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Atualizado: 10 minutos 35 segundos atrás

Nasa detecta intensa explosão de meteorito na atmosfera da Terra

seg, 18/03/2019 - 16:40
Caso é o segundo mais forte em 30 anos, segundo a Nasa. Fenômeno foi dez vezes mais poderoso que a bomba de Hiroshima. A agência espacial dos Estados Unidos (Nasa) informou a ocorrência de uma explosão de meteorito na atmosfera da Terra ocorrida em 18 de dezembro do ano passado. Segundo os especialistas, o fenômeno foi dez vezes mais poderoso que a bomba atômica lançada sobre Hiroshima, no Japão, em 1945. A explosão, que foi detectada pelos satélites militares dos EUA, aconteceu sobre o mar de Bering, em frente à península de Kamtchatka, uma região remota da Rússia. A agência informou que essa explosão foi a segunda mais forte do tipo nos últimos 30 anos e se trata do maior meteorito a chegar à atmosfera da Terra desde o que impactou Cheliabinsk, na Rússia, em fevereiro de 2013. Nesse caso, a onda gerada pelo impacto deixou mais de mil feridos. O asteroide que chegou à atmosfera terrestre no final do ano passado estava a uma velocidade de 32 quilômetros por segundo. De acordo com a Nasa, ele explodiu 25,6 quilômetros acima da superfície da Terra, com uma energia de impacto de 173 quilotons – a bomba de Hiroshima tinha 16 quilotons. Meios de comunicação especializados informaram que o meteorito viajou próximo a uma área "não muito distante" das rotas utilizadas pelos aviões comerciais que voam entre a América do Norte e a Ásia. Os pesquisadores da agência espacial estão pedindo qualquer registro de avistamento feito pelas companhias aéreas.
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Mulher dá à luz sêxtuplos em hospital dos EUA

seg, 18/03/2019 - 14:30

Parto foi feito em hospital no Texas. Mãe e filhos passam bem, segundo informações do hospital. Thelma Chiaka deu à luz sêxtuplos na sexta-feira (15) em Houston, nos EUA. Segundo comunicado do hospital, as chances de uma gravidez de sêxtuplos é rara: 1 a cada 4,7 bilhões. Thelma deu à luz dois pares de gêmeos meninos e um par de gêmeas meninas. As meninas já ganharam nomes: Zina e Zuriel. Os pesos dos bebês variam entre 500 gramas e 900 gramas, mas todos passam bem e estão na unidade de tratamento intensivo neonatal, de acordo com comunicado do hospital. A mãe também se recupera bem. Thelma Chiaka Woman’s Hospital of Texas/Divulgação
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As dicas de um chef Michelin para uma vida mais saudável depois de ter perdido 76kg

seg, 18/03/2019 - 10:38

Britânico Tom Kerridge, chef de cozinha estrelado no guia Michelin, chegou a pesar 190 quilos antes de resolver mudar sua alimentação e estilo de vida. Tom Kerridge perdeu 76 quilos depois de mudar sua alimentação BBC O britânico Tom Kerridge, chef de cozinha estrelado no guia Michelin, passou por uma transformação radical nos últimos anos: ele conseguiu perder 76 quilos dos 190 que chegou a pesar. Como ele fez isso? Quando começou sua carreira, Kerridge investiu todo seu tempo e energia expandindo seus negócios de pubs gastronômicos, agraciados com estrelas do guia Michelin. Ele trabalhava cerca de 90 horas por semana - e amava essa rotina. "A vida de um chef é rock'n'roll: você trabalha até tarde da noite e acorda cedo. Você praticamente desiste de dormir porque está ocupado demais trabalhando duro", diz. Esse estilo de vida acelerado prejudicou muito a saúde de Kerridge. Sob pressão para manter suas duas estrelas de Michelin, Kerridge precisava lançar novos pratos e drinks - ele provava cada um deles todas as noites. "Você não para à meia-noite e vai para casa dormir. Então o álcool virou uma parte importante na minha vida", diz Kerridge. Ele admite que "consumiu todas as coisas erradas nas horas erradas". Os restaurantes de Tom Kerridge são reconhecidos no guia Michelin BBC "Eu não tinha respeito pelo que eu comia nem sobre o que estava fazendo com meu corpo", diz. Em seu aniversário de 40 anos, ele despertou para uma nova rotina. "Eu pensei: 'se eu continuar do jeito que estou indo, não vou estar aqui nos próximos 40 anos'", diz Kerridge. De um dia para o outro, ele parou de beber bebidas alcóolicas e ingerir alimentos ricos em açúcar e carboidratos. Ao longo de três anos, Kerridge perdeu 76 quilos - 40% de seu peso - e conseguiu manter seu peso saudável desde então. Kerridge acredita que uma das coisas que o levaram a ganhar peso foi comer alimentos congelados ou pré-prontos durante as refeições. É por isso que, em seu último livro, Fresh Start: How to Cook Amazing Food at Home (Novo começo: Como cozinhar uma comida surpreendente em casa, em tradução livre), ele incentiva as pessoas a voltar para a cozinha. Abaixo, Tom Kerridge lista cinco dicas para uma alimentação mais saudável. Dica 1 - Não se concentre na ideia de dieta de curto prazo Escolha uma maneira de comer que combine com você, algo que seja permanente e que não funcione apenas por um curto prazo. Muita gente pensa que dietas são sobre perder peso - atualmente, elas são mais sobre comer de forma saudável e sustentável. Dica 2 - Mexa-se Faça exercícios quando você puder. E aproveite. Passo de seis a quatro horas por semana na academia e na natação. Encontre algo que você goste de fazer e o faça com frequência. Dica 3 - Cozinhe em casa e use ingredientes frescos Volte para a cozinha e comece a brincar com a comida, use ingredientes frescos. Aproveite esses momentos. Todo mundo fala que tem pouco tempo para cozinhar, mas acho que é uma questão de prioridades. Você pode cozinhar uma quantidade maior e depois colocar no freezer. Dica 4 - Envolva seus amigos e família Conte às pessoas que você quer ficar em forma e perder peso. Se elas são seus amigos de verdade, vão apoiá-lo, vão querer fazer parte da sua jornada. Incentive seus filhos a fazer parte - não é apenas sobre você, e sim sobre a família. Dica 5 - Use sua força de vontade para lutar contra a tentação Você precisa usar sua força de vontade, e isso provavelmente é a parte mais difícil porque muitas vezes sua mente vai pedir "só" um pedaço de pizza ou um sorvete. Você precisa lutar contra isso. Não importa o quão difícil é ir para a academia ou natação - depois que você fizer exercícios, vai se sentir muito bem. Lutar contra tudo com força de vontade e se mantenha forte.
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Vale a pena tomar probiótico após tratamento com antibiótico?

dom, 17/03/2019 - 10:25

É comum tomar probióticos para repor a flora intestinal após um ciclo de antibióticos, mas pesquisas mostram que pode não ser tão eficaz quanto parece. Alimentos Probióticos garantem bom funcionamento do seu intestino Ilustração Os probióticos são apresentados como tratamento para uma série de condições - da obesidade a problemas de saúde mental. Um dos usos mais comuns é a reposição da flora intestinal após um ciclo de antibióticos. A lógica é a seguinte: os antibióticos destroem o microbioma - comunidade de micro-organismos que vive no intestino - junto com as bactérias que podem estar causando a infecção, de modo que a ingestão de probióticos (micro-organismos vivos) pode ajudar a restaurá-lo. Embora pareça fazer sentido, há poucas provas de que os probióticos realmente funcionem se utilizados dessa maneira. Pesquisadores descobriram, na verdade, que tomar probióticos após o uso de antibiótico atrasa a recuperação da saúde intestinal. Há probióticos melhores que os outros? Parte do problema é a variedade de coisas associadas ao termo probiótico. Para os cientistas, pode ser uma cultura viva de micro-organismos que normalmente habitam o intestino humano saudável. Mas, para os consumidores, os produtos vendidos nos supermercados - como iogurtes e suplementos - não correspondem a essa definição. Mesmo quando os pesquisadores usam cepas bacterianas vivas em suas pesquisas, o coquetel varia de um laboratório para outro, o que dificulta a comparação. "Esse é o problema: não há estudos suficientes sobre qualquer probiótico específico para dizer que este funciona e esse não", diz Sydne Newberry, da instituição Rand Corporation, que realizou um amplo estudo de meta-análise sobre o uso de probióticos para tratar diarreia induzida por antibióticos em 2012. A pesquisa - que analisou 82 estudos com quase 12 mil pacientes - mostrou um efeito positivo dos probióticos na redução do risco de diarreia causada por antibióticos. Mas devido à variação - e às vezes à falta de clareza - com que as cepas bacterianas foram usadas, não foi possível identificar ou recomendar probióticos ou coquetéis específicos que funcionassem. Desde o estudo da Rand Corporation, realizado em 2012, as evidências que sustentam o uso de probióticos após tomar antibióticos não mudaram muito. "É por isso que é tão problemático. Há mais estudos do que quando fizemos a revisão, mas não o suficiente para dizer conclusivamente se os probióticos funcionam ou não. Tampouco o suficiente para dizer quais funcionam", afirma Newberry. Uma preocupação em particular é a falta de pesquisas sobre a segurança no uso de probióticos. Embora geralmente sejam considerados inofensivos em pessoas saudáveis, há relatos preocupantes de efeitos colaterais - como fungos se alastrando na corrente sanguínea - entre pacientes mais vulneráveis. Probióticos em pessoas saudáveis Probióticos Unsplash/Divulgação Uma pesquisa recente realizada por cientistas do Instituto Weizmann de Ciência em Israel descobriu que, mesmo entre pessoas saudáveis, tomar probióticos depois de um ciclo de antibiótico não era inofensivo. Na verdade, eles dificultaram os processos de recuperação intestinal que em tese deveriam acelerar. Os pesquisadores, liderados por Eran Elinav, deram a 21 pessoas um ciclo de antibióticos de amplo espectro por uma semana. Depois disso, fizeram uma colonoscopia e uma endoscopia do trato gastrointestinal superior para examinar o estado do microbioma. "Como esperado, muitas mudanças importantes ocorreram em relação aos micróbios - muitos morreram por causa dos antibióticos", diz Elinav. Os participantes foram divididos então em três grupos. No primeiro, não houve intervenção após os antibióticos - a ideia era esperar para ver. O segundo tomou um probiótico comum por um mês. E o terceiro foi submetido a um transplante fecal - uma pequena amostra de suas próprias fezes, coletada antes do início do uso do antibiótico, foi devolvida ao cólon assim que o tratamento terminou. A descoberta surpreendente foi que o grupo que tomou probióticos apresentou a resposta mais fraca em termos de microbioma e o que mais levou tempo para recuperar a saúde intestinal. Mesmo no fim do estudo - após cinco meses de acompanhamento - esse grupo ainda não havia atingido o nível de saúde intestinal pré-antibiótico. "Nós encontramos um efeito adverso potencialmente alarmante de probióticos", diz Elinav. A boa notícia, no entanto, é que o grupo que recebeu o transplante fecal se saiu muito bem. Em poucos dias, os participantes reconstituíram completamente seu microbioma original. "Muitas pessoas tomam antibióticos ao redor do mundo. Precisamos tentar entender melhor esse efeito adverso potencial que não havíamos percebido", afirma Elinav. E há cada vez mais evidência de que tomar probióticos quando a saúde intestinal está fragilizada não é uma boa ideia. Outro estudo recente mostrou que os probióticos não fazem bem para crianças pequenas internadas com gastroenterite. Em um experimento nos EUA, 886 crianças com gastroenterite com idade entre três meses e quatro anos tomaram um ciclo de cinco dias de probióticos ou placebo. A taxa de gastroenterite moderada a grave continuada dentro de duas semanas foi ligeiramente maior (26,1%) no grupo que tomou probiótico do que no grupo com placebo (24,7%). E não houve diferença entre os dois grupos em termos da duração da diarreia ou vômito. Mercado bilionário de probióticos Apesar de evidências como essa, a demanda por probióticos é enorme e crescente. Em 2017, esse mercado foi avaliado em mais de US$ 1,8 bilhão, e a previsão é que atinja US$ 66 bilhões até 2024. "Dado o envolvimento pesado da indústria, conclusões claras sobre o quão úteis são os probióticos ainda precisam ser comprovadas", diz Elinav, do Instituto Weizmann de Ciência em Israel. "Essa é a razão pela qual autoridades regulatórias, como a agência que controla os alimentos e medicamentos dos EUA (FDA, na sigla em inglês) e os órgãos reguladores europeus ainda não aprovaram um probiótico para uso clínico." Mas isso não quer dizer que os probióticos devam ser descartados por completo. O problema parece estar mais no modo de utilização do que no uso em si. Muitas vezes os probióticos são comprados no supermercado, mas os consumidores podem não saber exatamente o que estão levando para casa ou mesmo se a cultura ali ainda está viva. Quem deve usar probióticos? O grupo do Instituto Weizmann de Ciência também pesquisou sobre quem poderia se beneficiar dos probióticos. Ao medir a presença de certos genes relacionados ao sistema imunológico, a equipe conseguiu prever quem seria receptivo às bactérias probióticas para colonizar o intestino, e aqueles em que elas simplesmente "passariam batido" sem se instalar. "Isso é muito interessante e importante, pois indica que nosso sistema imunológico também participa das interações com bactérias [probióticas]", explica o pesquisador Elinav. Isso abre caminho para o desenvolvimento de tratamentos probióticos personalizados com base no perfil genético de cada um. Um sistema assim é "realista e poderia ser desenvolvido relativamente em breve", de acordo com Elinav. Mas, para se tornar realidade, serão necessárias mais pesquisas sobre a adaptação probiótica e testes com mais cepas bacterianas em grupos maiores de indivíduos. Esse tipo de personalização pode alavancar o potencial dos tratamentos probióticos para a saúde intestinal. No momento, a falta de consistência nas descobertas se deve em parte ao fato de os probióticos serem tratados como drogas convencionais. Quando você toma um comprimido de paracetamol, pode ter quase certeza de que o princípio ativo vai cumprir sua função ao interagir com receptores no cérebro, anestesiando a sensação de dor. Isso ocorre porque os receptores de dor da maioria das pessoas são parecidos o suficiente para reagir da mesma maneira à droga. Mas o microbioma não é apenas um receptor - está mais próximo de um ecossistema. Não é à toa que costuma ser comparado a uma floresta tropical por sua complexidade. Consequentemente, identificar e customizar um tratamento probiótico que vai funcionar em algo tão complexo e individual quanto o ecossistema interno de alguém não é uma tarefa fácil. Com isso em mente, não é de se surpreender que micro-organismos vivos estocados nas prateleiras do supermercado possam não funcionar.
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Pesquisa indica que ouvir death metal traz prazer e não estimula violência

dom, 17/03/2019 - 06:15

Ainda que as letras possam ser macabras, gênero musical não dessensibilizaria seus fãs em relação a imagens violentas, de acordo com estudo de universidade australiana publicado neste mês de março. "Eu só tive um desejo desde que nasci; ver meu corpo rasgado e despedaçado." A letra da música Eaten, que fala sobre canibalismo, da banda sueca de death metal Bloodbath, não deixa muito espaço para a imaginação. Mas nem essa faixa - ou outras tão macabras quanto ela, do mesmo gênero - incitam a violência, afirmam pesquisadores do laboratório de música da Universidade Macquarie, em Sidney, na Austrália, que usou a canção em um teste psicológico. O estudo, publicado neste mês de março no periódico Open Science, da britânica Royal Society, apontou que os apreciadores desse estilo musical, via de regra, não são pessoas insensíveis a imagens violentas. "Os fãs (de death metal) são boa gente", ri Bill Thompson, professor da universidade australiana. "Eles não vão sair por aí machucando pessoas (por causa disso)." Banda de death metal Cannibal Corpse Reprodução/Facebook/Cannibal Corpse O trabalho é parte de uma pesquisa que se estende por décadas conduzida pelo cientista com alguns colegas sobre os efeitos emocionais da música. Esse impacto, ele pondera, é complexo. "Muita gente gosta de música triste, e isso é uma espécie de paradoxo - por que desejaríamos ficar tristes?", ele questiona. "A mesma lógica pode ser aplicada para músicas agressivas ou a temas violentos. Para nós, é um paradoxo psicológico - então (como cientistas) nos desperta a curiosidade, inclusive porque reconhecemos que a presença da violência na mídia é um tema socialmente importante." Como cientistas testam a sensibilidade das pessoas à violência? Eles fazem isso por meio de um experimento psicológico clássico que investiga respostas dadas pelo subconsciente - feito, no caso, com fãs de death metal. Nos testes, 32 apreciadores do gênero e 48 pessoas que não o ouviam habitualmente tiveram de escutar o material enquanto olhavam para imagens bem desagradáveis. Yanan Sun, também entre os coordenadores da pesquisa, explica que o objetivo do experimento era medir em que nível o cérebro dos participantes observavam as cenas de violência e comparar como sua sensibilidade era afetada pela trilha sonora. Para verificar o impacto de diferentes tipos de música, eles também utilizaram uma canção que consideravam o oposto do que Eaten representava. "Usamos Happy, de Pharrell Williams", diz Sun. Os participantes ouviam uma ou outra faixa enquanto lhes eram mostradas duas imagens - uma para cada olho. Uma exibia uma cena violenta - alguém sendo atacado na rua, por exemplo. Outra mostrava algo inofensivo, como um grupo de pessoas caminhando pela mesma rua da primeira foto. "É o que chamamos de rivalidade binocular", explica a cientista. Esse teste psicológico tem como base o fato de que a maioria das pessoas, quando estimulada com uma imagem neutra em um olho e uma violenta em outro, se concentra mais na segunda. "O cérebro vai tentar processar (aquela informação) - presumivelmente, existe uma razão biológica para isso, porque seria uma ameaça", explica o professor Thompson. "Se os fãs de música violenta estivessem dessensibilizados à violência - que é o que preocupa grupos de pais, de religiosos e de censores -, eles não apresentariam o mesmo viés (que os não fãs participantes do estudo)." "Mas eles apresentaram exatamente o mesmo viés em relação ao processamento das imagens violentas", conclui. O que a banda autora da música acha disso tudo? "Nós não temos nenhuma relação com isso", afirmou à BBC News o vocalista do Bloodbath, Nick Holmes. "As letras são uma diversão inofensiva, como o estudo comprovou." Ele acrescenta que as músicas da banda são "basicamente uma versão em áudio de um filme de terror dos anos 1980". "A maioria dos fãs de death metal é formada por pessoas inteligentes, ponderadas, que por acaso têm uma paixão pela música", ele diz. "É o equivalente às pessoas obcecadas por filmes de terror ou mesmo pela reencenação de batalhas." Por que a pesquisa é importante? Thompson, da Universidade Macquarie, afirma que as conclusões do estudo devem ser vistas como um instrumento para tranquilizar "pais e grupos religiosos" que têm preocupações a respeito de músicas violentas. De forma mais ampla, ainda há temor de que a violência na mídia possa ocasionar problemas sociais. "Se você é dessensibilizado à violência, talvez não se importasse de ver alguém na rua em apuros - e não a ajudaria." Ainda que, aparentemente, pesquisas tenham identificado evidências dessa dessensibilização em pessoas que jogam muito games violentos ou ouvem música violenta, a questão é diferente neste caso. "A resposta emocional dominante a esse tipo de música é prazer e empoderamento", pontua Thompson. "E acredito que ouvir esse tipo de música e transformá-la em uma experiência bonita, de empoderamento, é algo incrível." O cantor Nick Holmes se identificou com a análise e afirmou que muitas das músicas que ele ouve são "melancólicas, dramáticas, tristes ou agressivas - e nada muito além disso". "São gêneros que me dão sensação de prazer e empoderamento", disse à BBC. Especificamente sobre a letra de Eaten, ele acrescenta: "Eu não a escrevi, mas sinceramente ficaria estarrecido se alguém que ouvisse a música sentisse desejo de ser comido por um canibal."
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O que você quer que seus filhos saibam sobre seu passado?

dom, 17/03/2019 - 06:00

Diários, cartas, fotos de antigos amores: vale a pena que eles tenham acesso a suas lembranças? Ao acompanhar o envelhecimento de nossos pais, e também seu declínio físico e às vezes mental, acabamos nos esquecendo de que foram jovens e impetuosos. É como se bloqueássemos um período de suas vidas que pouco conhecemos – ou do qual não fazíamos parte. Ignoramos paixões arrebatadoras, sonhos abandonados, ressentimentos que foram envenenando suas existências. No entanto, tudo isso pode vir à tona quando se vão. Diários, cartas, fotos de antigos amores: vale a pena que os filhos tenham acesso a suas lembranças? Hansueli Krapf / https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=18266998 Ao arrumar armários, caixas e gavetas, nos deparamos com um passado que pode nos emocionar, mas também perturbar ou mesmo chocar. Até segredos que pareciam bem guardados correm o risco de chacoalhar o equilíbrio familiar. Quando minha mãe morreu, chorei muito ao ler um caderno que usava como diário e no qual relatava o sentimento de solidão que a acompanhava no dia a dia. Ela havia superado um câncer, tinha três filhas, dois netos e nenhum problema financeiro grave, mas sua lista de amarguras era muito mais extensa que a das alegrias. Guardei aquele caderno por um bom tempo, remoendo a culpa de talvez não ter feito tudo o que podia, até fazer as pazes comigo mesma e me prometer que, em homenagem a ela, eu tentaria ser mais feliz. Lembro dessa história pessoal ao escrever sobre uma questão que deve cruzar o pensamento de quem passou dos 60: vale guardar recordações que sempre estiveram longe dos olhos dos filhos e cairão em suas mãos quando morrermos? Pelo lado prático, não estaremos mais aqui para termos que suportar questionamentos ou recriminações. Entretanto, queremos que essas lembranças que foram tão preciosas para nós sejam objeto da curiosidade alheia? Será que não representarão um sofrimento para quem fica? Quando meu pai morreu, fiquei feliz por ele ter guardado seus boletins escolares, que funcionaram como um bálsamo, uma forma de manter sua chama perto de mim. Se tivesse me deparado com cartas de amor para outra mulher, não sei qual seria a minha reação: acharia divertido ou me incomodaria? Provavelmente não há uma resposta “certa” para essas indagações, tampouco considero como alternativa qualquer tipo de autocensura, mas o que deixamos para trás acaba sendo uma espécie de legado que conforta quem fica. Quem sabe vale a pena inventariar o que anda esquecido no fundo das gavetas?
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CNPEM testa paracetamol em miniórgãos artificiais com sucesso e resultado pode excluir uso de cobaias

sab, 16/03/2019 - 19:59

Pesquisa foi realizada pelo Laboratório Nacional de Biociências (LNBio) do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais, em Campinas. Estudo segue, agora, com testes de outros medicamentos. CNPEM avança em testes para comprovar eficácia de órgãos artificiais Pela primeira vez, pesquisadores do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas (SP), tiveram sucesso ao testar paracetamol - analgésico com propriedades antitérmicas - em miniórgãos artificiais. Os efeitos dão passo importante nas pesquisas para excluir uso de cobaias. O modelo artificial é produzido em laboratório com células humanas, em escala micrométrica, e substitui intestino e fígado. A tecnologia tem potencial para reduzir o número de cobaias usadas em testes e, até mesmo, substitui-las por completo em 30 ou 40 anos. "O que a gente conseguiu mostrar nesse estudo inédito foi que o intestino artificial que a gente construiu em laboratório, bem como o fígado, se comportaram de maneira semelhante ao corpo humano. Ou seja, o nosso intestino conseguiu absorver o paracetamol e o fígado metabolizou esse paracetamol e também demonstrou efeitos tóxicos do paracetamol, como acontece no ser humano também", explica a pesquisadora Talita Marrin. Os órgãos foram conectados entre si por um fluxo sanguíneo e ligados a equipamentos que reproduzem as condições fisiológicas do corpo humano. Em altas concentrações, o paracetamol pode provocar lesões no fígado. Conexões de miniórgãos a equipamentos reproduz funcionamento do organismo humano, afirma estudo do CNPEM, em Campinas. Vanderlei Duarte/EPTV Além de evitar que cobaias possam ser usadas em testes de novos medicamentos, a tecnologia também permite acelerar os estudos e obter resultados mais eficazes e mais confiáveis do que os de pesquisas com os pequenos mamíferos. Os miniórgãos reproduzem as funções biológicas e genéticas do organismo humano com muita semelhança. Miniórgão desenvolvido em laboratório no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas. Reprodução/EPTV "Na linha de descobrimento e desenvolvimento de fármacos, geralmente se começa os estudos com cinco a dez mil compostos, e se leva de dez a 15 anos, se gasta de 1 a 3 bilhões de dólares. E no final dessa linha, você põe somente um medicamento no mercado", afirma a especialista. "Essa tecnologia que nós estamos implementando e desenvolvendo tem esse intuito, de ser um teste mais robusto, diminuir o custo do desenvolvimento de medicamentos e, ao mesmo tempo, ser mais ético, porque reduz o número de animais". O próximo passo do estudo será testar outros medicamentos de efeitos bem conhecidos no mesmo modelo. A pesquisadora do CNPEM Talita Marrin participou do estudo com miniórgãos e o efeito do paracetamol, em Campinas. Vanderlei Duarte/EPTV Veja mais notícias da região no G1 Campinas
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O filósofo muçulmano que formulou teoria da evolução mil anos antes de Darwin

sab, 16/03/2019 - 18:27

Charles Darwin ficou conhecido por ser o pai da teoria da evolução, mas no mundo islâmico o pensamento evolutivo existe há muito mais tempo e remonta ao cientista iraquiano Al-Jahiz. A teoria da evolução, do cientista britânico Charles Darwin, é uma das pedras angulares da ciência moderna. A ideia de que as espécies mudam gradualmente por meio de um mecanismo chamado de seleção natural revolucionou nossa compreensão do mundo vivo. Em seu livro A Origem das Espécies, de 1859, Darwin definiu a evolução como uma "descida com modificações", demonstrando como as diferentes espécies surgiram de um ancestral comum. Mas parece que a própria teoria da evolução também tem um ancestral no mundo islâmico. Charles Darwin J. Cameron/Wikimedia Commons Seleção natural Cerca de mil anos antes de Darwin, um filósofo muçulmano que vivia no Iraque, conhecido como al-Jahiz, escreveu um livro sobre como os animais mudam através de um processo que também chamou de seleção natural. Seu nome real era Abu Usman Amr Bahr Alkanani al-Basri. Seu apelido, al-Jahiz, significa alguém com olhos esbugalhados. Não é a forma mais amistosa de chamar alguém, mas a fama de al-Jahiz se deve mesmo a seu livro "Kitab al-Hayawan" (O livro dos animais). Ele nasceu no ano 77 na cidade de Baçorá, sul do atual Iraque, numa época em que o movimento Mutazilah - uma escola de pensamento teológico que defendia o exercício da razão humana - estava crescendo na região, no auge do Califado Abássida. Obras acadêmicas eram traduzidas do grego para o árabe, e Baçorá sediava importantes debates sobre religião, ciência e filosofia que moldaram a mente de al-Jahiz e o ajudaram a formular suas ideias. O papel havia sido introduzido no Iraque por comerciantes chineses, o que impulsionou a difusão de ideias, e o jovem al-Jahiz começou a escrever sobre vários temas. Seus interesses envolviam muitas áreas acadêmicas, como ciência, geografia, filosofia, gramática árabe e literatura. Acredita-se que ele tenha publicado 200 livros durante a vida, mas só um terço sobreviveu até nossos dias. O Livro dos Animais Sua obra mais famosa, O Livro dos Animais, foi concebida como uma enciclopédia que apresenta 350 espécies. Nela al-Jahiz postula ideias que se parecem muito com a teoria da evolução de Darwin. "Os animais estão envolvidos numa luta pela existência e pelos recursos, para evitar serem comidos e se reproduzirem", escreve al-Jahiz. "Os fatores ambientais influenciam nos organismos fazendo com que desenvolvam novas características para assegurar a sobrevivência, transformando-os assim em novas espécies." Ele prossegue: "Os animais que sobrevivem para se reproduzir podem transmitir suas características exitosas a seus descendentes." Estava claro para al-Jahiz que o mundo animal estava numa luta constante para sobreviver, e que uma espécie sempre era mais forte que outra. Para sobreviver, os animais tinham de possuir características competitivas para achar comida, evitar virar comida de outros e se reproduzir. Isso os obrigava a mudar de geração em geração. As ideias de al-Jahiz influenciaram outros pensadores muçulmanos posteriores. Seu trabalho foi lido por homens como al-Farabi, al-Arabi, al-Biruni e Ibn Khaldun. O "pai espiritual" do Paquistão, Muhammad Iqbal, também conhecido como Allama Iqbal, reconheceu a importância de al-Jahiz em sua coleção de conferências, publicadas em 1930. Iqbal ressaltou que "foi al-Jahiz quem assinalou as mudanças que se produzem na vida dos animais devido à migração e às mudanças no meio ambiente". "Teoria maometana" A contribuição do mundo muçulmano à ideia da evolução não era um segredo para intelectuais europeus do século 19. De fato, um contemporâneo de Darwin, o cientista William Draper, falava da "teoria da evolução maometana" em 1878. No entanto, não há evidências de que Darwin conhecesse o trabalho de al-Jahiz ou de que entendesse árabe. É merecida a reputação que o naturalista britânico ganhou como um cientista que passou anos viajando e observando o mundo natural. Ele elaborou sua teoria com detalhes e claridade sem precedentes, transformando a forma com que pensamos o mundo. Mas o jornalista científico Ehsan Masood, que realizou uma série para a BBC chamada "Islam and Science" (O Islã e a Ciência), diz que é importante recordar outros que contribuíram com a história do pensamento evolutivo. Criacionismo Ehsan Masood também destaca que o criacionismo não parecia existir como um movimento significativo no século 9 no Iraque, quando Bagdá e Baçorá eram os principais centros de ensino avançado na civilização islâmica. "Os cientistas não passavam horas examinando paisagens da Revelação para ver se eram comparáveis com o conhecimento observado no mundo natural", escreveu Masood em artigo sobre al-Jahiz no jornal britânico The Guardian. Ao fim, foi a busca pelo conhecimento que provocou a morte de al-Jahiz. Conta-se que, aos 92 anos, ele tentou alcançar um livro em uma estante pesada, quando a estrutura desabou, matando-o.
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Wilhelm Reich: Os controversos tratamentos sexuais de um dos psicanalistas mais radicais da história

sab, 16/03/2019 - 10:23

Wilhelm Reich era considerado um promissor discípulo de Sigmund Freud até que suas teorias sobre a energia vital dos orgasmos o transformaram em um pária da comunidade científica. Hoje, muitos dizem que ele foi um visionário. Um dos inventos mais controversos de Reich foi o acumulado de orgone FDA/BBC Nos anos 1920, o austríaco Wilhelm Reich (1897-1957) era considerado um dos discípulos mais promissores do pai da psicanálise, Sigmund Freud (1856-1939). Ele morreria décadas depois em uma prisão dos Estados Unidos, sob acusações de fraude e suspeitas de promover atividades sexuais ilícitas. Mas sua obra, que chegou a ser banida pelo governo americano, seria peça-chave para o movimento da contracultura nos anos 1960. Muitos o consideram, inclusive, o inspirador da revolução sexual e dos protestos de maio de 1968 na França - os atos foram iniciados por movimentos estudantis e ganharam a adesão de trabalhadores, levando a uma grande greve geral que abalou politicamente o país. Hoje, Reich segue tendo muitos adeptos entre os seguidores de correntes de pensamento alternativas. Mas o que fazia esse psicanalista e por que ele continua a despertar tanta controvérsia tanto tempo depois? Reich é considerado nos dias de hoje uma ovelha negra dentro da psicanálise tradicional, mas nem sempre foi assim. Com apenas 23 anos, ele foi aceito como membro da prestigiada Sociedade Psicanalítica de Viena, fundada por Freud. Foi o próprio criador da psicanálise que levou o jovem à instituição para que tratasse seus pacientes em uma clínica ambulatorial que ele criou na capital austríaca. Nessa época, Freud já havia desenvolvido sua teoria sobre a neurose e atribuído sua origem à repressão sexual. Reich levou o conceito além e propôs que a repressão se dava não apenas no plano psíquico, mas também no físico. Ele acreditava que o corpo respondia à repressão gerando tensão muscular, o que, com o passar do tempo, se traduzia em dores crônicas e doenças. Dizia que era uma "armadura" ou uma "couraça" que moldava o físico e o caráter do indivíduo e determinava como essa pessoa encarava sua existência. O conceito despertou interesse, mas Reich propunha uma solução radical para o problema: a repressão deveria ser combatida não apenas verbalmente, como ensinava Freud, mas também fisicamente. Com esse objetivo, desenvolveu uma terapia que rompeu com uma das doutrinas básicas da psicanálise: a neutralidade entre o profissional e seu paciente. A vegetoterapia e denúncias de abuso Batizado de vegetoterapia, o método consistia em realizar massagens em seus pacientes seminus para dissolver o que Reich chamou de "armadura muscular" ou "armadura de caráter". Isso gerou um escândalo, e alguns de seus ex-pacientes até mesmo denunciaram que as massagens feitas em todas as partes do corpo onde o terapeuta dizia detectar tensão equivaliam a uma forma de abuso. Não foram apenas as massagens que geraram controvérsia: havia a teoria por trás delas. O objetivo da vegetoterapia era liberar a energia sexual reprimida, que, segundo Reich, era a causa de muitos dos males da sociedade, incluindo o nazismo. Reich ficou quase oito meses preso e morreu pouco antes de obter sua liberdade condicional LEWISBURG FEDERAL PENITENTIARY/BBC Ele acreditava que a armadura corporal impedia a pessoa de alcançar um orgasmo completo e, por isso, não conseguia livrar-se de suas repressões. Reich escreveu que, quando uma sessão era bem-sucedida, podia ver ondas de prazer atravessando o corpo do paciente, o que chamou de "reflexo orgásmico". Mas a principal forma de liberação de energia reprimida proposta por ele eram as relações sexuais, que permitiriam a uma pessoa se tornar livre - isso transformaria sociedades e o mundo. Com esse propósito, criou várias clínicas sexuais e advogou pelo sexo, inclusive entre adolescentes. Em 1927, escreveu "A Função do Orgasmo", explicando sua teoria. Foi a promoção do que chamou de "revolução sexual" que consolidaria décadas mais tarde sua fama como visionário e tornaria seu livro uma bíblia dos intelectuais dos anos 1950 e 1960. Mas, nos anos 1930, suas ideias radicais o tornaram um pária e o levaram a ser expulso da Sociedade Psicanalítica de Viena. A descoberta da 'energia vital do orgasmo' Em 1939, perseguido pelo nazismo, Reich fugiu para os Estados Unidos, onde começou uma nova etapa de sua carreira que atrairia ainda mais críticas e ceticismo da comunidade científica. Reich queria comprovar que sua teoria sobre o orgasmo tinha uma base biológica. Para isso, investigou se o conceito freudiano de libido tinha relação com eletricidade ou alguma substância química que atravessava o corpo (uma teoria que o próprio Freud sugeriu e logo abandonou em torno de 1890). Pouco depois de chegar a Nova York, anunciou que havia descoberto uma forma de energia vital que era liberada durante o orgasmo e anunciou o nascimento de uma nova ciência: a orgonomia. Essa forma de energia foi chamada por ele de "orgone" (derivado de "orgasmo" e "organismo"), descrito por ele como de cor azul, por meio de um microscópio e no céu, com um telescópio especial criado por ele, o organoscópio. Segundo Reich, o orgone estava por todos os lados e era a mesma energia espiritual que outros chamavam de Deus. Reich acreditava que, quando essa energia estancava ou diminuía, causava decadência, enfermidade e morte. Por isso, a partir de 1940, ele começou a desenvolver "acumuladores de orgone": caixas ou cápsulas que atuariam como bloqueadores de campos eletromagnéticos, permitindo que dentro do espaço se concentrasse a "energia orgônica". A pessoa deveria entrar no acumulador, idealmente nua, e permanecer ali pelo maior tempo possível para obter benefícios que, segundo Reich, incluíam curar o câncer. Os curiosos objetos começaram a atrair interesse, e a imprensa não tardou em ridicularizar o austríaco, chamando seus inventos de "caixas sexuais". Para demonstrar que sua descoberta era rigorosa cientificamente, Reich conseguiu que o renomado físico alemão Albert Einstein (1879-1955) pusesse seus inventos à prova. Em 13 de janeiro de 1941, ele levou um pequeno acumulador para Einstein, que o investigou por dez dias em seu sótão. Ainda que no começo o físico tenha notado uma diferença de temperatura dentro da caixa, que Reich atribuía à presença do orgone, ele concluiu no fim que o fenômeno era causado pela diferença de temperatura no ambiente. "Por meio desses experimentos, considero o assunto completamente encerrado", escreveu Einstein a Reich em 7 de fevereiro do mesmo ano. Acusação de fraude e prisão antes da morte O resultado não dissuadiu Reich, que, em 1942, comprou uma fazenda no Estado de Maine (EUA), onde se dedicou a criar mais acumuladores e outras invenções relacionadas à energia orgônica. Seus empreendimentos atraíram a atenção da Food and Drugs Administration (FDA), órgão americano equivalente à Anvisa no Brasil, que acusou o austríaco em 1947 de estar por trás de uma "enorme fraude". As autoridades também suspeitavam que ele poderia estar promovendo atividades sexuais ilícitas. Em 1954, a Justiça ordenou a destruição de 250 acumuladores e a incineração de toda a obra de Reich, incluindo "A Função do Orgasmo" e "Psicologia de Massa do Fascismo", um livro escrito por ele em 1933 e que teria um papel chave nos protestos de 1968 na França. Muitos historiadores consideram esse um dos piores casos de censura da história americana. Quando um sócio de Reich vendeu um acumulador a uma pessoa em outro Estado, violando a ordem judicial, o inventor foi detido e condenado a dois anos de prisão. Em 1957, quase oito meses depois de ser preso e prestes a conseguir sua liberdade condicional, Reich morreu após sofrer um infarto, aos 60 anos de idade. Em um obituário, a revista americana "Time" disse que que ele havia sido "um psicanalista famoso, discípulo de Sigmund Freud", mas que, em tempos recentes, havia ficado "mais conhecido por suas teorias pouco ortodoxas sobre o sexo e a energia". No entanto, autores como Allen Ginsberg, Jack Kerouac e William S. Burroughs se basearam nas teorias de Reich, lançando as sementes da revolução sexual dos anos 1960. Hoje suas ideias podem ser encontradas em várias disciplinas, desde a terapia Gestalt e a bioenergética aos tratamentos com orgonites, objetos que seriam capazes de transformar energias negativas em positivas e que são populares em alguns grupos espirituais. A fazenda onde Reich viveu e foi enterrado é hoje um museu e segue como um popular destino de peregrinação para seus seguidores.
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Restrição às armas, cuidado com a saúde mental e prevenção: especialista avalia medidas dos EUA contra ataques em escolas

sab, 16/03/2019 - 05:30

Desde 1990, de acordo com o Serviço de Pesquisa do Congresso, foram registrados 87 tiroteios em massa nos EUA (dados de 2017). Moradores de Littleton, nos EUA, se reúnem em memorial para as vítimas do massacre de Columbine, em 24 de abril de 1999 Mark Leffingwell/AFP O ataque a uma escola de Suzano, na Grande São Paulo, deixou 10 mortos na quarta-feira (13). É o primeiro do tipo no Brasil neste ano. Nos Estados Unidos, as autoridades lidam com o problema há mais tempo – e com maior frequência. O massacre de Columbine, com 15 mortes de estudantes em Colorado, completa 20 anos em abril. Mas, então, como o Brasil pode aprender com os americanos? A agência federal de investigações dos Estados Unidos (Federal Bureau of Investigation, FBI) avalia o tema "assassinatos em massa" de forma especial dentro da justiça criminal. O tema envolve o interesse da mídia, de especialistas em saúde mental e do público em geral. O FBI prefere usar o termo "atirador ativo", que é definido por "um indivíduo em ação para matar ou tentar matar um grupo de pessoas em uma determinada área". O Serviço de Pesquisa do Congresso (Congressional Research Service, CRS) prefere usar outra definição: "Assassinatos em massa", quando "três ou mais mortes estão no mesmo incidente". Os crimes podem ocorrem em locais públicos - como escolas e universidades - ou entre famílias e brigas de gangues. Desde 1990, de acordo com o Serviço de Pesquisa do Congresso, foram registrados 87 tiroteios em massa nos EUA (dados de 2017). O número de crimes do tipo é 2,4 vezes maior na última década (2008 a 2017) do que na década anterior (1998 a 2007). Esse número pode variar de acordo com o órgão que contabiliza - cada um usa uma definição diferente para contabilizar os casos. Como prevenir? O psiquiatra americano Reid Reloy, da Universidade de San Diego, presta consultoria de segurança sobre os ataques nos Estados Unidos. Ele é autor de mais de 200 artigos em revistas científicas sobre assuntos relacionados e sobre o próprio tema. "Existem três áreas em que precisamos trabalhar. Uma é a disponibilidade de armas de fogo, com foco no registro universal de armas de fogo. Precisamos trabalhar para manter armas de fogo longe de pessoas com risco de serem violentas ou pessoas que já ameaçaram violência ou tenham antecedentes de violência doméstica", disse em entrevista ao G1. Ele disse que há um forte movimento político nos Estados Unidos, tanto no nível federal quanto no nível estadual, para que seja criada uma nova regulamentação das armas. "Em relação ao novo regulamento de acesso a armas de fogo no Brasil, acredito que seria um problema para evitar tiroteios em escolas. As políticas agora estão se concentrando em tornar as armas de fogo menos disponíveis, e não o contrário", disse em referência aos debates recentes feitos no país. A segunda área que Reloy aborda para a prevenção dos ataques em escolas é a da saúde pública. Ele defende melhores cuidados de saúde mental em escolas, especialmente para os adolescentes. As políticas devem se concentrar em tornar esses serviços mais disponíveis e receber mais financiamento, segundo ele. O psiquiatra conta que também é importante desenvolver grupos de avaliação de ameaças dentro das escolas – uma equipe pequena na escola ou no campus da universidade composta por um policial, um administrador, um conselheiro escolar e um profissional do direito. "O que eles fazem é olhar para o clima geral na escola para reduzir os fatores gerais de risco em toda a escola. A partir daí, eles podem se concentrar especificamente em alunos que já foram notados por professores ou alunos", explicou. "Se o aluno está ficando mais isolado, se o aluno está sendo violento, se ele pesquisa violência ou armas de fogo nos computadores da escola, esses são exemplos que aumentariam a preocupação entre alunos e professores para que eles pudessem se dirigir à equipe de avaliação de ameaças. Então a equipe poderia avaliar o risco e administrá-lo". Em alguns casos, como noticiou o jornal americano "Chicago Sun Times", as escolas chegam a instalar detectores de metal na entrada. Instituições de Detroit, Los Angeles e Nova York já tomaram a medida. Este último estado chegou a aprovar um pacote de leis para implementar os detectores e aumentar a tecnologia de segurança para os estudantes. O papel da mídia A pesquisadora americana Jaclyn Schildkraut, autora de livro sobre massacres em locais públicos nos EUA, disse em entrevista à rede britânica BBC que o destaque na mídia serve como uma "recompensa" para os atiradores. "Tipicamente, a cobertura da mídia é centrada no atirador, em vez de focar nas vítimas ou nos heróis que responderam ao ataque", diz Schildkraut à BBC News Brasil. Reloy também aborda o assunto da relação da mídia com os ataques em massa: "Quando a mídia cobre o tiroteio na escola, se a cobertura está em todo o país e a imprensa está cobrindo em detalhes, a cobertura tende a aumentar o risco de novas filmagens por cerca de um período de duas semanas após a cobertura da mídia. Então você tem o que é chamado de efeito contagioso para o tiroteio na escola e a imprensa se torna o hospedeiro dessa doença." A fala de Reloy está relacionada com um estudo publicado em julho de 2017, assinado pelos pesquisadores Adam Lankford e Sarah Tomek. Eles buscam comprovar a imprensa também tem uma influência nos casos de tiroteio, assim como já foi comprovado com relação aos suicídios. Os autores analisaram dados de 2006 a 2013 nos Estados Unidos e chegaram a seguinte resposta: os assassinatos em massa são "socialmente contagiosos" nos próximo 14 dias. Ou seja: as notícias podem influenciar novos ataques por mais duas semanas.
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Comer cogumelos duas vezes por semana reduz risco de perda de memória, sugere estudo

sex, 15/03/2019 - 19:33

Pesquisa em Cingapura analisou dados de 663 pessoas com mais de 60 anos que tiveram alimentação e estilo de vida acompanhados por seis anos; relação de causa e efeito ainda precisa ser comprovada. Comer cogumelos duas vezes por semana reduz risco de perda de memória, sugere estudo Gui Teixeira/Café do Sítio/Divulgação Comer cogumelos ao menos duas vezes por semana pode ajudar a prevenir problemas de memória e fala em pessoas com mais de 60 anos. De acordo com um estudo conduzido em Cingapura, um antioxidante encontrado em cogumelos pode ter um efeito que protege o cérebro. Os pesquisadores constataram que, quanto mais cogumelos as pessoas comiam, melhor era o desempenho delas em testes de raciocínio e processamento. Apesar dos resultados, os pesquisadores dizem que ainda não é possível provar uma relação causal direta entre o consumo de cogumelo e a melhora das funções cerebrais. Conduzido por pesquisadores na Universidade Nacional de Cingapura, o estudo usou dados de 663 chineses com mais de 60 anos que tiveram a alimentação e o estilo de vida acompanhados entre 2011 e 2017. Durante os seis anos de estudo, os pesquisadores descobriram que o consumo de duas porções de cogumelos por semana reduziu as chances de comprometimentos cognitivos leves em 50% na comparação com pessoas que comeram menos de um porção. Tipos de cogumelo O comprometimento cognitivo leve afeta a memória - as pessoas esquecem de coisas com mais facilidade - e causa problemas de linguagem, de atenção e para localizar objetos. Esses sintomas, contudo, são normalmente sutis e, na maioria das vezes, não caracterizam demência. Os participantes do estudo precisaram responder a frequência com que comiam até seis tipos de cogumelo, entre eles shitake, cogumelo-ostra (também conhecido como shimeji-preto), champignon, enoki e portobello. Os que declararam comer cogumelo também se destacaram nos testes de velocidade de processamento cerebral, em especial os que consumiam os fungos mais de duas vezes por semana, ou mais de 300 gramas. "Essa correlação é surpreendente e motivadora", afirma o professor Lei Feng, um dos autores do estudo. "Parece que um ingrediente único comumente disponível pode ter um efeito determinante no declínio cognitivo. Mas estamos falando de uma combinação de muitos fatores - chá, verduras, nozes e peixe, que também são benéficos", completa Feng. Os pesquisadores salientam ainda o fato de os cogumelos serem um dos alimentos mais ricos em ergotioneína, um aminoácido antioxidante e anti-inflamatório que os humanos não são capazes de produzir por conta própria. Cogumelos também contém importantes nutrientes e minerais, além de ser rico em vitamina D, selênio e espermidina, substâncias que também protegem neurônios. Os autores do estudo, contudo, dizem que, apesar da relação positiva detectada no estudo, ainda é preciso aprofundar a pesquisa para determinar se há uma relação causal entre cogumelos e melhor desempenho cerebral. Alimentação e estilo de vida O estudo se baseou em informações dadas pelos próprios participantes sobre consumo de cogumelos e de outros alimentos. Os próprios pesquisadores ponderam que, justamente por isso, os dados analisados podem não estar precisos. James Pickett, presidente da Sociedade Britânica do Alzheimer, observa que há muitos fatores que contribuem para o desenvolvimento de demência. Diz ainda que um terço dos casos poderiam ser prevenidos com mudanças no estilo de vida, incluindo a alimentação. "A demência é uma das dez principais causas de morte, mas as pessoas podem tomar medidas para reduzir seu risco. Por isso, é importante basearmos nossos conselhos em evidências consistentes que se acumulam em vários estudos e não se deixem levar pelas descobertas. de qualquer estudo individual", afirma Pickett. "Então, comer uma dieta rica em frutas, verduras e legumes, incluindo cogumelos, é um excelente ponto de partida, nosso melhor conselho é para reduzir o açúcar e o sal, ser fisicamente ativo, beber com moderação e evitar fumar", diz presidente da Sociedade Britânica do Alzheimer. O estudo está na publicação acadêmica Journal Alzheimer's Disease. A Universidade de Cambridge, no Reino Unido, também está conduzindo uma pesquisa similar. Para participar, clique aqui.
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Como a IA detecta sinais de doenças que humanos não podem enxergar

sex, 15/03/2019 - 19:25

A inteligência artificial está provando que detecta doenças antes de sintomas aparecerem; clínica geral Leah Kaminsky acredita que isso levará a uma nova era de assistência médica. Um terapeuta virtual que analisa a linguagem corporal e o tom de voz usado pelos pacientes pode identificar sinais de depressão ou de TEPT USC INSTITUTE FOR CREATIVE TECHNOLOGIES O dia estava ensolarado com um ar de primavera. Eu seguia Angela, cujo nome foi alterado para proteger sua identidade, por um corredor que levava ao meu consultório em Melbourne, na Austrália. Ela era minha paciente havia vários anos, mas só naquela manhã notei que ela arrastava os pés enquanto andava. Sua face estava sem expressão e ela tremia levemente. Eu a encaminhei a um neurologista e, em uma semana, ela começou a receber tratamento para o mal de Parkinson. Mas fiquei chateada por não perceber seus sintomas antes. Infelizmente, esta é uma situação comum para pacientes em todo o mundo. Eles só são diagnosticados quando começam a mostrar sinais visíveis da doença - quando o corpo avisa os médicos de que algo está errado. Se a doença pudesse ser detectada mais cedo, os pacientes teriam a chance de receber um tratamento precoce e até de interromper a condição antes que ela se manifestasse. Uma nova tecnologia começa a oferecer essa esperança. Com a ajuda da inteligência artificial, os pacientes e os médicos podem ser alertados sobre possíveis mudanças na saúde de pacientes meses ou até anos antes que os sintomas apareçam. O futurista Ross Dawson, fundador da Future Exploration Network, prevê uma mudança do atual modelo voltado mais para o tratamento de doenças para um novo ecossistema de saúde mais focado na prevenção e no rastreamento de possíveis problemas antes que eles tenham a chance de se desenvolver. "A expectativa de se viver uma vida plena e saudável está impulsionando mudanças de atitude na sociedade", afirma Dawson. "A explosão de novas tecnologias e algoritmos desta década aprofundou o aprendizado sobre a inteligência artificial (IA), tornando-a mais eficiente que humanos no reconhecimento de padrões." Ao rastrear a frequência cardíaca, respiração, movimento e até substâncias químicas da respiração, a IA consegue detectar potenciais problemas de saúde muito antes de surgirem sintomas óbvios. Isso pode ajudar os médicos a intervir ou permitir que os pacientes mudem seu estilo de vida para aliviar ou prevenir doenças. Talvez esses sistemas possam até discernir padrões invisíveis ao olho humano, revelando aspectos surpreendentes de como o corpo pode nos enganar. Janelas para a sua saúde Dawson destaca estudos em que a IA consegue antecipar as chances de um indivíduo sofrer um ataque cardíaco ao monitorar constantemente seu pulso. Um estudo recente de pesquisadores do Google mostrou que os algoritmos de inteligência artificial também podem ser usados para prever pelo olhar de um indivíduo se ele tem chances de sofrer um ataque cardíaco. Eles treinaram a IA com exames de retina de 284.335 pacientes. Ao procurar padrões nos cruzamentos de vasos sanguíneos, a máquina aprendeu a identificar os sinais indicadores de doenças cardiovasculares. Movimentos diários Se Dina Katabi estiver no caminho certo, atrasos no diagnóstico de doenças genéticas e condições debilitantes como o mal de Parkinson, depressão, enfisema, problemas cardíacos e demência serão coisas do passado. Ela projetou um dispositivo que transmite sinais sem fio de baixa potência em uma residência. Essas ondas eletromagnéticas refletem no corpo do paciente. Toda vez que nos movemos, mudamos o campo eletromagnético ao nosso redor. O dispositivo de Katabi detecta essas reflexões minúsculas usando o aprendizado de máquina para acompanhar os movimentos do paciente pelas paredes. Katabi descreve os sinais sem fio como "máquinas incríveis" que vão além de nossos sentidos naturais. A implantação de um dispositivo na casa do paciente permite que seus padrões de sono e mobilidade sejam continuamente monitorados. O sistema pode captar suas taxas de respiração - mesmo com várias pessoas em uma sala - e detectar se alguém tem uma queda. Ele pode monitorar seus batimentos cardíacos e fornecer informações até sobre seu estado emocional. "Nós não os vemos, mas eles podem complementar nosso conhecimento de forma quase mágica", afirma a pesquisadora. "Nosso novo dispositivo é capaz de atravessar paredes e extrair informações vitais que ampliam nossa limitada capacidade de perceber mudanças". Essa capacidade de procurar mudanças no comportamento diário dos pacientes pode fornecer pistas precoces de que algo está errado, talvez antes de eles mesmos saberem. Muitos de nós já utilizam uma infinidade de dispositivos para monitorar tudo, desde a ingestão de calorias até o número de passos que damos por dia. A inteligência artificial pode desempenhar um papel vital na compreensão dessas informações. Essa capacidade de prever mudanças na saúde pode ser importante à medida que a população envelhece - de acordo com a ONU, um quinto da população global será de pessoas acima de 60 anos em 2050. "Cada vez mais pessoas idosas estão vivendo sozinhas, sobrecarregadas com doenças crônicas, o que provoca enormes problemas de segurança", diz Katabi. Ela acredita que seu dispositivo permitirá uma intervenção precoce de médicos, evitando potenciais emergências médicas. Diagnóstico pelo olhar A inteligência artificial também poderia detectar doenças a partir do olhar das pessoas. A startup FDNA desenvolveu o aplicativo Face2Gene, que usa a chamada "fenotipagem profunda" para identificar possíveis doenças genéticas a partir dos traços faciais de um paciente. Ele emprega uma técnica de IA conhecida como aprendizado profundo, que ensina algoritmos a detectar características faciais e formas tipicamente encontradas em distúrbios genéticos raros, como a síndrome de Noonan. O algoritmo foi treinado com mais de 17 mil fotografias de pacientes que sofrem de uma entre 216 condições genéticas listadas. Em alguns desses distúrbios, os pacientes desenvolvem características faciais específicas. Por exemplo, na deficiência intelectual do tipo Bain, crianças têm olhos em forma de amêndoa e queixos pequenos. O algoritmo do FDNA aprendeu a reconhecer esses padrões faciais distintos que muitas vezes são indetectáveis pelos médicos. Os testes do Face2Gene acertaram o diagnóstico em 91% das vezes, superando o desempenho de médicos para condições como a síndrome de Angelman e de Cornelia de Lange. O diagnóstico precoce de síndromes genéticas raras permite a introdução de tratamentos mais prontamente, além de poupar as famílias da odisseia diagnóstica que essas condições geralmente envolvem. Com doenças raras afetando cerca de 10% da população mundial, ferramentas de IA provavelmente mudarão a cara da medicina. Dentro do seu cérebro Médicos e cirurgiões há muito confiam em raios-X e tomografias para ajudá-los a diagnosticar condições relacionadas aos sintomas dos pacientes. Mas e se fosse possível usar esses exames para identificar uma doença antes que ela comece a causar problemas? Ben Franc, professor de radiologia clínica da Universidade de Stanford, está empenhado em desvendar os segredos por trás de milhões de tomografias computadorizadas realizadas rotineiramente nos departamentos de oncologia. Em geral, médicos usam esses escaneamentos para detectar tumores cancerosos, mas nunca os analisam em busca de outros riscos potenciais à saúde do paciente. Em um projeto piloto, Franc e sua uma equipe estudam se mudanças no metabolismo cerebral apontadas pelos exames podem prever o mal de Alzheimer, condição que afeta 10% das pessoas com mais de 65 anos. A partir da IA, eles desenvolveram algoritmos capazes de detectar mudanças sutis no metabolismo cerebral, no caso a captação de glicose em certas áreas do cérebro, que possivelmente ocorrem no início do desenvolvimento da doença. Em testes de imagem de 40 pacientes, o algoritmo detectou a doença em média seis anos mais cedo que os médicos. Isso abre a perspectiva de se diagnosticar essa condição devastadora anos antes de os sintomas aparecerem. "Os computadores podem encontrar associações que humanos levariam a vida toda para fazê-las", diz Franc. "A IA nos permite tirar proveito da expertise extraída de milhões de casos, o que pode garantir um diagnóstico precoce e, espera-se, a um tratamento mais oportuno e eficaz." E o alvo não é apenas o mal de Alzheimer. Seu grupo de pesquisa também publicou recentemente um artigo mostrando que os enormes conjuntos de dados de ressonância magnética e tomografia computadorizada podem ser usados para prever o subtipo de câncer de mama do paciente, bem como suas chances de sobrevida sem recaída. Esse novo campo em crescimento é conhecido como radiômica e usa dados brutos para identificar características que não podem ser vistas a olho nu. Existem mais de cinco mil recursos de imagem independentes que podem ser usados e a IA oferece uma nova e poderosa maneira de analisar todos eles. "Usando o aprendizado de máquina, conseguimos identificar características que podem ser usadas para fazer previsões", diz Franc. Ele espera usar a IA fora do hospital para avaliar a saúde geral de um indivíduo. Por exemplo, ele acredita que banheiros inteligentes podem buscar mudanças na urina ou nas fezes de uma pessoa para prever doenças. Como você fala Hoje a tecnologia de exames e imagens já fornece pistas sobre o estado físico do paciente, mas há menos recursos para se diagnosticar condições de saúde mental. No entanto, o número de pessoas que sofrem de distúrbios mentais só faz crescer, com um total 25% da população global e proporções epidêmicas em alguns países. Como são uma das principais causas de incapacidade, isso coloca uma enorme pressão sobre a sociedade. O aprendizado de máquina oferece novas formas de detectar precocemente as condições de saúde mental a partir de sinais escondidos na escolha das palavras, no tom de voz e em outras nuances da linguagem. Ellie é uma avatar que atua como terapeuta virtual e foi desenvolvida pelo Instituto de Tecnologias Criativas da Universidade do Sul da Califórnia. Ela pode analisar mais de 60 pontos no rosto de um paciente para determinar se ele está deprimido, ansioso ou sofrendo de transtorno de estresse pós-traumático. O tempo que uma pessoa leva para fazer uma pausa antes de responder uma pergunta, sua postura ou o quanto ela acena com a cabeça - tudo fornece a Ellie mais pistas sobre o estado mental do paciente durante a "consulta". Espera-se que esta forma de aprendizado de máquina "melhore a previsão, o diagnóstico e o tratamento de transtornos mentais", escreveram Nicole Marinez-Martin e seus colegas da Escola de Ética Biomédica de Stanford em um artigo recente publicado no Journal of Ethics. Os avanços na IA também produziram robôs emocionalmente inteligentes capazes de ter conversas naturais com seres humanos - tecnologia que está garantindo o acesso a tratamento a um número maior de pessoas. Wysa, por exemplo, é um robô projetado por terapeutas e pesquisadores de IA para estimular nas pessoas habilidades de resiliência mental a partir de técnicas da terapia cognitivo-comportamental. A ideia é que o robô faça perguntas que as ajudem a entender como se sentem depois de um dia difícil. Decisões difíceis A combinação de medidas biométricas com o perfil genético de um indivíduo pode ajudar a prever fatores de risco de tal forma que podem substituir diretrizes médicas gerais. No mundo da medicina de precisão, a IA pode tornar o check-up anual anacrônico. Mas quanta confiança estamos dispostos a colocar em um algoritmo sobre decisões de nossas vidas? Um artigo recente no AMA Journal of Ethics apresenta um cenário hipotético em que o aprendizado de máquina é usado em decisões do fim da vida. Na ocasião, os autores ressaltam que "um algoritmo não perderá o sono se prever, com alto grau de confiança, que uma pessoa gostaria que a máquina que dá suporte a sua vida fosse desligada". A questão é: queremos que algo como a IA, que não se preocupa com suas decisões, faça ponderações tão importantes? Talvez ainda preferíssimos a abordagem de um médico ao de uma máquina. Mas, em um futuro próximo, a IA pode entender questões bem antes dos especialistas humanos. Por serem totalmente adaptadas a nossa personalidade, comportamento e emoções, elas poderiam nos alertar sobre algo que salvaria nossa vida. Portanto, embora não possamos esperar que um computador sinta emoções, podemos querer que ele entenda o que e como estamos nos sentindo.
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Tragédia em Suzano: os cuidados para impedir que traumas afetem a saúde mental

sex, 15/03/2019 - 18:26

Especialistas alertam que sintomas associados ao transtorno de estresse pós-traumático podem acometer até mesmo quem não tem qualquer relação com as vítimas do massacre em Suzano, mas foi exposto a fotos e vídeos do ataque nas mídias sociais ou imprensa. Uma pesquisa nos EUA revelou que 28% das testemunhas de massacres desenvolvem transtorno de estresse pós-traumático Reuters Enlutados pelo massacre de quarta-feira (13) na escola Professor Raul Brasil, em Suzano (SP), sobreviventes, amigos e parentes dos mortos devem ser acompanhados para que não desenvolvam transtornos mentais associados a traumas, segundo especialistas ouvidos pela BBC News Brasil. Nos EUA, onde massacres em escolas são frequentes, um estudo apontou que 29% das testemunhas desses ataques sofrem transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) - um transtorno de ansiedade que pode gerar sintomas vários meses ou anos após o incidente. Profissionais de saúde mental alertam que sintomas semelhantes podem acometer até mesmo quem não tem qualquer relação com as vítimas, mas se expôs a fotos e vídeos do ataque nas mídias sociais ou na imprensa. Eles dizem que as pessoas abaladas, assim como vizinhos da escola e outros moradores de Suzano, também devem ser acolhidas e ajudadas a superar o luto coletivo causado pela tragédia. A Prefeitura de Suzano disse à BBC News Brasil que a Secretaria de Estado da Saúde enviou dois psiquiatras e um psicólogo a Suzano para atender sobreviventes e familiares das vítimas. Segundo a prefeitura, os profissionais estão trabalhando ao lado de uma equipe local do Caps (Centro de Atenção Psicossocial), unidade do SUS especializada em saúde mental. Reações a eventos traumáticos O psiquiatra Higor Caldato, especialista em Psicoterapias pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), diz que, nos dias seguintes ao evento, sobreviventes e pessoas próximas das vítimas costumam vivenciar sentimentos de estresse agudo, choque, tristeza e lamentação. Nesse período, diz Caldato, é essencial que eles sejam acompanhados por profissionais de saúde mental para que possam dar vazão às emoções em sessões de terapia e não se refugiem em comportamentos nocivos, como compulsões alimentares ou o consumo abusivo de álcool. Ele afirma que pessoas que estejam sob ansiedade extrema e com dificuldade para se expressar podem precisar de medicação para atenuar os sintomas e tirar mais proveito da terapia. Segundo o psiquiatra, se os sentimentos negativos persistirem por mais de um mês e estiverem associados a outros fatores, como pesadelos, medo e sintomas depressivos, é possível que o transtorno de estresse pós-traumático tenha se instalado. A condição, que também costuma exigir tratamento medicamentoso, pode causar grandes impactos na vida do afetado por um longo período. Com frequência, o transtorno é acompanhado por problemas para dormir, dificuldade para se concentrar e sentimentos de isolamento, irritação e culpa. Memorial em homenagem às vítimas do massacre no festival de música Route 91, em Las Vegas (EUA), em 2017 Reuters 'Crescimento pós-traumático' Para Caldato, o caminho para evitar o quadro é usar o episódio violento para reforçar relações e comportamentos positivos, estimulando o que ele chama de "crescimento pós-traumático". "O mais importante é dar apoio psicológico para que as pessoas possam enxergar a tragédia por outro ângulo - para que se sintam amparadas, protegidas, possam se cuidar, valorizar mais a vida e a família, ter urgência em buscar a felicidade." Segundo a psicóloga Maria Helena Franco, até quem não estava presente no massacre e não tem qualquer relação com as vítimas pode sofrer seus impactos quando exposto a imagens, notícias ou relatos sobre o evento. Essa reação é conhecida como trauma vicário ou estresse traumático secundário. "Tem um fio que nos une que é a empatia, a questão humana. Todo mundo fica tocado, assustado. Não é um impacto menos importante e ele deve ser visto e considerado", afirma Franco, que coordena o Laboratório de Estudos e Intervenções sobre o Luto da PUC-SP, onde é professora titular de Psicologia. Segundo Franco, o primeiro passo para superar o trauma vicário é aceitar o sofrimento provocado pelo massacre. "Quando você está sofrendo mas entra num raciocínio de que não deveria sofrer pois não estava lá, não conhecia ninguém, você impossibilita que o sentimento seja elaborado. Só que não, ele continua ali, na mente." Luto coletivo Ela diz que alguns grupos estão mais sujeitos a esse quadro, como bombeiros ou profissionais de saúde que lidam com pessoas traumatizadas. "É preciso que eles estejam preparados para trabalhar com crises, com sofrimento intenso, com luto. Porque eles também podem chegar a um limite e até adoecer." Franco afirma que também merecem atenção vizinhos da escola e outros moradores de Suzano. "De repente Suzano, uma cidade pacata, ficou associada ao massacre - alguns passaram a se referir 'ao drama de Suzano'. É uma marca, uma ferida, e isso é sério. O tecido social sofreu um rombo." Ela diz que, além dos atendimentos individuais, o trauma precisa ser trabalhado de maneira coletiva. "É importante pensar em formas de unir os alunos, as escolas, as várias comunidades envolvidas. É daí, do coletivo, que virá a força de reconstrução." Cerimônias em homenagem às vítimas são uma das ferramentas mais eficazes para o enfrentamento do luto após tragédias Reuters Estresse Traumático Secundário Em artigo publicado em 2018 pela Vanderbilt University (EUA), o pesquisador Chad Buck, PhD em Psicologia Clínica, diz que os sintomas do trauma vicário ou estresse traumático secundário são semelhantes aos do TEPT, mas menos intensos. Segundo ele, a condição pode envolver fadiga crônica, tristeza, raiva, exaustão emocional, vergonha, medo e desconexão, entre outros sentimentos. Segundo Buck, embora os estudos sobre esse distúrbio enfoquem profissionais de saúde mental, outras pessoas podem desenvolver os mesmos sintomas. "Quem já vivenciou eventos semelhantes, tem TEPT pré-existente ou outras questões de saúde mental tem maior risco de sofrer uma acentuação dos sintomas e o desenvolvimento de estresse traumático secundário", diz o psicólogo. 'Divisor de águas' Para Maria Helena Franco, o massacre será "um divisor de águas" para os alunos sobreviventes. "Há uma situação muito particular que agrava a situação: eles são ao mesmo tempo sobreviventes e testemunhas. São duas experiências muito fortes." Franco afirma que o acompanhamento dos jovens deve levar em conta os registros sensoriais vinculados a traumas, como barulhos, cheiros, cenas e movimentos. "O cuidado precisa ser voltado para os registros que, se não forem tratados, vão ficar." Segundo ela, o acompanhamento tem de durar vários anos. "É um trabalho de longuíssimo prazo." Pessoas expostas a vídeos ou notícias de eventos traumáticos também podem precisar de cuidados, segundo especialistas Reuters Estudos sobre TEPT Nos Estados Unidos, muitos pesquisadores estudam o impacto de massacres na saúde mental de sobreviventes e comunidades afetadas. Em um artigo publicado em setembro de 2018, a revista da American Psychological Association lista uma série de conclusões dessas pesquisas. Uma delas revelou que pessoas que se feriram em massacres, viram pessoas serem atingidas, perderam amigos ou sentiram que suas vidas corriam perigo têm muito mais chances de desenvolver sintomas de transtorno de estresse-pós traumático (TEPT) e outros distúrbios mentais do que as que conseguiram se esconder ou estavam mais distantes do incidente. O artigo diz que pessoas que já têm sintomas de distúrbios mentais - como ansiedade ou depressão - estão mais sujeitas a desenvolver TEPT, assim como as que se sentem culpadas por não terem salvado pessoas que morreram. Já as que têm redes de apoio mais sólidas, especialmente da família, tendem a ser menos afetadas. O National Center for PTSD, organização que pesquisa o transtorno de estresse-pós traumático nos EUA, afirma que 28% das pessoas que testemunham massacres desenvolvem TEPT. O índice, segundo o órgão, mostra que os sobreviventes desses incidentes estão mais sujeitos a distúrbios mentais do que pessoas que enfrentam outros tipos de trauma, como desastres naturais. Estágios na superação do trauma A American Psychological Association diz que os sobreviventes de massacres costumam passar por três etapas no processo de superação do trauma. A primeira, imediatamente após o evento, geralmente envolve os sentimentos de negação, choque e descrença. Nesse momento, profissionais de saúde mental podem ajudá-los oferecendo informações e explicando que suas reações são normais. Na segunda fase, que se inicia entre alguns dias e semanas após o massacre, são comuns os sentimentos de medo, raiva, ansiedade, dificuldade em prestar atenção, problemas para dormir e depressão. Na última etapa, vários meses após o ataque, os sentimentos negativos tendem a se dissipar para a maioria dos sobreviventes. Já alguns podem precisar de cuidados especiais - especialmente quando apresentarem quadros persistentes ou abuso de substâncias químicas. "Eventos em homenagem às vítimas - particularmente os que são concebidos e conduzidos por estudantes e a comunidade - são os mais eficientes para ajudar na recuperação depois de um massacre", diz a associação, citando um estudo realizado após um ataque que provocou seis mortes na Universidade da Califórnia em Santa Bárbara, em 2014. Initial plugin text
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Como pesquisadores brasileiros descobriram quase por acaso três novos aglomerados de estrelas

sex, 15/03/2019 - 16:28

Cientistas da UFMG são os primeiros brasileiros a descobrirem aglomerados de estrelas a partir de imagens capturadas pelo satélite Gaia, lançado em 2013 pela Agência Espacial Europeia e que criou um mapa em 3D da Via Láctea. Pesquisadores do departamento de Física da UFMG identificaram três novos aglomerados de estrelas em movimento na Via Láctea e os batizaram em homenagem à universidade Mike Read (WFAU), UKIDSS/GPS and VVV Tão logo as imagens em alta definição capturadas pelo satélite Gaia, da Agência Espacial Europeia, foram divulgadas publicamente no ano passado, o físico mineiro Filipe Andrade Ferreira, de 27 anos, baixou os arquivos e começou a usar uma técnica elaborada por ele para identificar objetos em ambientes muito densos do espaço. Para a surpresa de Ferreira, que é doutorando em astrofísica na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a ferramenta não apenas funcionou como lhe permitiu um feito inédito: descobriu três novos aglomerados - clusters - de estrelas em movimento na Via Láctea. Segundo o cientista, é a primeira vez que pesquisadores brasileiros descobrem aglomerados a partir das imagens do Gaia, lançado em 2013 e que, desde o ano passado, permite acessar imagens em 3D da galáxia da qual o sistema solar faz parte. Ferreira conta que a descoberta foi quase por acaso. "Estava em casa numa tarde mexendo nos dados, não estava procurando aglomerados. Primeiro vi dois montinhos desconhecidos, o terceiro descobri depois. Fiquei empolgado, mas logo pensei que não podia ser possível. Perguntei: será mesmo que ninguém mais achou esses caras?", recorda o pesquisador que, depois de consultar bases de dados, mandou uma mensagem para o telefone do orientador. "Acho que descobri uns carinhas novos", escreveu. Assim que recebeu a mensagem do aluno, o professor Wagner Corradi mobilizou a equipe do laboratório de astrofísica da UFMG para conferir se "os carinhas" eram mesmo novos aglomerados até então não identificados. Além de Ferreira, que tem se dedicado a explorar áreas densas do Universo, e Corradi, que estuda onde nascem as estrelas, o laboratório conta com pesquisadores como Mateus Angelo e Francisco Maia, que estudam as estrelas mais jovens e as muito velhas, respectivamente - os quatro assinam a publicação junto com o também professor da UFMG João Francisco Santos. Confirmada a descoberta, os pesquisadores correram para dar nome aos três aglomerados e para publicar os resultados do estudo. O professor da UFMG Wagner Corradi e o doutorando Filipe Ferreira assinam, com outros três pesquisadores, artigo publicado na revista científica inglesa Monthly Notices of the Royal Astronomical Society Cortesia/Wagner Corradi Os aglomerados foram batizados em homenagem à universidade e os cinco pesquisadores da UFMG assinaram um artigo na edição de março da conceituada revista científica inglesa Monthly Notices of the Royal Astronomical Society. "É uma descoberta importante porque foi de uma equipe de brasileiros totalmente radicados no Brasil, e mostra como investimento em pesquisa é fundamental", afirma Corradi, acrescentando que achados como o desses três aglomerados ajudam a entender melhor a evolução das galáxias bem como de onde viemos. Centenas de estrelas Corradi diz que a descoberta não foi meramente golpe de sorte. Salienta que o laboratório, a partir dos estudos de Filipe, criou uma metodologia que permite avaliar deslocamento de objetos e medir distâncias percorridas em zonas densas do Universo. Além disso, afirma o professor, o aluno tem o mérito de ter "mergulhado" numa área considerada mais jovem para os parâmetros estelares, que normalmente é mais difícil de ser analisada. Cada um dos aglomerados identificados pelos pesquisadores brasileiros reúne mais de 200 estrelas ligadas por meio da gravidade. O UFMG 1 tem cerca de 800 milhões de anos e está a 5,2 mil anos luz do Sol. Já o UFMG 2, o maior e mais velho dos aglomerados, existe há aproximadamente 1,4 bilhão de anos, tem 600 estrelas e está a uma distância de 4,8 mil anos luz. O UFMG 3, por sua vez, tem idade estimada em 100 milhões de anos e está a uma distância do Sol similar a do UFMG 2. Um aglomerado é formado por estrelas que nasceram simultaneamente na mesma região, têm características físicas semelhantes e se movimentam de forma muito parecida. Com o tempo, estrelas de aglomerados tendem a perder a conexão. Pesquisadores do departamento de Física da UFMG identificaram três novos aglomerados de estrelas em movimento na Via Láctea e os batizaram em homenagem à universidade Cortesia/Wagner Corradi Próximos passos Depois da descoberta, os pesquisadores da UFMG pretendem explorar duas novas frentes. Além de buscar mais detalhes desses três aglomerados, eles pretendem aplicar o método para procurar e catalogar novos grupos de estrelas que permanecem escondidos e sem identificação. "Temos 40 possíveis candidatos", diz o professor Wagner Corradi, salientando a importância do trabalho do satélite Gaia para a astrofísica. O satélite Gaia foi lançado com a missão de fazer uma espécie de "censo estelar" da Via Láctea. Durante cinco anos, coletou dados que estão sendo considerados como o mais completo catálago de estrelas já feito, segundo a Agência Espacial Europeia. Trata-se do maior mapa em três dimensões da nossa galáxia feito a partir de informações recebidas por um satélite que já está provando ser revelador. Segundo Corradi, apesar de pesquisadores de todo o mundo estarem debruçados sobre as imagens coletadas pelo Gaia, estima-se que apenas 1% das estrelas registradas serão medidas. O equipamento mediu com alta precisão cerca de 1,7 bilhão de estrelas e revelou, de acordo com a ESA e, conforme indica a descoberta dos pesquisadores braisleiros, coletou detalhes da nossa galáxia nunca antes vistos. Além de permitir novas descobertas de objetos no espaço, a astronomia, afirma o professor da UFMG, tem contribuído para avanços em outras áreas. Por exemplo, câmeras de altíssima resolução com grande capacidade de processamento, desenvolvidas para a astronomia, foram usadas como base tecnológica para criar câmeras de celular de que hoje milhões de pessoas usufruem. "Sabemos das dificuldades de financiamento, mas para avançar é preciso investir. Não teremos condições de evoluir na pesquisa sem apoio. O esforço da equipe que se dedicou ao Gaia é prova disso", avalia Wagner Corradi.
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Pesquisadores da Fiocruz desenvolvem teste que custa R$ 1 para detectar zika em menos de uma hora

sex, 15/03/2019 - 12:04

Através da atual técnica utilizada para diagnosticar a doença, cada teste custa R$ 40 e o resultado é obtido depois de cinco horas. Aedes aegypti é o mosquito transmissor da dengue, febre amarela, chikungunya e vírus da zika Pixabay/Divulgação Pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em Pernambuco desenvolveram uma técnica mais barata e mais rápida para detectar o vírus da zika. Depois de cinco meses de pesquisa, foi desenvolvido um teste que custa R$ 1 e apresenta resultados em menos de uma hora. O padrão utilizado atualmente, o PCR, tem custo unitário de R$ 40 e mostra resultados após cinco horas. De acordo com o estudante Seferino Jefferson, autor da pesquisa, a tecnologia não necessita o uso de equipamentos complexos ou caros para apresentar o resultado. “Queríamos chegar a um método que não precisasse de tanta complexidade para diagnosticar a doença e chegamos a esse resultado. Cada teste custa R$ 1 e o resultado pode ser visto a olho nu”, diz o pesquisador. Chamada de amplificação isotérmica mediada por alça, a técnica mistura agentes moleculares com o material genético do indivíduo em teste. O método também diminui o tempo de obtenção dos resultados em relação à técnica PCR. “Os reagentes do nosso teste mostram [resultados] em pouco mais de 20 minutos”, afirma Jefferson. Para chegar ao resultado, foram utilizadas 60 amostras de mosquitos Aedes aegypti e Culex quinquefasciatus. Os insetos foram infectados naturalmente ou em laboratório com os vírus da zika, dengue, febre amarela e chikungunya. Na próxima etapa da pesquisa, o grupo pretende concluir os testes com amostras humanas. O orientador da pesquisa, Lindomar Pena, conta que o método também apresenta mais sensibilidade. “Em alguns casos em que o vírus da zika não foi detectado pela PCR, nós conseguimos detectar através desse teste”, afirma o professor. O método, no entanto, apresenta resultados específicos para zika e não apresentou reação cruzada para outras arboviroses. “Vamos patentear para disponibilizar ao público. A nossa expectativa é de que a população possa utilizar esse método nos próximos anos”, declara Pena.
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O último suspiro do Oppy

sex, 15/03/2019 - 06:00

Ilustração mostra o jipe Opportunity em Marte Nasa Você se lembra do destino fatídico do jipe Opportunity da Nasa, não? Relembrando rapidamente, o Oppy, como era carinhosamente chamado, esteve em operação em Marte por quase 15 anos. Pousando em 25 de janeiro de 2004, o jipinho acompanhado de seu gêmeo Spirit, começou uma longa jornada de estudos do planeta vermelho. Longa jornada tanto no sentido de distância, pois percorreu 45,16 km, quanto no sentido de duração da exploração, pois ele estava operacional até o meio do ano passado. O Oppy detém o recorde de distância percorrida para um jipe de exploração espacial, batendo o jipe lunar Lunokhod 2 que percorreu, guiado por controle remoto, 39 km em 1973. Só de curiosidade, a medalha de bronze pertence ao jipe da Apollo 17 que percorreu 35,7 km em 1972. Seu irmão Spirit não durou nem metade disso, deixando de responder aos contatos da Terra em março de 2010, depois de ficar atolado definitivamente em um trecho de terreno mais fofo em 2009. Até então, o jipe já tinha percorrido 7,73 km, mas com o atolamento foi transformado em uma base fixa. Ambos os jipes foram um tremendo sucesso de engenharia e um orgulho para a Nasa, pois sua missão inicial era de apenas 3 meses. Tudo bem que sempre tem um chorinho depois que expira o prazo para se cumprir a missão inicial, mas no caso dos jipes gêmeos isso excedeu a expectativa em pelo menos uma década. O Oppy continuou sua jornada estudando o terreno, a atmosfera e até mesmo o subsolo marciano, com instrumentos para recolher amostras abaixo da superfície. A suíte de instrumentos ia desde câmeras digitais, até mesmo aparelhos de raios-X capazes de estudar em detalhes a composição física e química das amostras. Aliás, uma das diversões do jipe, por assim dizer, era fazer selfies. Com uma câmera na ponta de um braço robótico, o jipe fazia uma série de fotos compondo um mosaico e depois, na hora de compor a selfie, um software de tratamento de imagens retirava o braço das fotos e parecia que alguém em Marte tinha fotografado o jipe! Mas no dia 10 junho de 2018 a NASA perdeu contato com o jipe. Nessa época, uma tempestade de areia se espalhou pelo planeta inteiro, escurecendo boa parte da sua superfície. Além de escurecer, esfriou e isso matou o Opportunity. Diferente do jipe Curiosity que usa baterias nucleares, tanto o Opportunity, quanto o Spirit utilizavam painéis solares para gerar eletricidade. Enquanto o Oppy sofria com a escuridão, o Curiosity continuou com suas atividades quase normais. É que era tanta areia em suspensão que algumas análises tiveram de ser adiadas para que as amostras não fossem contaminadas. Mas o Opportunity não resistiu e parou de funcionar. A baixa luminosidade que atingia os painéis solares não era suficiente para recarregar as baterias de forma adequada. Um pouco de energia era fornecida, mas com o esfriamento da superfície, o jipe precisou acionar seus aquecedores internos de forma mais frequente e isso deve ter drenado o pouco que a bateria tinha para oferecer. Resultado, o jipe deixou de se comunicar com a Terra e no começo deste ano a Nasa declarou sua morte. O jipe estava estacionado no local onde foi envolvido pela tempestade já tinha quase um mês efetuando suas pesquisas. Enquanto seus instrumentos analisavam as amostras, ele estava fazendo um mosaico dando uma panorâmica do Vale da Perseverança. Foi esse o último panorama do Opportunity que a Nasa divulgou essa semana. Esta foto é apenas um pedaço deste panorama que deveria ser em 360 graus. Deveria. Imagem feita pelo robô Opportunity Nasa/JPL Caltech Além de incompleto, você pode ver que no canto inferior esquerdo as fotos estão em preto e branco. Isso aconteceu porque o jipe não teve tempo de fazer as fotos nos filtros verde e violeta, para compor a foto colorida que seria adicionada ao mosaico. Além disso, a NASA conseguiu recuperar as 3 últimas imagens enviadas pelo jipe. Essas duas imagens são na verdade duas miniaturas de fotos obtidas com as duas câmeras do mastro do Opportunity. As duas foram apontadas para o Sol, que normalmente ofuscaria os dois detectores, mas com a tempestade em curso, apenas uma sombra bem no meio do detector pode ser vista. As fotos estão muito ampliadas, por isso estão tão distorcidas. Imagem feita pelo robô Opportunity, da Nasa Nasa Assim estava o céu no último dia do Opportunity. Normalmente o jipe fazia uma prévia na forma de miniaturas para serem enviadas mais rapidamente e depois as repetia em alta resolução. Mas nesse caso as imagens finais nunca chegaram. E esta é realmente a última foto tirada e enviada pelo jipe. A câmera também estava apontada para o Sol, mas nesse caso com o filtro para bloquear a luz. Como o Sol já estava bloqueado pela poeira, a imagem está completamente escura. Os pontinhos brancos são meramente ruído do detector. Imagem do jipe Opportunity da Nasa Nasa Talvez o aspecto mais melancólico dessa imagem é o trecho final dela. A transmissão da imagem foi interrompida, muito provavelmente porque o computador do Opportunity deve ter entrado em modo de emergência para economizar energia e nunca mais acordou para retomar a transmissão. As últimas imagens do Opportunity foram transmitidas para o Orbitador de Reconhecimento Marciano, MRO em inglês, para depois serem retransmitidas para o comando da missão. Só agora, depois de montar o panorama incompleto do lugar que viria a ser o destino final do jipe é que a NASA resolveu publica-las em seu site. Se você quiser conferir todas elas, dá uma passada por lá.
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Síndrome Alcoólica Fetal: os males causados nos filhos pelo consumo de bebidas na gravidez

qui, 14/03/2019 - 13:41

Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, estudos apontam que de cada 1 mil nascidos vivos, de dois a sete bebês apresentam sinais da Síndrome Alcoólica Fetal; para a maioria dos sintomas não há cura e diagnóstico é difícil. El hecho de que sus madres biológicas bebieran durante el embarazo provocó síntomas físicos y mentales en Andy y Rachel. BBC Rachel, de 16 anos, parou de crescer há seis anos. Andy tem problemas graves de memória. Ambos sofrem com o transtorno conhecido como Síndrome Alcoólica Fetal, provocado pelo consumo de grandes quantidades de álcool pelas mães durante a gestação. Andy e Rachel foram adotados pelo casal Sharon e Paul, que também criam outros três filhos adotivos. Quando pequeno, Andy tinha ataques de pânico em lugares com muita gente. Enfrentava dificuldade para executar atividades cotidianas simples como escovar os dentes. Tinha problemas para se concentrar. Médicos haviam diagnosticado Andy com síndrome do espectro alcoólico fetal, mas os serviços de assistência social, segundo a mãe adotiva, nunca deram muita importância. Andy também sofre com problemas físicos provocados pelo consumo de álcool da mãe biológica. A mandíbula inferior se desenvolveu corretamente, mas a superior, não. Aos 17 anos, ele precisou passar por uma cirurgia. Diagnóstico difícil Rachel também tem problemas físicos, como dificuldades para movimentar as articulações e percorrer grandes distâncias a pé. A síndrome foi diagnosticada quando ela tinha seis anos. Ela sofre, ainda, com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade. Não há dados oficiais sobre quantas crianças sofrem com esse tipo de síndrome, porque ela é considerada de difícil diagnóstico. Estudo do Centro de Dependência e Saúde Mental do Canadá estima que 119 mil crianças com Síndrome Alcoólica Fetal nasçam a cada ano no mundo. Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, estudos apontam que de cada 1 mil nascidos vivos, de dois a sete bebês apresentam sinais do problema. Entre os sintomas, há danos cerebrais, problemas físicos e no sistema nervoso central, entre outros. As manifestações da síndrome, em sua maioria, não têm cura. Ainda conforme a Sociedade Brasileira de Pediatria, entre os sintomas mais comuns da Síndrome Alcoólica Fetal estão: alterações faciais; atraso no crescimento; desordens de comportamento e de aprendizado; comprometimento em diferentes órgãos, aparelhos e sistemas, principalmente no nervoso central. Há também três alterações faciais relacionadas à Síndrome Alcoólica Fetal, de acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria. São elas: pálpebras estreitas e pequenas, ausência de filtro nasal e borda vermelha do lábio superior fina. Além disso, também podem ocorrer microcefalia, problemas no fígado, rins, coração, além de déficit de audição e visão. Abstinência antes e durante gravidez A prevenção, segundo especialistas, está baseada na abstinência total de consumo de álcool pela mulher grávida e também pela mulher que deseja engravidar. "É preciso diagnosticar todas as crianças que sofrem [com a síndrome] e ajudá-las para evitar que padeçam de transtornos derivados, como problemas de saúde mental. A Síndrome Alcoólica Fetal causa um dano cerebral permanente, mas também não é uma sentença perpétua. Com ajuda, dá para viver uma vida plena", explica Sharon, a mãe adotiva de Rachel e Andy. Os dois filhos adotivos de Sharon compartilham sentimentos similares em relações às mães biológicas. "Eu tenho de lutar todos os dias com alguns sintomas sabendo que eles eram totalmente evitáveis. É muito difícil, mas não sei qual era a situação da minha mãe ou quais eram as circunstâncias da vida dela", diz Andy. Rachel, por sua vez, reconhece que ter sentimentos controversos em relação à mãe. "Me sinto frustrada e triste, mas tento ser compreensiva porque talvez minha mão biológica não soubesse as consequências do que estava fazendo. De toda forma, tenho de viver cada dia sabendo que sou diferente porque uma pessoa cometeu um erro", afirma.
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Como o apoio psicológico pode ajudar vítimas de traumas como do massacre em Suzano

qui, 14/03/2019 - 12:33

Estresse pós-traumático pode causar ansiedade, síndrome do pânico e crises de angústia. Assassinos atiraram em alunos e funcionários da Escola Estadual Raul Brasil. Estudantes se abraçam após ataque a escola de Suzano: especialista alertam para os perigos de traumas não-tratados Maiara Barbosa/G1 Sobreviver a um trauma como o do massacre de Suzano (SP) pode deixar sequelas emocionais, mas é possível passar pela dor com a ajuda de especialistas, familiares e a comunidade escolar. O estresse pós-traumático é a reação mais comum em situações como esta, segundo especialistas, e pode desencadear uma série de problemas como ansiedade, síndrome do pânico e crises de angústia. O G1 ouviu cinco especialistas na área. Segundo eles, os principais pontos para ajudar a superar o trauma são: A comunidade escolar deve fazer um trabalho coletivo com os estudantes para que eles falem sobre o que estão sentindo Familiares devem acolher e ficarem atentos a sinais como mudança de comportamento, insônia, crises de angústia (leia mais abaixo) Não force ninguém a falar, mas esteja aberto para escutar, caso seja necessário É preciso tempo para que os estudantes assimilem o que aconteceu Cada um vai assimilar a dor de uma forma diferente Confira abaixo o que disseram os especialistas: Daniel Martins de Barros, psiquiatra Luciana Szymanski, professora da pós-graduação em psicologia da educação na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) Marianne Bonilha, psicóloga do Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba, e responsável pelo ambulatório de violência Sandra Scivoletto, professora de Psiquiatria da Infância e Adolescência do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP Vera Iaconelli, psicóloga Especialistas falam como lidar com traumas após tragédias como a de Suzano Para Daniel Martins de Barros, psiquiatra, o apoio é fundamental para dar segurança e amparo. "As pessoas envolvidas têm que saber que, se elas quiserem, terão ajuda. Não é impor. A pessoa tem que se sentir segura, acolhida e amparada", disse. Ele ressalta que é importante retomar a normalidade da vida. "[Temos que mostrar que] A escola é segura. Porque, se não, a gente vai alimentar um medo que não se justifica. Isso é a exceção da exceção, raríssimo, um evento pontual. Temos que mostrar para crianças, na família e na escola que isso aconteceu, que vamos lamentar, mas vamos continuar vivendo." A psicóloga Vera Iaconelli chama a atenção para a forma como cada um vai lidar com o acontecimento. "Cada criança vai viver esta experiência de um jeito diferente. Tem coisas como culpa, medo fantasias onipotentes de que poderia ser salvado alguém." Para ela, os primeiros dias após a tragédia devem ser para a comunidade escolar falar sobre o que houve. "São dias para sentar e conversar sobre bullying, estar na escola, redes virtuais. Vamos fazer desta tragédia uma coisa produtiva, pensar o lugar da escola junto com a criança. É para falar, chamar os pais", diz. Marianne Bonilha, psicóloga do Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba, e responsável pelo ambulatório de violência, esclarece que, além dos atendimentos individuais, é necessário também haver um trabalho coletivo com a comunidade escolar. “Psicólogos podem reunir todos os envolvidos para falar sobre o ocorrido. Não adianta fingir que nada ocorreu e tentar retomar a rotina do colégio”, diz. “É preciso elaborar um plano de ação com o grupo e fazer uma reflexão social”, completa. A especialista ressalta que é preciso respeitar os limites de cada uma das testemunhas. É possível que, de imediato, algumas não consigam falar sobre o que viram. “É tudo tão grotesco e insuportável, uma cena tão difícil, que é necessário um tempo para que os envolvidos elaborem o que viram. Não é correto impor um trabalho psicológico a todos. O essencial é oferecer o espaço de assistência - informar a todos quais os canais de ajuda que estão disponíveis”, afirma. A psicóloga compara a situação ao contexto de guerra, em que é imprescindível haver um pronto-atendimento a quem necessitar. Sinais de trauma A professora Luciana Szymanski, da pós-graduação em psicologia da educação na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), também destaca a importância dos espaços de escuta. “É necessário falar sobre morte com eles. Os professores precisam se preparar para abordar o assunto. Suportar o luto vai demandar esforço de toda a comunidade escolar. O sofrimento precisa ser ouvido – não dá para negligenciar o que essas crianças e adolescentes estão sentindo”, diz. Aqueles que não conseguirem elaborar o que ocorreu podem mudar o comportamento. Veja os principais sintomas do trauma: insônia pesadelos recorrentes crises de angústia crises de pânico ansiedade frequente distúrbios psicossomáticos. Para Sandra Scivoletto, professora de Psiquiatria da Infância e Adolescência do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP, após um trauma grande a pessoa muda o seu comportamento para um estado de alerta constante. "É um estresse intenso e gera um estado de hipervigilia: a pessoa não consegue relaxar, tem dificuldade para dormir e isso vai desgastando a pessoa", explica. Ela também ressalta a importância do espaço para que todos possam falar dos que viveram e tratar do trauma coletivo: "Para eles dividirem com outras pessoas os medos e angústias e para ajudar nesse processo de cicatrização desse trauma". Um homem tenta acalmar uma mulher na entrada da Escola Estadual Raul Brasil em Suzano, na Grande São Paulo. Dois criminosos encapuzados mataram oito pessoas no local e cometeram suicídio em seguida Maurício Sumiya/Futura Press via AP Initial plugin text
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Risco de prisão de ventre aumenta depois da menopausa

qui, 14/03/2019 - 06:00

Homens e mulheres devem ficar atentos a sinais de sangue nas fezes A prisão de ventre está entre as inúmeras alterações causadas pela menopausa, devido à redução do hormônio estrogênio. A constipação atinge cerca de 30% da população, mas com prevalência entre as mulheres, ou seja, são elas que sofrem mais com o problema, que pode ser agravado com a idade. Conversei com a médica Sthela Maria Murad Regadas, presidente da Sociedade Brasileira de Coloproctologia e professora associada de Cirurgia Digestiva na Universidade Federal do Ceará, onde fez mestrado e doutorado – além de ter realizado pós-doutorado na Cleveland Clinic Florida. A especialista afirma que há dois aspectos diferentes relacionados à constipação, igualmente relevantes: “o primeiro se refere ao trânsito, isto é, o tempo que a pessoa leva sem evacuar, que não deve exceder três dias. O segundo ponto é a qualidade da evacuação, que envolve características como consistência e dificuldade de expulsão. São duas formas de apresentação do quadro, que podem estar associadas ou não, mas ambas impactam na qualidade de vida do paciente”. A médica Sthela Maria Murad Regadas, presidente da Sociedade Brasileira de Coloproctologia Divulgação Uma dieta rica em fibras – o ideal é ingerir de 20 a 30 gramas por dia – pode melhorar bastante o mal-estar. A doutora Sthela lembra que, além de estarem presentes em frutas e verduras, as fibras podem ser consumidas na forma sintética (as práticas barrinhas) ou em pó para ser diluído em água ou outros líquidos. “A fibra também tem um papel de proteção da parede do intestino”, explica, “por isso é tão importante na alimentação. E é fundamental ingerir bastante água, do contrário as fezes tenderão a ficar desidratadas e endurecidas”. Segundo ela, o motivo de as mulheres serem propensas à prisão de ventre está relacionado a diversos fatores, inclusive a um padrão de comportamento feminino: “na fisiologia normal, o desejo de evacuar surge quando uma quantidade de 100ml a 120ml de fezes chega no reto, a parte final do intestino, que também é chamado de reservatório. É quando a pessoa sente a urgência de ir ao banheiro. No entanto, esse reservatório é complacente, ou seja, quando se posterga a evacuação, ele se distende e há uma acomodação do material. Muitas mulheres sofrem de constrangimento para evacuar, evitando a ida ao banheiro. O resultado é o acúmulo de fezes, que vão se ressecar, podendo levar a sangramentos”. A recomendação para evitar esses sintomas é seguir uma dieta rica em fibras e ingerir bastante líquido; se for preciso, são prescritos medicamentos que funcionam como reguladores intestinais. O exercício é um grande aliado contra a prisão de ventre, porque ativa o metabolismo e melhora a movimentação do intestino. Constipação não é o único problema. De acordo com a médica, a incontinência fecal ocorre com mais frequência entre as mulheres e, infelizmente, ainda é um assunto tabu: “elas têm vergonha e não tocam no assunto no consultório. O problema é multifatorial, podendo surgir como consequência de muitas gestações, perda da tonicidade ou envelhecimento de tecidos. Embora não tenha cura, há diversas ações para melhorar a qualidade de vida da paciente”. Há um sinal de alerta para homens e mulheres: sangue nas fezes (ou percebido no papel higiênico). Nesse caso, o especialista deve ser procurado imediatamente, para descartar doenças graves. A doutora Sthela enfatiza que a colonoscopia deve ser realizada a partir dos 50 anos, se o indivíduo não tiver nenhum sintoma; mas, se houver histórico familiar, a partir dos 40. Mesmo que o exame não tenha indicado alterações, o intervalo até o próximo check-up não pode passar de dez anos. Ela alerta que os mais idosos devem se submeter à colonoscopia: “se o paciente tem 75 anos ou mais, mas está hígido, deve realizar o exame. Estudos recentes demonstram um aumento de prevalência dos casos de câncer colorretal, mesmo antes dos 40 e acima dos 75 anos”.
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Grupo de cientistas defende acordo global para impor limites à edição do DNA humano

qua, 13/03/2019 - 18:19

Principais envolvidos com a técnica Crispr, inclusive o detentor da patente, Feng Zhang, pedem que debate internacional seja travado para garantir segurança e ética. Técnica de edição genética Crispr foi descoberta em 2015 e mexeu com todas as perspectivas da comunidade científica. Betta Jaworski/G1 Um grupo de 18 cientistas defendeu a criação de um acordo global para determinar os limites de edição genética. O documento foi publicado pela revista "Nature" nesta quarta-feira (13) e assinado, inclusive, pelo detentor da patente da técnica, o pesquisador Feng Zhang. A criação do artigo pelos pesquisadores da área é uma resposta a uma notícia que mexeu com a comunidade científica no final de 2018. He Jiankui, um chinês da Universidade de Ciência e Tecnologia do Sul da China, disse ter editado os genes de duas bebês para torná-las imunes ao HIV. Os embriões, segundo ele, foram implementados e a mãe já estaria grávida das gêmeas. Ele foi demitido e proibido de continuar as pesquisas. Jiankui usou Crispr, a técnica de edição genética que pode colocar em xeque o futuro do DNA humano - dependendo de como vamos usá-la. Ela é uma forma relativamente barata e viável de editar o material genético dos seres vivos, incluindo o dos seres humanos. As aplicações prometem ser de grande benefício ao planeta inteiro, desde que os limites para a manutenção da espécie sejam mantidos. Entenda o Crispr: a técnica de edição de DNA que pode ter criado bebês resistentes ao HIV O cientista chinês He Jiankui afirma ter ajudado a criar os primeiros bebês geneticamente modificados no mundo Mark Schiefelbein/AP O que dizem os cientistas O início do artigo na "Nature" pede um acordo global para todos os usos clínicos da edição da linha germinal dos seres humanos. Ou seja: um limite para a mudança do DNA hereditário – espermatozoides, óvulos e embriões – para não gerar crianças geneticamente modificadas. O grupo diz que o acordo não deve proibir definitivamente o uso do Crispr. No lugar disso, eles propõe a criação de uma estrutura ou instituição internacional com diversos países. Cada nação tem o direito de tomar suas decisões, mas deve se comprometer a não aprovar qualquer uso de edição clínica – a menos que os limites estabelecidos por todos sejam atendidos. Eles defendem que, enquanto todas as regras não estão bem debatidas e determinadas, deve ser proibida qualquer edição da linha germinal dos seres humanos. Os países podem seguir caminhos diferentes para suas pesquisas só depois que tudo estiver acordado. Segundo o artigo, 30 nações já possuem algum tipo de legislação que direta ou indiretamente impede a edição de embriões, óvulos e espermatozoides. Outras sugestões: Os países devem divulgar publicamente suas intenções de edição e em qual período estarão trabalhando os pesquisadores; Os cientistas devem explicar de forma transparente porque é importante a aplicação da técnica de edição; As pesquisas que modificam a linha germinal humana em laboratório não precisarão atender ao acordo, mas não podem envolver a aplicação do embrião no útero de uma pessoa; A Organização Mundial da Saúde (OMS) pode ser a instituição central para o debate, com a criação de novos comitês. Os 18 pesquisadores que escrevem o pedido de acordo internacional trabalham em sete países. Além de Zhang, que é o atual detentor da patente do Crispr, assina também a microbióloga Emmanuelle Charpentier, uma das primeiras cientistas a pesquisar a técnica. Ela chegou a brigar pela autoria na justiça ao lado da bioquímica Jennifer Doudna. Elas perderam a disputa para Zhang em fevereiro de 2017.
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