárie." Atualmente, Tamiris é mãe de um menino de cinco anos que acabou de perder o primeiro dente de leite. Em vez de jogar o dente no lixo ou deixá-lo para a "fada do dente", Tamiris mais uma vez doará o dente às pesquisas. A iniciativa pode ser repetida por qualquer pessoa, explica Imparato - que é coordenador do BioBanco de Dentes da Faculdade de Odontologia da USP. "Quaisquer dentes são aproveitados nos Bancos de Dentes Humanos tanto para a pesquisa como para o ensino: dentes sadios, restaurados, cariados, fraturados, permanentes ou decíduos (dentes de leite). Até o dente do siso serve para pesquisas e pode ser doado", explica Imparato. Além das pesquisas odontológicas, nos anos 1990 a comunidade científica mundial descobriu que a polpa dentária era rica em células-tronco e, desde então, os dentes também têm sido usados em pesquisas sobre regeneração óssea e doenças genéticas, como o autismo. Doação de órgãos No momento, o BioBanco da USP faz uma campanha nacional de doações de dentes de leite chamada O Endereço da Fada de Dente. Os dentes podem ser levados pessoalmente à Faculdade de Odontologia, em São Paulo, ou enviados pelo correio, acompanhados de um termo legal de autorização assinado pelo responsável do doador. "Além de precisarmos desses dentes de leite para continuarmos nossas pesquisas, gostaríamos que as famílias estimulassem os filhos a doarem seus dentes e enfatizar a eles que isso é o mesmo que doar órgãos", afirma Imparato. "Quem sabe um dia nós teremos uma geração mais sensível à doação de órgãos." No Brasil, dentes humanos também são utilizados em alguns laboratórios que desenvolvem pesquisas com células-tronco da polpa dentária Pixabay Ao saber da campanha do BioBanco de dentes da USP, a jornalista Juliana Procópio lembrou que tem guardado um de seus dentes de leite há 20 anos. "Me surpreendi ao saber que, mesmo depois de décadas e sem armazenamento especial, o meu dente de leite ainda serve para as pesquisas". A mãe da jornalista é quem guardava os dentes de leite junto com outras lembranças da infância da filha, mas, tempos atrás, a mãe resolveu jogar os dentes de Juliana fora. "Eu fiquei com dó, apenas pela memória emocional, de ver os meus primeiros dentes irem para o lixo. Daí eu peguei um e guardei-o comigo, mas agora vou doá-lo ao BioBanco da USP", conta a jornalista. O coordenador Imparato explica que qualquer dente humano, independentemente do tempo e do modo como foi guardado, pode ser doado a um Banco. "Não há limite de tempo para um dente. A única coisa que chamamos atenção é que um dente de leite, por ser menor e frequentemente não ter raiz, tem maior chance de fraturar do que um dente permanente quando está fora da boca". Segundo a tese de doutorado Levantamento dos Bancos de Dentes Humanos dos Cursos de Odontologia no Brasil, existem cerca de 64 bancos do tipo em todo o país vinculados às principais faculdades de odontologia do país, que são mantidos exclusivamente por meio da doação de dentes, já que o comércio do órgão é ilegal. "É importante lembrar que o dente é um órgão humano como qualquer outro", explica a professora da Universidade Estadual de Feira de Santana Dayliz Quinto Pereira, coordenadora do Banco de Dentes Humanos da UEFS. "Por isso, pesquisas que envolvem dentes humanos, assim como pesquisas com outros órgãos, só podem ser publicadas em revistas científicas após aprovação do Conselho de Ética e com a autorização legal do doador do dente". A remoção, manipulação e doação do dente humano está submetida à Lei 9.434/97, Lei de Transplantes, que dispõe sobre todas as partes do corpo humano utilizadas em transplantes, estudos e tratamentos. De acordo com a Lei, quem remove órgãos e tecidos inclusive após a morte de pessoas de maneira não identificada pode ser condenado à pena de três a oito anos de prisão. Células-tronco do dente No Brasil, desde os anos 2000, os dentes humanos também são utilizados em alguns laboratórios que desenvolvem pesquisas com células-tronco da polpa dentária. É o caso do BDH da UEFS. "Nosso BDH tem bolsistas que iniciaram pesquisas sobre as vantagens e desvantagens em utilizar células-tronco encontradas na polpa dos dentes, uma vez que temos uma estrutura física que favorece a retirada e armazenamento das células-tronco dentária", explica Pereira. Uma vantagem de se utilizar a célula-tronco da polpa dentária está na facilidade e no procedimento minimamente invasivo em remover dos dentes estas células quando comparada às outras fontes de células-tronco, como o tecido adiposo, cordão umbilical e medula óssea. Em 2005, a professora do Instituto de Biociência da USP Maria Rita dos Santos e Passos-Bueno, começou a desenvolver as primeiras pesquisas brasileiras em células-tronco retiradas dos dentes de leite. "Os objetivos iniciais eram avaliar o uso das células-tronco dos dentes de leite para reconstrução óssea do tecido craniano", afirma Passos-Bueno, explicando que foi comprovado nos primeiros estudos que essas células eram capazes de acelerar o processo de regeneração óssea do crânio. Atualmente, as células-tronco da polpa dentária têm sido usadas nos estudos sobre doenças genéticas como fissuras lábio-palatinas (FLP) e autismo. "A partir das células-tronco da polpa dentária, buscamos novos caminhos para a compreensão de doenças genéticas", explica a pesquisadora. "Em relação às fissuras lábio-palatinas, descobrimos que o mau funcionamento de genes de reparo de DNA, como BRCA1, pode contribuir para o nascimento de uma criança com FLP. Já em autismo, o uso dessas células foi importante para demonstrarmos a associação de um novo gene, o TRPC6, ao autismo". Quando questionada se um dia será possível que células-tronco retiradas do dente de leite sejam armazenadas para que, no futuro, seu próprio dono use-as para tratar uma doença ou lesão craniofacial grave, Passos-Bueno é otimista. "Sim, é possível, mas ainda não temos como predizer, principalmente porque não temos bancos de células-tronco de não doadores-específicos", afirma a pesquisadora, se referindo à possibilidade de, no futuro, cada pessoa poder ter um banco formado por suas próprias células-tronco e para uso próprio. De volta à professora Tamiris, ela comprou uma caixinha para guardar os dentes de leite do filho de cinco anos. "Vou doar, com os próximos que cairão, para a Faculdade de Odontologia da UFRJ, igual fiz dez anos atrás com meu próprio dente", conta ela, que mesmo assim não conseguiu se esquivar da "fada do dente". "Expliquei ao meu filho que doaríamos o dente, mas um dia ele chegou da escola falando que um amigo havia contado sobre a fada do dente. Eu deixei ele colocar o dente por uma noite embaixo do travesseiro dele, deixei um dinheiro ali, como diz a história, mas, no dia seguinte, voltei a guardar o dente na caixinha." Como doar dentes Interessados em doar dentes de leite para a campanha O Endereço da Fada do Dente da USP, é preciso acessar o site www.enderecodafadadodente.com.br e preencher um formulário com nome e endereço. Os doadores receberão em casa uma carta, já selada, pronta para a doação dos dentes, e um termo de autorização obrigatório, que deve ser assinado e enviado junto com o dente. "Mas também precisamos de dentes permanentes constantemente", lembra o coordenador do BHD da USP, José Carlos Imparato. No caso de doação de dentes permanentes, eles devem ser levados pessoalmente na Faculdade de Odontologia da USP, no endereço Av. Prof. Lineu Prestes, 2227 - Butantã, São Paulo - SP, 05508-000, entre as 14h e 17h. Para doar dentes para o BDH da UEFS, é preciso ir pessoalmente no endereço Av. Transnordestina, S/N - Bairro Novo Horizonte Feira de Santana, Bahia - CEP: 44.036-900. Os dentes devem estar em embalagem plástica ou em recipiente fechado com água de torneira. Todos os tipos de dentes, assim como em qualquer estado e tempo de conservação, podem ser doados.
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Programa que amplia o horário de atendimento nas unidades de saúde atinge 15% da meta

qui, 23/05/2019 - 11:24

São 151 unidades de saúde da família pelo país. Meta é atingir 1 mil neste ano. A adesão é voluntária. Unidade Básica de Saúde em Ribeirão Preto, SP Foto: Antonio Luiz/EPTV O programa de ampliação do atendimento na saúde básica atraiu 151 das 1 mil unidades de saúde da família mapeadas pelo governo para participarem da iniciativa. A adesão é voluntária. O objetivo é garantir que a população tenha acesso aos serviços de saúde fora do horário comercial. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (23) pelo Ministério da Saúde. Até agora, 29 das 400 cidades aptas a participarem da iniciativa já se inscreveram no programa, segundo o governo. Os estados com o maior número de inscrições são Paraná (47), Mato Grosso do Sul (33) e Santa Catarina (28). O Ministério da Saúde lançou o programa há uma semana e o procedimento de adesão foi aberto na sexta-feira (17). De acordo com Erno Harzheim, secretário de Atenção Primária à Saúde, o número é satisfatório. “Foram quatro dias de adesão aberta, e são 15% da meta deste ano. Daqui a pouco vou ter que ir no gabinete do ministro pedir mais recursos para atender a demanda", afirmou. Financiamento O programa tem orçamento de R$ 150 milhões, que serão transferidos para os municípios aplicarem na ampliação do serviço. Os repasses dependem do tamanho das equipes. “O financiamento é suficiente para responder por aproximadamente 50% do custo, claro que tem que ter a contrapartida municipal. Mas estamos dobrando o valor que anteriormente repassávamos para estas cidades”, afirma Harzheim. Pedidos em análise O Ministério da Saúde disse que, das 151 unidades que fizeram a solicitação, 110 delas tiveram os pedidos finalizados e agora passam por análise técnica. As demais 41 unidades encontram-se em processo de preenchimento de informações pelos gestores municipais de saúde. Segundo o ministério, além da meta deste ano, o objetivo é atrair até 1,3 mil unidades básicas de saúde em 2020; até 1,7 mil em 2021 e até 2 mil em 2022. Governo vai priorizar grandes cidades na ampliação do horário de atendimento de unidades de saúde Em geral, os serviços de atenção básica à saúde funcionam das 7h às 11h e das 13h às 17h, na grande maioria das cidades. A ideia é ter unidades abertas no horário do almoço, de noite e até aos finais de semana. Tipos de unidades de saúde O governo propõe os seguintes modelos de unidades de saúde: atendimento de 60 horas semanais, sem saúde bucal atendimento de 60 horas semanais, com saúde bucal atendimento de 75 horas semanais, com saúde bucal Requisitos: abrir na hora do almoço abrir à noite e, se quiser, aos finais de semana manter atualizado o prontuário eletrônico possuir infraestrutura adequada para comportar as equipes 50% dos atendimentos serão sem agendamento oferecer consultas médicas e de enfermagem nos três turnos (manhã, tarde e noite) oferecer consultas de pré-natal oferecer vacinação fazer coleta para exames laboratoriais realizar pequenos procedimentos cirúrgicos, como suturas
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Mayaro: o que se sabe e o que falta saber sobre o novo vírus transmitido por mosquitos que pode estar circulando no Rio

qui, 23/05/2019 - 08:52

Pesquisadores da UFRJ identificaram casos de três pacientes infectados em 2016; sintomas semelhantes fazem deste vírus um 'primo' da chikungunya. Mosquito: dengue, zika e chikungunya são transmitidas pelo Aedes Aegypti; febre do mayaro, pela picada de Haemagogus Emphyrio/Pixabay Além dos nomes dengue, zika e chikungunya, os moradores e o poder público do Rio de Janeiro poderão ser apresentados a outro vírus, também transmitido por mosquitos e que dá indícios de ter adoecido pessoas do Estado nos últimos anos: o mayaro. Na semana passada, o Laboratório de Virologia Molecular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) divulgou que seus pesquisadores, liderados por Amilcar Tanuri e Rodrigo Brindeiro, confirmaram casos de infecção pelo mayaro em três pacientes adoecidos em 2016, todos da cidade de Niterói. O mayaro é endêmico (tem presença contínua) na Amazônia e é normalmente transmitido pelos mosquitos do gênero Haemagogus, que vive nas matas e também é conhecido por propagar a febre amarela silvestre. É um perfil diferente do Aedes aegypti, vetor da dengue, zika, chikungunya e da febre amarela urbana - já que este vive nas cidades. Brasil registra 5 vezes mais casos de dengue que no ano passado Em entrevista à BBC News Brasil por telefone, Tanuri explicou que sua equipe ainda busca detalhes sobre os deslocamentos destes pacientes para, por exemplo, regiões de mata no próprio Estado fluminense – mas suas fichas indicam que eles não viajaram para regiões endêmicas no período em que foram infectados. A notícia da chegada do mayaro ao Estado prenuncia desafios: a infecção por ele causada gera sintomas semelhantes à causada por chikungunya, como febre alta e dores articulares, o que dificulta o diagnóstico. Por isso, ele é chamado de "primo" da chikungunya. A gravidade da infecção pelo mayaro é considerada moderada, mas já houve casos com complicações sérias como hemorragia, problemas neurológicos e até morte. Não há imunização ou tratamento específico para a doença, mas sim o controle de seus sintomas, como por exemplo o uso de remédios para controlar a febre. A confirmação da presença do mayaro no Rio também é um passo inicial diante de muitas incógnitas ainda a serem descobertas pelos cientistas; entenda. O que se sabe sobre a doença O vírus foi isolado pela primeira vez na década de 50 a partir de amostras de sangue de pacientes infectados em Trinidad e Tobago, na América Central. Casos no Brasil já foram registrados ainda em 1955 em um surto em Belém do Pará, e posteriormente em outras partes da Amazônia e do Centro-Oeste, como em Goiás há quatro anos. Em outros países, a proximidade com a floresta também é decisiva na manifestação da doença, como em regiões do Peru, Bolívia e Venezuela. "Os principais celeiros das arboviroses (vírus transmitidos por artrópodes, como os mosquitos) estão na floresta amazônica, com 192 tipos de vírus (já descritos), mas nem todos em humanos; e a costa oeste da África, com mais 600 tipos", explica o epidemiologista. No caso do mayaro, mamíferos - incluindo os humanos - e até aves já foram descritos como hospedeiros para o vírus, ou seja, são "reservatórios" cujo material infectado é transmitido pelos mosquitos. Os insetos do gênero Haemagogus são o principal vetor, mas pesquisadores acreditam que o Aedes aegypti pode ser um transmissor "competente" do vírus - e isto traz implicações sérias para o desenvolvimento da doença nas cidades. O que falta entender Os pesquisadores da UFRJ identificaram o mayaro a partir da análise a nível molecular de 279 amostras que, pelos sintomas, indicavam infecção por chikungunya. Pesquisadores da UFRJ anunciam que descobriram vírus mayaro no estado do Rio Mas 57 destas amostras não puderam confirmar a presença da chikungunya, e então os cientistas fizeram uma reanálise delas. Com uma técnica chamada PCR em Tempo Real, a equipe conseguiu finalmente identificar um gene específico do mayaro em três amostras. Os resultados devem ser consolidados e publicados nos próximos meses em um artigo. "Nosso interesse agora é descobrir se em 2019 o vírus continua circulando. Se está circulando, onde? E ele já pôde infectar mosquitos urbanizados?", indica Amilcar Tanuri. Para buscar estas respostas, a equipe está correndo atrás de amostras de pacientes infectados neste ano, inclusive em outras partes do Estado como cidades que já tiveram casos de febre amarela silvestre - portanto, envolvendo o Haemagogus ou ainda o mosquito Sabethes. E, como indicou Tanuri, os cientistas procuram também indícios se o Aedes já possa ter picado um hospedeiro do mayaro e estar transmitindo o vírus, ampliando em muito a possibilidade de expansão da doença nas cidades. Neste cenário, uma das medidas mais importantes a ser tomada já é conhecida - mas ainda deficiente: o combate ao mosquito, com a promoção do saneamento e da limpeza, impedindo a proliferação de ovos e larvas do vetor na água parada, por exemplo. "(Este tipo de arbovirose) É um subproduto da expansão das fronteiras agrícolas, da entrada da zona urbana dentro da mata, do movimento de pessoas", explica Tanuri. Desafios para levar pesquisa adiante Segundo o cientista, dos mais de 6 mil casos relatados pelo Estado do Rio de Janeiro como indicativos de chikungunya neste ano, cerca de 20% não foram conclusivos para confirmação desta doença - o que abre margem para que possam na verdade incluir casos de mayaro. Mas estudar milhares de amostras implica em custos e demanda investimentos, o que joga luz sobre obstáculos sérios a serem enfrentados na investigação. Segundo Tanuri, "desde 2014" o investimento em pesquisa através de órgãos de fomento federais e estaduais vem caindo, e agora neste ano o cenário deve ser agravado pelo contigenciamento de verbas para universidades federais como a UFRJ - afetando condições básicas para o estudo, como o fornecimento de luz, água, limpeza e segurança. Em 2016, o trabalho da equipe de Amilcar Tanuri e Rodrigo Brindeiro no laboratório da UFRJ chegou a uma das publicações científicas mais importantes do mundo, a revista Lancet, na qual os brasileiros apresentaram o sequenciamento completo do genoma do zika. Dados do Ministério da Saúde mostram que, de dezembro de 2018 ao início de maio, o Rio de Janeiro foi o Estado com a maior incidência de chikungunya no país - configurando um surto. Já em relação à dengue, zika e febre amarela, um relatório de janeiro do governo estadual mostra que a situação é melhor do que nos anos anteriores.
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Como as doenças crônicas afetam a mobilidade dos idosos

qui, 23/05/2019 - 06:01

Mesmo inconscientemente, os mais velhos vão limitando seus movimentos Sabemos que as doenças crônicas acabam limitando a capacidade de locomoção dos idosos. Normalmente, as pessoas têm consciência de sua condição em casos mais graves, que provoquem muita dor ou limitações funcionais; no entanto, se a progressão da enfermidade é lenta, é comum que a restrição gradual de mobilidade passe despercebida. Numa interessante pesquisa realizada na Universidade de Jyväskylä, na Finlândia, foram monitorados os movimentos de 779 gêmeos, com a idade variando entre 71 e 75 anos, dentro de casa. O estudo mostrou que as doenças crônicas – artrite reumatoide, osteoartrite, diabetes, doença coronariana, por exemplo – afetavam significativamente a mobilidade dos idosos, sem que eles se dessem conta disso. Indivíduos saudáveis dão, em média, 7 mil passos por dia (cerca de 4.5 quilômetros). Entretanto, os que eram portadores de pelo menos três enfermidades davam menos de 4 mil passos. Restrição gradual de mobilidade de idosos pode passar despercebida Dave Haygarth - originally posted to Flickr as Jean's Bionic Knee / https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=5307210 Os pesquisadores, que acompanham esse grupo desde 1975, concluíram que o volume de atividade física na juventude não tinha influência nos resultados: a grande diferença na capacidade de locomoção era entre quem estava mais ou menos saudável. Para o professor Urho Kujala, coordenador do estudo, o resultado indica a importância de exercícios personalizados com o objetivo de manter a independência dos pacientes. Exercitar-se é um mantra dessa coluna, corroborado por todas as pesquisas científicas. Uma delas, feita pela faculdade de medicina da Northwestern University, em Chicago, mostra que uma hora de caminhada vigorosa por semana – por se-ma-na! – ajuda a prevenir problemas de mobilidade em idosos com osteoartrite. “São menos de dez minutos por dia para o paciente manter sua independência”, resume a professora Dorothy Dunlop, completando: “atingindo esse patamar, o indivíduo pode se motivar a adotar um estilo de vida que inclua atividade física, o que certamente trará inúmeros benefícios para sua saúde”. O ritmo dessa caminhada seria o equivalente a andar como se a pessoa estivesse atrasada para chegar a um compromisso. Os benefícios mapeados: habilidade de realizar tarefas como vestir-se ou ser capaz de atravessar a rua durante o tempo do sinal verde para pedestre. No Brasil, cerca de 12 milhões sofrem de osteoartrite. Depois que a doença se instala, como mostrou a primeira pesquisa, a tendência é restringir a locomoção, num círculo vicioso que leva a problemas ainda mais graves.
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Satisfeito com seu nariz? Conheça os tipos de cirurgia e os riscos envolvidos

qui, 23/05/2019 - 05:00

De motivação estética ou para reparar problemas de saúde, os procedimentos devem priorizar a respiração, alertam os especialistas. Pré-operatório deve ser cumprido à risca para garantir segurança do paciente em qualquer tipo de cirurgia. Shutterstock Você gosta do seu nariz? Embora a função principal dessa estrutura seja a respiração, a aparência também tem importância para os brasileiros. Hoje, a rinoplastia (nome dado à cirurgia plástica de nariz) é a quarta mais procurada, ficando atrás apenas do implante de mamas, lipoaspiração e outras cirurgias de face. Veja os cuidados para evitar o nariz entupido durante os meses de frio Mito ou verdade? Teste seus conhecimentos sobre o nariz Segundo último levantamento divulgado pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), foram realizadas cerca de 90 mil rinoplastias no país em 2016. Segundo o presidente da SBCP, Níveo Steffen, são três as principais queixas de quem chega aos consultórios: “meu nariz é grande”, “meu nariz tem um caroço em cima” ou “meu nariz tem uma ponta muito grande”. Todos as reclamações são passíveis de reparação, mas os cirurgiões alertam que a prioridade de qualquer cirurgia de nariz é manter a respiração intacta. Ou seja: não adianta arrumar a aparência e deixar o paciente respirando mal. “Jamais você vai priorizar a estética em detrimento da função. São cirurgias que se complementam. Quando corrige a parte estética, você também pode mexer no problema respiratório, se houver algum. O paciente tem que respirar pelo nariz, isso é condição fundamental”, reforça o otorrinolaringologista e presidente da Academia Brasileira de Cirurgia Plástica da Face, Washington Luiz de Cerqueira Almeida. Steffen concorda: “Há 50 anos, quando a cirurgia plástica de nariz foi criada, se pensava apenas na forma. Hoje, não. A estética e as reparações de saúde caminham juntas. Não se pensa em deixar o nariz só bonito e trazer problemas para a respiração. Tem que se manter absolutamente íntegra a respiração do paciente, ou melhorar”, enfatiza. Para quem pensa em fazer uma rinoplastia, seguir a risca os passos do pré-operatório é fundamental. Escolher um profissional habilitado (com registro na SBCP ou no Conselho Regional de Medicina, ou, ainda, no Conselho Federal de Medicina como cirurgião plástico) é importante para garantir que o procedimento será feito com um especialista. Depois, o paciente deve se certificar de que o local da cirurgia está habilitado para comportar procedimentos cirúrgicos, seja um hospital ou uma clínica com alvará para isso. Por fim, realizar todos os exames antes da cirurgia (de sangue, avaliações cardiológicas quando necessário, entre outros). “Fazer uma cirurgia às pressas compromete a segurança do paciente. Todas as etapas do pré-operatório devem ser cumpridas corretamente, inclusive as conversas entre médico e paciente, para que o cirurgião conheça o histórico da pessoa”, defende Steffen. Correção de septo Mas toda cirurgia de nariz é uma cirurgia plástica? Não necessariamente. Existem aquelas voltadas apenas a reparos de saúde, como as cirurgias de correção de septo. O septo é aquela “parede” que divide as cavidades nasais em duas. Quando está desviado para um lado ou para o outro, pode obstruir a respiração. “Dificilmente alguém terá um septo 100% reto, mas o importante é que algumas pessoas têm um desvio de septo que chega a causar obstrução. E apenas nesses casos há necessidade de tratamento”, explica o otorrinolaringologista e vice-presidente da Academia Brasileira de Rinologia, Fabrizzio Ricci Romano. Nessa cirurgia, o médico descola a mucosa do septo e corrige ou retira a parte desviada da cartilagem e do osso septal. Em seguida, reposiciona a mucosa. O procedimento costuma ser bastante seguro, e os riscos estão mais atrelados à anestesia (geral ou local, dependendo do paciente). No pós-operatório, o nariz pode ficar um pouco congestionado nos primeiros quatro dias, mas não costuma haver dor. Veja ainda outros tipos de cirurgia de nariz: Turbinectomia: diminuição dos cornetos (estruturas de formação óssea e mucosa localizadas nas paredes laterais do nariz que ajudam a aquecer e umidificar o ar na respiração). Quando o paciente tem desvio de septo, um dos cornetos pode inchar para ocupar o espaço deixado pela outra narina. Por exemplo: se o septo está desviado para o lado esquerdo, corre-se o risco de o corneto crescer do lado direito para compensar o espaço livre. Na turbinectomia, não há retirada total dos cornetos, apenas diminuição. Pode ser feita durante a cirurgia de correção de septo. Adenoidectomia: retirada da adenoide, mais comum em crianças que roncam ou dormem de boca aberta. A adenoide é um tecido que cresce no fundo do nariz, na área da rinofaringe, e pode causar obstrução nasal intensa. A cirurgia corrige esse problema. Sinusectomia: abertura e limpeza dos seios paranasais (seios da face, próximos ou no entorno do nariz). Serve para tratar sinusite crônica.
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Desistências no Mais Médicos crescem e chegam a 19% das vagas preenchidas após saída de cubanos

qui, 23/05/2019 - 05:00

De acordo com o Ministério da Saúde, 1.325 profissionais formados com registro profissional válido se desligaram do programa até o mês de maio. Não há desistências nas vagas preenchidas por médicos brasileiros formados no exterior. Desistências já somam 1,3 mil no Mais Médicos; edital em andamento busca preencher 2 mil vagas ociosas Reprodução / TV Liberal Cerca de 19% dos médicos brasileiros que entraram no Mais Médicos desistiram de participar do programa até o mês de maio. Dados obtidos pelo G1 junto ao Ministério da Saúde mostram que 1.325 profissionais com registro profissional brasileiro se desligaram do Mais Médicos até agora. O número de desistências cresceu 25% em relação ao balanço anterior, que indicava 1.052 médicos desistentes nos três primeiros meses do ano. Após a saída de Cuba do programa, em novembro, um edital foi aberto para preencher as 8.517 vagas deixadas pelos cubanos no Mais Médicos. No total, 7.120 vagas foram preenchidas por médicos formados no Brasil. Cuba decide deixar programa Mais Médicos no Brasil e cita declarações 'ameaçadoras' de Bolsonaro Em um novo edital, publicado em dezembro, as 1.397 vagas remanescentes foram oferecidas a médicos brasileiros formados no exterior. O Ministério da Saúde alega que não há desistências nesse grupo: todos concluíram o módulo de acolhimento obrigatório e foram direcionados aos municípios escolhidos durante o edital. Diversos municípios brasileiros convivem com a ausência de médicos nos serviços de saúde desde a saída dos profissionais cubanos. Na Grande São Paulo, por exemplo, 19 cidades somam 106 vagas ociosas por conta da saída dos cubanos. Novo edital Na segunda-feira (13) o Ministério da Saúde lançou um novo edital do Programa Mais Médicos. O objetivo é contratar pelo menos 2 mil médicos que devem atuar em 790 municípios considerados carentes ou de difícil acesso, onde vivem cerca de 6 milhões de pessoas. Os profissionais com registro profissional brasileiro devem se inscrever entre os dias 27 e 29 de maio no site do programa. Caso haja vagas remanescentes, as oportunidades serão estendidas, em um segundo chamamento público, aos profissionais brasileiros formados em outros países. Até o momento, 36 municípios já foram contemplados pelo novo edital. A seleção de cidades ainda pode mudar já que, nesta primeira fase do edital, os municípios precisam renovar ou aderir e, em seguida, validar a participação no programa e o número de vagas ofertadas. Reformulação do Mais Médicos O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, já afirmou que novas ações para o Mais Médicos estão em análise. Em entrevista ao G1, em fevereiro, Mandetta disse que o programa seria "reformulado". Em nota enviada nesta quarta-feira (22), o Ministério da Saúde afirma que, neste momento, a priorização de atendimento médico é para os municípios com maior vulnerabilidade social. "Um novo programa para ampliar a assistência na Atenção Primária está sendo elaborado e será divulgado em breve", informa o Ministério da Saúde. Cronologia do Mais Médicos Em julho de 2013, governo federal cria o programa Mais Médicos para fixar profissionais em regiões mal atendidas Em novembro de 2018, Cuba anuncia saída do programa No mesmo mês, governo publica edital com as vagas. 8.517 vagas foram abertas No primeiro edital, todas as vagas foram ofertadas aos médicos com registro no CRM do Brasil Em dezembro de 2018, um segundo edital foi lançado para preencher 1.397 vagas remanescentes com brasileiros formados no exterior Em janeiro de 2019, os médicos brasileiros começaram a se apresentar aos municípios No começo de março de 2019, os médicos formados no exterior iniciam a fase de acolhimento obrigatória No início de maio de 2018, um terceiro edital é lançado com 2.000 vagas para municípios vulneráveis
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Decreto muda estrutura da área de combate à Aids no Ministério da Saúde

qua, 22/05/2019 - 18:28

Departamento que cuidava do HIV passa a tratar também de doenças que não são transmitidas sexualmente. Em nota, pasta afirma que reestruturação não prejudica estratégia contra a Aids. Ministério da Saúde Aílton de Freitas / Agência O Globo Por meio de um decreto presidencial o governo federal modificou a estrutura do departamento que promove o combate à Aids no Ministério da Saúde. O Departamento de IST (Infecções Sexualmente Transmissíveis), Aids e Hepatites Virais passa a se chamar Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis. Na nova estrutura, políticas públicas para doenças como hanseníase e tuberculose são analisadas pelo mesmo departamento que cuida da estratégia brasileira contra o HIV. Antes, o departamento cuidava apenas de doenças sexualmente transmissíveis. Em nota divulgada nesta quarta-feira (22), o Ministério da Saúde afirma que "a nova estrutura fortalece integração entre as áreas do Ministério da Saúde" e que a "estratégia de resposta brasileira ao HIV não será prejudicada." Publicado em 17 de maio, o decreto Nº 9.795 foi criticado por redes, coletivos e organizações do movimento nacional de luta contra a Aids. Os grupos reclamam que a mudança foi feita sem diálogo com a sociedade civil, já que o tema não foi discutido na Comissão Nacional de IST, HIV/Aids e Hepatites Virais (Cnaids) e na Comissão Nacional de Articulação com Movimentos Sociais (Cams). Mudanças estruturais Até a publicação do decreto presidencial, o Departamento de IST, Aids e Hepatites Virais, criado em 1986, cuidava apenas de políticas contra o HIV e as hepatites virais. O setor, vinculado à Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, tornou-se referência mundial no tratamento e atenção à Aids e outras infecções sexualmente transmissíveis. Agora, a Coordenação-Geral de Vigilância do HIV/Aids e das Hepatites Virais passa a ser subordinada ao Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis, que deve analisar também doenças como tuberculose e hanseníase. Em nota, o Ministério da Saúde nega que a mudança cause prejuízos para o combate à Aids no país. A pasta destaca que o orçamento para área não foi alterado com a nova estrutura e que a verba aumentou em relação à 2018. "Do ponto de vista programático, não haverá perda orçamentaria para o HIV/aids. O orçamento da área passou de R$ 1,7 bilhão em 2018 para R$ 2,2 bilhões em 2019", afirma o ministério em nota. De acordo com o órgão, a mudança ocorreu porque foi identificada a necessidades de implementar ações mais efetivas, eficientes e contemporâneas contra a Aids. "A intenção é trabalhar com as doenças mais comuns nas populações com maior vulnerabilidade e com os mesmos condicionantes sociais", diz a pasta. "Além disso, o HIV/Aids, a tuberculose e a hanseníase possuem características de doenças crônicas transmissíveis, com tratamento de longa duração, o que permite uma integração das ações. As pessoas vivendo com HIV, por exemplo, têm maior risco de desenvolver a tuberculose, além de ser um fator de maior impacto na mortalidade nesses casos", afirma o ministério em nota. "Também é comum que o diagnóstico da infecção pelo HIV seja feito durante a investigação/confirmação da tuberculose." Entidades reagem Para os movimentos sociais de luta contra a Aids, a mudança "acaba com uma experiência democrática de governança de uma epidemia baseada na participação social e na intersetorialidade." Em nota, a Articulação Nacional de Luta contra a Aids (Anaids), a Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids (ABIA), o Fórum das ONG/Aids do Estado de São Paulo (Foaesp), o Grupo de Apoio e Prevenção à Aids no RS (Gapa/RS), o Grupo de Incentivo à Vida (GIV) e a Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV e Aids (RNP+Brasil) se pronunciaram contra a medida. "Não se trata apenas de uma questão de nomenclatura: é o fim do Programa Brasileiro de Aids. O governo, na prática, extingue de maneira inaceitável e irresponsável um dos programas de Aids mais importantes do mundo, que foi, durante décadas, referência internacional na luta contra a Aids", afirma a nota assinada por seis movimentos de combate à doença. "Por mais que se afirme que “nada mudará”, o que fica é o descaso com uma doença que mata cerca de 12 mil pessoas por ano e que, longe de estar controlada, continua crescendo, especialmente populações pauperizadas e estigmatizadas, já tradicionalmente excluídas e que com este ato se tornam mais invisíveis e desrespeitadas", diz a nota.
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Secretaria de Educação confirma surto de caxumba em escola no DF

qua, 22/05/2019 - 15:38

Segundo pasta, 20 pessoas tiveram sintomas da doença no Centro Educacional 07, em Ceilândia. Aulas estão mantidas. Centro Educacional 07, em Ceilândia Reprodução/TV Globo A Secretaria de Educação do Distrito Federal confirmou, nesta quarta-feira (22), um surto de caxumba no Centro Educacional (CED) 07, em Ceilândia. Segundo a pasta, 20 pessoas apresentaram sinais da doença na unidade. As aulas continuam normalmente na escola, mas os estudantes doentes foram afastados. Os demais alunos passarão por imunização nos próximos dias, no próprio colégio. Mesas e carteiras utilizadas na unidade também estão sendo conferidas. A escola é uma das quatro que teve a gestão militarizada pelo Governo do DF no início do ano. O novo surto da doença se soma a pelo menos outros três registrados na capital federal nos últimos meses. Segundo a Secretaria de Saúde, o número de casos de caxumba contabilizados no DF dobrou neste ano, em relação a 2018. Até abril, foram 457 ocorrências, contra 222 no mesmo período do ano passado. Casos de caxumba causam interdição de prédio da Caixa Econômica Federal Pedro Alves/G1 No dia 12 de abril, o andar térreo de um prédio da Caixa Econômica Federal, na quadra 512 Norte, foi interditado depois que 12 funcionários apresentaram sintomas de caxumba. Duas semanas depois, uma turma de Engenharia Civil do Centro Universitário de Brasília (UniCeub) teve de realizar as atividades pela internet após casos de caxumba em alunos. Já em 30 de abril, aulas foram suspensas por dois dias no Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), depois que cinco estudantes apresentaram sinais da doença. Sintomas Sintomas da caxumba Arte/TV Gazeta A caxumba é uma doença infecciosa causada pelo vírus Paramyxovirus e que provoca sintomas como febre, calafrios, dores de cabeça e musculares, além de fraqueza e inchaço no rosto. Em casos graves, a enfermidade pode levar à surdez e causar meningite ou até a morte. Por que os casos de caxumba continuam crescendo no Brasil, apesar da vacina? A doença é altamente contagiosa e pode ser transmitida por meio de contato com saliva, espirro ou tosse de pessoas contaminadas. Após o diagnóstico, os objetos com os quais a pessoa infectada teve contato precisam passar por desinfecção. Não existe tratamento específico para a doença, portanto, a Secretaria de Saúde do DF aponta que a melhor forma de combate é a vacinação, ainda durante a infância. A vacina tríplice viral (caxumba, sarampo e rubéola) é aplicada aos 12 meses e aos 15 meses de vida. Para prevenir, é importante também manter hábitos como lavar as mãos e cobrir o rosto ao tossir e espirrar. Leia mais notícias sobre a região no G1 DF.
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Supremo retoma nesta quarta julgamento sobre fornecimento de remédio de alto custo

qua, 22/05/2019 - 05:00
Quatro ações discutem se poder público deve ser obrigado a fornecer medicamentos. Três ministros já votaram e estipularam condições diferentes para o fornecimento dos produtos. O Supremo Tribunal Federal (STF) retoma na manhã desta quarta-feira (22) o julgamento que definirá se o poder público deve ser obrigado a fornecer medicamentos de alto custo aos doentes. Estão na pauta do tribunal quatro processos sobre o tema, que envolvem a concessão dos remédios que estão fora da lista de produtos oferecidos gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS). A chamada judicialização da saúde é hoje um dos principais problemas do Judiciário, afirmam de foram recorrente ministros do Supremo. No caso dos medicamentos, há centenas de processos espalhados em tribunais de todo o país. A maioria dos casos envolve doenças raras, e o juiz determina a concessão do remédio. Segundo dados do Ministério da Saúde, até 2016 o governo federal já havia cumprido 16,3 mil decisões sobre fornecimento de medicamentos. De 2010 a 2015, houve aumento de 727% nos gastos referentes à judicialização dos medicamentos. Segundo o Ministério da Saúde, já foram gastos R$ 7 bilhões com fornecimento de remédio por ordem judicial. "É um tema delicado, muito sensível. Muita gente reclama da intervenção judicial, mas há situações muito dramáticas e temos que examinar isso em todo o contexto. (...) A gente tem que achar uma saída", declarou nesta terça-feira (21) o ministro Gilmar Mendes. Os argumentos O caso chegou ao Supremo porque há dois princípios constitucionais diferentes defendidos por cada lado: o poder público argumenta que a concessão de medicamentos caros coloca em risco o fornecimento do básico para toda a coletividade e também diz que não há orçamento disponível para medicações caras para apenas uma pessoa; os pacientes que precisam dos remédios argumentam que a vida deles depende daquilo e que os medicamentos são, na maioria das vezes, a única esperança de sobrevivência. Dúvidas No julgamento, os ministros devem responder a dúvidas como: O poder público deve fornecer apenas medicamentos previstos na lista do SUS ou outros? É possível obrigar o fornecimento de medicamentos que não estejam registrados na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)? Remédios em fase de testes também devem ser fornecidos obrigatoriamente? O paciente sempre deve comprovar não ter condições financeiras de comprar ou em todos os casos o poder público é obrigado a fornecer? As ações em julgamento O julgamento de duas das ações que estão previstas começou em 2016, e três ministros já votaram sobre o tema: o relator, Marco Aurélio Mello, Luís Roberto Barroso e Edson Fachin. Cada um deu um voto diferente (veja mais abaixo) propondo condições para o fornecimento dos remédios. Os dois casos – ações dos governos do Rio Grande do Norte e de Minas Gerais contra decisões que os obrigaram a fornecer remédios – têm repercussão geral. Com isso, o que o Supremo decidir valerá para todos os casos semelhantes que tramitam na Justiça. Em outro processo, no qual o estado de São Paulo questiona determinação de fornecimento de remédios, a Procuradoria Geral da República pediu nesta semana o adiamento do julgamento para que o órgão envie um parecer. Marco Aurélio Mello também é relator desse caso, mas não tinha decidido sobre o adiamento até a noite desta terça (21). A quarta ação discute se União e estados devem ser responsabilizados conjuntamente a arcar com o fornecimento de medicamentos. O caso é de Sergipe e o relator é o ministro Luiz Fux. Votos já proferidos Como há três votos diferentes, se outros votos também forem divergentes, o Supremo terá que rediscutir o caso para se chegar a um voto comum. MARCO AURÉLIO MELLO Para o ministro o medicamento deve ser fornecido nos seguintes casos: se for imprescindível para o tratamento do paciente; se não puder ser substituído por outro já disponibilizado pelo SUS; se a família do paciente não tiver condições de pagar; é possível a importação de remédios que, mesmo não registrados na Anvisa, não sejam fabricados ou comercializados no Brasil. LUÍS ROBERTO BARROSO Para o ministro, o medicamento deve ser fornecido nos seguintes casos: incapacidade financeira do paciente; prova de recusa do órgão técnico em incorporar o medicamento no SUS; inexistência de substituto terapêutico na rede pública; eficácia do fármaco para tratar a doença; que o custo seja imposto à União, por ser o ente responsável por incorporar o medicamento ao SUS. permite fornecimento de remédio sem registro na Anvisa desde que esteja em avaliação por mais de um ano e já tenha registro em agências de Estados Unidos, Europa ou Japão. LUIZ EDSON FACHIN Para o ministro, o medicamento deve ser fornecido nos seguintes casos: se houver prévio pedido ao próprio SUS paciente obter receita por médicos da rede pública com indicação do remédio; ter justificativa da inadequação de outro tratamento na rede pública; laudo do médico que indique necessidade, estudos e vantagens do tratamento.
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A falsa psiquiatra que enganou pacientes durante 22 anos para ficar com suas fortunas

ter, 21/05/2019 - 19:14

Zholia Alemi se aproximava de pacientes para obter acesso a suas vidas financeiras; ela foi condenada em 2018, mas a extensão dos danos que ela causou só agora começa a vir à tona. Zholia Alemi foi condenada por fraude e roubo em 2018 Polícia de Cumbria Zholia Alemi trabalhou como profissional de saúde mental no NHS, o serviço de saúde pública britânico, durante 22 anos e atendeu centenas de pacientes, mas sequer concluiu o primeiro ano do curso universitário. A "psiquiatra fajuta", como se tornou conhecida no Reino Unido, foi condenada a cinco anos de prisão em outubro de 2018, sob acusações de roubo e fraude na Escócia. Agora, veio à tona a informação de que Alemi não apenas enganava seus pacientes para ter acesso a suas contas bancárias, como também pode ter receitado a dezenas de pessoas - sem ter a qualificação para tal - medicamentos, internações ou terapias invasivas, como a eletro-convulsiva. Das dezenas de pacientes que passaram por seu consultório, o caso mais escandaloso foi o de uma senhora de 87 anos, que teve seu testamento modificado por Alemi. A falsa profissional pretendia ficar com uma herança de 1,3 milhão de libras (R$ 6,7 milhões). Mas como a mulher conseguiu enganar tantas pessoas por tanto tempo? Pessoas vulneráveis A estratégia de Alemi era "se fazer de amiga" dos pacientes e ganhar sua confiança durante as sessões de terapia, para obter informações sobre suas situações financeiras, disse ao jornal escocês The Herald a médica Catherine Calderwood, responsável pelo sistema de saúde da Escócia. Em 2016, ela começou a tratar a idosa Gillian Belham em uma clínica para pacientes com demência. Quatro meses depois, aproveitando-se do elo de confiança que havia estabelecido com a paciente, modificou de modo fraudulento o testamento, deixando de fora a família de Belham e as instituições de caridade que a idosa pretendia beneficiar. No lugar, Alemi colocou ela própia e seus netos como beneficiários. Falsa psiquiatra ordenou a internação de pacientes e receitou tratamentos eletro-convulsivos, sem capacitação para tal Unsplash Durante o julgamento, o júri foi informado também de que Alemi roubou cartões de crédito de pacientes e usou assinaturas deles em benefício próprio. Agora, porém, o que mais preocupa especialistas são os pacientes que podem ter sido tratados de maneira incorreta sob indicação da "psiquiatra fajuta". Catherine Calderwood escreveu cartas aos seis conselhos de saúde em que Alemi trabalhou, com um pedido para que chequem os registros médicos relacionados ao caso e identifiquem pacientes que parecem ter recebido orientação para "tomar medicamentos e fazer tratamento eletro-convulsivo" ou que tenham sido de algum modo diagnosticados ou tratados erroneamente. Além disso, Alemi ajudou a avaliar pacientes para determinar se eles seriam ou não internados à força, sob a Lei de Saúde Mental britânica. Durante os 18 meses em que ocupou essa função, a partir de 2007, 24 pessoas foram detidas com o seu aval. Autoridades britânicas afirmaram que entrarão em contato com cada uma delas. Nas cartas, obtidas pelo jornal Herald, Calderwood adverte: "Ela (Alemi) é conhecida por ter ficado amiga e 'seduzido' pessoas vulneráveis com as quais fez contato enquanto trabalhava como psiquiatra, com o objetivo principal de acessar suas finanças". Registro médico Só depois de sua condenação, no ano passado, soube-se que Alemi havia abandonado o curso de Medicina que frequentava em seu país natal, a Nova Zelândia. Ainda assim, ela conseguiu enganar as autoridades britânicas e ser contratada pelo NHS para trabalhar do Reino Unido, a partir de 1985. Dados de pacientes atendidos por Alemi serão revisados pelo sistema de saúde público britânico Unsplash Em solo britânico, Alemi trabalhou em diversos hospitais e em órgãos de saúde, que agora terão de revisar todos os casos em que ela se envolveu. O Conselho Médico Geral do Reino Unido (GMC, na sigla em inglês) afirmou que Alemi obteve seu registro profissional britânico graças a uma brecha na Lei Médica, que permite que candidatos de determinados países registrem-se para trabalhar como médicos em solo britânico sem a necessidade de passar por um exame de validação de suas qualificações, como ocorre com os demais médicos estrangeiros. O GMC afirmou que estabelecerá controles mais rigorosos e revisará os registros de outros 3 mil médicos contratados sob as mesmas regras que Alemi.
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A duas semanas do fim da campanha, apenas 63% receberam vacina contra gripe

ter, 21/05/2019 - 18:10

Ainda falta vacinar quase 22 milhões de pessoas e a vacina está disponível até 31 de maio. Idosa tomando a vacina da gripe em posto de Caruaru Divulgação Faltam duas semanas para o encerramento da campanha nacional de vacinação contra a gripe e somente 63,4% do público-alvo recebeu a imunização, totalizando 37,7 milhões de pessoas, informou o Ministério da Saúde nesta terça-feira (21). A campanha vai até 31 de maio em todo o país e envolve 41,8 mil postos de vacinação. "Para diminuir a circulação do vírus no país é preciso que todas as pessoas que fazem parte do público prioritário da campanha se vacinem. A vacina é a forma mais eficaz de evitar a doença”, afirma o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. A vacina protege contra os tipos mais graves do vírus (H1N1; H3N2 e influenza B) e os subtipos mais comuns no Hemisfério Sul. Além disso, a vacina ajuda a evitar infecções virais e bacterianas decorrentes da gripe. Até 11 de maio, foram registrados 807 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) por influenza em todo o país, com 144 mortes. Vacina da gripe é eficaz? Tire dúvidas Gripe: quando se preocupar? A vacina não é capaz de causar a gripe, pois inclui só pedaços do vírus. A única contra-indicação é para pessoas alérgicas a algum componente da vacina, como a clara de ovos, usada na fabricação. Quem deve tomar a vacina? Conforme orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS), as vacinas oferecidas gratuitamente pelo governo são destinadas a: Crianças de 6 meses a 5 anos de idade; Gestantes; Puérperas, isto é, mães que deram à luz há menos de 45 dias; Idosos; Profissionais de saúde, professores da rede pública ou privada, portadores de doenças crônicas, povos indígenas e pessoas privadas de liberdade; Portadores de doenças crônicas (HIV, por exemplo) que fazem acompanhamento pelo SUS. Porém, qualquer pessoa pode tomar a vacina. Quem não faz parte dessas categorias pode adquirir a vacina contra a gripe na rede privada por cerca de R$ 100 a 150. Quem já se vacinou O grupo das puérperas é o que registra maior cobertura vacinal em todo o país, de 81,9%, ou 288,6 mil doses aplicadas. A cobertura dos idosos chega a 72,2%. Em seguida, vêm funcionários do sistema prisional (71,3%), indígenas (70,7%) e professores (65,7%). Os grupos que menos se vacinaram foram os profissionais das forças de segurança e salvamento (24%), população privada de liberdade (32,2%), pessoas com comorbidades (54%), trabalhadores de saúde (60,9%), crianças (61,5%) e gestantes (63,2%). Estados com maior cobertura Amazonas - 93,6% Amapá - 85,5% Espírito Santo - 75,3% Alagoas - 73,4% Rondônia - 72,6% Pernambuco - 72,2% Estados com menor cobertura Rio de Janeiro - 45,8% Acre - 49,7% São Paulo - 57,0% Roraima - 57,4% Pará - 59,2%
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