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Atualizado: 1 hora 9 minutos atrás

Os vilões do estômago: seis hábitos que atrapalham a digestão

5 horas 24 minutos atrás

Mudar atitudes simples pode reduzir o desconforto após comer. Cólicas, gases e estufamento são alguns problemas que podem ocorrer quando a digestão não ocorre facilmente. Shutterstock Comer é um prazer, mas a sensação que chega logo depois nem sempre é tão agradável assim. Azia, desconforto, estufamento e gases são sintomas que podem aparecer quando a refeição não cai bem. Como evitar as cólicas e as dores abdominais “Não há nada que atrapalhe a digestão a ponto de ela não ocorrer, mas alguns hábitos e alimentos podem tornar esse processo um pouco mais desconfortável”, alerta Ana Cristina Amaral, professora do departamento de gastroenterologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Para ajudar você a ficar de bem com seu estômago, o G1 listou quais são os principais hábitos inimigos da boa digestão. Confira. 1. Não mastigar bem os alimentos A gente até aprendeu na escola que a digestão começa na boca com a mastigação, mas nem sempre lembra disso na pressa de comer. “É um passo fundamental. Além de quebrar os alimentos fisicamente, mastigar diversas vezes permite que as enzimas presentes na boca iniciem o processo de digestório”, afirma o gastroenterologista Décio Chinzon, secretário geral da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG). Quando você não mastiga com calma sua comida, a digestão se torna mais trabalhosa para o estômago e tende a demorar mais, o que pode causar desconfortos. 2. Comer muito rápido Esse é outro hábito comum de quem dedica pouco tempo para as refeições e que pode gerar consequências desagradáveis. Comer com muita pressa faz com que o estômago distenda rapidamente, provocando dor e prejudicando a digestão. “Normalmente, quem come rápido também costuma falar enquanto come e acaba deglutindo muito ar com o alimento. Isso também distende o estômago, o que pode deixar a pessoa inchada, com vontade de arrotar e aquela sensação de estar ‘cheia’”, complementa a professora da Unifesp Ana Cristina Amaral. 3. Ingerir muito líquido durante a refeição Beber enquanto come não faz mal, mas não dá para exagerar. “Quando se faz uma ingestão de muito volume, o estômago fica distendido e pode gerar desconforto”, diz a professora Ana Cristina. A quantidade limite de bebida varia de pessoa para pessoa - e também do quanto você comeu junto. As bebidas gaseificadas, inclusive a água, tendem a distender ainda mais o estômago. 4. Deitar logo depois de comer Não é lenda: é sempre bom permanecer de pé ou sentado após as refeições. O efeito da gravidade ajuda a conduzir os alimentos para o lugar certo. “Principalmente quem tem refluxo precisa esperar uma ou duas horas para deitar”, recomenda Ana Cristina. Ou seja: aquele cochilo depois do almoço só está liberado se for encostado, não deitado. 5. Usar roupas muito apertadas na barriga Não é à toa que abrir o botão da calça depois de comer dá uma sensação de alívio. “Roupas apertadas na altura do estômago comprimem a câmara gástrica, dificultando a sua expansão”, afirma Décio Chinzon, gastroenterologista da FBG. 6. Exagerar no consumo de alguns alimentos Eles não estão proibidos (pelo contrário, são nutricionalmente importantes para a saúde), mas é sempre bom não exagerar no consumo de alimentos como feijão, brócolis, repolho, couve-flor, lentilha e grão-de-bico. “Eles são ricos em um tipo de carboidrato chamado rafinose, e o nosso organismo não tem enzima suficiente para fazer a digestão desse carboidrato. Esses alimentos acabam sendo fermentados no intestino, o que gera a produção de gases”, diz a professora da Unifesp. Na hora de montar o prato, evite também os alimentos muito gordurosos e as frituras. E lembre-se de sempre fazer pequenas refeições ao longo do dia. “Chegar em casa esfomeado à noite, fazer um prato enorme e se deitar em seguida: essa é a fórmula do desastre”, comenta Chinzon.
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Com consulta sobre canabidiol perto do fim, governo sinaliza posição contra plantio

sex, 16/08/2019 - 11:43

Consulta pública sobre liberação do cultivo da maconha no Brasil já recebeu mais de 430 contribuições. Em entrevista à rádio CBN, ministro Onyx Lorenzoni disse que governo é favorável à importação do canabidiol, mas não à legalização do plantio. Anvisa está em processo de avaliação sobre o plantio da 'Cannabis sativa' no Brasil para fins medicinais e científicos Reuters Já são mais de 430 as contribuições enviadas à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sobre a proposta de liberar o cultivo da planta de Cannabis sativa no Brasil para fins medicinais e científicos. Embora a Anvisa tenha aprovado em junho duas propostas com indicações para regulamentar o plantio de maconha no país, o governo federal sinalizou posição contrária. Em entrevista à rádio CBN nesta sexta-feira (16), o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, declarou que o governo do presidente Jair Bolsonaro não é contrário à importação do canabidiol nem à sua formulação em medicamentos ou tratamentos de saúde no Brasil. O canabidiol é uma das substâncias presentes na maconha, já bastante usada no tratamento de várias doenças. Ele deixou de ser proibido no Brasil em 2015. 'Precisamos oferecer produtos de acesso mais simples', diz diretor da Anvisa Porém, segundo Lorenzoni, permitir o plantio da maconha no país pode "abrir as portas para a legalização das drogas". "O governo não tem nenhum problema com o medicamento. Nosso problema é abrir a porta para a liberação de drogas no Brasil. O plantio para uso medicinal abre essa porta. Isso não queremos permitir." - Onyx Lorenzoni, ministro da Casa Civil, em entrevista à CBN As duas propostas preliminares da Anvisa foram aprovadas em votação unânime pelos quatro diretores da área técnica da agência, após reunião colegiada. O passo seguinte foi a abertura de uma consulta pública sobre o tema, cujo prazo termina na segunda-feira (19). Depois da avaliação das respostas, os diretores devem voltar a se reunir e apresentar o seu parecer final. O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni Marcos Corrêa/Presidência da República A primeira proposta é para uma resolução que regulamenta os requisitos técnicos e administrativos para o cultivo da cannabis para fins medicinais e científicos. Já a segunda é uma proposta de resolução para definir procedimentos específicos para registro e monitoramento de medicamentos à base de Cannabis sativa ou seus derivados e análogos sintéticos. Entenda as propostas para liberar o cultivo de maconha no Brasil Entretanto, a regulamentação do plantio dependeria de um aval do governo federal. Lorenzoni afirma que a administração Bolsonaro não é contrária à desburocratização e a uma redução da taxação sobre produtos de canabidiol. "Hoje, o governo está no caminho de facilitar que os laboratórios brasileiros tragam para cá o canabidiol sintetizado fora do Brasil", disse Lorenzoni. Segundo o ministro, o governo não pretende emitir uma Media Provisória (MP) sobre esse assunto e gostaria que a questão fosse resolvida "nos próximos 30 dias". Cannabis como remédio: quais os riscos e benefícios da planta?
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Redes sociais não fazem mal, desde que não substituam atividades mais saudáveis, diz estudo

sex, 16/08/2019 - 08:13

Pesquisa entrevistou milhares de adolescentes em escolas inglesas e também revelou que meninas são mais vulneráveis a 'cyberbullying'. Especialistas recomendam que celulares sejam deixados longe dos quartos depois das 22h TV Globo As redes sociais fazem mal para os adolescentes? A pergunta que tira o sono de pais, educadores e cientistas em todo o mundo recebeu, por ora, uma nova resposta. E ela é: as redes não prejudicam diretamente os mais jovens, mas podem tirar o tempo que eles gastam em atividades vitais e saudáveis, como dormir e se exercitar. O alerta vem de pesquisadores do Reino Unido, que recomendam a proibição de celulares depois das 22h e incentivos a atividades físicas. Segundo o estudo, as meninas são especialmente vulneráveis ​​ao cyberbullying, o que pode levar a problemas psicológicos. No Reino Unido, nove em cada dez adolescentes usam redes sociais e há uma crescente preocupação com o seu impacto na saúde mental dos mais jovens. Até agora, as conclusões das pesquisas são contraditórias devido à falta de estudos de longo prazo. Neste estudo recente, publicado no na revista médica especializada "The Lancet Child & Adolescent Health", mais de 12 mil adolescentes em idade escolar na Inglaterra foram entrevistados durante três anos, dos 13 aos 16. Eles cursavam os anos 9, 10 e 11 (equivalentes ao 9º ano do ensino fundamental e 1º e 2º do ensino médio no Brasil) do sistema de ensino britânico. O que o estudo fez? Os adolescentes informaram com que frequência checavam redes como Instagram, Facebook, WhatsApp e Twitter diariamente, mas não quanto tempo gastavam usando-as. No ano 9, a maioria (51%) das meninas e 43% dos meninos entraram em redes sociais mais de três vezes por dia; no ano 11, a frequência subiu para 69% entre os meninos e 75% entre as meninas. Já no ano 10, os mesmos jovens preencheram um questionário sobre sua saúde mental e relataram experiências de cyberbullying, sono e atividade física. No ano 11, os adolescentes avaliaram seus níveis de felicidade e ansiedade. Na pesquisa, meninas disseram usar redes sociais com mais frequência que meninos AJ PHOTO/BSIP/AFP O que a pesquisa encontrou? Os meninos e meninas que verificavam suas redes mais de três vezes por dia tinham pior saúde mental e maior sofrimento psicológico. As meninas também parecem mais propensas a dizer que são menos felizes e mais ansiosas à medida que os anos avançaram, ao contrário dos meninos. Os pesquisadores dizem que há indícios de um vínculo forte entre o uso de redes sociais e saúde mental. Nas meninas, os efeitos negativos são revelados principalmente em perturbações do sono, ciberbullying e, em menor medida, falta de exercício. Nos meninos, os fatores também têm um impacto, mas muito menor. Os pais devem se preocupar? O coordenador do estudo, Russell Viner, professor de saúde do adolescente do University College London, diz: "Os pais andam em círculos quando o assunto é o tempo que seus filhos passam nas redes sociais todos os dias." "Mas eles deveriam se preocupar com a quantidade de atividade física e sono dos filhos, porque as mídias sociais estão substituindo outras coisas." As redes sociais também podem ter um efeito positivo nos adolescentes e "desempenham um papel central na vida de nossos filhos", acrescentou. Também envolvida no estudo, a professora de psiquiatria infantil, Dasha Nicholls, da universidade Imperial College London, completa: "Não é o tempo na rede social em si, a questão é quando ela desloca os contatos e atividades da vida real." "A questão é encontrar um equilíbrio." É diferente para meninos? A equipe de especialistas diz que, embora tenha observado diferenças no uso de redes sociais entre garotas e garotos, elas ainda não são bem compreendidas. Também são necessários outros estudos para descobrir de que forma o uso das redes sociaiso pode influenciar o sofrimento psicológico dos meninos. E quanto ao cyberbullying? Nicholls diz que os pais devem monitorar as atividades de seus filhos para ter certeza de que não estão acessando conteúdo prejudicial, principalmente à noite. "Com o cyberbullying, nem a nossa cama é um lugar seguro. Mas, se o seu celular estiver em outro cômodo da casa, você não pode ser intimidado em sua cama." Louise Theodosiou, do corpo docente sobre crianças e adolescentes do Royal College of Psychiatrists (organização profissional de psiquiatras do Reino Unido), diz: "Mais estudos são necessários para entender como podemos evitar os impactos mais negativos das redes sociais, particularmente em crianças e jovens vulneráveis." "É justo que as empresas de redes sociais contribuam para financiar esses estudos e façam mais para apoiar os jovens a usar a internet com segurança."
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Por que há tantos casos? Quais são os sintomas? 12 dúvidas sobre o surto e a vacinação do sarampo

sex, 16/08/2019 - 08:06

Campanha de vacinação contra a doença termina nesta sexta-feira, mas vacinas continuarão a ser dadas nos postos de saúde, e quem não tem certeza de estar imunizado deve tomá-las, diz Ministério da Saúde. Vacina continuará disponível em postos de saúde, mesmo com o fim da campanha nacional, diz Ministério da Saúde Marcelo Camargo/Agência Brasil O sarampo volta a preocupar no país: no estado de São Paulo, principal foco do surto atual, já tem 1.319 casos confirmados da doença, segundo dados da Secretaria Estadual da Saúde. A maioria dos pacientes (997) se concentra na capital. O Ministério da Saúde, que deve atualizar seu boletim nesta sexta-feira (16), tem até o momento contabilizados casos também no Rio (4), um na Bahia e um no Paraná. O Brasil chegou a receber, em 2016, o certificado da Organização PanAmericana de Saúde de país livre do sarampo, mas o surto atual – bem como o ocorrido no ano passado, em Rondônia e Amazonas – trouxeram a doença de volta ao centro das discussões de saúde pública. É também na sexta-feira que acaba a campanha nacional de vacinação contra a doença, mas, segundo o Ministério da Saúde, a vacina continuará disponível nos postos de saúde e na rede particular. A seguir, veja respostas a 18 dúvidas comuns sobre a doença, o surto e como se proteger: 1. Por que São Paulo é o foco do surto atual? Rosana Richtmann, médica infectologista do Instituto Emilio Ribas (SP), explica que o vírus em circulação atualmente é geneticamente semelhante ao que tem circulado na Europa e em Israel. "E São Paulo é a porta de entrada do país (pela quantidade de voos), além de a capital ser uma cidade com alta densidade populacional. É muito fácil que seja transmitido no metrô, por exemplo. Uma pessoa infectada transmite para outras 18, com rapidez", diz à BBC News Brasil. 2. Quem ainda deve tomar a vacina? Todo mundo que nunca tomou a vacina e todos aqueles que não têm certeza se já tomaram ainda podem procurar os postos de saúde mesmo após o fim da campanha de vacinação, explica à BBC News Brasil o secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Wanderson Kleber de Oliveira. O ideal, diz ele, é que todos entre 1 a 29 anos tenham tomado as duas doses da vacina, e que pessoas de 30 a 49 anos tenham a certeza de que tomaram ao menos uma dose. "Na dúvida, é melhor tomar a vacina", afirma Oliveira. Além disso, em áreas de surto ativo, como São Paulo, bebês entre seis e 11 meses continuarão a ser vacinados. E fica mantido o calendário de vacinação tradicional: mesmo os bebês que tiverem sido vacinados contra o sarampo na campanha atual devem tomar a vacina tríplice viral aos 12 meses de idade (1ª dose) e a tetra viral aos 15 meses (2ª dose). Ao mesmo tempo, crianças pequenas que já tenham tomado a tríplice e a tetra não precisam ser vacinadas novamente contra o sarampo. Por fim, também continuará o chamado "bloqueio vacinal", que é a vacinação de pessoas de qualquer idade que tenham tido contato com pessoas infectadas pelo sarampo. O ideal é que essas pessoas sejam vacinadas em até 72 horas depois desse contato. 3. Quem são os mais vulneráveis à doença? Uma das maiores incidências no surto atual é entre crianças menores de quatro anos, explica Oliveira, o que causa preocupação no Ministério da Saúde. "É o grupo mais vulnerável e também o em que a doença pode ter mais gravidade e até mesmo causar a morte", diz ele. 4. Quais os sintomas e riscos do sarampo? Os principais sintomas são febre (acima de 38,5º) e manchas avermelhadas na pele – começam no rosto e atrás das orelhas, e depois, se espalham pelo corpo. Podem vir acompanhados de tosse persistente, irritação nos olhos, coriza e congestão nasal. Pequenas manchas brancas dentro das bochechas também são comuns dno estágio inicial da doença. Richtmann explica que um grande perigo do sarampo é o fato de ele baixar muito a imunidade do paciente, deixando-o suscetível a outras infecções. "Ele fica mais vulnerável a pneumonias e otite. Outros riscos são vírus do sarampo causar inflamação no pulmão ou encefalite (inflamação do cérebro)." A maior vulnerabilidade é em crianças de até dois anos de idade, sobretudo nas desnutridas, adultos jovens e indivíduos com imunodepressão ou em condições de vulnerabilidade, e podem deixar sequelas, tais como diminuição da capacidade mental, cegueira, surdez e retardo do crescimento. O agravamento da doença ainda pode levar à morte. Por isso, a preocupação principal é com crianças pequenas e com pessoas cujo sistema imunológico já estava debilitado. Entenda o que é sarampo, quais os sintomas, como é o tratamento e quem deve se vacinar Infografia: Karina Almeida/G1 5. A vacina é segura? Tem riscos? A vacina, tanto na rede pública quanto na privada, é segura, diz Oliveira, agregando que uma dose protege em 93% dos casos e duas doses têm uma eficácia de 97%. Não adianta tomar doses adicionais, porque a proteção não chegará a 100%. A vacina é feita de vírus vivo atenuado (enfraquecido) e atua de forma a estimular o sistema imunológico a desenvolver anticorpos para combater os "invasores". Ela é administrada por injeção subcutânea. Algumas pessoas podem ter reações, mas, no geral, elas são leves, benignas, de curta duração e autolimitadas. As mais comuns são dor e vermelhidão no local da aplicação e febre. 6. Há gente que se vacinou e mesmo assim ficou doente. Por quê? Segundo Oliveira, do Ministério da Saúde, isso se deve justamente a esse grupo de 7% a 3% que não fica totalmente protegido pela vacina. "Mas, nos vacinados que apresentarem sintomas, a doença será mais branda e menos transmissível", afirma. 7. Depois da vacina, quanto tempo leva para eu criar anticorpos? Segundo Richtmann, o tempo de incubação é de duas semanas. O que significa que podem passar duas semanas entre se vacinar e criar anticorpos. O mesmo tempo pode levar entre entre o contato com o sarampo e os primeiros sinais da doença. Antes de viajar para locais com incidência da doença, deve-se procurar um posto de saúde, com pelo menos, 15 dias de antecedência, se ainda não tiver sido imunizado. 8. Posso estar transmitindo o vírus mesmo sem ter sintomas? Sim, explica Oliveira. "O vírus, ao entrar no organismo, já se reproduz. Pode levar, em média, quatro a seis dias para que (uma pessoa infectada) tenha manchas na pele e febre, mas mesmo antes disso ela já está disseminando a doença. Por isso ela é altamente contagiosa." 9. O vírus em circulação atualmente é diferente do de outras épocas? Richtmann explica que eventuais mutações genéticas do vírus ainda estão sendo estudadas, mas agrega que isso não põe em xeque, até o momento, a eficácia da vacina disponível. Oliveira destaca que há diferentes subtipos da doença, mas "as características de todos são reconhecidas pelo nosso sistema imunológico". O que significa que a vacina protege contra todos os subtipos, e que quem já teve sarampo também está protegido contra todos. 10. Se eu acho que estou com sarampo, o que devo fazer? "A primeira coisa a fazer é não ir ao trabalho, à escola ou ao shopping", adverte Rosana Richtmann. Ou seja, evitar qualquer tipo de aglomeração, para não espalhar ainda mais o vírus. Pessoas que estejam se sentindo bem apesar dos sintomas podem ficar de repouso em casa até o ciclo da doença passar, lembrando de se hidratar, comer bem, descansar e tomar medicamentos para baixar a febre. Crianças pequenas, pessoas com o sistema imunológico comprometido ou que estejam inseguras a respeito da doença devem procurar atendimento médico, e exames de sangue podem confirmar se se trata mesmo de sarampo. 11. Como prevenir o sarampo? A vacina é a principal medida de prevenção. É bom também lavar sempre as mãos, proteger o espirro e evitar aglomerações. 12. Por que o sarampo voltou? A epidemia de sarampo é um fenômeno global. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Organização PanAmericana da Saúde (Opas) mostram que, em 2017, a doença foi responsável por 110 mil mortes, a maioria entre crianças menores de cinco anos. Neste ano, ainda segundo as entidades, casos notificados no mundo triplicaram nos sete primeiros meses em comparação com o mesmo período de 2018. Só nas Américas, entre 1º de janeiro e 18 de junho de 2019, a doença foi confirmada em 13 países: Argentina, Bahamas, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Estados Unidos, México, Peru, Uruguai e Venezuela. O Brasil, diz o Ministério da Saúde, vinha de um histórico de não registrar casos autóctones (adquiridos dentro do país) desde o ano 2000 – entre 2013 e 2015, ocorreram dois surtos, um no Ceará e outro em Pernambuco, a partir de casos importados. Em 2018, no entanto, a doença reapareceu na região Norte, nos Estados do Amazonas, Roraima e Pará, acompanhando venezuelanos que fugiam da crise no país. Já os vírus que atingiram São Paulo, neste ano, vieram com pessoas que foram infectadas na Noruega, em Malta e em Israel. O problema é que a cobertura vacinal da patologia no país está abaixo do patamar ideal, que é acima de 95%. Pelas informações do Ministério da Saúde, em 2018, esse índice, relacionado à vacina tríplice viral em crianças de um ano de idade, foi de 90,80%. Em 2015, chegou a 96,7%. E as razões para isso são várias, segundo os especialistas ouvidos pela reportagem: medo de ter reação à imunização; desconhecimento de que existe um calendário de vacinação específico para adultos e idosos; falsa sensação de segurança por parte de pessoas que não vivenciaram surtos de doenças; dificuldade de acesso aos postos de saúde no horário comercial; notícias falsas relacionadas a vacinas; e grupos antivacina. 13. O que é o sarampo? O sarampo é uma doença infecciosa aguda, de natureza viral, altamente contagiosa e que pode ser contraída por pessoas de qualquer idade. Sua transmissão se dá de forma direta, de pessoa a pessoa, por meio das secreções expelidas pelo doente ao tossir, espirrar, respirar e falar. 14. Por que os jovens de 15 a 29 anos foram o foco da campanha recente? Pessoas de todas as faixas etárias precisam ter as duas doses da vacina, mas os jovens dessa faixa etária nasceram em uma época em que a segunda dose não fazia parte do Calendário Nacional de Vacinação. Assim, muitos não a tomaram e, por isso, não estão totalmente protegidos. 15. Para quem a vacina contra o sarampo não é indicada? Pessoas com alergia grave ao ovo, pacientes em tratamento com quimioterapia, gestantes, portadores de imunodeficiências congênitas ou adquiridas, quem faz uso de corticoide em doses altas, transplantados de medula óssea e bebês com menos de seis meses de idade. 16. Quem já teve a doença precisa se vacinar? Não. Quem já foi infectado com o vírus desenvolveu anticorpos contra ele. Dessa forma, não precisa se vacinar, nem pegará a doença de novo.
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Mancha vermelha em Júpiter é um furacão do tamanho da Terra que encolhe por razão ainda misteriosa

sex, 16/08/2019 - 05:00

Planeta Júpiter Nasa Semana passada a NASA divulgou sua imagem mais recente do planeta Júpiter. Desde 2014 a agência espacial norte-americana vem fazendo imagens frequentes dos gigantes gasosos do Sistema Solar. O programa, chamado de legado dos planetas exteriores, tem por objetivo monitorar a dinâmica da alta atmosfera de Júpiter, Saturno, Urano e Netuno com uma foto por ano, pelo menos. As espetaculares imagens de Saturno que mostram suas milhões de 'miniluas' Imagens desses planetas existem já há mais tempo do que isso, especialmente de Júpiter e sua Mancha Vermelha gigante. Na imagem divulgada na semana passada ela está em grande destaque, como você pode ver logo abaixo e, talvez por isso, a informação mais importante que a imagem nos mostra foi negligenciada: a Grande Mancha Vermelha continua encolhendo. Mancha vermelha em Júpiter na verdade é um furacão Nasa A Grande Mancha Vermelha de Júpiter é um poderoso furacão que já dura mais de 300 anos, mas ela deve ser ainda mais antiga. A primeira descrição de uma mancha vermelha em Júpiter foi feita por Robert Hooke em 1664, mas é bem provável que essa mancha não seja a mancha “atual”. Hooke a descreveu como estando no hemisfério norte, mas desde 1665 ela é vista no hemisfério sul. Quem descobriu a mancha “certa” foi o astrônomo italiano Giovanni Cassini. A mancha é um grande furacão que abre um vórtice na alta atmosfera e expõe camadas inferiores das nuvens de Júpiter. Essas camadas têm composição química e temperaturas diferentes, por isso sua cor característica de laranja tijolo. A base desse furacão está em algo como 1.200 km abaixo da superfície visível das nuvens. Isso dá mais ou menos 100 vezes mais profundo do que o mais profundo que se pode chegar em um oceano na Terra. Desde 1830 a mancha vem sendo monitorada ininterruptamente e a cada ano ela encolhe um pouco. Ou muito em se tratando de Júpiter. Eu me lembro que há uns 20 anos eu falava que caberiam entre 2 e 3 Terras na mancha. Essa última imagem do Hubble mostra que agora só caberia uma! Ninguém sabe o que se passa na atmosfera profunda que possa estar causando essa perda de energia na mancha de modo a fazer com que o furacão perca força. A sonda Juno, que recentemente ganhou uma extensão em sua missão de estudar Júpiter, tem instrumentos em micro-ondas que podem registrar o comportamento da atmosfera, medindo sua temperatura por exemplo, até mais ou menos 10 km de profundidade. Isso significa que não temos muitos elementos para fechar uma explicação plausível. Ao que parece esse encolhimento é um processo cíclico e, ao longo dos quase 200 anos de monitoramento contínuo, ela passou por momentos mais majestosos e outros mais humildes de tamanho reduzido. Antes de 1830, há períodos em que ela não é mencionada nas observações, indicando que ela pode ter desaparecido durante um tempo para retornar depois. Todavia, os registros dessa época não são muito precisos, é possível que ela estivesse e ninguém tenha mencionado justamente porque ela sempre esteve lá. De todo modo, se o atual nível de encolhimento se mantiver, é bem possível que em menos de 20 anos ela se torne uma mancha bem menor e circular, ao invés da forma ovalada atual. Isso se não acontecer antes, pois agora em 2019 começou-se a ver que a mancha está se “despedaçando” pelas beiradas. Ainda não houve tempo para avaliar se esse processo continuará ou se é apenas um evento esporádico, mas a persistir, pode ser que a Grande Mancha Vermelha encolha mais rapidamente, podendo até a desaparecer. Tomara que não, né? Consegue imaginar Júpiter sem a Grande Mancha Vermelha? Para mim é um golpe tão duro quanto Saturno perder os anéis.
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O desenho secreto encontrado sob uma das obras-primas de Leonardo Da Vinci 

qui, 15/08/2019 - 14:52

A National Gallery diz que as descobertas dão "uma nova visão" sobre a mente criativa do artista. Desenho secreto encontrado sob o quadro Virgem das Rochas, uma das obras-primas de Leonardo Da Vinci  National Gallery Uma análise em uma das obras mais famosas de Leonardo da Vinci revelou novas informações sobre uma composição escondida sob a pintura. Especialistas encontraram projetos iniciais para o anjo e o menino Jesus sob a superfície da pintura Virgem das Rochas. Os desenhos são significativamente diferentes da pintura final, que fica na National Gallery, em Londres. Os traços ocultos foram revelados usando um sistema de raio-X e imagens infravermelhas e hiperespectrais. Uma descoberta anterior, de 2005, revelou que a postura da Virgem havia sido alterada, mas havia apenas indícios das outras figuras. De acordo com o chefe de conservação da National Gallery, Larry Keith, as descobertas "dão uma nova visão de como Da Vinci estava pensando". A pesquisa revela que o anjo e o Cristo bebê foram originalmente posicionados mais acima no desenho, com o primeiro voltado para fora e olhando para baixo. Não se sabe por que Leonardo abandonou sua composição original. Desenho original descartado por Leonardo Da Vinci na produção da obra-prima Virgem das Rochas National Gallery Keith disse à BBC que a descoberta se encaixa "em uma narrativa mais ampla sobre ele como um artista que estava sempre mudando, ajustando e revisando suas pinturas". Marika Spring, chefe de ciência da National Gallery, disse: "Em 2005, a figura da Virgem ficou muito clara. Desta vez pudemos ver um anjo e um menino Jesus que não foi possível ver antes. Podíamos ver algumas linhas, mas não conseguíamos ver o que era". "Nós conseguimos ver parte da composição e agora temos muito mais compreensão de todo o arranjo do grupo", disse Keith. Leonardo da Vinci foi contratado para pintar a Virgem das Rochas para decorar um retábulo de capela em Milão em 1483. Seu título completo é "A Virgem com o Menino São João Batista, adorando o Menino Jesus, acompanhados por um Anjo". Uma versão diferente da pintura está no museu Louvre, em Paris. As duas versões foram reunidas para uma exposição em 2011. A Virgem das Rochas será o foco de uma exposição "imersiva" ainda este ano, que investigará a pintura "e a mente inventiva que a criou". A exposição vai de 9 de novembro a 12 de janeiro, na National Gallery, no centro de Londres. Virgem das Rochas, uma das obras-primas de Leonardo Da Vinci National Gallery
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Como a vida moderna aumentou o estresse – e como podemos evitá-lo

qui, 15/08/2019 - 07:44

Com a mudança do trabalho físico para atividades que dependem mais da mente, o estresse crônico tem se tornado cada vez mais problemático - alguns estudos estão tentando desvendá-lo. Ficar conectado o tempo todo é um dos principais fatores de estresse Pixabay Em novembro de 2017, dois cirurgiões oftalmológicos de um hospital em Beirute, capital do Líbano, relataram um caso intrigante de um problema de visão sofrido por um colega. Especialista em retina, ele de repente desenvolveu uma mancha na vista. Depois de passar um dia estressante na sala de cirurgia, a visão do médico ficou embaçada em um dos olhos. E não foi a primeira vez que isso tinha acontecido. O cirurgião havia sofrido quatro episódios do tipo em apenas um ano, cada um precedido por um dia estressante. O diagnóstico dele foi de coriorretinopatia serosa central (CSR). Uma pequena quantidade de líquido se acumulou sob uma pequena região da retina do cirurgião, fazendo com que ela se soltasse temporariamente. Ele melhorou depois de algumas semanas, e um plano rígido de controle do estresse no hospital impediu que outro episódio voltasse a ocorrer. Descrita pela primeira vez em 1866, a CSR tem sido ligada a estresse desde a Segunda Guerra Mundial, quando vários casos foram relatados entre militares. Embora pesquisas subsequentes tenham associado a CSR ao estresse, muitas vezes ela é rotulada como "idiopático" (decorrente de uma causa desconhecida). Mas os cirurgiões de Beirute rotularam a condição "CSR da sala de cirurgia", identificando o estresse como causa. Ao refletir sobre o que tornara o colega vulnerável ao estresse, os médicos notaram que novas técnicas cirúrgicas, possibilitadas por uma tecnologia melhor, estenderam os limites físicos do que um cirurgião é capaz de fazer. Embora esse progresso tivesse ampliado o escopo da cirurgia, operar nesses limites colocava uma enorme tensão mental no cirurgião. Em 1959, o especialista em gestão Peter Drucker previu que uma transição dramática na natureza do trabalho ocorreria 50 anos depois. Ele cunhou um termo para este novo tipo de serviço, o "trabalho de conhecimento". Ele antecipou que esse novo modelo envolveria uma mudança do esforço físico para o mental. Mais tarde, Drucker escreveu que o centro de gravidade do trabalho mudaria para "o homem que põe para trabalhar o que tem entre as orelhas, em vez da habilidade de suas mãos". A evolução da cirurgia do olho validou algumas das previsões de Drucker. À medida que a tecnologia avança, ela troca de foco, da habilidade física das mãos do cirurgião para as habilidades mentais de análise e concentração. Uma sala de operações de cirurgia ocular é, até certo ponto, um microcosmo do local de trabalho no mundo de hoje, onde a natureza evolutiva exige menos do corpo e mais da mente. Consequentemente, a mente está se tornando uma grande vítima de riscos ocupacionais. De acordo com o Health and Safety Executive (HSE), agência de incentivo e regulação da saúde do Reino Unido, o estresse, a depressão ou a ansiedade responderam por 57% de todos as faltas no trabalho por doença nos anos de 2017 e 2018. A crescente importância da mente sobre a produtividade tem despertado interesse também sobre os malefícios desse fenômeno. O foco caiu no estresse. Pesquisas revelaram que uma reação aguda de estresse decorre de uma rica tapeçaria de processos BBC/BBC János Hugo Bruno "Hans" Selye, um médico canadense-húngaro, cunhou a primeira definição de "estresse" na década de 1930. Ele pegou emprestada a palavra de Robert Hooke, físico inglês do século 17, que descreveu a relação entre estresse físico sobre um objeto e a consequente tensão. Selye teria se arrependido de ter usado a palavra "estresse" em vez de "tensão", o que deixou o primeiro termo com um legado de certa ambiguidade. Desde a época de Selye, pesquisas revelaram que uma reação aguda de estresse decorre de uma rica tapeçaria de processos. Sabemos hoje que os bungee jumpers se tornam resistentes à insulina imediatamente após um salto. E que o estresse de dar aulas para 200 alunos gera marcadores de inflamações em professores universitários. Esses processos oferecem vantagens quando em situações de perigo. A resistência temporária à insulina, por exemplo, garante que o açúcar atinja um cérebro sob pressão, enquanto a inflamação ergue um escudo protetor contra visitantes indesejados que entram através de ferimentos. Os efeitos de uma reação de estresse aguda e saudável são, em sua maioria, temporários, cessando quando uma experiência estressante termina. E quaisquer efeitos duradouros podem às vezes nos deixar melhor do que antes. Estudos em ratos, por exemplo, descobriram que o estresse por algumas horas pode aumentar o número de células cerebrais "recém-nascidas" em uma parte do cérebro, o que pode corresponder a um melhor desempenho em certos tipos de testes de memória. Porém, o estresse muito frequente, muito intenso ou mesmo constante nos coloca sob tensão prolongada. Vários dos agentes envolvidos no estresse passam a reagir de forma não-linear - seus efeitos mudam de curso com a atividade prolongada. Como resultado, o estresse crônico induz uma mudança gradual e persistente nos parâmetros psicológicos e fisiológicos que tendem a caminhar por rumos incertos e desordenados. Os braços simpáticos e parassimpáticos do sistema nervoso autônomo - uma rede nervosa que controla processos involuntários, como pressão sanguínea, respiração e digestão - desempenham um papel crucial no desenvolvimento da resposta aguda ao estresse. Durante períodos de medo ou raiva, a atividade simpática (responsável pela resposta de "luta ou fuga") sobe temporariamente e a atividade parassimpática (das respostas "repousar e digerir") diminui. Se esse padrão de atividade persistir na ausência de estresse, no entanto, esse processo pode levar a hipertensão e outras doenças. Da mesma forma, enquanto a reatividade emocional temporária sob estresse agudo nos ajuda a prever o perigo, uma mudança sustentada na dinâmica da regulação emocional pode nos levar a transtornos de humor. Mudança estrutural Suspeita-se que o estresse crônico tenha um papel no crescente ônus global da hipertensão e do diabetes tipo 2. Pesquisas apontam que, com os ratos, ele também aumenta a depressão. Outros estudos em animais e mesmo em humanos sugerem que o estresse crônico pode até alterar a estrutura do cérebro. No primeiro estudo do gênero, a professora Ivanka Savic e seus colegas do Instituto Karolinska e da Universidade de Estocolmo, ambos na Suécia, recentemente compararam os cérebros de pessoas que sofrem de estresse crônico relacionado ao trabalho com aquelas saudáveis e menos estressadas. Para isso, eles usaram técnicas de ressonância magnética estrutural. Os pesquisadores encontraram uma diferença nas regiões ativas na alocação de atenção, tomada de decisão, memória e processamento de emoções. Nas pessoas estressadas, o córtex pré-frontal parecia mais fino, a amígdala parecia mais espessa e o núcleo caudado era menor. O afinamento no córtex pré-frontal se correlacionou com a pior regulação emocional. Para estabelecer se o estresse crônico tinha criado essas mudanças ou se simplesmente havia correlação, os pesquisadores fizeram a varredura dos cérebros novamente após um programa de reabilitação de estresse de três meses baseado em terapia cognitiva e exercícios respiratórios. O afinamento no córtex pré-frontal foi revertido. Embora o estudo tivesse limitações (não havia um grupo de controle de pessoas estressadas que não tinham se submetido a tratamento, por exemplo), essa reversão indicava a possibilidade de que o estresse crônico pudesse ter causado o afinamento. Outros estudos descobriram que altos níveis circulantes do hormônio cortisol se correlacionam com a piora da memória e com a diminuição de partes do cérebro, mesmo em uma idade relativamente jovem. Essas mudanças podem ser, em parte, consequência da natureza plástica de nossos cérebros, uma manifestação de seu extraordinário talento para se adaptar ao que quer que seja exigido dele. No meio de um combate, por exemplo, a reatividade emocional aumentada é uma vantagem de sobrevivência, enquanto as funções cognitivas superiores se tornam redundantes. Recalibrar o estado basal do cérebro para aumentar a eficiência poderia salvar a vida de um soldado em combate, por exemplo. No cenário de um local de trabalho que depende do foco e da complexa tomada de decisões, no entanto, a regulação emocional comprometida e o declínio da memória podem limitar a produtividade. A mudança na estrutura do cérebro é mal-adaptativa. O estresse crônico geralmente ataca através de uma rota psicossocial e é influenciado pela percepção. Embora isso torne o estudo empírico do problema desafiador, ele também revela um caminho potencial para o gerenciamento do estresse crônico: a experiência perceptiva de uma pessoa. Um exemplo é o efeito da "ruminação" de pensamentos. Relembrar uma experiência estressante depois que ela termina pode ativar caminhos similares à experiência real. Isso pode manter a reação de estresse "ativada", mesmo que o motor do problema não esteja mais presente. Isso faz com que a experiência seja percebida como mais angustiante do que realmente era quando aconteceu. Assim, prevenir que pessoas "ruminem" momentos negativos reduz a pressão arterial mais rapidamente após o período de estresse agudo. O estresse crônico tem sido associado à hipertensão e, em um pequeno estudo randomizado, pesquisadores americanos, incluindo Lynn Clemow, da Columbia University Medical Center, usaram o treinamento para o controle do estresse (com base em uma oficina cognitivo-comportamental) para efetivamente baixar a pressão arterial sistólica em pacientes com hipertensão. O declínio na pressão se correlacionou com um declínio na ruminação depressiva. O cérebro imita uma máquina de previsão que ativamente infere seu ambiente para criar uma representação da realidade BBC/BBC O elemento perceptivo do estresse pode ser a razão pela qual algumas intervenções entre mente e corpo, como ioga, técnicas de respiração e meditação, podem beneficiar o controle do estresse através de efeitos na melhoria da regulação emocional, reduzindo a reatividade ao estresse e acelerando a recuperação após o problema. Também pode explicar por que algumas técnicas, como a meditação, mostraram resultados mistos em estudos controlados. É possível que a técnica da meditação para atenção plena possa ser suscetível a ruminação e pensamentos negativos repetitivos em algumas pessoas, mas não em outras. O estresse percebido pode variar com fatores genéticos e epigenéticos, traços individuais, padrões de pensamento e comportamento, além da jornada da vida até o momento. Status e controle De certa forma, o cérebro imita uma máquina de previsão que ativamente infere seu ambiente para criar uma representação da realidade. Uma percepção de incerteza, imprevisibilidade ou falta de controle pode sinalizar que há uma falha em seu modelo de realidade e promover o estresse. Uma demonstração prática dessa teoria reside na maneira como o estresse é moderado por status social. Ter um alto status social atenua sua reação ao estresse psicológico. Então, se você acha que esse status pode ser desafiado e diminuído, talvez seja melhor que ele esteja em um patamar mais baixo. Essa sensação de perda de controle pode desempenhar um papel primordial no processo em que a competição, a desigualdade e o sentimento de ser julgado pelos outros geram estresse. Em um mundo previsível sobre o qual você tem controle de tudo, uma causa deve levar a um efeito previsível. Uma incompatibilidade frequente entre o esforço e a recompensa por ele frustra essa sensação de controle percebido. Consequentemente, um "desequilíbrio entre esforço-recompensa" é uma fonte de estresse crônico no local de trabalho. Ou seja, se você acha que faz um ótimo trabalho e não recebe os benefícios por esse esforço, a tendência é que seu estresse aumente. Não é apenas a natureza de nossas interações sociais que podem exacerbar o estresse. O impacto de algumas facetas da vida urbana na reação ao estresse também pode ter sido subestimado. A exposição à natureza, por exemplo, pode acelerar a recuperação após o estresse e diminuir seus marcadores. A luz brilhante ou a exposição noturna a telas de LED podem atrasar a liberação da melatonina, um hormônio que reduz a ansiedade. Exercícios físicos de baixa intensidade, por exemplo, reduzem os níveis circulantes de cortisol. A urbanização está aumentando o consumo de alimentos processados - e uma dieta baseada nesses produtos tem sido associada à incidência de sintomas depressivos em pelo menos dois grandes grupos de pessoas. Os nossos hábitos alimentares modificam os microrganismos que vivem no sistema digestivo. Esses microrganismos, através do contato com células imunitárias e outras vias, podem influenciar a forma como a mente reage ao estresse. Há evidências de que modelar a microbiota intestinal com alimentos específicos ou tomar probióticos podem ajudar a reduzir os sintomas de ansiedade. Os primeiros resultados sugerem que tomar uma única cepa ou uma combinação de probióticos pode reduzir a fadiga mental e melhorar o desempenho cognitivo durante o estresse. Em uma exposição de 2015 no Petit Palais em Paris, o artista belga Thomas Lerooy apresentou uma metáfora visual perceptiva do estresse mental em uma exibição chamada "Não há cérebro suficiente para sobreviver". A escultura de bronze mostrava um corpo classicamente belo, arqueado pelo peso de uma cabeça grotescamente ampliada e bastante triste. Ao contrário da peça de Lerooy, a cabeça humana não se expande e afunda no chão à medida que sua carga de estresse se torna mais pesada. Fadiga mental depois de um procedimento oftálmico complexo é invisível. O quadro pintado pela exaustão mental é abstrato em comparação com os sinais bem reconhecidos de esforço físico. A tensão mental é um fator limitante de desempenho em uma idade em que a carga física é cada vez mais convertida em carga mental. À medida que avançamos na era da informação, é hora de o enigma do estresse crônico finalmente sair das sombras. *Mithu Storoni, cirurgião do olho, estudou doenças que afetam o cérebro visual. Também escreveu o livro "Stress-Proof: o guia definitivo para viver uma vida livre de estresse".
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A hora de cortar o cordão umbilical financeiro dos filhos

qui, 15/08/2019 - 06:00

Não se trata de ficar indiferente aos problemas, e sim de estabelecer limites, porque a dependência vai fazer mais mal do que bem Num cenário de desemprego alto e de estagnação econômica em muitos setores, é difícil encontrar uma família que não tenha enfrentado algum perrengue. Nessas horas, quando os laços são fortes, todos se juntam num esforço solidário. Afinal, nenhum pai ou mãe gosta de ver os filhos no aperto. No entanto, quando é que a ajuda legítima acaba se transformando numa armadilha que pode inclusive comprometer a segurança financeira dos pais? Socorro financeiro para os filhos: excesso de ajuda impacta na autoestima Mariza Tavares O Bankrate.com, um site de educação financeira dos Estados Unidos, divulgou em março uma pesquisa na qual metade dos casais afirmava que estava sacrificando sua poupança para ajudar os filhos. Quem pode oferecer uma educação mais sólida sabe que a independência dos rebentos demora: pode ir além do fim do curso universitário, se o estudante fizer algum tipo de pós-gradução. Lá, um em cada cinco norte-americanos declara não fazer uma reserva para a aposentadoria – aqui, são oito em cada dez, e o orçamento apertado é sempre a principal justificativa. Vale lembrar: comissários de bordo orientam os passageiros a, em caso de emergência, colocar a máscara de oxigênio primeiro em si mesmos, para só depois socorrer os demais... A questão é que não se trata de ficar indiferente aos problemas dos filhos, e sim de estabelecer limites porque, do contrário, essa dependência vai fazer mais mal do que bem. É o que defende a psiquiatra Laura Debney, especializada em relacionamentos, que diz que, embora esta seja uma conversa indigesta, a situação só piora quando a postergamos, criando ressentimentos dos dois lados. Uma pergunta incômoda tem que ser feita: a ajuda vai ser para atender a uma necessidade ou a um desejo? “O primeiro passo é ser honesto e transparente: por exemplo, se for o caso de a reserva financeira dos pais estar em risco. Depois é importante ouvir esses jovens adultos e estabelecer pontos de compromisso que façam sentido para ambas as partes, para que haja um roteiro cujo objetivo seja encerrar a dependência. Para obter autoestima, um adulto deve conseguir superar os desafios e obstáculo que surgem. O excesso de ajuda impede que isso aconteça”, explica.
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Estudo relaciona exploração de gás natural por 'fracking' a aumento nas emissões de gases estufa

qua, 14/08/2019 - 14:20

Técnica de 'fraturamento hidráulico' é usada para retirar gás natural de camadas de difícil acesso nas rochas. Pesquisa indica participação dessa atividade no aumento da concentração de gás metano no ar na última década. Torre queima gás em unidade de fracking nos Estados Unidos Wcn247/Visualhunt Um estudo divulgado nesta quarta-feira (12) aponta que o aumento da concentração de gás metano na atmosfera nos últimos anos vem, em grande parte, da exploração do gás de xisto por meio de "fracking" (técnica também conhecida como "fraturamento hidráulico"). A conclusão dos pesquisadores da Universidade Cornell, nos Estados Unidos, foi publicada em artigo publicado na revista científica "Biogeosciences". Eles analisam o aumento da concentração de gás metano na atmosfera ao longo da última década e sua relação com a crescente utilização do fracking como prática de produção de gás natural. O metano é um dos principais gases causadores do efeito estufa. E o fracking é uma técnica de produção de gás natural considerada não convencional: uma espécie de sonda é inserida a mais de 3 mil metros de profundidade, "fraturando" as rochas para a retirada do gás natural presente em camadas quase inacessíveis. Emissão de gases estufa atingiu novo recorde histórico em 2018 Aquecimento do planeta já é o maior evento climático em 2 mil anos Segundo o autor do artigo, Robert Howarth, que é professor de ecologia e biologia ambiental, é um erro atribuir a fontes biológicas o aumento da concentração de metano no ar. Pesquisas anteriores vêm associando essa elevação, principalmente, a atividades como a pecuária para produção de carne bovina. Como foi feito o estudo Os cientistas fizeram uma análise química da composição do metano que vem sendo emitido na atmosfera nos últimos anos. Dessa forma, conseguiram encontrar rastros de suas origens. Essa espécie de "impressão digital química" do gás metano indica que uma grande proporção dele agora vem sendo emitida por meio do fracking. A concentração de metano na atmosfera vem aumentando especialmente desde 2008, mas também sua composição está ficando diferente. Isso porque o metano proveniente do fracking tem características diferentes daquele emitido pelas técnicas convencionais de produção de gás natural. E também é diferente daquele metano liberado na queima de outros combustíveis fósseis, como o carvão. A pesquisa indica que a proporção de moléculas de carbono-13 em relação ao carbono-12 é menor no metano emitido por fracking. Assim como o metano emitido por fontes biológicas, como aquele presente nos gases de animais ou exalado por terras úmidas, tem concentração de carbono-13 mais baixa do que o metano que vem dos combustíveis fósseis. Mudanças climáticas podem afetar produção de alimentos O metano proveniente do fracking tem características diferentes daquele emitido pelas técnicas convencionais de produção de gás natural Tim Evanson/Visualhunt Metano no aquecimento global De acordo com o estudo, os níveis de gás metano no ar aumentaram muito durante as últimas duas décadas do século 20 e depois se estabilizaram na primeira década do século 21. Depois, houve um aumento dramático no metano atmosférico entre 2008 e 2014, passando de 570 bilhões de toneladas anuais para 595 bilhões de toneladas, por causa das emissões por atividades humanas nos últimos 11 anos. "Reduzir as emissões de metano agora pode ser uma forma imediata de desacelerar o aquecimento global e cumprir com as metas das Nações Unidas, de manter o aumento da temperatura do planeta abaixo de 2ºC", afirma o cientista, em nota de divulgação da pesquisa. "Se pararmos de jogar metano na atmosfera, ele vai se dissipar", acrescenta. "Ele vai embora rapidamente, se comparado com o dióxido de carbono (CO2). Reduzir o metano é a forma mais fácil de conter o aquecimento global." O cientista também diz que, ao longo da última década, cerca de dois terços de toda a nova produção de gás natural vem dos Estados Unidos e do Canadá.
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Dentadura é encontrada na garganta de homem uma semana após cirurgia

qua, 14/08/2019 - 13:04

Homem de 72 anos descobriu objeto seis dias após cirurgia para remover caroço inofensivo de sua parede abdominal em 2018, quando disse que não conseguia ingerir alimentos sólidos. Médicos encontraram dentadura de homem em sua garganta oito dias após cirurgia no abdômen Divulgação/BMJ Case Reports 2019 A dentadura de um paciente ficou presa em sua garganta durante uma operação de rotina e só foi encontrada depois de oito dias. O homem de 72 anos queixou-se de dificuldades de deglutição e estava tossindo sangue antes que os médicos encontrassem a prótese. Ele visitou o Hospital Universitário James Paget, em Norfolk, diversas vezes depois de passar por uma cirurgia e transfusões de sangue para corrigir as complicações de um procedimento no abdômen. Detalhes do caso foram publicados na revista "BMJ Case Reports", na qual os autores recomendam que dentaduras sejam retiradas antes da anestesia geral. Dificuldades para comer Seis dias após a cirurgia para remover um caroço inofensivo de sua parede abdominal em 2018, o homem foi ao departamento de emergência britânico e disse aos médicos que não conseguia ingerir alimentos sólidos. Os médicos acreditavam que o problema era causado por uma infecção respiratória e os efeitos colaterais de ter um tubo colocado em sua garganta durante a cirurgia, e prescreveram antibióticos e esteroides. A obstrução na garganta causou dificuldades para o homem comer, respirar e dormir Divulgação/BMJ Case Reports 2019 Quando o homem voltou, dois dias depois, a equipe médica examinou mais detalhadamente e encontrou um objeto semi-circular sobre as cordas vocais. Ele então disse aos médicos que havia perdido sua dentadura - três dentes falsos e uma placa dentária - durante o tempo em que ficou no hospital para a cirurgia. Após a cirurgia para remover as próteses, ele recebeu alta, mas retornou mais quatro vezes com sangramento. Enquanto os cirurgiões cauterizavam a ferida em sua garganta, ele perdeu tanto sangue que precisou de uma transfusão. Os autores do relatório disseram que há outros casos documentados de próteses engolidas durante a anestesia. A presença de quaisquer tipos de dentadura ou placas dentárias deve ser registrada antes e depois da cirurgia, acrescentaram. Hazel Stuart, diretora médica do Hospital Universitário James Paget, disse que uma investigação completa foi realizada. "Como resultado disso, os procedimentos foram revisados, alterados conforme necessário, e as lições aprendidas foram compartilhadas com a equipe", disse ela.
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Homens jovens comem poucos vegetais e preferem ganhar músculos, diz estudo britânico

qua, 14/08/2019 - 11:05

Pesquisa com rapazes de 18 a 24 anos mostra que a maioria não come três porções de frutas e verduras por dia, e estão mais focados no físico do que na saúde. Participantes do estudo sabiam que o consumo de frutas e verduras traz benefícios à saúde Pixabay Rapazes britânicos de 18 a 24 anos estão mais preocupados em ganhar músculos do que em ter uma alimentação saudável, afirma um estudo social da Universidade de East Anglia, no Reino Unido. A pesquisa, publicada nesta quarta-feira (14) na revista científica "Nutrients", mostra que muitos desses jovens não sabem cozinhar e não apreciam o gosto dos vegetais. De acordo com o estudo, do tipo observacional, homens jovens que têm dietas melhores veem de forma mais positiva a ideia de ter uma dieta saudável. Eles gostam de preparar as próprias refeições e consomem uma ampla variedade de frutas e verduras. "Queríamos descobrir por que muitos rapazes não estão comendo as devidas 5 porções de fruta e verdura por dia", diz a cientista social e responsável pelo estudo, Stephanie Howard Wilsher, em comunicado à imprensa. Ela é especialista em questões de saúde e alimentação. "Isso é muito preocupante, porque os homens são mais propensos do que as mulheres a ter problemas no coração em idade mais avançada, como a doença coronariana, por exemplo", afirma. Métodos usados A pesquisa qualitativa foi realizada por meio de vários "focus groups" (grupos focais, em português) envolvendo 34 homens com idade de 18 a 24 anos. Todos tinham peso normal e vinham tanto de áreas urbanas quanto rurais da Inglaterra. Imagens de revistas e campanhas publicitárias foram usadas para estimular as discussões sobre saúde, dieta e boa forma. Os participantes anotavam em um diário suas práticas de nutrição, durante quatro dias, e foram separados em dois grupos: os que comem mais do que quatro porções de frutas e outros vegetais por dia, e os que comem menos de três porções. "Os que consomem mais acreditam em sua capacidade de comprar e preparar esses alimentos. eles sentem que têm um bom controle de sua dieta e de sua saúde", explica a professora. "Já os que não comem o suficiente, não sabiam cozinhar. Alimentos rápidos são mais fáceis para eles, e frutas e vegetais são vistos como produtos caros, cuja preparação demanda mais tempo", diz. Entretanto, os participantes de ambos os grupos sabem que o consumo de frutas e verduras traz benefícios à saúde - ainda que nem sempre soubessem quais tipos de doenças podem ser evitadas. Por isso, segundo Stephanie Howard Wilsher, os governos precisam adotar novas abordagens para chegar a homens jovens com mensagens que os estimulem a se alimentarem melhor. Especialistas dizem que uma dieta variada de frutas, legumes e verduras é mais rica em nutrientes do que consumir sempre o mesmo tipo de alimento. Andrei Lasc/Unsplash
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Encontrado na Nova Zelândia fóssil de pinguim gigante

qua, 14/08/2019 - 11:02

Apelidado de 'pinguim monstro', ave tinha 1,6 metros, pesava cerca de 80 kg e viveu há 60 milhões de anos; ossos das pernas foram encontrados no sul do país. Apelidado de 'pinguim monstro', ele tinha 1,6 metros e cerca de 80 kg Canterbury Museum Fósseis de um pinguim gigante, do tamanho de um ser humano, foram descobertos na Nova Zelândia. O animal devia ter 1,6 metro de altura e pesava 80 kg. Ele viveu no período Paleoceno, entre 60 e 56 milhões de anos atrás. Apelidado de "pinguim monstro" pelo Museu Canterbury, ele agora se soma aos bichos da fauna da Nova Zelândia que hoje estão extintos. Papagaios, águias, morcegos e o moa, um pássaro de 3,6 metros, também integram essa lista. Por que o pinguim era tão grande Segundo Paul Scofield, curador do Museu Canterbury, em Christchurch, os pinguins conseguiram alcançar esse tamanho porque répteis marinhos gigantes (que seriam potenciais predadores e competidores) desapareceram dos oceanos na mesma época em que os dinossauros desapareceram. "Aí, por 30 milhões de anos, foi a era dos pinguins gigantes", disse Scofield. A maior espécie de pinguim existente hoje, o pinguim-imperador, alcança até 1,2 metros. "Acreditamos que, naquela época, os animais estavam evoluindo muito rapidamente. A temperatura da água na Nova Zelândia era ideal para isso. Era de 25ºC, enquanto a média atualmente é de 8ºC", diz. O fóssil encontrado é de um pequeno pedaço de osso, mas a descoberta tem enorme valor científico Canterbury Museum Durante o período de existência do pinguim gigante, a Nova Zelândia ainda estava conectada à Austrália que, por sua vez, estava ligada à Antártida. O fóssil encontrado se assemelha a outro pinguim pré-histórico gigante, o Crossvallia unienwillia, cujos restos foram encontrados na Antártida. Centenas de fósseis de predador primitivo estranho são descobertos no Canadá Nova espécie de pássaro pré-histórico é encontrada preservada em âmbar De acordo com os pesquisadores, os pés dos pinguins Crossvallia cumpriam um papel mais importante no nado do que os dos pinguins que existem hoje. É possível que esse animal compartilhasse as águas da Nova Zelândia com "tartarugas e corais gigantes, além de tubarões de aspecto diferente", diz Scofield. E por que esse pinguim gigante não existe mais A razão para o desaparecimento dos pinguins gigantes das águas do hemisfério sul não está totalmente clara. A teoria mais comum é a de que a extinção se deu na competição com outros animais marinhos que surgiram depois. "Na época em que os pinguins evoluíram, grandes répteis marinhos tinham acabado de ser extintos", disse o pesquisador Gerald Mayr à BBC. "Na Antártida e na Nova Zelândia, não havia grandes animais que pudessem ser competidores ou predadores até a chegada das baleias com arcadas dentárias e das focas." A extinção dos pinguins gigantes parece coincidir com a chegada desses competidores, mas a razão exata para o desaparecimento do animal ainda está em discussão, diz Mayr. Onde ele foi encontrado Ossos das pernas dessa espécie de pinguim foram descobertos em Canterbury, no sul da Nova Zelândia. "O local onde os fósseis foram achados é bem peculiar", diz Scofield. "Tem um berço de rio cortando um despenhadeiro." Essa região tem sido local de descobertas de fósseis desde 1980. Muitos achados, como os fósseis do pinguim gigante, foram obra de paleontólogos amadores.
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Antinatalistas: as pessoas que querem que paremos de ter bebês

qua, 14/08/2019 - 09:59

Pode ser por questões existenciais, biológicas ou ambientais - motivações variadas reúnem grupos nas redes sociais que debatem e fomentam ideia de que humanos devem parar de procriar. Antinatalistas: as pessoas que querem que paremos de ter bebês Ilustrações de Gerard Groves "Não seria melhor fazer um buraco na Terra e acabar com tudo?". Quem se pergunta é Thomas, 29 anos, morador do leste da Inglaterra e um antinatalista - ou seja, alguém que defende que os humanos não deveriam mais ter filhos. Embora sua ideia de explodir o mundo seja um pensamento fantasioso, ele tem uma convicção mais concreta: a de que nossa espécie deve gradualmente se extinguir. A filosofia antinatalista, que remonta à Grécia antiga, teve um impulso recente com as mídias sociais. No Facebook e no Reddit, por exemplo, há dezenas de grupos e fóruns, alguns com milhares de membros. No Reddit, a comunidade "r/antinatalism" tem cerca de 35 mil membros, enquanto apenas um das dezenas de grupos do Facebook com esta pauta tem mais de 6 mil participantes. Os antinatalistas estão espalhados pelo mundo e têm uma variedade de razões para suas reivindicações. Entre elas, estão a preocupação com a herança genética, com a superpopulação do planeta, com o meio ambiente, de não querer que crianças sofram - e com a falta de "consentimento", a noção de que as pessoas são colocadas no mundo sem poderem opinar sobre isso. Antinatalistas: as pessoas que querem que paremos de ter bebês Ilustrações de Gerard Groves Todos, porém, têm a convicção de que a procriação humana deve ser detida. E embora façam parte de um movimento pequeno, algumas de suas opiniões, particularmente sobre o uso de recursos do planeta, estão cada vez mais ganhando espaço entre os grandes temas em discussão no mundo. Embora não seja um antinatalista, o príncipe Harry disse recentemente que ele e sua esposa planejavam ter no máximo dois filhos, devido à preocupação com o meio ambiente. Chat filosófico Thomas não tinha ouvido falar do antinatalismo antes de alguém usar o termo para expor sua opinião nos comentários de um vídeo no YouTube. Desde então, ele se tornou um membro ativo de um grupo do tipo no Facebook. Para ele, a pauta fornece um estímulo intelectual e um lugar para testar suas habilidades de debate. "Acho incrível, você está discutindo problemas da vida real", diz ele. "Você tem uma ideia: digamos, por exemplo, a de que os humanos podem ser extintos. E se eles evoluírem de novo? Então, você não resolveu o problema". "Há muita discussão, algumas são bem delicadas." Mas sua paixão pelo antinatalismo não é apenas teórica. Thomas acredita que toda a vida humana é despropositada e por isso tentou, embora sem sucesso, fazer uma vasectomia no sistema público de saúde britânico. Os médicos da rede podem se recusar a realizar operações de esterilização se acreditarem que o procedimento não é do melhor interesse do paciente. Não violência e consentimento Apesar da retórica niilista (relativa ao niilismo, ponto de vista que considera não haver sentido na existência) em alguns desses grupos, não há indicação de que eles estejam dispostos a atos radicais. Quando falam sobre extinção, muitas vezes parece ser um exercício retórico. A ideia de Thomas de abrir um buraco na Terra - ele imagina um grande botão vermelho que acabaria com a vida humana e diz que "pressionaria isso imediatamente" - é na verdade altamente controversa por causa de um princípio antinatalista chave: consentimento. Simplificando, esta é a ideia de que criar ou destruir a vida requer o consentimento da pessoa que nascerá ou morrerá. Kirk mora em San Antonio, nos Estados Unidos. Ele diz que se lembra de uma conversa com a mãe quando tinha apenas quatro anos de idade. Ela disse que ter filhos era uma escolha. "Isso não faz sentido para mim: voluntariamente colocar alguém que não tem, antes da concepção, necessidade ou desejo de estar neste mundo, sofrer e morrer", diz ele. Kirk diz que, mesmo nessa idade precoce, se tornou um antinatalista. Ele se opõe à concepção da vida humana porque nenhum de nós foi explicitamente perguntado se queríamos estar aqui. "Se toda pessoa desse consentimento para jogar o jogo da vida, eu pessoalmente não teria nenhuma objeção a isso", ele admite. "Depende do consentimento ou da falta dele". Antinatalistas: as pessoas que querem que paremos de ter bebês Ilustrações de Gerard Groves O conceito também funciona ao contrário. O problema com esse grande botão vermelho apagador da humanidade é que muitas pessoas aproveitam a vida - e nem todo mundo concordaria em sair dela. Diante deste dilema, Kirk e a maioria dos antinatalistas querem que as pessoas se voluntariem para parar de dar à luz. Problemas de saúde mental Há outro tema comum em grupos antinatalistas. As postagens frequentemente criticam pessoas que admitem sofrer de problemas de saúde mental por terem filhos. Um post por exemplo reproduziu a publicação de um outro internauta que dizia: "Tenho um transtorno de personalidade limítrofe, além de ansiedade bipolar e generalizada". O antinatalista acrescentou o seu comentário: "Este indivíduo tem dois filhos. Sinto-me mal pelos pequenos". Em outro grupo, havia também um comentário atrelado à postagem de alguém que claramente estava pensando em suicídio. "Tive esquizofrenia e depressão", explica Thomas. "A depressão também está na minha família. Acho que, se eu tiver filhos, há uma grande probabilidade de eles ficarem deprimidos e não gostarem da vida deles." Mas ele também diz que a comunidade é muitas vezes rotulada de forma errada por pessoas de fora. "As pessoas começam a nos rotular como psicopatas malucos", diz ele. A verdade, diz ele, é muito mais complexa. Salvando a Terra? Os argumentos antinatalistas foram impulsionados recentemente por outra pauta, a preocupação com o meio ambiente e os efeitos potencialmente devastadores das mudanças climáticas. A julgar pelos posts nos grupos antinatalistas, há uma evidente sobreposição entre suas ideias e o ativismo ambiental. "Sinto que é egoísta ter filhos neste momento", diz Nancy, uma vegana e entusiasta dos direitos dos animais, livre de plástico e instrutora de ioga das Filipinas. "A realidade é que as crianças nascidas no mundo estão trazendo mais destruição para o meio ambiente". Em um grupo no Facebook chamado "Antinatalistas muito irritados", uma petição está sendo compartilhada com o objetivo de ser enviada às Nações Unidas. Seu título é "Superpopulação como raíz da catástrofe climática: parem os nascimentos no mundo agora". Até aqui, a campanha tem 27 mil assinaturas. A ideia de evitar filhos para beneficiar o meio ambiente não é nova. Na Grã-Bretanha, uma instituição de caridade chamada Population Matters propõe isso há anos, embora não seja antinatalista. Na verdade, eles argumentam em favor da sustentabilidade entre os humanos, e não por sua extinção. "Nosso objetivo é alcançar a harmonia entre os humanos e o planeta, que temos a sorte de habitar", diz Robin Maynard, diretor do grupo. "Se temos menos filhos em todo o mundo e famílias menores, podemos alcançar uma população muito mais sustentável." Mas uma população crescente necessariamente levará diretamente ao desastre ambiental? De acordo com Stephanie Hegarty, repórter da BBC especializada em crescimento populacional, é difícil dizer, porque o futuro é muito difícil de prever. "De acordo com projeções, devido ao desenvolvimento econômico e à queda das taxas de fecundidade, a população mundial provavelmente ficará em 11 bilhões daqui a 80 anos", diz ela. "Se o planeta pode sustentar isso ou não, não sabemos." "Também é muito difícil prever quantas pessoas o planeta pode sustentar porque é tudo sobre consumo. E isso significa tudo: de ar, água, comida, combustíveis fósseis, madeira, plástico... A lista continua", diz. "É óbvio que alguns de nós estão consumindo muito mais do que outros. Uma família de 12 pessoas em um país como Burundi (na África) consumirá menos, em média, do que uma família de três no Texas (Estado americano)." "Há muitos fatores que vão mudar na próxima década e no próximo século que não podemos prever agora." Insultos e críticas Entre os intensos debates filosóficos e éticos em curso sobre os antinatalistas, há uma corrente subjacente mais obscura e menos edificante: os que rotineiramente insultam pais. Alguns insultos chegam a ser dirigidos a crianças. "Sempre que vejo uma mulher grávida, sinto um desgosto", escreveu um usuário ao lado de uma foto que dizia: "Eu odeio barriga de grávida". Mas isso não significa que todos os antinatalistas odeiem crianças, ao menos de acordo com aqueles que falaram com a BBC. "Eu diria que pessoalmente gosto de crianças - e é porque eu gosto delas que não quero que sofram", diz Nancy. "Talvez trazê-los para o mundo me daria algum prazer, mas a possível ameaça é tão grande que não tenho certeza se vale à pena." Em alguns grupos antinatalistas, usuários especificam que os bebês não devem nascer em zonas de guerra, se houver uma grande chance de danos, ou mesmo em famílias de baixa renda. Às vezes, a retórica soa como reprodução seletiva - ou eugenia. Os antinatalistas com quem falamos tinham sentimentos contraditórios sobre essas ideias. "Quais são seus motivos para ter um filho?" questiona Thomas, quando perguntado se está preocupado com as crianças que nascem em áreas devastadas pela guerra. "Em tais países, há menos esperança de que as coisas mudem." Ele tem menos preocupações com as crianças que nascem em lares de baixa renda. "Obviamente, sou contra ter filhos... Mas acho que você pode ser feliz vivendo em uma área de baixa renda." Já Nancy diz que seu antinatalismo é "generalizado". Ela diz se opor a eugenia. "Por que estamos escolhendo alguns grupos só porque eles estão em posição de desvantagem?" Então, há uma filosofia de vida antinatalista? "Faça o melhor que puder", diz Kirk. "Seja gentil – e não procrie."
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Brasil tem 1.388 casos de sarampo em 2019; 95% deles estão em São Paulo, Bahia, Rio de Janeiro e Paraná

qua, 14/08/2019 - 09:10
Veja a lista das 53 cidades do país com surto da doença. Faixa etária com maior número de casos é a de 20 a 29 anos, com 37% dos registros. Desde a primeira semana de 2019, o Brasil registrou 1.388 casos confirmados de sarampo, sendo que 1.322 deles (95,2%) ocorreram no Rio de Janeiro, em São Paulo, na Bahia e no Paraná, que apresentam surto da doença (veja a lista das cidades abaixo). O restante, 66 infecções (4,8%), ocorreram em outros estados do Brasil. Os dados são do Ministério da Saúde e divulgados nesta quarta-feira (14). O sarampo é uma doença extremamente contagiosa causada por um vírus do gênero Morbillivirus, da família Paramyxoviridae. A transmissão pode ocorrer por meio da fala, tosse e/ou espirro. O quadro de infecção pode ser grave, com complicações principalmente em crianças desnutridas ou com sistema imunológico debilitado. Sarampo: tire dúvidas sobre a vacina disponível no SUS As últimas onze semanas epidemiológicas (20 a 31) apresentaram uma disparada no número de casos confirmados, número intensificado pelo estado de São Paulo. Durante este período, 1.226 novos pacientes com a doença foram recebidos pelas unidades de saúde, sendo que 1.220 foram infecções em território paulista. Como é possível ver no gráfico acima, 99,5% dos novos casos que ocorreram desde o início de maio estão em São Paulo. Apenas na última semana, o estado teve uma alta de 36% no número de infecções. Os dados da Secretaria Estadual da Saúde paulista apontam que a capital tem 75,5% dos pacientes. Vacina do sarampo Há uma campanha de vacinação nos estados com surto, com doses disponíveis nas unidades do Sistema Único de Saúde. A população com idade entre 20 e 29 anos é a mais afetada até agora e, por isso, é prioridade na imunização. Nenhum dos estados com maior número de casos atingiu a cobertura vacinal de 95% da tríplice viral. A vacina garante a imunização contra sarampo, caxumba e rubéola em crianças de um ano de idade. Rio de Janeiro tem o menor índice, com 51,23% do grupo infantil protegido; depois, temos Bahia, com 61,69%; São Paulo, com 74,65%; e Paraná, com 89,53%. Lista de cidades com surto da doença São Paulo: Aspasia Atibaia Barueri Caçapava Caieiras Campinas Capela Do Alto Carapicuíba Diadema Embu Fernandópolis Franca Francisco Morato Franco Da Rocha Guarulhos Hortolândia Indaiatuba Itapetininga Itaquaquecetuba Itu Jales Jose Bonifácio Jundiaí Mairiporã Marilia Mauá Mogi Das Cruzes Osasco Pindamonhangaba Piracaia Poá Praia Grande Ribeirão Pires Ribeirão Preto Rio Grande Da Serra Santo André Santos São Bernardo Do Campo São Caetano Do Su São Jose Do Rio Preto São Jose Dos Campos São Paulo Sertãozinho Sorocaba Sumaré Taboão Da Serra Taubaté Valinhos Votorantim Rio de Janeiro: Nilópolis Paraty Bahia: Salvador Paraná: Campina Grande do Sul
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Mulheres ejaculam? As perguntas que levaram à criação da Pussypedia, a enciclopédia online sobre a vagina

ter, 13/08/2019 - 18:42

Criado por uma ilustradora mexicana e uma jornalista americana, portal almeja apresentar informações de qualidade sobre o corpo feminino, como a forma de lavar a vulva. Foi montado um portal que tem conteúdo em inglês e em espanhol. Desde julho, quando entrou no ar, a enciclopédia recebeu 130 mil visitas. Ali, são respondidas dúvidas que podem ir desde os assuntos mais simples, como a forma de lavar a vulva BBC As mulheres ejaculam? Depois de conversar sobre o assunto com seu namorado da época, em 2016, a jornalista americana Zoe Mendelson decidiu fazer essa pergunta ao Google. "Encontrei um monte de informação boba e de pouca qualidade. Assim, consultei publicações médicas e tentei compreender o que diziam. Mas não entendia nada, porque não sabia de que partes do corpo estavam falando e nem suas localizações e funções", lembra Zoe em uma conversa por telefone com a BBC News Mundo, o serviço em espanhol da BBC. "Percebi que era um problema importante o fato de que toda a informação que eu podia acessar ou era besteira ou insuficiente para mim". Outra conclusão: "E que eu não sabia nada sobre o meu próprio corpo." 'Vergonha é perigosa' Dois anos depois desse episódio, ela e uma amiga, a ilustradora mexicana María Conejo, acabam de estrear um projeto fruto dessa busca por - boas - respostas. É a Pussypedia, uma enciclopédia digital gratuita que se propõe a oferecer informações amplas e confiáveis sobre o corpo feminino. Ela é dedicada à pussy, termo coloquial em inglês que se usa para denominar a vulva - mas ao qual as criadoras do portal deram uma definição mais ampla, como explica a página delas: "Uma combinação de vagina, vulva, clitóris, útero, bexiga, reto, ânus e, quem sabe, alguns testículos". Mas, em pleno século 21, com movimentos feministas como o #MeToo e tantos outros na internet e nas ruas, além da educação sexual integrada a muitos currículos escolares e da internet ao alcance de boa parte da população, por que um projeto assim seria necessário? María responde com duas frases: "A vergonha é perigosa" e "Conhecimento é poder". "Acho que superestimamos a quantidade de progresso obtida (na igualdade de gênero). Seguimos vivendo com muitíssima desigualdade e vergonha de nossos corpos. E nossa sexualidade, ainda que mais aceita na sociedade, continua internalizada em nós", diz Zoe. María concorda: "Todos temos uma atitude como se assumíssemos que já sabemos muitas coisas sobre nosso corpo. Por isso mesmo, não fazemos perguntas sobre certas coisas: porque supõe-se que já deveríamos sabê-las. Mas, na verdade, essa mesma atitude nos limita muito". Com colaboradores, Zoe e María montaram um portal que tem conteúdo em inglês e em espanhol. Desde julho, quando entrou no ar, a enciclopédia recebeu 130 mil visitas. Ali, são respondidas dúvidas que podem ir desde os assuntos mais simples, como a forma de lavar a vulva, aos mais complexos, como a relação entre agrotóxicos e fertilidade. Cada artigo inclui uma lista de fontes usadas. Um próximo passo desejado pela dupla é acrescentar mais conteúdo sobre a saúde sexual transgênero. E uma 'penepedia'? Apesar dos objetivos pela transparência e qualidade, às vezes, há perguntas que simplesmente não têm resposta. Segundo as fundadoras da Pussypedia, isso se deve ao fato de que os genitais femininos (deixando de lado sua função reprodutiva) foram menos estudados que os masculinos. "Não pude nem responder à minha pergunta inicial", lamenta Zoe. "Falta muita informação que hoje é desconhecida ou que não tem acordo na comunidade científica. Por exemplo, de que tipo de tecido é feito a maior parte do corpo do clitóris." Por isso, a dupla descarta a necessidade de uma "penepedia", uma enciclopédia sobre o pênis e o sistema reprodutivo masculino. "Se você procurar qualquer livro médico ou de saúde, vai ver muitas seções. Sobre a vagina, menos", diz a jornalista. Mas, destaca María, ter mais informações disponíveis não significa que os homens tenham um interesse proporcional para buscá-las. "Acho que eles sabem menos", diz a artista mexicana. "Apesar de existirem muitas informações sobre os pênis, acho que há na masculinidade uma atitude de não querer se inteirar sobre o que se passa nos corpos deles, e menos ainda nos nossos." Já no caso das mulheres, o interesse foi expresso na vaquinha online que fizeram no Kickstarter para reunir fundos para a Pussypedia: o objetivo de arrecadação foi alcançado em apenas três dias. No final, elas conseguiram três vezes mais do que a meta inicial, chegando a US$ 22 mil (cerca de R$ 87 mil). O dinheiro as ajudou no impulso inicial, mas depois de "dois anos trabalhando de graça", elas agora precisam que o projeto gere renda se quiserem cumprir a ambição de atualizá-lo continuamente e de pagar a colaboradores. Por isso, no site há a opção de patrocinar um artigo ou de comprar ilustrações de María. "Tenho tentado há cinco anos fazer representações do corpo feminino que exploram a sexualidade ou a refletem de uma maneira diferente, como transformar a maneira como percebemos o corpo nu", diz a ilustradora. "Então, acho que a Pussypedia foi um projeto no qual tudo que eu aprendi durante todo esse tempo finalmente se transformou em algo."
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Pesquisadores recriam rosto da múmia egípcia de mais de 2,5 mil anos encontrada em Cerro Largo

ter, 13/08/2019 - 16:58

Designer recriou as feições de Iret-Neferet com técnicas empregadas em reconstituições forenses. Estudiosos comprovaram em maio que crânio encontrado em museu no interior do RS é de mulher que viveu no Egito há 2,5 mil anos. Veja a reconstrução virtual do rosto da múmia egípcia Iret-Neferet Com técnicas empregadas em reconstituições forenses, o designer Cícero Moraes reconstruiu, com bases nas pesquisas do grupo que estuda o crânio, a face da primeira múmia egípcia descoberta no Brasil no século 21. Iret-Neferet, como foi batizada, estava no Centro Cultural 25 de Julho, em Cerro Largo, Noroeste do Rio Grande do Sul, e teve a identidade confirmada neste ano pelos estudiosos. Para fazer a reconstituição em três dimensões, Moraes seguiu os seguintes passos: Marcar as espessuras da pele, em diversos pontos do crânio, com base nas medidas médias de seres humanos; Fazer projeções em linhas, que apontaram o tamanho e posicionamento dos lábios, nariz, olhos, orelhas; Pigmentar a projeção, a partir de uma paleta de cores baseada na população em questão; Incluir a peruca, uma vez que os estudos antropológicos demonstram que o hábito da época era raspar o cabelo, para evitar pragas; E, por fim, elaborar a roupa, também com bases nos estudos. O resultado foi a projeção em tamanho natural, que pode ser impressa em 3D. "Quando a gente faz reconstrução facial é uma forma de humanizar o trabalho e permitir que as pessoas se identifiquem", acredita Cícero, autor de projetos como a reconstrução do rosto da múmia Tothmea, de Curitiba, de Dom Pedro I e de Santo Antônio com técnicas de 3D. Imagem elaborada em software de 3D mostra como seria o rosto de Iret-Neferet, múmia egípcia descoberta em Cerro Largo Reprodução/Cícero Moraes Sem medo da morte O professor Édison Hüttner acredita que a reconstrução do rosto de Iret-Neferet ajuda a cumprir um dos objetivos do povo egípcio antigo. "Eles queriam preservar as múmias, para que a alma voltasse. A reconstrução da face dela é significativo quanto a isso, pois, na prática, a gente está preservando [a múmia]. Mostrar à população como era o rosto de uma pessoa que viveu há 2,5 mil anos tem também um significado antropológico para o professor. "Todos temos medo da morte, que associamos com a imagem do crânio, da caveira. Mas na prática, é a nossa face. Somos nós. Ela [a múmia] nos traz uma mensagem de não ter medo da morte." Foi Édison quem descobriu a múmia, durante uma visita ao museu em Cerro Largo. O crânio estava no local há mais de 30 anos, sem que sua origem fosse pesquisada. Na ocasião, obteve a permissão para trazer a múmia para Porto Alegre, onde começou a pesquisar, com um grupo da PUCRS e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ). Múmia poderá ser visitada, a partir do mês que vem, na PUCRS Divulgação/PUCRS O objeto e seus materiais foram analisados para que se chegasse à conclusão de que se trata de uma múmia egípcia. Uma tomografia chegou a ser feita, para mostrar as características internas da peça. O crânio pode ser visitado até esta sexta-feira (16), na biblioteca da PUCRS. Depois, voltará para Cerro Largo, onde ficará em exposição, dentro de uma caixa preparada especialmente para ela, relata Hüttner. As pesquisas de Iret-Neferet, no entanto, não terminam. O professor afirma que tem a intenção de imprimir o modelo elaborado por Cícero, para exposição tanto em Cerro Largo quanto em Porto Alegre. Além disso, os estudiosos do grupo atualmente pesquisam as origens de fungos e bactérias localizados na múmia. "Podemos descobrir o tipo de doença que ela pode ter tido. Quanto mais resultados tivermos, vamos ter outras características sobre elas", afirma.
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Pompeia: objetos encontrados nas ruínas poderiam ser 'tesouro oculto' de feiticeira

ter, 13/08/2019 - 11:49

Arqueólogos descobrem caixa com 'artefatos preciosos' - como amuletos, espelhos e contas de vidro - que seriam usados em rituais. Dezenas de amuletos e contas de vidro foram encontradas entre as ruínas de Pompeia Divulgação/EPA Arqueólogos descobriram novas relíquias sob as ruínas da cidade de Pompeia, destruída pela erupção do vulcão Vesúvio em 79 d.C. Após uma escavação no sítio arqueológico, ao sul de Nápoles, na Itália, eles encontraram um baú repleto de "objetos preciosos" - que podem ter pertencido a feiticeiras no passado. De acordo com a agência de notícias italiana Ansa, entre os artefatos, havia cristais, pedras de âmbar e ametistas, botões feitos de ossos, amuletos, bonecos, esculturas de punhos e pênis em miniatura, espelhos e até um crânio minúsculo. A escavação foi realizada em uma casa onde foram encontradas 10 vítimas da erupção vulcânica, incluindo mulheres e crianças. O trágico fenômeno natural deixou a cidade, que pertencia ao então Império Romano, soterrada sob as cinzas do vulcão, se tornando um dos lugares mais fascinantes para os arqueólogos da atualidade. Massimo Osanna, diretor do parque arqueológico, explicou que os artefatos provavelmente pertenciam a mulheres e podem ser "o tesouro escondido de uma feiticeira". Segundo ele, os objetos podem ter sido usados ​​em rituais - e não apenas para fins de ornamentação. Entre as relíquias, havia ainda amuletos em forma de escaravelho, incluindo uma de cornalina com a imagem de um artesão - e uma conta de vidro com a figura de Dionísio, deus romano do vinho e da fertilidade, gravada. Vida cotidiana Osanna afirmou à Ansa que é mais provável que os objetos tenham pertencido a um serva ou escrava do que à dona da propriedade. Isso se deve ao fato de nenhum dos artefatos ser feito de ouro, um dos metais preferidos dos ricos de Pompeia. Entre os objetos, não havia ouro, o que indica que não pertenciam a um membro da alta sociedade Divulgação/EPA Além disso, os objetos foram encontrados em uma área de serviço, longe do quarto da proprietária e do átrio da casa. "Se fosse de uma jovem rica, haveriam joias no baú, principalmente porque na parede de uma das salas foi encontrado um retrato da proprietária da residência usando um par de brincos brilhantes e refinados", acrescenta a agência de notícias. De acordo com especialistas, citados pela agência Ansa, esta coleção de objetos, de alguma forma relacionados à magia, poderia ter sido de uma escrava "dotada de habilidades milagrosas particulares, com uma relação privilegiada com os aspectos mais mágicos da via cotidiana". "São objetos da vida cotidiana do universo feminino e são extraordinários porque contam microhistórias, biografias dos habitantes da cidade que tentaram escapar da erupção", diz Osanna. Ainda de acordo com a Ansa, os artefatos já foram limpos e restaurados, e, a partir de agora, poderão ser analisados e estudados a fundo. Os arqueólogos também estão tentando estabelecer relações de parentesco entre os corpos encontrados na casa por meio de testes de DNA. "Entre eles, talvez houvesse uma mulher a quem a família, ou até mesmo a comunidade, reconhecesse poderes que eram, de algum modo, mágicos, talento para ajudar os outros, em particular as meninas e as damas, e uma capacidade de atrair o bem e evitar a má sorte", afirmou Osanna, segundo a Ansa. "Talvez a caixa de preciosidades pertença a uma dessas vítimas", especula. O baú foi encontrado na chamada Casa del Giardino, na Região V do parque arqueológico. É a mesma área onde uma inscrição foi descoberta no ano passado, indicando que a erupção pode ter ocorrido em outubro de 79 d.C., dois meses depois do que se pensava inicialmente. A maioria das pessoas em Pompeia não morreu em contato com a lava derretida, que se move muito lentamente, mas em decorrência de fluxos piroclásticos (nuvem de cinzas em altíssima temperatura e gases venenosos). A nuvem pousou sobre a cidade, matando seus moradores onde quer que estivessem e soterrando-os sob cinzas.
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O teste que analisa movimento dos olhos e revela quando mentimos

ter, 13/08/2019 - 09:27

O teste, chamado de ConFace, rastreia os movimentos oculares enquanto a pessoa observa imagens na tela do computador. Teste analisa olhos para detectar quando pessoa está mentindo Pexels Você pode dizer se uma pessoa está mentindo apenas olhando nos olhos dela? Sim, de acordo com pesquisadores da Universidade de Stirling, na Escócia. Desde que você use o teste que eles desenvolveram e que, segundo eles, estuda o movimento dos olhos das pessoas e pode detectar sinais quando orientado a reconhecer rostos. Na pesquisa, os que mentiram não conseguiram esconder sua reação quando lhes foi mostrada uma imagem de um rosto familiar. O teste, chamado de ConFace, rastreia os movimentos oculares enquanto a pessoa observa imagens na tela do computador. É parecido com um método usado pela polícia no Japão para testar suspeitos. O projeto ConFace foi liderado por Ailsa Millen, pesquisadora de psicologia da Universidade Stirling, que disse que o teste pode ajudar a polícia especialmente para saber se uma pessoa está mentindo para proteger a identidade de um criminoso. Olha o tamanho do nariz! Será que o Pinóquio mentiu um bocado no carnaval? Aldo Carneiro/Pernambuco Press "Os policiais costumam apresentar fotos de rostos de suspeitos para estabelecer identidades em crimes", disse ele. "Algumas testemunhas são honestas, mas muitas são hostis e intencionalmente escondem seu conhecimento em relação a identidades." "Por exemplo, redes criminosas, como grupos terroristas, poderiam negar o que sabem para proteger uns aos outros. Ou uma vítima pode ter medo de identificar seu agressor". 'Marcadores de reconhecimento' Os pesquisadores usaram um processo conhecido como teste de informação oculta (CIT, por sua sigla em inglês), que rastreia os movimentos dos olhos. Em cada teste, os participantes negaram conhecer uma identidade que lhes era familiar e rejeitaram rostos desconhecidos pressionando um botão e dizendo "não". Descobriu-se que a maioria das pessoas não conseguia esconder sua reação ao reconhecer um rosto. E quanto mais as pessoas tentavam esconder seus conhecimentos, mais "marcadores de reconhecimento" eram produzidos. "O objetivo principal era determinar se pessoas mentindo poderiam esconder o reconhecimento seguindo as instruções para olhar para cada rosto, familiar e desconhecido, usando a mesma sequência de fixações oculares. Em resumo, elas não podiam."
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A ciência por trás da timidez

ter, 13/08/2019 - 09:07

A genética ou nossas experiências definem a extroversão ou a introversão? Ser tímido ou introvertido é a mesma coisa? Veja o que os especialistas já sabem. Genética, cultura, ambiente... O que explica a timidez? Pexels A ideia de se enturmar em uma festa te tira a vontade de sair de casa? Ou só de pensar em fazer uma apresentação para uma sala cheia de pessoas te faz ficar angustiado dias antes deste evento de fato acontecer? Se sim, então você não está sozinho. Akindele Michael era um garoto tímido. Crescendo na Nigéria, ele passou muito tempo no interior da casa de seus pais. Estes, aliás, não são tímidos. Michael acredita que sua criação dentro de casa explica sua timidez. Ele está certo? Está em parte, responde Thalia Eley, professora de genética do desenvolvimento e do comportamento no King's College London. "Pensamos na timidez como um traço de temperamento, e temperamento é uma espécie de precursor da personalidade", explica. "Quando crianças muito pequenas começam a se envolver com outras pessoas, você percebe uma variação no conforto que sentem ao falar com um adulto desconhecido." Eley diz que apenas cerca de 30% da timidez como característica se deve à genética; o resto vem como uma resposta ao entorno. A maior parte do que sabemos sobre a genética da timidez vem de estudos que compararam esta característica em gêmeos idênticos – cópias genéticas perfeitas um do outro – com gêmeos não-idênticos – que compartilham apenas metade dos mesmos genes. Na última década, cientistas como Eley começaram a examinar o DNA em si para tentar encontrar variantes genéticas que possam afetar a personalidade e a saúde mental. Cada variante genética individual tem um efeito minúsculo, mas quando você considera as milhares de combinações possíveis, o impacto começa a ser mais perceptível. Mesmo assim, a influência dos genes na timidez não pode ser tomada isoladamente. "Não haverá um, dez ou cem genes envolvidos. Haverá milhares", diz Eley. "Então, se você pensar em todo o genoma de ambos os pais [de uma criança], existem centenas de milhares de variantes genéticas relevantes". Assim, o ambiente é quase mais importante para desenvolver esses tipos de características, ela diz. E uma das coisas interessantes sobre genética é que isso leva a nos conectar com aspectos do ambiente que correspondem às nossas predisposições reais. Especialista destaca que genética e ambiente formam 'sistema dinâmico' na definição da timidez – e, por isso, é passível de ser tratada em terapias Pexels Por exemplo, uma criança tímida pode ser mais propensa a se isolar em um playground e assistir aos outros em vez de se envolver. Isso faz com que crianças assim se sintam mais confortáveis ​​estando sozinhas, porque isso se torna sua experiência recorrente. "Não é que seja um ou outro: são ambos [genética e ambiente] trabalhando juntos ", diz a pesquisadora. "É um sistema dinâmico. E por causa disso, é sempre possível mudá-lo através de terapias psicológicas." A timidez é necessariamente uma coisa ruim? Chloe Foster, psicóloga clínica do Centro de Transtornos de Ansiedade e Trauma em Londres, diz que a timidez em si é bastante comum, normal e não causa problemas - a menos que se transforme em uma ansiedade social maior. Foster diz que as pessoas que trata buscam ajuda quando "estão começando a evitar coisas que precisam fazer", como falar com outras no trabalho, socializar ou estar em uma situação em que acham que serão julgadas. Por sua parte, Eley acredita que pode haver razões evolucionárias para as pessoas desenvolverem traços de personalidade tímidos. "Era útil ter pessoas do grupo lá fora, explorando e participando de novas comunidades; mas também era útil ter pessoas mais avessas ao risco, conscientes das ameaças. Estas faziam um trabalho melhor protegendo os filhotes jovens, por exemplo." A pesquisadora avalia que a terapia cognitivo-comportamental (TCC) é a mais eficaz para pessoas com timidez e ansiedade social. Essa terapia, baseada em evidências, funciona tentando mudar padrões de pensamento e comportamento. A TCC ajuda, por exemplo, a identificar pensamentos negativos ou comportamentos que acreditamos nos ajudar, mas na verdade podem estar gerando mais ansiedade social – como ensaiar com antecedência uma fala ou evitar o contato visual. Fobia social: quando o sofrimento pela timidez é tanto que a saída é se esconder Às vezes, o problema é que pessoas tímidas que sofrem com situações como falar em público muitas vezes estabelecem padrões muito elevados para como essas situações devem se desenrolar, explica Foster. "Elas podem achar que não podem tropeçar nas palavras... ou que têm que ser tão interessantes que todos devem ficar totalmente fascinados no que estão dizendo o tempo todo." Se estas pessoas forem capazes de aliviar um pouco da pressão sobre si mesmos, de fazer curtas pausas para respirar, a ansiedade pode ser um pouco aliviada. 'Quando crianças muito pequenas começam a se envolver com outras pessoas, você percebe uma variação no conforto que sentem ao falar com um adulto desconhecido', diz Eley Pexels Outra coisa que pode ajudar é se concentrar externamente no que está acontecendo ao redor, em vez de internamente em como a ansiedade está fazendo você se sentir fisicamente. Concentrar-se no público, em vez de em si mesmo, pode contribuir. Desafiar-se a estar mais aberto a novas situações também pode ajudar: "Quanto mais você puder se envolver em situações sociais, mais confiante ficará. Mas lembre-se de abordar estas situações sociais de uma maneira nova também". Ou seja: é importante mudar o script (roteiro). Pergunte a si mesmo o que mais teme sobre situações sociais. Você está preocupado em parecer chato? Ou ficar sem coisas para dizer? Quanto mais você conhecer sua ansiedade, mais poderá começar a desafiá-la. Qual é a diferença entre timidez e introversão? Jessie Sun, doutoranda na Universidade da Califórnia em Davis que pesquisa a psicologia por trás da personalidade, destaca que a timidez e a introversão não são a mesma coisa. Enquanto para muitas pessoas a introversão tem a ver com o interesse em explorar pensamentos, para os psicólogos ela faz parte de uma dimensão diferente da personalidade: a abertura a experiências. Pessoas tímidas são comumente introvertidas, mas elas também podem ser extrovertidos cuja ansiedade atrapalhou a sociabilidade. E os introvertidos não-tímidos podem ser socialmente hábeis, mas que preferem a própria companhia. Sun diz que "a personalidade é consistentemente um dos mais fortes indicadores da felicidade, e a extroversão tem associações especialmente consistentes com o bem-estar". "As pessoas que são extrovertidas tendem a experimentar mais sentimentos de entusiasmo e alegria, enquanto as introvertidas tendem a sentir essas coisas com menos frequência", explica. Mas os introvertidos poderiam absorver um pouco dessa alegria e entusiasmo simplesmente agindo de forma extrovertida? Sun e seus colegas fizeram um experimento. Eles pediram para as pessoas agirem com extroversão por uma semana inteira - um tempo demorado para quem é tímido. "Pedimos a elas que agissem de forma ousada, falante, ativa e assertiva o máximo possível", lembra. A equipe descobriu que, para pessoas normalmente extrovertidas, agir consistentemente desse jeito ao longo de uma semana significou que elas experimentaram mais emoções positivas e se sentiram mais "autênticas". Mas as mais introvertidas não experimentaram essa "injeção" de emoções positivas. Aquelas extremamente introvertidas chegaram a se sentir cansadas e experimentaram mais emoções negativas. "Eu acho que a principal lição é: provavelmente é demais pedir a pessoas introvertidas ou muito tímidas que ajam de forma extrovertida por uma semana inteira. Mas elas podem considerar 'atuar' extrovertidamente em algumas poucas ocasiões", diz Sun. E a cultura? A depender do lugar no planeta, extroversão pode ser mais valorizada que reserva, e vice-versa Pexels Vimos como o ambiente desempenha um papel importante no fato de sermos tímidos ou não. Mas a cultura também pode influenciar? Diz-se que os Estados Unidos valorizam o comportamento confiante e extrovertido em detrimento da introversão, enquanto estudos descobriram que em partes da Ásia, como no Japão e na China, é mais desejável ser quieto e reservado. Atitudes em relação ao contato visual também variam enormemente de país para país. Kris Rugsaken, professor aposentado de estudos asiáticos na Ball State University, diz que "enquanto um bom contato visual é esperado e valorizado no Ocidente, é visto como sinal de desrespeito e desafio em outras culturas, incluindo asiáticas e africanas". "Quanto menos contato visual esses grupos tiverem com um indivíduo, mais respeito eles demonstram." Apesar dessas diferenças culturais, Sun diz que a pesquisa parece mostrar que os extrovertidos tendem a ser mais felizes mesmo nos países onde a introversão é mais respeitada, mas o grau de felicidade é menos acentuado nesses lugares. Assim, embora a pesquisa sugira que os extrovertidos acabam sendo mais felizes onde quer que estejam no mundo, ser introvertido não é necessariamente negativo - assim como ser extrovertido nem sempre é positivo. "Não pense na introversão como algo a ser curado", escreve Susan Cain em seu livro O poder dos quietos. "Há uma correlação zero entre ser o mais falante e ter as melhores ideias".
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Vida social depois dos 60 diminui risco de demência, reforça nova pesquisa

ter, 13/08/2019 - 06:00

Estudo colheu dados de mais de 10 mil britânicos e poderá servir para criar estratégias contra o isolamento A demência é um desafio global. Estima-se que pelo menos 50 milhões de pessoas tenham a doença, mas esse número vai aumentar com o rápido envelhecimento da população. Para se ter uma ideia, entre 1990 e 2016, dobrou o contingente de gente afetada pela enfermidade e a expectativa é de que sejam 150 milhões em 2050. Pesquisadores do University College London publicaram estudo longitudinal – que analisa um grande volume de dados ao longo de anos – na revista científica “PLOS Medicine” que mostra que ter uma vida social desempenha um papel importante para evitar a demência. O médico Andrew Sommerlad, professor da University College London Divulgação “Na Grã-Bretanha, teremos cerca de um milhão de pessoas com demência até 2021, mas também sabemos que um em cada três casos pode ser evitado”, afirmou o médico Andrew Sommerlad, autor do trabalho. “Descobrimos que o convívio social na meia-idade e na velhice diminui o risco da doença. Temos que pensar em estratégias para promover maior conexão dentro das comunidades e combater o isolamento”, acrescentou. O estudo se debruçou sobre dados de mais de 10 mil pessoas que foram entrevistadas em seis ocasiões, entre 1985 e 2013. Os participantes falavam sobre a frequência dos contatos sociais que mantinham com amigos e parentes. Além disso, a partir de 1997, submeteram-se a testes de cognição. Os pesquisadores checaram os registros de saúde desses indivíduos até 2017, para ver quantos haviam sido diagnosticados com demência. O foco era checar a relação entre o convívio de gente na faixa dos 50, 60 e 70 anos com outras pessoas e uma proteção contra o declínio cognitivo – outros fatores, como escolaridade, estado civil e status socioeconômico também foram computados. O resultado foi claro: o aumento de convívio social fazia diferença. Uma pessoa na faixa dos 60 que encontrasse amigos quase diariamente tinha 12% menos chances de desenvolver demência do que uma que só visse um ou dois amigos em intervalos de meses. Nos grupos de 50 e 70 anos, a estatística não era tão significativa, mas os pesquisadores avaliam que os benefícios são os mesmos. “Quem se engaja socialmente exercita suas habilidades cognitivas, como linguagem e memória, o que pode ajudar a criar uma espécie de ‘reserva’ mental”, explicou Gil Livingston, também professor da universidade.
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