G1 - Ciência e Saúde

Você está aqui

Subscrever feed G1 - Ciência e Saúde G1 - Ciência e Saúde
Últimas notícias sobre Ciência e Saúde, com todas as novidades do mundo científico, avanços da medicina e informações para a manutenção de uma vida saudável.
Atualizado: 1 hora 16 minutos atrás

Brasil registra 928 novas mortes por Covid em 24 horas, e total passa de 488 mil vítimas

seg, 14/06/2021 - 20:00

País contabiliza 488.404 óbitos e 17.454.861 casos, segundo balanço do consórcio de veículos de imprensa com dados das secretarias de Saúde. Média móvel é de 1.970 óbitos por dia. O Brasil registrou 928 mortes por Covid-19 nas últimas 24 horas, totalizando nesta segunda-feira (14) 488.404 óbitos desde o início da pandemia. Com isso, a média móvel de mortes nos últimos 7 dias chegou a 1.970. Em comparação à média de 14 dias atrás, a variação foi de +5% e indica tendência de estabilidade nos óbitos decorrentes do vírus. É o 27º dia seguido de estabilidade na comparação com duas semanas atrás. Isso significa que o ritmo atual das mortes por Covid tem se assemelhado mais a um platô do que a uma queda ou a um aumento na curva, e isso em patamar bastante elevado. Os números estão no novo levantamento do consórcio de veículos de imprensa sobre a situação da pandemia de coronavírus no Brasil, consolidados às 20h desta segunda. O balanço é feito a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde. Veja a sequência da última semana na média móvel: Evolução da média móvel de óbitos por Covid no Brasil na última semana Editoria de Arte/G1 Terça (8): 1.714 Quarta (9): 1.727 Quinta (10): 1.764 Sexta (11): 1.912 Sábado (12): 1.961 Domingo (13): 1.997 Segunda (14): 1.970 São agora 35 dias com a média de mortes abaixo da marca de 2 mil. De 17 de março até 10 de maio, foram 55 dias seguidos com essa média acima de 2 mil. No pior momento desse período, a média chegou ao recorde de 3.125, no dia 12 de abril. Sete estados aparecem com tendência de alta nas mortes: AM, AC, PB, RJ, RN, GO, AP. Em casos confirmados, desde o começo da pandemia 17.454.861 brasileiros já tiveram ou têm o novo coronavírus, com 40.865 desses confirmados no último dia. A média móvel nos últimos 7 dias foi de 67.007 novos diagnósticos por dia. Isso representa uma variação de +9% em relação aos casos registrados em duas semanas, o que indica tendência de estabilidade também nos diagnósticos. Assim como nos óbitos, os casos seguem em estabilidade, em um patamar elevado, há um longo período. Chegamos a 48 dias seguidos em que a curva de novos diagnósticos tem se assemelhado a um platô. Mortes e casos de coronavírus no Brasil e nos estados Mortes e casos por cidade Veja como está a vacinação no seu estado Brasil, 14 de junho Total de mortes: 488.404 Registro de mortes em 24 horas: 928 Média de novas mortes nos últimos 7 dias: 1.970 por dia (variação em 14 dias: +5%) Total de casos confirmados: 17.454.861 Registro de casos confirmados em 24 horas: 40.865 Média de novos casos nos últimos 7 dias: 67.007 por dia (variação em 14 dias: +9%) Estados Em alta (7 estados): AM, AC, PB, RJ, RN, GO, AP Em estabilidade (15 estados): MA, PA, RS, AL, PR, BA, MG, PE, MT, MS, SP, PI, SE, TO, RO Em queda (4 estados e o DF): DF, SC, CE, ES, RR Essa comparação leva em conta a média de mortes nos últimos 7 dias até a publicação deste balanço em relação à média registrada duas semanas atrás (entenda os critérios usados pelo G1 para analisar as tendências da pandemia). Vale ressaltar que há estados em que o baixo número médio de óbitos pode levar a grandes variações percentuais. Os dados de médias móveis são, em geral, em números decimais e arredondados para facilitar a apresentação dos dados. Vacinação Balanço da vacinação contra Covid-19 desta segunda (14) aponta que 55.740.512 pessoas já receberam a primeira dose de vacina contra a Covid-19, segundo dados divulgados até as 20h. O número representa 26,32% da população brasileira. A segunda dose já foi aplicada em 23.742.688 pessoas (11,21% da população do país) em todos os estados e no Distrito Federal. No total, 79.483.200 doses foram aplicadas em todo o país. Veja a variação das mortes por estado Estados com mortes em alta Editoria de Arte/G1 Estados com mortes em estabilidade Editoria de Arte/G1 Estados com mortes em queda Editoria de Arte/G1 Sul PR: +8% RS: +14% SC: -16% Sudeste ES: -25% MG: +7% RJ: +26% SP: +1% Centro-Oeste DF: -16% GO: +18% MS: +2% MT: +4% Norte AC: +35% AM: +41% AP: +17% PA: +15% RO: -10% RR: -42% TO: -6% Nordeste AL: +12% BA: +7% CE: -18% MA: +15% PB: +26% PE: +6% PI: 0% RN: +21% SE: -1% Brasil Sul Sudeste Centro-Oeste Norte Nordeste Consórcio de veículos de imprensa Os dados sobre casos e mortes de coronavírus no Brasil foram obtidos após uma parceria inédita entre G1, O Globo, Extra, O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e UOL, que passaram a trabalhar, desde o dia 8 de junho, de forma colaborativa para reunir as informações necessárias nos 26 estados e no Distrito Federal (saiba mais). Veja vídeos de novidades sobre vacinas contra a Covid-19:
Categorias: Notícias de RSS

O que são os 'terremotos lentos' e como eles podem ajudar a ciência a prever os grandes tremores

seg, 14/06/2021 - 18:38

Cientistas estudam como abalos 'silenciosos' que ocorrem ao longo de meses precedem tremores com um grande impacto na superfície terrestre. Ser capaz de prever quando haverá um grande terremoto é um desejo compartilhado pelos sismólogos. Isso é impossível com o conhecimento e a tecnologia atuais, mas pesquisas realizadas nos últimos anos permitiram aos especialistas chegarem mais perto de identificar certas condições para que ocorra um abalo. Os especialistas em geofísica têm se concentrado, entre outras áreas, nos chamados "terremotos lentos". Trata-se de "deslizamentos que ocorrem em uma falha geológica, em geral, e em particular nas zonas de subducção entre duas placas que estão em contato", explica Víctor Cruz-Atienza, pesquisador do Instituto de Geofísica da Universidade Nacional Autônoma do México. Ele e seus colegas publicaram recentemente um estudo sobre esse tipo de terremoto que ocorre em certas regiões sísmicas, como a do sudeste mexicano, onde duas placas interagem. A pesquisa deles constatou que terremotos lentos (ou silenciosos) estavam por trás dos últimos quatro tremores de maior magnitude no país. Cerca de 300 pessoas morreram no terremoto de 19 de setembro de 2017 na Cidade do México EPA Diferentemente dos tremores que sacodem a superfície, os terremotos lentos liberam energia pouco a pouco durante semanas ou meses, o que os torna imperceptíveis e nada destrutivos. Mas especialistas afirmam que estudá-los é muito importante para entender melhor como os terremotos são gerados. Embora um tremor lento nem sempre antecipe um "normal", é um fator a ser levado em consideração. "A observação dos terremotos lentos ocorridos nos últimos 20 anos abre uma janela para entendermos a física que controla os terremotos", diz Sergio Ruiz, do Departamento de Geofísica da Universidade do Chile. "E também abriria uma janela para 'antecipar' os terremotos. Mas, por enquanto, é fundamental criar um modelo, por que isso acontece às vezes, e não em todos os casos", explica. O que acontece nas profundezas Os terremotos geralmente acontecem quando a interação das placas tectônicas libera energia para a superfície, o que faz com que o solo trema abruptamente. No entanto, há outros tipos de interações em camadas inferiores ou superiores àquelas em que ocorrem os terremotos que são sentidas na superfície terrestre. Um desses eventos são os terremotos lentos. Ruiz lembra que alguns atingiram magnitude 7, o que seria um perigo considerável se fossem terremotos com efeitos na superfície, mas o fato de ocorrerem durante semanas ou meses elimina o risco. É como se sobre uma mesa houvesse pratos, xícaras e talheres, explica o geofísico chileno. Se a mesa for movida rapidamente, o que está em cima vai balançar. Mas, se for movida bem lentamente, os objetos vão permanecer praticamente estáticos. "Um terremoto lento pode ser da mesma dimensão de um grande, um 'normal', mas como se move muito lentamente não é percebido", diz Ruiz. Os terremotos lentos foram observados em zonas de subducção, onde as placas tectônicas interagem Getty Images via BBC Cruz-Atienza explica que eles podem ser monitorados com aparelhos de GPS específicos, de "altíssima precisão", que medem a deformação dos continentes com uma exatidão aproximada de 2 mm. "Com isso, podemos medir até que ponto o continente se deforma e, como há um rebote, a volta do deslizamento lento ou do terremoto lento, com o contato das placas sob o continente", explica o especialista. Por trás de grandes terremotos A partir do estudo de terremotos lentos, os cientistas determinaram que vários abalos sísmicos de grandes proporções que sacudiram diferentes regiões do planeta foram precedidos por esses eventos "silenciosos". Entre eles, estão o terremoto de magnitude 9,1 no Japão em 2011, que causou um tsunami e acidente nuclear na usina de Fukushima; o de magnitude de 7,8 na Nova Zelândia em 2016; e o de magnitude 8,2 no Chile em 2014. No caso do México, Cruz-Atienza identificou que terremotos lentos precederam quatro grandes terremotos no país, incluindo o de setembro de 2017, que provocou o desmoronamento de prédios na Cidade do México, e o de fevereiro de 2018, perto da cidade de Pinotepa Nacional. "Demonstramos as tensões ou deformações que este lento e profundo terremoto induziu na área mais superficial de contato das placas e que foi ele que desencadeou a ruptura desse terremoto de magnitude 7,2 que causou tantos danos em Pinotepa", explica o especialista. Sua pesquisa no Sul do México constatou que terremotos lentos ocorrem a cada 3,5 anos no Estado de Guerrero, e a cada 1,5 anos em Oaxaca, como resultado do deslizamento das placas de Cocos (oceânica) e Norte-Americana (continental). Cada região do mundo tem sua própria periodicidade. No entanto, tanto Cruz-Atienza quanto Ruiz alertam que, com as evidências atuais, não se pode dizer que terremotos lentos são um fenômeno que sempre produzirá terremotos na superfície. O abalo sísmico de magnitude 8,2 em Iquique, no Chile, também foi precedido por um terremoto lento Getty Images via BBC "Há muitos terremotos lentos que não produziram terremotos. Terremotos lentos, pelo menos com a capacidade de observação que temos hoje, parecem ser uma condição necessária, mas não suficiente para produzir um terremoto. Deve haver outras condições para produzi-los", explica Cruz-Atienza. O que isso ensina aos cientistas? O estudo de terremotos lentos é um passo importante para os pesquisadores avaliarem se há evidências de que a atividade na crosta terrestre está avançando em direção a um evento com potencial destrutivo. "Eles permitiram que a comunidade científica entendesse muito melhor o comportamento das falhas geológicas onde ocorrem terremotos perigosos. Esses terremotos lentos que não percebemos modificam as tensões e deformações da crosta continental que podem eventualmente causar grandes terremotos" , diz o pesquisador mexicano. Os alertas sísmicos são resultado do avanço na compreensão dos terremotos — mas os cientistas estão tentando gerar mais ferramentas de antecipação AFP A observação de terremotos lentos só foi feita nos últimos 20 anos, mas para Ruiz "isso abre uma janela para entender a física que controla os terremotos". "Ainda é muito difícil concluir se os terremotos lentos são um fenômeno geral. Como não temos uma boa quantidade de terremotos lentos registrados, fica a dúvida. Essas observações precisam ser mantidas ao longo do tempo para ser possível tirar conclusões mais precisas", avalia. Mas o que falta para a ciência ser capaz de antecipar a possibilidade de um terremoto perigoso? Ambos os especialistas concordam que é preciso realizar mais pesquisa sobre como esses eventos são gerados. Além disso, é necessário instalar mais instrumentos de medição em todas as regiões sísmicas. "Por enquanto, o que mais falta é aumentar a instrumentação para poder medir terremotos de forma terrestre", explica Ruiz. Embora sejam realizadas inúmeras pesquisas geofísicas na América Latina, a região ainda está atrasada no que se refere a isso em comparação com outras partes do mundo. Vídeos: mais assistidos do G1 nos últimos 7 dias
Categorias: Notícias de RSS

'Uma música dos anos 80 trouxe de volta minha memória após 10 anos'

seg, 14/06/2021 - 13:45

Um acidente de carro apagou a memória de Thomas, mas, dez anos depois, uma canção pop dos anos 1980 desencadeou flashbacks. Um acidente de carro apagou a memória de Thomas, mas, dez anos depois, uma canção pop dos anos 1980 desencadeou flashbacks. Thomas Leeds via BBC Uma batida de bateria começa a tocar, e depois entra o teclado. Uma sequência de notas ressoa, até que o vocalista começa a cantar em inglês. "Eu imaginei um arco-íris Você o segurou em suas mãos Eu tive visões Mas você viu o plano" Essa música atingiu um lugar profundo no cérebro de Thomas. E quando a letra do hit dos anos 1980 da banda The Waterboys, The Whole of the Moon, surgiu nos fones de ouvido de Thomas, ele teve seis flashbacks em sequência. Para este jovem de 30 anos, foi um momento extraordinário, pelo qual ele vinha esperando há uma década — desde que sua memória fora totalmente apagada, depois que ele sofreu um atropelamento. "Foi a coisa mais mágica da minha vida", diz ele. "Estava sentado em um estranho chão azul e podia ver um rádio prateado. Depois, eu estava em outro lugar e segurava a mão gigante de um homem (...) e depois logo veio outra memória." Como o isolamento na pandemia pode estar afetando nossa memória Ele se lembrou de uma árvore de Natal enorme. "Havia uma mulher de pé, ela era jovem e estava sorrindo e não tinha cabelos grisalhos. Era minha mãe e eu era o seu filhinho. E era tudo real." Thomas imediatamente anotou essas memórias. Ele precisava ter certeza de que eram reais, e não seu cérebro pregando peças nele. Poderia ser simplesmente outra manifestação de sua lesão cerebral? Ele já havia sofrido com mudanças de personalidade e prosopagnosia (também conhecida como cegueira para feições, em que uma pessoa não consegue reconhecer rostos). Prosopagnosia: a artista que não consegue reconhecer o próprio rosto Mas se os flashbacks eram mesmo reais, como será que seu cérebro conseguiu finalmente achar uma memória passada? Quem sofre de prosopagnosia não consegue lembrar de rostos familiares Já era noite e ainda havia muito movimento no centro de Londres quando Thomas Leeds se dirigiu à estação Green Park para pegar uma carona com seu pai. O jovem de 19 anos estava em um ano sabático antes de entrar na universidade e tinha ido encontrar um amigo. Às 21h, ele atravessou a rua e foi atropelado por um carro. O policial que testemunhou o acidente estava visivelmente traumatizado quando mais tarde contou o que havia acontecido. Thomas foi jogado por cima do táxi que o atropelou e caiu de cabeça. A frente do veículo estava amassada, o capô destruído, o para-brisa quebrado e o teto côncavo pelo impacto de seu corpo. O pai de Thomas, Anthony Leeds, correu para o Hospital St. Thomas depois que a polícia ligou dizendo que havia ocorrido um acidente. Mas Thomas, ao que parecia, teve uma sorte extraordinária e escapou apenas com um pequeno ferimento na cabeça. "Havia muito pouco sinal de lesão além de arranhões e hematomas", lembra Anthony. Na manhã seguinte, Thomas recebeu alta do hospital. Nos dias seguintes, Thomas reclamou de náuseas, uma terrível dor de cabeça e dores nas costas. Quando o policial telefonou pedindo notícias, ficou chocado ao saber que Thomas havia recebido alta. Isso perturbou a mãe de Thomas, Jacqueline. "O sentimento do policial era de que ninguém poderia ter escapado ileso de algo assim", diz ela. Depois de ouvir isso, ela levou Thomas ao pronto-socorro e exigiu um exame. A ressonância revelou uma verdade "absolutamente chocante" — um coágulo de sangue havia se formado em seu cérebro. "Ele estava a 24 horas da morte", diz Anthony. Thomas foi submetido a uma cirurgia para remover o coágulo. E quando ele voltou a si, na UTI (Unidade de Terapia Intensiva), disseram que seu comportamento era dócil. "Tenho vagas lembranças de estar muito confuso, mas por incrível que pareça, não estava com medo. Não sabia como era ter medo", diz ele. "Era como se fosse um bebê." Ele descreve que estava em uma "bolha emocional" — algo que a ONG Headway diz ser comum após um traumatismo craniano por causa do desequilíbrio químico causado. Isso pode até deixar o paciente se sentindo, surpreendentemente, contente. Thomas gostou de receber visitas enquanto se recuperava. Embora os rostos parecessem familiares, quando lhe disseram que eram seus pais e seus cinco irmãos, ele não conseguia se lembrar deles. Todos atribuíram essa confusão inicial aos efeitos da morfina. "Ele andava e falava e isso para nós era bom o suficiente", diz Jacqueline. "Era o máximo que poderíamos esperar, então não ficamos investigando nada. Todos nós presumíamos que Thomas estava bem." Mas quando voltou para casa, Thomas não se lembrava da sua própria casa onde vivia desde a infância. Thomas Leeds após o acidente e quando começou sua recuperação Thomas Leeds via BBC As pessoas tentavam refrescar sua memória sobre o que ele tinha feito nos meses anteriores ao acidente, mencionando seus amigos e seus interesses. "Eu realmente tentava me ambientar com todo mundo quando me contavam essas histórias", diz Thomas, mas ele não se lembrava de nada. Aos poucos, a família foi entendendo o que tinha acontecido — Thomas havia perdido todas as suas memórias anteriores ao acidente. Os mecanismos da mente que ajudam (ou atrapalham) a avaliar riscos como o do coronavírus Inicialmente, isso não o perturbou. Os primeiros anos se passaram enquanto ele se recuperava de três fraturas nas costas também sofridas no acidente. Ele diz que a "bolha emocional" continuou a protegê-lo. "Eu imagino que seja assim que a maioria das pessoas se lembram dos verões da infância. Tudo era maravilhoso, tão vasto e ilimitado, e eu meio que me lembro — parece tão tolo — apenas de estar sentado no parque embaixo de árvores." Thomas teve sorte porque, embora não conseguisse se lembrar de seus dias de escola, ele manteve níveis básicos de leitura, escrita e matemática. Mas ele perdeu seu conhecimento cultural e referências — as coisas que estão no centro das conversas e dos relacionamentos. E embora fosse capaz de criar novas memórias, sua personalidade também havia mudado. Isso é algo que uma lesão cerebral traumática pode provocar. Anteriormente, era mais frio e reservado, depois, afetuoso. "Meu irmão não ficou feliz por eu ter sofrido esse acidente, mas ele disse, 'Você é muito mais legal agora'", brinca Thomas. Sua mãe, Jacqueline, também percebeu a mudança. "Ele é muito emotivo. Ele é muito aberto. Há algo de criança que não existe nas outras pessoas." Enquanto se recuperava, Thomas se perguntava sobre seu futuro. Ele pensou sobre a vaga na universidade que havia assegurado antes do acidente. Ele planejava estudar design, mas quando viu seus desenhos, não estava mais interessado nisso. "Aquele garoto que eu era não me parece mais real do que um antepassado. Você sabe que eles existiram e talvez tenha visto fotos deles, mas não parecem reais", diz ele. "Nos primeiros anos, isso não me incomodava. Éramos todos tão jovens, então tudo girava em torno do 'amanhã'. Mas, à medida que meus 20 anos iam embora, tudo passou a girar em torno do 'ontem'." O futuro de Thomas havia estagnado. Enquanto isso, seus irmãos e amigos estavam agora na casa dos 20 anos e seguiam em frente com suas carreiras, casas e filhos. "Ainda me sentia muito sortudo por ter feito tudo que fiz e apenas de estar vivo, mas ter que enfrentar a dura realidade do futuro sem ter um começo me parecia muito injusto." E também faltava algo importante em sua vida — amor. Paquerar pela internet estava começando a se tornar algo mais comum em 2010, e Thomas se inscreveu em um site de relacionamentos. Ele conheceu algumas garotas, sem sucesso. O Natal se aproximava quando ele combinou de se encontrar com Sophie. Ela também era de Londres e tinha cinco irmãos. Thomas Leeds quando criança, estudante e adolescente. Thomas Leeds via BBC Depois de contar a ela sobre sua situação singular, eles se encontraram para jantar e passear pelo West End, região boêmia da capital britânica. Eles se deram bem e planejaram se encontrar no dia seguinte. Quando se separaram, Thomas disse: "Sinto muito, mas não vou reconhecê-la amanhã." Houve outra complicação do acidente. Thomas tinha prosopagnosia, ou cegueira de feições. Isso significa que ele não consegue reconhecer ninguém fora de contexto, nem mesmo seus pais — e muito menos uma garota que acabara de conhecer. Com a cegueira para feições, o cérebro é incapaz de reconhecer as variações nos rostos — o arco de uma sobrancelha, o ângulo de um dente, todos os detalhes que nos ajudam a identificar as pessoas. Muitas das 1,5 milhões de pessoas no Reino Unido que têm essa condição nascem com ela. No caso de Thomas, o atropelamento danificou uma pequena área na parte de trás de seu cérebro responsável pela visão, reconhecimento e coordenação. Ele aprendeu estratégias para reconhecer pessoas usando localização e contexto. Ele também consegue reconhecer uma pessoa ao ouvir sua voz. Mas havia algo diferente em Sophie. "Na semana antes de nos conhecermos, ela havia tingido seu cabelo de um vermelho brilhante, aquele tipo de vermelho bem louco. Ela era como um farol." Pela primeira vez em anos, Thomas foi capaz de reconhecer alguém na multidão, e ali começou uma história de amor. Eles namoraram e se casaram dois anos depois. Logo em seguida, nasceu sua primeira filha, e depois outra. Sophie nunca parou de tingir o cabelo e ainda é a única pessoa que Thomas consegue reconhecer. "Ela é incrível. Ela sempre me faz sentir que tem sorte de me ter. Isso me fez sentir muito melhor sobre o futuro." Dez anos depois do acidente, embora Thomas tivesse revisitado locais de seu passado e interrogado familiares e amigos, nenhuma de suas memórias havia retornado. E então veio a descoberta surpreendente. Thomas fez a curadoria de uma playlist dos anos 80 em seu aniversário de 30 anos — música com a qual ele, dizem os outros, havia crescido. Na noite anterior à festa, ele foi para a cama e colocou seus fones de ouvido. Ele ouviu a playlist faixa por faixa e sabia todas as músicas de cor. Ao chegar na faixa The Whole of the Moon, de 1985, que alcançou o número 3 nas paradas do Reino Unido, a música fez Thomas encontrar algo de seu passado. "Isso realmente mudou tudo para mim", diz ele sobre a série de flashbacks que teve. "Foi muito curto, mas sabendo que foi real e que eu tenho isso na minha cabeça e que não é apenas uma história [que ouvi] ou apenas uma fotografia antiga ... isso foi um pouco do meu começo." Para explicar a ciência por trás dos flashbacks, o neurologista aposentado Colin Shieff diz que as memórias são feitas de "pacotes de substâncias químicas" envolvendo várias dimensões, incluindo cheiro, paladar e tato. Cinco técnicas para estimular a memória, segundo a neurociência "Ela [a memória] só precisa de pequenos 'químicos de memória' flutuando para gerar um quadro um pouco maior", diz ele. "Isso provoca uma cascata que vira uma visão." Após anos de tiros errados, os químicos no cérebro de Thomas finalmente acertaram uma memória. Então a memória sempre esteve lá? Shieff diz que a memória de longo prazo de Thomas provavelmente ainda está no seu cérebro, mas permanece fora de alcance, como se fossem arquivos muito mal organizados. "Você pode ler um manuscrito de um livro e achá-lo maravilhoso. Mas se você deixar cair essas folhas e alguém pegá-las, essa pessoa vai se deparar com um conteúdo que não tem sequência. E algumas das páginas estarão um pouco bagunçadas e amassadas." Uma segunda onda de memórias aconteceu anos depois, quando Thomas viu um clipe do filme animado The Snowman no YouTube enquanto pesquisava referências da infância que havia perdido. As imagens e a trilha sonora desencadearam outra memória — a hora do almoço na cantina da escola. "Foi o suficiente para me fazer sentir que tenho uma educação", diz ele. Shieff diz que "a recuperação pode continuar indefinidamente", então há espaço para Thomas descobrir mais memórias. Mas não há nenhuma garantia disso. Thomas passa seus dias em casa cuidando de suas filhas pequenas. Ele diz que "alguns dias são melhores do que outros", mas pequenas coisas como correr no parque atrás dos filhos podem ser difíceis porque a cegueira de feições torna mais difícil para ele reconhecê-los. Ele diz que os "anos vazios" às vezes o desanimam, mas suas filhas brincam nos mesmos parques que ele costumava brincar quando criança e ele está criando novas memórias com elas. Outro legado do acidente é a epilepsia, e em "dias ruins" ele não pode sair de casa. "O tecido da cicatriz do meu cérebro interfere nos sinais e é isso me causa convulsões. E isso parece estar afetando cada vez mais minha memória. "Saber que posso perder o controle da minha consciência pode ser bastante assustador." Após uma convulsão forte — em que ele perde a consciência — ele perde temporariamente cerca de 10 anos de memória. A última vez que isso aconteceu, ele voltou pensando que estava em 2008. "Eu não sabia quem era minha esposa, não sabia quem eram as crianças. Sophie me mostrou o alto-falante inteligente Amazon Echo e isso me surpreendeu." Agora ele até acha graça em tudo. A família tem o hábito de escrever esses episódios engraçados para que Thomas possa sempre lembrar deles. Ele também se apaixonou por escrita criativa, um interesse que aparentemente compartilha com seu antigo eu de infância. Thomas escreveu uma aventura de fantasia para crianças de oito a 12 anos. Seu protagonista, Jayben, tem epilepsia e acorda sem memória em um mundo de elfos. Ele é um herói sendo caçado e precisa recuperar sua memória antes de ser achado. Ele preferiu escrever um livro infantil em vez de um livro de memórias, porque assim não estaria revivendo sua própria história. Ele diz que é terapêutico transformar a dor e a dificuldade em "algo novo e excitante". O livro é o primeiro de uma série e foi comprado pela The Good Literary Agency, agência que trabalha com autores que fazem parte de minorias com pouca representatividade no mercado editorial. Thomas diz que está animado com o próximo capítulo de sua vida. E enquanto sua escrita avança, ele ainda está tentando reconstituir sua história. "Já se passaram 18 anos e eu sou essa pessoa. É lindo saber um pouco de quem eu era antes, mas eu já vivi tanto desde então." E ele ainda valoriza aquele flashback de sua mãe no Natal. "Só de saber que tenho algo real de antes, do início da minha história, realmente me ajuda a encarar o futuro." Você pode seguir Thomas no Twitter (em inglês): @thomasleeds Vídeos sobre Ciência e Saúde
Categorias: Notícias de RSS

Câmara quer respostas da Economia sobre falta de verba que pode desligar supercomputador do Inpe que prevê estiagem

seg, 14/06/2021 - 10:27

Inpe deve desligar Tupã por falta de verba para pagar energia. Supercomputador gasta R$ 5 milhões por ano e é usado na previsão de estiagem. Desligamento pode deixar governo às cegas sobre crise hídrica. Supercomputador corre o risco de ser desligado por falta de energia Divulgação/Inpe A Câmara dos Deputados vai acionar o Ministério da Economia sobre a falta de orçamento para pagar energia do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) que pode causar o desligamento do supercomputador que prevê a estiagem. O equipamento gasta por ano R$ 5 milhões em energia e o instituto prevê que seja desligado até agosto. Essa é a primeira vez na história que o Tupã pode ser desligado. É com ele que as equipes do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (Cptce), do Inpe, fazem os relatórios sobre a previsão do clima. O documento é gerado semanalmente por causa do alerta de crise e enviado aos órgãos do governo federa para a tomada de decisão sobre o problema. Com o anúncio de desligamento, o presidente da comissão de ciência e tecnologia na Câmara dos Deputados, Aliel Machado (PSB), informou que vai acionar o Ministério da Economia sobre o contingenciamento da verba do instituto. “Isso acontece porque o governo está priorizando o que não precisa. Você não tem um ministério de planejamento para fazer um contraponto com a economia. Isso está prejudicando muito o nosso país. Vou requer essas informações para acompanhar isso de perto porque nos preocupa”, disse. Trigueiro sobre falta de verba para equipamento do Inpe: 'Falta dinheiro para tudo que é importante no Brasil' A instituição teve verba aprovada de R$ 76 milhões na lei orçamentária federal, mas apenas R$ 44 milhões foram liberados. O restante foi contingenciado, sem previsão de liberação. O instituto precisa em média de R$ 60 milhões para contas como água, energia, segurança, limpeza e mão de obra, segundo o Sindicato dos Servidores Públicos Federais na Área de Ciência e Tecnologia do Setor Aeroespacial (SindCT). A reportagem do G1 acionou os deputados federais Eduardo Cury (PSDB) e Milton Vieira (Republicanos), que são da região do Vale do Paraíba, onde fica a sede do Inpe. A assessoria do deputado informou que vai encaminhar ofício ao MCTIC e para a Economia pedindo esclarecimentos sobre a questão no Inpe. Milton Vieira não retornou. De acordo com os dados da câmara, a última ação envolvendo o Inpe dos parlamentares foi um pedido de esclarecimento ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCTIC) em fevereiro feito por Eduardo Cury após o anúncio no corte de 107 bolsas de profissionais pesquisadores. À época, a instituição havia suspendido por não ter orçamento aprovado na LOA, mas manteve após a aprovação da verba. Em nota, o Ministério da Economia informou que "avaliações de receitas e despesas são realizadas bimestralmente, e realocações serão efetuadas assim que houver a definição do ministério setorial e a compatibilidade da incorporação da despesa primária nos limites do Novo Regime Fiscal". A reportagem do G1 acionou o Ministério da Ciência e Tecnologia, Minas e Energia mas não obteve o retorno. Crise hídrica Cinco estados brasileiros, entre eles São Paulo, enfrentam o que já é considerada a pior seca em 91 anos, de acordo com um comitê de órgãos do governo federal, que emitiu pela primeira vez na história um alerta de emergência hídrica para o período de junho a setembro. O déficit de chuvas atual já é considerado severo, segundo Sistema Nacional de Meteorologia (SNM), que representa o comitê de órgãos do governo federal. O alerta emitido vale para os estados que se localizam na bacia do Rio Paraná: São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul e Paraná. Com corte de orçamento, Inpe deve desligar até agosto supercomputador que faz previsão Crise financeira Em 2021, o Inpe recebeu R$ 44,7 milhões do Ministério da Ciência e Tecnologia, queda de 18% em relação de 2020. O orçamento total previsto era de R$ 76 milhões, mas R$ 32 milhões são incertos para a instituição. Além de menor, houve atraso na liberação dos recursos, por conta da demora na aprovação do orçamento federal. Até maio, a instituição havia recebido R$ 4 milhões do ministério. Com isso, chegou a fazer cortes como: Redução do contrato de internet e telefonia, com diminuição de linhas móveis e pontos de internet Redução de serviços de limpeza e manutenção do prédio Suspensão de verba para pagamento de publicação de pesquisas Suspensão de bolsas de pesquisadores Sem a verba aprovada, o Inpe chegou a suspender mais de 100 bolsas de pesquisadores que trabalham na instituição. A ação impactou o lançamento do Amazônia I, o primeiro satélite completamente brasileiro. À época, para manter o lançamento com os pesquisadores que já estavam na Índia, a Agência Espacial Brasileira teve de intervir e enviou cerca de R$ 900 mil de forma emergencial ao Inpe. Após a aprovação do orçamento, as bolsas foram atualizadas. Essa também não é a primeira vez que a falta de orçamento afeta o equipamento. O Tupã está perto do fim de sua vida útil e desde 2017 precisa ser trocado. De lá para cá, recebeu manutenções e reforço para se manter ativo. Em outubro de 2020 o Inpe anunciou que fazia tratativas para a troca do equipamento por uma versão menor, que gastasse menos energia, mas sem verba, ainda não foi possível. Veja mais notícias do Vale do Paraíba e região bragantina p
Categorias: Notícias de RSS

Illuminati: 12 curiosidades sobre uma das sociedades secretas mais fascinantes da história

seg, 14/06/2021 - 08:42

Ordem dos Illuminati ou dos Illuminati da Baviera? Veja o que se sabe sobre a famosa organização clandestina. Emblema dos Illuminati da Baviera BBC Illuminati é o nome dado tanto a uma sociedade real formada há 245 anos, quanto a uma sociedade fictícia. A versão fictícia até hoje alimenta teorias de conspiração, incluindo alegações de que se trataria de uma organização global secreta e misteriosa cuja intenção seria dominar o mundo. Supostamente, eles estariam por trás de algumas das maiores revoluções e assassinatos da história. Mas quem realmente eram os Illuminati? É verdade que eles controlam o planeta? Veja o que se sabe sobre esta que se tornou uma das sociedades secretas mais fascinantes da história. 1. Quem eram os Illuminati originais? A Ordem dos Iluminados, ou Illuminati, foi uma sociedade secreta formada na Baviera (hoje parte da Alemanha contemporânea) que existiu de 1776 a 1785. Seus membros originalmente se referiam a si próprios como perfetibilistas. O grupo foi inspirado pelos ideais do Iluminismo e fundado pelo professor de direito canônico Adam Weishaupt (1748-1830). Ele queria promover a educação da razão e da filantropia e se opor à superstição e à influência religiosa na sociedade. Weishaupt buscava mudar a forma como os Estados eram governados na Europa, removendo a influência da religião no governo e dando ao povo uma nova fonte de "iluminação", ou esclarecimento. Acredita-se que a primeira reunião dos Illuminati da Baviera ocorreu em uma floresta perto de Ingolstadt em 1º de maio de 1776. Lá, cinco homens estabeleceram as regras que orientariam a ordem secreta. Com o tempo, os objetivos do grupo se concentraram em influenciar decisões políticas e mudar instituições como a monarquia e a Igreja. Alguns membros dos Illuminati se juntaram aos maçons para recrutar novos membros. Um pássaro conhecido como a 'coruja de Minerva' (Minerva é a antiga deusa romana da sabedoria) acabou se tornando seu símbolo principal. Coruja europeia era animal sagrado da deusa Atenas na mitologia grega; na cultura romana, era o pássaro de Minerva Getty Images via BBC 2. Qual é a relação entre os Illuminati e os maçons? Os maçons são uma ordem que se desenvolveu a partir de agremiações de construtores de catedrais da Idade Média. Em alguns países, especialmente nos Estados Unidos, existe uma certa paranoia histórica sobre os maçons. Em 1828, um movimento político conhecido como Partido Antimaçônico foi estabelecido com o único objetivo de combater a ordem. Como os Illuminati recrutaram originalmente os maçons, os dois grupos costumam ser confundidos um com o outro. 3. Como era possível se unir aos Illuminati? Representação do século 19 de um ritual de iniciação Illuminati. Na verdade, poucos detalhes sobre verdadeira natureza da cerimônia são conhecidos Getty Images via BBC Para se juntar aos Illuminati, você precisava ter o consentimento total dos outros membros, possuir riqueza e ter uma boa reputação dentro de uma família considerada adequada. Além disso, havia um sistema hierárquico para os membros dos Illuminati. Depois de entrar como "novato", você se graduaria como "minerval" e depois para um "iluminado minerval". Mais tarde, essa estrutura se tornou mais complicada, exigindo 13 graus de iniciação para se tornar um membro. 4. Os Illuminati tinham rituais? Eles faziam rituais – embora a maioria permaneça desconhecida – e usavam pseudônimos para manter as identidades dos membros em segredo. No entanto, graças a documentos secretos apreendidos, sabe-se como os novatos conseguiam passar para um nível superior na hierarquia dos Illuminati: Produzir um relatório sobre todos os livros que possuíam Escrever uma lista de seus próprios pontos fracos Revelar os nomes de seus próprios inimigos. O novato então prometia sacrificar interesses pessoais pelo bem da sociedade. 5. O que é o olho que tudo vê? Pirâmide e "olho que tudo vê", símbolos usados ​​no Grande Selo dos Estados Unidos (usado para autenticações) e impressos em papel-moeda no país. Getty Images via BBC O "Olho da Providência", um símbolo que lembra um olho dentro de um triângulo, aparece em igrejas ao redor do mundo, bem como em edifícios maçônicos e na nota de um dólar americano. Além de ser associado à Maçonaria, também foi associado aos Illuminati como um símbolo do controle e vigilância do mundo pelo grupo. Originalmente um emblema cristão, "o olho que tudo vê" tem sido usado em pinturas para representar a vigilância de Deus sobre a humanidade. No século 18, começou a ser usado de novas maneiras, por exemplo, na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de Jean-Jacques-François Le Barbier (1738-1826), uma versão ilustrada do documento de direitos humanos aprovado pela Assembleia Nacional Constituinte de França em 1789. Nesse caso, indicava um instrumento que representava o policiamento de uma nação que há pouco tempo havia se tornado democrática. Não há uma ligação oficial entre o olho que tudo vê e os Illuminati; a conexão atribuída a eles provavelmente se deve ao fato de que o grupo original compartilhava semelhanças com os maçons, que usavam a imagem como símbolo de Deus 6. Os Illuminati conseguiram dominar o mundo? Algumas pessoas acreditam que os Illuminati controlam o mundo hoje. Segundo essa tese, eles seriam tão discretos que conseguiriam ter todo esse poder sem que a sociedade tivesse clareza sobre isso. Como muitos membros da Ordem dos Illuminati se misturaram aos maçons e vice-versa, é difícil julgar o sucesso dos Illuminati, mas a maioria dos historiadores acredita que o grupo original só conseguiu ter uma influência moderada. 7. Houve algum membro famoso entre os Illuminati? Em 1782, os Illuminati haviam crescido para cerca de 600 membros, incluindo nobres alemães como o Barão Adolph von Knigge, que, como ex-maçom, ajudou a moldar a organização e a expansão do grupo. Inicialmente, os alunos de Weishaupt eram os únicos membros, mas médicos, advogados e intelectuais logo passaram a fazer parte. Em 1784, estima-se que havia entre 2 mil e 3 mil membros Illuminati. Algumas fontes dizem que o renomado escritor Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832) também aderiu ao grupo, mas isso é contestado. 8. Os Illuminati desapareceram? Em 1784, Karl Theodor, duque da Baviera, proibiu a criação de qualquer tipo de sociedade que não fosse previamente autorizada por lei. No ano seguinte, ele aprovou uma segunda regra, proibindo expressamente a existência dos Illuminati. Durante a prisão de membros suspeitos dos Illuminati, documentos comprometedores (defendendo ideias como ateísmo e suicídio) foram encontrados em sua posse, bem como instruções para a realização de abortos. Isso cimentou a crença de que o grupo era uma ameaça tanto para o Estado quanto para a Igreja. Depois disso, a Ordem dos Illuminati parece ter desaparecido, embora alguns acreditem que ela continue ativa. 9. O que aconteceu com Adam Weishaupt? Johann Adam Weishaupt (1748-1830), filósofo alemão, fundador da Ordem da Sociedade Secreta dos Illuminati. Getty Images via BBC Adam Weishaupt acabou sendo destituído de seu posto na Universidade de Ingolstadt. Depois de ser exilado da Baviera, ele passou o resto de sua vida em Gotha, na Turíngia (Alemanha), e morreu em 1830. 10. Por que o mito dos Illuminati continuou vivo? A partir do momento em que foram dissolvidos, as teorias da conspiração sobre os Illuminati começaram a se estabelecer. Em 1797, o padre jesuíta Augustin Barruel sugeriu que sociedades secretas como a Ordem dos Illuminati haviam liderado a Revolução Francesa. Barruel é considerado o pai da Antimaçonaria. O primeiro presidente dos EUA, George Washington (1732-1799), escreveu uma carta no ano seguinte dizendo acreditar que a ameaça dos Illuminati havia sido evitada, acrescentando mais combustível à ideia de que a ordem ainda existia. Livros e sermões condenando o grupo continuaram aparecendo, e o terceiro presidente dos Estados Unidos, Thomas Jefferson (1743-1826), foi falsamente acusado de ser um de seus membros. 11. Por que tanta gente ainda acredita nos Illuminati hoje em dia? A ideia da existência de Illuminatis dominando o mundo nunca desapareceu totalmente e ainda se insinua na cultura popular. Em 1963, um texto chamado "Principia Discordia" foi publicado, promovendo um sistema de crenças alternativo conhecido como 'Discordianismo'. O conteúdo apelava à anarquia e à desobediência civil perpetrando informações falsas, e entre seus seguidores estava o escritor Robert Anton Wilson (1932-2007). Alguns seguidores do discordianismo enviaram cartas falsas a revistas afirmando que eventos como o assassinato do presidente dos Estados Unidos, John F. Kennedy (1917-1963), havia sido obra dos Illuminati. Wilson posteriormente publicou um livro com Robert Shea, "The Illuminatus! Trilogy", que se tornou um sucesso e inspirou um novo gênero de ficção de conspiração, incluindo o romance do americano Dan Brown (e filme subsequente) "Anjos e Demônios". Nestas obras, os Illuminati também estavam ligados ao satanismo e a outros ideais que estavam muito distantes daqueles associados ao grupo bávaro original do século 18. 12. O que é a nova Ordem Mundial e como ela se conecta aos Illuminati? Aqueles que acreditam na teoria de uma Nova Ordem Mundial defendem a ideia de que um grupo de pessoas da elite global estaria tentando governar o mundo. Além dos presidentes dos Estados Unidos, várias estrelas pop foram acusadas de serem membros, incluindo até Beyoncé e Jay-Z. Ambos negam as acusações. Veja VÍDEOS de ciência e saúde:
Categorias: Notícias de RSS

Covid: 3 critérios para mundo voltar a abrir portas para turistas do Brasil

seg, 14/06/2021 - 08:35

Com avanço da vacinação pelo mundo, países começam a abrir as fronteiras para turistas imunizados. Mas pessoas vindas do Brasil estão de fora da flexibilização. O que precisa mudar para o país sair do isolamento? Espanha abriu a fronteira para turistas vacinados, mas Brasil está excluído da lista por apresentar 'especial risco epidemiológico' Cati Cladera/EPA/BBC Com o avanço da vacinação contra a Covid-19 pelo mundo, países começam a abrir as fronteiras para turistas imunizados, sem necessidade de quarentena. Mas o Brasil tem ficado de fora da nova flexibilização. A União Europeia decidiu permitir a entrada de viajantes que tenham recebido a segunda dose da vacina ao menos 14 dias antes de viajar. A regra vale para vacinas aprovadas pela agência sanitária europeia, mas países do bloco também podem ampliar a permissão para imunizantes aprovados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), como é o caso da CoronaVac. Afeganistão, Albânia, Tonga, México... brasileiros só podem viajar sem restrições para 8 países Coronapas, o 'passaporte' contra Covid que está ajudando a Dinamarca a reabrir na pandemia Na quarta-feira (9), a França, principal destino turístico internacional, abriu as portas para viajantes imunizados de quase todos os países do mundo. Apenas 15 nações ficaram de fora, entre elas o Brasil. As regras valem para vacinas aprovadas pela agência europeia: Pfizer, Moderna, AstraZeneca e Janssen (Johnson & Johnson). Na segunda (7), a Espanha começou a receber visitantes vacinados de praticamente todos países. Nesse caso, foram permitidas vacinas aprovadas pela OMS, como a CoronaVac. Mas, novamente, o Brasil ficou de fora. E isso deve se repetir à medida que outros membros da União Europeia iniciem o esquema de abertura para imunizados. Ou seja, para os brasileiros, não basta estar totalmente vacinado para vislumbrar férias nos principais destinos internacionais. Com avanço da vacinação pelo mundo, países começam a abrir as fronteiras para turistas imunizados. Mas pessoas vindas do Brasil tem ficado de fora Getty Images/BBC Considerado de "especial risco epidemiológico", o Brasil pode continuar isolado de grande parte do mundo por causa do descontrole da pandemia e o "caldeirão de variantes" que circulam pelo território. Segundo especialistas ouvidos pela BBC News Brasil, para que as portas de EUA e Europa voltem a se abrir a turistas brasileiros, o país possivelmente precisará cumprir ao menos três critérios: 1. Reduzir taxa de infecções por 100 mil habitantes O número proporcional de infecções é um dos critérios usados pelas equipes de aconselhamento dos EUA e União Europeia na hora de decidir de onde receber turistas vacinados, destaca o pesquisador da Fiocruz Fernando Bozza. A União Europeia estabeleceu como regra permitir a entrada, sem quarentena, de pessoas vacinadas vindas de países com taxa de até 75 casos de Covid por 100 mil habitantes, em 14 dias. Com 416 novos casos de Covid a cada 100 mil habitantes, Brasil está longe de figurar no limite máximo exigido pela União Europeia para permitir entrada de turistas imunizados Amanda Perobelli/Reuters O Brasil está longe dessa meta. Nas últimas duas semanas somadas, teve 416 novos casos de Covid por 100 mil habitantes, conforme dados utilizados pelo Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças. Trata-se da 12ª pior taxa do mundo, sendo que dos 10 países com mais infecções por 100 mil habitantes, sete são latino-americanos. Ou seja, para cumprir as regras atuais da União Europeia, o Brasil precisaria reduzir em 82% a taxa de infecção por 100 mil habitantes. Segundo o professor de Política de Saúde Global Peter Baker, a experiência mostra que vacinação, medidas de confinamento e distanciamento social são os caminhos para diminuir casos de Covid. Reino Unido e grande parte dos países europeus introduziram lockdowns nos primeiros estágios de vacinação para conter infecções e surgimento de variantes nesse período. "O principal a fazer é reduzir os casos de contaminação. Um país como Brasil deveria poder acelerar a campanha de vacinação e deveria receber ajuda de países ricos. Outra opção é aumentar medidas de distanciamento social", diz Baker, que é pesquisador do Centro de Desenvolvimento para Saúde Global, no Reino Unido. 2. Controlar o surgimento de variantes O principal motivo para a exclusão do Brasil da decisão da União Europeia de receber turistas vacinados é o risco de variantes do coronavírus, dizem Bozza e Baker. Atualmente, a P.1, identificada primeiramente em Manaus e rebatizada de gamma pela OMS (Organização Mundial da Saúde), é a cepa prevalente em todo o território brasileiro. Ela preocupa por ser mais transmissível e pela capacidade de evadir anticorpos ao apresentar mutações que facilitam a entrada do vírus nas células humanas. Um estudo publicado na revista Science mostrou que a P.1 é até 2,4 vezes mais transmissível que outras linhagens e mais capaz de reinfectar quem já teve Covid. E pesquisas preliminares apontam que vacinas perdem eficácia contra essa variante, embora ainda ofereçam forte proteção contra hospitalizações e casos graves da doença. Cepas surgidas a partir de mutações da P.1 também já foram identificadas no Brasil e não se sabe se são mais letais e transmissíveis. Pesquisa mostrou que a variante P1 é até 2,4 vezes mais transmissível que outras linhagens do coronavírus Getty Images/BBC Para piorar o cenário, a variante indiana, conhecida como Delta, apontada como responsável pelo atual surto de Covid na Índia, já foi identificada em cidades brasileiras. Como nenhuma vacina é 100% eficaz em impedir infecções, embora sejam muito eficientes em evitar hospitalizações, não é impossível que uma pessoa imunizada embarque num avião com o vírus, principalmente se sair de um país onde circulam variantes que reduzem ainda mais esse percentual de proteção. "Se você pensa numa pessoa totalmente vacinada chegando à fronteira, ela apresenta risco baixo. Mas se ela estiver vindo de um país onde estava altamente exposta à circulação de uma variante, pode ser que esteja infectada apesar das duas doses de vacina", explica Baker. "É algo raro, mas pode acontecer." Ou seja, para que turistas brasileiros voltem a ser recebidos em outros países, conter o surgimento de variantes seria essencial, diz o especialista ouvido pela BBC News Brasil. "A principal preocupação é com circulação de variantes. Infelizmente, esse é o critério correto e o Brasil se enquadra entre os países que têm novas cepas em circulação." 3. Acelerar a vacinação O ritmo de vacinação no Brasil começou lento, por causa da decisão do governo federal de não comprar vacinas ainda 2020, quando mais doses estavam disponíveis. Devido à escassez de imunizantes para atender a todos os brasileiros, apenas 11% da população recebeu duas doses da vacina até 9 de junho e 24% recebeu uma dose, segundo dados do Our World in Data, ranking global de dados oficiais compilados pela Universidade de Oxford, no Reino Unido. No ranking da proporção da população que recebeu duas doses, o Brasil aparece em 74º no mundo numa lista com 190 países. A cobertura vacinal é um dos elementos considerados pela União Europeia, EUA e Reino Unido ao definir de quais países receber visitantes. Quanto maior o percentual de população imunizada, menor a circulação do vírus e o risco de contaminação. Apenas 11% da população brasileira (23,4 milhões de pessoas) recebeu duas doses da vacina até 9 de junho Prefeitura de Parnamirim/Divulgação Inicialmente, a União Europeia anunciou que receberia vacinados com doses aprovadas pela agência reguladora do bloco, o que excluiria a CoronaVac, principal vacina utilizada hoje no Brasil. Muitos brasileiros ficaram preocupados em não poder viajar no futuro por terem sido imunizados com a vacina produzida pelo Instituto Butantan em parceria com a China. Mas, pouco depois, a União Europeia informou que poderão ser incluídas vacinas aprovadas pela OMS. A Coronavac teve sua utilização emergencial aprovada pelo organismo internacional em 1º de junho. Especialistas dizem que a tendência é que todos os países recebam, no futuro, vacinados com imunizantes chancelados pela OMS. Ou seja, qualquer vacina aprovada pela OMS e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já deixa o brasileiro mais perto de voltar a viajar pelo mundo. "Não importa qual marca de vacina você recebe entre as oferecidas no Brasil. Não é isso que vai restringir a sua mobilidade para viajar no exterior. Todas elas foram aprovadas pela OMS. O mais importante é ser vacinado", destaca Peter Baker, do Centro para Desenvolvimento Global, no Reino Unido. 'Imagem negacionista também pesa' Além do descontrole da pandemia, da existência de variantes e do ritmo lento de vacinação, o pesquisador da Fiocruz Fernando Bozza cita a postura negacionista do governo federal como fator que contribui para o isolamento do Brasil. Em várias ocasiões, o presidente Jair Bolsonaro minimizou a gravidade do coronavírus e até hoje se opõe fortemente a medidas de distanciamento social. "Tem uma questão de caráter político, que é o fato de o governo brasileiro ter se mostrado negacionista de toda a racionalidade do controle da pandemia. Isso também, olhando externamente, leva a uma percepção ruim em relação ao país como um todo", diz Bozza, que é chefe do Laboratório de Pesquisa Clínica em Medicina Intensiva do Instituto Evandro Chagas. "Então, o entendimento internacional é a de que não há porque flexibilizar as regras para o Brasil, um país com variante, infecção alta e um governo que gera a percepção de não se preocupar com o controle da pandemia." Mas Peter Baker, do Centro para Desenvolvimento Global, também critica os países ricos por comprarem doses excessivas de vacinas e não ajudarem países pobres e em desenvolvimento a sair da crise. Para ele, a responsabilidade deve ser compartilhada. "Países ricos agora deveriam financiar a expansão do acesso a vacinas em países pobres e de renda média. Não é só por uma questão de caridade, mas porque é o necessário a fazer para garantir o retorno do comércio internacional e do turismo", defende o pesquisador britânico. VÍDEOS com novidades sobre as vacinas
Categorias: Notícias de RSS

Vacina da Novavax tem eficácia de 90% contra Covid-19, aponta estudo preliminar

seg, 14/06/2021 - 08:28

Eficácia contra casos moderados e graves foi de 100%; pesquisa foi feita nos Estados Unidos e no México e ainda não está publicada em revista científica. Vacina e Covid-19: Devo escolher a vacina ou esperar chegar aquela que eu quero? A Novavax divulgou, nesta segunda-feira (14), dados preliminares que apontam uma eficácia geral de 90% em sua vacina contra a Covid-19, e de 100% contra casos moderados e graves da doença. Os resultados ainda não foram publicados em revista científica. A empresa não esclareceu se os 90% de eficácia geral incluíam casos assintomáticos da doença ou apenas casos leves. Veja principais pontos do estudo: Os índices se referem a um estudo de fase 3, o "Prevent-19", feito com 29.960 pessoas nos Estados Unidos e no México. A cada 2 participantes que receberam a vacina, 1 recebia um placebo (substância inativa). Houve 77 casos de Covid-19 entre os participantes; 63 estavam no grupo placebo (que não recebeu a vacina) e 14 no grupo da vacina. Todos os casos observados no grupo da vacina foram leves. Foram observados 10 casos moderados e 4 casos graves, todos no grupo placebo, resultando em uma eficácia da vacina de 100% contra doença moderada ou grave. Contra variantes de preocupação e variantes de interesse, a eficácia da vacina foi de 93,2% (veja detalhes mais abaixo). A empresa anunciou que a vacina teve 91% de eficácia entre as populações de "alto risco" – como pessoas com 65 anos ou mais, com comorbidades ou com exposição frequente ao coronavírus. Nessas populações, houve 62 casos de Covid no grupo placebo e 13 no da vacina. A Novavax não detalhou, entretanto, quantos casos ocorreram em cada uma dessas populações e nem divulgou uma eficácia específica para pessoas de 65 anos ou mais. A vacina da Novavax usa a tecnologia de proteínas recombinantes (veja infográfico). Infográfico mostra como funcionam vacinas de subunidades de proteínas contra o coronavírus Anderson Cattai/G1 Baixa eficácia contra variante da África do Sul Dos 77 casos de Covid-19 nos testes feitos nos Estados Unidos e no México, 54 foram sequenciados geneticamente para determinar qual variante havia infectado o paciente. A Novavax informou, apenas, que, desses 54 casos, 35 eram de variantes de preocupação e 9 eram de variantes de interesse, sem dizer quais eram essas variantes. Os outros 10 casos eram de outras variantes. Que vacina é essa? Novavax A empresa informou que, na época em que o estudo foi feito – de 25 de janeiro a 30 de abril –, a variante britânica (B.1.1.7) era a predominante nos Estados Unidos. A Novavax já havia divulgado, em janeiro, resultados preliminares de testes de sua vacina no Reino Unido e na África do Sul. Enquanto os dados do Reino Unido apontaram para uma eficácia de 89,3%, os testes feitos na África do Sul concluíram uma eficácia de 49,4%. Dos 27 casos de Covid-19 encontrados lá durante os testes, 25 tinham a variante local do coronavírus. Veja VÍDEOS da vacinação no Brasil:
Categorias: Notícias de RSS

Tudo sobre foguete gigante da Nasa que vai levar astronautas à Lua e a Marte

seg, 14/06/2021 - 07:27

Os foguetes de nova geração da agência espacial são enormes — maiores do que a Estátua da Liberdade — e estão sendo submetidos a testes antes de seu voo inaugural ainda em 2021. Primeiro estágio do foguete SLS sendo transportado de Nova Orleans para o Mississippi para testes Nasa via BBC A Nasa está desenvolvendo um enorme foguete chamado Sistema de Lançamento Espacial (SLS, na sigla em inglês) para levar astronautas à Lua — e futuramente a Marte. O SLS é o veículo de lançamento mais poderoso construído desde 1960 e tem a sua estreia programada para o final de 2021. A Nasa tem planos de enviar um homem e uma mulher à superfície lunar ainda nesta década — será o primeiro pouso com humanos na superfície do satélite natural desde a ida de Apollo 17, em 1972. Nos últimos 20 anos, os astronautas têm feito viagens de rotina para a Estação Espacial Internacional (ISS), mas a Lua está quase mil vezes mais longe do que a ISS. Levar astronautas para lá requer um foguete muito mais poderoso. O SLS é o equivalente moderno do Saturno V, o grande lançador construído durante a era das naves Apollo. Como o Saturno, ele é dividido em segmentos, ou estágios, empilhados uns sobre os outros. Mas o novo foguete também incorpora tecnologia do ônibus espacial. A primeira versão do SLS será chamada de Bloco 1. Ele passará por uma série de atualizações nos próximos anos para que possa lançar cargas úteis mais pesadas para destinos além da órbita próxima da Terra. O SLS Bloco 1 terá 23 andares acima da plataforma de lançamento — o que o torna mais alto do que a Estátua da Liberdade (93 m). "É um foguete realmente imenso. É simplesmente enorme", disse John Shannon, vice-presidente e gerente de programa do SLS da Boeing, a principal empresa contratada pela Nasa para a produção do foguete. "Simplesmente não se vê nada parecido desde o Saturno V", afirmou Shannon à BBC em 2019. O foguete lançará astronautas na próxima geração de veículos tripulados da Nasa — os veículos Orion. O SLS vai impulsinar o Orion às velocidades necessárias para sair da órbita próxima da Terra e viajar para a Lua. Como funciona o foguete Trabalhadores dentro do tanque de hidrogênio dos SLS fazem manutenção nas paredes Nasa via BBC O SLS consiste em um estágio central gigante flanqueado por dois impulsionadores de foguetes sólidos (SRBs). O núcleo abriga dois grandes tanques de armazenamento: um para o hidrogênio líquido, o combustível, e outro para o oxigênio líquido, que permite que o combustível queime. Juntos, eles são conhecidos como propelentes. Na base do estágio central estão quatro motores RS-25, os mesmos que moviam o antigo lançador de ônibus espacial, aposentado em 2011. Quando as câmaras do motor são alimentadas com hidrogênio líquido e oxigênio e é dada a ignição, começa uma reação química que produz enormes quantidades de energia e vapor. O vapor sai de bocais do motor a velocidades de 16 mil km/h e gera propulsão — a força que empurra o foguete para cima. Além da força gerada pelo motor, os impulsionadores de foguete laterais SRBs dão uma ajuda extra para escapar da enorme força de gravidade da Terra. Esses propulsores gêmeos têm altura equivalente a mais de 17 andares e queimam 6 toneladas de propelentes sólidos por segundo. Eles são responsáveis por 75% da propulsão total durante os dois primeiros minutos de voo. O foguete mais poderoso de todos os tempos? Ilustração do SLS durante lançamento Nasa via BBC Se usarmos a propulsão como medida, o SLS será o foguete mais poderoso de todos os tempos quando voar para o espaço em 2021. O Bloco 1 SLS gerará 39,1 meganewtons de empuxo (propulsão) no lançamento, 15% a mais do que o Saturno V. Na década de 1960, a hoje extinta União Soviética (URSS) construiu um foguete chamado N1. Seu primeiro estágio produziria 45,4 meganewtons de empuxo. Mas todos os quatro voos de teste falharam. Uma versão futura do SLS — chamada Bloco 2 — deve se aproximar dos níveis de propulsão do N1. Mas um veículo chamado Starship, que está sendo desenvolvido pela empresa SpaceX de Elon Musk, pode exceder ambos — produzindo 66,7 meganewtons de empuxo. Essa nave espacial está atualmente em desenvolvimento e não há uma data definida para seu primeiro voo. Como a tecnologia do ônibus espacial foi reutilizada O estágio central do SLS é baseado no tanque externo coberto de espuma do ônibus espacial. Este tanque fornecia propelentes para três motores RS-25 na parte traseira do orbitador do ônibus espacial. Os impulsionadores de foguetes sólidos desempenham praticamente a mesma função em ambas as naves. Mas o SLS é muito diferente. Uma série de componentes e estruturas derivados do ônibus espacial passaram por mudanças significativas devido aos diferentes níveis de tensão atingidos no novo foguete. Um exemplo é que nos ônibus espaciais os motores RS-25 ficavam longe dos SRBs e inclinados para cima. Já no SLS, os motores estão ao lado dos SRBs, expostos a muito mais tremores. Por isso, cada sistema na complexa seção do motor SLS teve que ser rigorosamente testado para garantir que pudesse suportar as vibrações. Por que o SLS foi construído Nasa terá gasto mais de US$ 17 bilhões (R$ 87 bilhões) no SLS até fim do ano fiscal de 2020 Nasa via BBC Em fevereiro de 2010, o governo Obama cancelou o conturbado plano de George W. Bush de retornar à Lua em 2020, chamado Constellation. A notícia foi mal recebida pelos trabalhadores de cinco estados do sul — Alabama, Flórida, Louisiana, Mississippi e Texas — onde o programa de voos espaciais tripulados da Nasa gerava dezenas de milhares de empregos. Alguns legisladores ficaram furiosos. Na época, Richard Shelby, um senador republicano do Alabama, disse que o Congresso não iria "sentar e assistir ao abandono imprudente do programa de voo espacial tripulado". Os legisladores dos estados afetados então insistiram na criação de um único foguete poderosos para substituir os lançadores Constellation cancelados pela Casa Branca. O projeto do SLS, baseado em estudos técnicos da Nasa, foi revelado em 2011. Após o início do desenvolvimento do foguete, atrasos e estouros no orçamento deram munição aos críticos, que achavam que a Nasa deveria trabalhar com foguetes operados por fornecedores comerciais. Mas sem modificações significativas, nenhum propulsor existente tem energia suficiente para enviar a nave Orion, astronautas e grandes cargas para a Lua em um voo — como o SLS faria. Um relatório recente afirma que a Nasa terá gasto mais de US$ 17 bilhões (R$ 87 bilhões) no SLS até o fim do ano fiscal de 2020. Mas com a fase de desenvolvimento do foguete agora terminada e um programa de avaliação conhecido como Green Run concluído com sucesso, o primeiro foguete SLS está agora no Kennedy Space Center da Flórida, sendo preparado para seu voo inaugural no final de 2021. John Shannon, que está no comando do SLS na Boeing desde 2015, afirmou: "Acredito que, uma vez que o SLS esteja em plena capacidade, não haverá necessidade de outro veículo de carga pesada como este por muitos anos. É realmente algo que não acontece mais de uma vez na mesma geração." Veja VÍDEOS de astronomia e exploração espacial:
Categorias: Notícias de RSS

Brasil registra média móvel de 1.997 mortes por Covid na última semana; total passa de 487 mil

dom, 13/06/2021 - 19:59
País contabiliza 487.476 óbitos e 17.413.996 casos, segundo balanço do consórcio de veículos de imprensa com dados das secretarias de Saúde. Foram 1.118 mortes por Covid-19 nas últimas 24 horas. O Brasil registrou 1.118 mortes por Covid-19 nas últimas 24 horas, totalizando neste domingo (13) 487.476 óbitos desde o início da pandemia. Com isso, a média móvel de mortes nos últimos 7 dias chegou a 1.997. Em comparação à média de 14 dias atrás, a variação foi de +8% e indica tendência de estabilidade nos óbitos decorrentes do vírus. É o 25º dia seguido de estabilidade na comparação com duas semanas atrás. Isso significa que o ritmo atual das mortes por Covid tem se assemelhado mais a um platô do que a uma queda ou a um aumento na curva, e isso em patamar bastante elevado. Os números estão no novo levantamento do consórcio de veículos de imprensa sobre a situação da pandemia de coronavírus no Brasil, consolidados às 20h deste domingo. O balanço é feito a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde. Veja a sequência da última semana na média móvel: Segunda (7): 1.664 Terça (8): 1.714 Quarta (9): 1.727 Quinta (10): 1.764 Sexta (11): 1.912 Sábado (12): 1.961 Domingo (13): 1.997 São agora 34 dias com a média de mortes abaixo da marca de 2 mil. De 17 de março até 10 de maio, foram 55 dias seguidos com essa média acima de 2 mil. No pior momento desse período, a média chegou ao recorde de 3.125, no dia 12 de abril. Sete estados aparecem com tendência de alta nas mortes: AM, PR, RS, RJ, AP, PB e RN Oficialmente, o Ceará não registrou nenhuma morte por Covid hoje. A Secretaria de Saúde do estado diz que não sabe se isso ainda é reflexo da instabilidade no sistema de coleta de dados, notada nesta sexta-feira (11). Ainda segundo a secretaria, caso tenham ocorrido mortes por Covid, esses dados podem aparecer nos próximos dias. O estado de Roraima não divulgou novos dados de mortes neste domingo. Segundo a secretaria, o sistema estadual que centraliza os números de óbitos não é alimentado pelos municípios em fins de semana e feriados. Em casos confirmados, desde o começo da pandemia 17.413.996 brasileiros já tiveram ou têm o novo coronavírus, com 36.998 desses confirmados no último dia. A média móvel nos últimos 7 dias foi de 66.842 novos diagnósticos por dia. Isso representa uma variação de +10% em relação aos casos registrados em duas semanas, o que indica tendência de estabilidade também nos diagnósticos. Mortes e casos de coronavírus no Brasil e nos estados Mortes e casos por cidade Veja como está a vacinação no seu estado Brasil, 13 de junho Total de mortes: 487.476 Registro de mortes em 24 horas: 1.118 Média de novas mortes nos últimos 7 dias: 1.997 por dia (variação em 14 dias: +8%) Total de casos confirmados: 17.413.996 Registro de casos confirmados em 24 horas: 36.998 Média de novos casos nos últimos 7 dias: 66.842 por dia (variação em 14 dias: +10%) Estados Subindo (7 estados): AM, PR, RS, RJ, AP, PB e RN Em estabilidade (16 estados): SC, ES, MG, SP, GO, MS, MT, AC, PA, AL, BA, MA, PE, PI e SE Em queda (3 estados e o DF): DF, RO, TO e CE Não divulgou (1 estado): RR Essa comparação leva em conta a média de mortes nos últimos 7 dias até a publicação deste balanço em relação à média registrada duas semanas atrás (entenda os critérios usados pelo G1 para analisar as tendências da pandemia). Vale ressaltar que há estados em que o baixo número médio de óbitos pode levar a grandes variações percentuais. Os dados de médias móveis são, em geral, em números decimais e arredondados para facilitar a apresentação dos dados. Vacinação Mais de 54,6 milhões de pessoas tomaram a primeira dose de vacinas contra a Covid no Brasil. Os dados do consórcio de veículos de imprensa, divulgado às 20h deste domingo (13), apontam 54.607.404 primeiras doses aplicadas, o que corresponde a 25,79% da população. Já a segunda dose foi aplicada em 23.659.355, o que dá 11,17% da população. No total, somando a primeira e a segunda doses, 78.266.759 doses da vacina foram aplicadas. Veja a variação das mortes por estado Sul PR: +24% RS: +21% SC: -11% Sudeste ES: -11% MG: +11% RJ: +40% SP: +1% Centro-Oeste DF: -17% GO: +14% MS: +10% MT: +5% Norte AC: +10% AM: +43% AP: +30% PA: +13% RO: -24% RR: o estado não divulgou novos dados até as 20h. Considerando os dados até as 20h de sexta (11), estava em -15% (estabilidade) TO: -22% Nordeste AL: +13% BA: +3% CE: -26% MA: +10% PB: +25% PE: +14% PI: +1% RN: +39% SE: -2% Brasil Sul Sudeste Centro-Oeste Norte Nordeste Consórcio de veículos de imprensa Os dados sobre casos e mortes de coronavírus no Brasil foram obtidos após uma parceria inédita entre G1, O Globo, Extra, O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e UOL, que passaram a trabalhar, desde o dia 8 de junho, de forma colaborativa para reunir as informações necessárias nos 26 estados e no Distrito Federal (saiba mais). Veja vídeos de novidades sobre vacinas contra a Covid-19:
Categorias: Notícias de RSS

‘Governo não aprendeu nada com a pandemia’: pesquisador alerta sobre efeitos da penúria na ciência brasileira

dom, 13/06/2021 - 18:59

Presidente da Associação Brasileira de Ciência, Luiz Davidovich diz que Brasil vive seu pior momento no financiamento da pesquisa científica. Redução de investimentos na ciência afeta duramente a capacidade do Brasil conquistar protagonismo internacional, alerta o presidente da ABC. Getty Images/BBC Nos últimos anos, o cientista Luiz Davidovich viu mais e mais pesquisadores brasileiros deixando o país em busca de oportunidades no exterior. "O êxodo na minha área, a física, está sendo muito maior agora do que anos atrás. Conheço ao menos cinco pesquisadores muito bons que saíram do país nos últimos dois ou três anos", relata Davidovich à BBC News Brasil. Especialistas da área pontuam que é difícil mensurar o tamanho atual desse fenômeno, conhecido como fuga de cérebros, porque não há dados oficiais sobre o tema. Apesar disso, afirmam que têm notado um aumento de jovens pesquisadores que partiram do país ou planejam fazer isso em breve. Presidente da Academia Brasileira de Ciência (ABC), Davidovich admite frustração ao ver o atual cenário da pesquisa no país. "Isso mata o futuro sustentável do país. São jovens pesquisadores, pessoas que trazem novas ideias. Esse pessoal vai realizar fora do país o investimento que o Brasil fez, em bolsas de pesquisa, mestrado ou doutorado, para educá-los. O Brasil está dando esses jovens de presente para outros países. E é um grande presente receber um pesquisador formado", declara. Para ele, a fuga de cérebros se torna um fenômeno inevitável diante da situação atual do Brasil em relação à ciência. Em 2021, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) terá o menor orçamento dos últimos anos. Valores fundamentais para a pasta estão contingenciados pelo governo federal e sem prazo para que sejam liberados. O Ministério da Educação (MEC) também sofre com cortes de recursos. Com orçamentos apertados, universidades públicas, onde são feitas grande parte das pesquisas brasileiras, vivem uma fase de incerteza em relação ao futuro. Davidovich avalia que o governo federal não aprendeu nada sobre a importância da ciência em meio à pandemia de Covid-19. Ele aponta que enquanto outros países decidiram aumentar os investimentos nesse setor, principalmente após a crise sanitária, o Brasil cortou recursos para a área. A ciência e a pandemia O MCTI tem, neste ano, pouco mais de R$ 2,7 bilhões em despesas discricionárias (recursos não são obrigatórios, que dependem da disponibilidade de verbas e são usados para áreas como as pesquisas). Desse total, pouco menos da metade é crédito suplementar — aquele que precisa de aprovação do Congresso. Quando comparado a um passado recente, o orçamento atual é preocupante. Em 2015, por exemplo, as despesas discricionárias do MCTI eram correspondentes a R$ 6,5 bilhões. Nos anos seguintes, os orçamentos diminuíram até chegar a 2021, que é, em valores corrigidos, o menor número desde então. Em contrapartida, os números de laboratórios, pesquisadores e insumos cresceram nos últimos anos com o avanço da graduação e pós-graduação no país. Mas agora essas pessoas que conquistaram graduação, mestrado ou doutorado enfrentam dificuldades para seguir na área da pesquisa. Especialistas têm classificado a situação atual da ciência brasileira como um "estado vegetativo". "O atual orçamento do MCTI se compara ao de 20 anos atrás. Ou seja, podemos dizer que ele recuou duas décadas", diz Davidovich. Fundamentais para o desenvolvimento da ciência no Brasil, as universidades federais tiveram redução de 37% na verba para despesas discricionárias (que incluem manutenção de laboratórios e apoio à pesquisa), 37% se comparadas às de 2010 corrigidas pela inflação, segundo levantamento feito pelo G1. Somente neste ano, segundo a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), houve corte de R$ 1 bilhão no repasse às universidades federais do país. O alerta de Davidovich é que sem investimento na ciência, tecnologia e inovação, o Brasil não terá capacidade para enfrentar futuras crises sanitárias e continuará dependendo intensamente de recursos externos. "Isso impacta diretamente no enfrentamento às pandemias. Na epidemia de zika (2015-2016) os recursos para a ciência eram maiores e conseguimos sucesso no combate à doença. Mas agora está cada vez mais difícil fazer isso", declara Davidovich à BBC News Brasil. "A falta de insumos para pesquisas nessa área da saúde é cada vez mais grave, como é possível ver agora na pandemia de covid-19. Temos novas cepas do coronavírus. Não podemos ficar dependentes de vacinas de estrangeiros para atacar essas cepas. Quando você produz vacinas, tem tecnologia e conhecimento para fazê-lo, você pode adaptar a vacina facilmente para enfrentar novas cepas." Os investimentos de outros países Cortes em recursos para a ciência e tecnologia afetam duramente a capacidade do Brasil de conquistar protagonismo internacional, alerta o presidente da ABC. De acordo com a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), o Brasil investiu pouco mais de 1% do PIB em pesquisa e desenvolvimento em 2018. Países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) — como Alemanha, França, Itália, Estados Unidos, Reino Unido, entre outros —, da qual o Brasil almeja fazer parte, investem, em média, mais de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) em pesquisa e desenvolvimento. Já países reconhecidamente inovadores, como Coreia do Sul e Israel, investem mais de 4% na área. Davidovich ressalta que um dos pontos que o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, ressaltou quando assumiu o cargo foi que a área da ciência e tecnologia receberia alto investimento durante seu governo. Atual cenário da ciência e tecnologia no Brasil é considerado preocupante por especialistas GETTY IMAGES/BBC "Os Estados Unidos devem investir de 2,7% a 3% do PIB na ciência. O Biden mandou agora, para o Congresso norte-americano, um orçamento assombroso de centenas de bilhões de dólares para a pesquisa de desenvolvimento', diz. "O que ocorre frequentemente é que as empresas americanas pressionam o governo para financiar pesquisas básicas, que são feitas em universidades. Essas pesquisas favorecem as indústrias, que não precisam desenvolver o básico, apenas os frutos desses conhecimentos. É uma estratégia que tem dado certo nos EUA", acrescenta. Ele ressalta que a China, principal adversária global dos EUA, também decidiu aumentar os investimentos para a área de educação e ciência neste ano. "A grande guerra hoje em dia não é por bomba atômica ou algo assim. É a guerra da rede 5G de internet móvel entre os Estados Unidos e a China. É uma guerra da tecnologia. O mundo hoje mudou e está fortemente ligado ao conhecimento", assevera. O Brasil está na contramão desse movimento, opina Davidovich, porque o governo acredita que o investimento nessa área é puramente gasto e não considera que o retorno surge a longo prazo. "As estimativas apontam que o Brasil investiu menos de 1% do PIB em pesquisa e desenvolvimento no ano passado. Está muito abaixo desses países no investimento nessa área, se analisarmos em termos de PIB", diz o cientista. "Esses países que têm investido muito em ciência já entenderam há bastante tempo que a economia deles depende fortemente de inovação e que essa inovação está ligada à ciência e tecnologia." Sem prioridade para a ciência no Brasil, o país abre espaço para que os cientistas busquem nações que tenham alto investimento em pesquisa. "Nós estamos perdendo jovens cientistas para outros países. Será que podemos perder? Será que temos um grande número de cérebros e podemos dispensar alguns? A resposta é não. Os dados mais atuais do Banco Mundial indicam que o Brasil tem 880 pesquisadores por milhão de habitantes. A Argentina, nossa vizinha, tem 1,2 mil por milhão. E os países da OCDE têm entre 3,5 mil a 4 mil pesquisadores por milhão", detalha Davidovich. Recurso contingenciado Um motivo que faz com que a ciência brasileira enfrente uma fase extremamente difícil é o contingenciamento de R$ 5,1 bilhões. Esse valor é referente a cerca de 90% do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), uma das principais fontes de recursos da ciência e tecnologia no país. O FNDCT é obtido por meio de impostos e tributações de setores que exploram recursos naturais e outros bens da União. Há décadas, parte desse recurso é bloqueado. "Esse contingenciamento foi diminuindo aos poucos durante o governo Lula e chegou a ser encerrado. Mas depois, no governo seguinte, foi retomado", relata Davidovich. Ele ressalta que nunca houve um bloqueio como agora. "Esse contingenciamento de 90% é o mais alto das últimas décadas", diz. Os cerca de 90% do FNDCT deste ano foram guardados em uma reserva de contingência sob o argumento de que a liberação total desse valor ultrapassaria o teto de gastos do MCTI. Desde meados do ano passado, entidades ligadas à ciência iniciaram um movimento para impedir o bloqueio do FNDCT. Elas alegaram que os recursos do fundo são necessários para o avanço da ciência e tecnologia. As manifestações das entidades culminaram em uma lei complementar, promulgada no fim de março, que proibiu o Executivo de bloquear o FNDCT. A medida foi comemorada pelas entidades que lutam pela ciência, mas logo se tornou um problema: a Lei Orçamentária Anual (LOA) 2021 foi sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro com os R$ 5 bilhões do fundo contingenciados. A lei complementar foi publicada no Diário Oficial pouco após a sanção da LOA pelo Congresso. Quando Bolsonaro sancionou o Orçamento, a lei já estava em vigor. Porém, o presidente ignorou a medida e manteve o bloqueio do FNDCT. Entidades relacionadas à ciência e tecnologia se manifestaram contra o contingenciamento de Bolsonaro e cobraram a liberação do fundo. No fim de maio, essas entidades divulgaram uma carta na qual pediram que os R$ 5,1 bilhões fossem "imediatamente e integralmente liberados para a função estabelecida em lei, que é o financiamento da pesquisa científica e tecnológica". "Os avanços da ciência, tecnologia e inovação têm se mostrado imprescindíveis para a superação da crise sanitária, econômica e social, em razão da pandemia de covid-19", diz trecho da carta. "O sistema nacional de ciência e tecnologia, consolidado nas últimas décadas, está em vias de colapso. Os sucessivos cortes orçamentários precarizam universidades e institutos de pesquisa, afetando seriamente a pesquisa realizada nessas instituições e a formação adequada de profissionais. O investimento escasso em P&D (pesquisa e desenvolvimento) prejudica a inovação e a recuperação da economia", acrescenta a carta. Durante uma recente sessão conjunta no Congresso Nacional, deputados e senadores aprovaram um projeto de lei que abre crédito suplementar de R$ 1,88 bilhão para financiar projetos de desenvolvimento tecnológico de empresas, por meio do FNDCT. Na mesma sessão também foi aprovado um projeto de lei para liberar R$ 415 milhões do fundo para custear testes clínicos de vacinas nacionais contra a covid-19. Mas Davidovich alerta que desse montante liberado, somente R$ 415 milhões não são reembolsáveis. Já o R$ 1,88 bilhão deve ser devolvido posteriormente aos cofres públicos. "Esse recurso (de R$ 1,88 bilhão) é empréstimo. As empresas precisam devolver, depois de algum tempo, para o governo com juros. Esse dinheiro para crédito não tem sido usado pelas empresas porque os juros são altos demais. Elas conseguem empréstimos a juros menores em outros lugares", explica o cientista. "Para ter uma ideia, a Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) tem bilhões de reais de créditos desses, de anos anteriores, porque não consegue gastar. As empresas inovadoras não querem esses recursos, elas querem a subvenção, que faz parte dos recursos não reembolsáveis, que realmente são importantes para a ciência e inovação. E que não estão sendo liberados", acrescenta o presidente da ABC. Para o cientista, dificilmente o R$ 1,88 bilhão será usado. "Quando o governo diz que liberou esse R$ 1,8 bilhão do FNDCT para crédito, está dizendo: olha, vou colocar esse dinheiro para falar que estou liberando, mas no fim do ano, como esse dinheiro não será emprestado, ele vai ter que ser devolvido ao tesouro. É como se o governo estivesse dando com uma mão e tirando com a outra", declara. Ainda não há prazo para desbloqueio dos R$ 2,8 bilhões do FNDCT que continuam contingenciados. Especialistas afirmam que esse valor não será reembolsável. Em nota á BBC News Brasil, o Ministério da Economia não informou se há um prazo para a liberação de todo o recurso do FNDCT. A pasta argumenta que faz avaliações de receitas e despesas bimestralmente e, com base nisso, faz realocações de recursos. No caso do fundo, o MCTI precisará definir como esse recurso será aplicado, respeitando os limites do teto de gastos. Apesar de a liberação integral do FNDCT ser considerada fundamental para a ciência, especialistas ressaltam que o recurso por si só não será capaz de solucionar a crise na área da ciência e tecnologia. Eles ressaltam que também é importante que haja mais investimentos por parte do governo federal para que o setor possa avançar. Um dos problemas para a ciência brasileira, avaliam especialistas, é a regra do teto de gastos governamentais, adotada durante o governo Michel Temer (MDB). "O teto de gastos certamente se tornou um problema e isso está na raiz dele. O pecado original do teto é igualar gastos correntes com investimentos. São coisas muito diferentes, até porque gastos correntes entram como despesas na matriz econômica. Os investimentos deveriam entrar como ganhos futuros, mas não são vistos assim", diz Davidovich. Cientista afirma que governo Bolsonaro não aprendeu sobre a importância da ciência durante a pandemia ASCOM ABC/BBC "O investimento na pesquisa traz retorno ao país. Por exemplo, cada real colocado na Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) traz retorno de R$ 10 a R$ 15 a mais no futuro. Mas o teto de gastos, desde o início, não faz essa distinção", acrescenta. Além do teto de gastos, o especialista ressalta que as dificuldades atuais relacionadas à ciência e tecnologia ocorrem porque não existe interesse do governo de Jair Bolsonaro em dar atenção ao setor. Os impactos da atual situação O orçamento reduzido para a ciência e tecnologia afeta todos os setores da ciência e tecnologia, detalha o presidente da ABC. Ele pontua que muitos equipamentos de laboratórios ficaram obsoletos durante a pandemia, por não terem sido usados. Em razão disso, precisam ser consertados, mas não há garantia de recursos para isso. Outro problema, relata Davidovich, é a aquisição de insumos. Ele conta que a taxa de importação do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), vinculado ao MCTI, caiu de US$ 300 milhões no ano passado para cerca de US$ 93 milhões neste ano. "Como consequência disso, há laboratórios parando porque faltam insumos. É um desperdício no país, porque pesquisas foram financiadas com recursos públicos e, de repente, não podem continuar porque não tem como importar insumos", diz. Ainda entre as dificuldades também há a redução de bolsas concedidas pelo CNPq e pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), vinculada ao MEC. "A conta de bolsas para o CNPq não fecha até o fim do ano. Então vão ser necessários recursos adicionais. Essas bolsas são fundamentais para muitos pesquisadores. Sem bolsas, muitas pessoas vão ter que interromper seus projetos", diz. "Vão faltar recursos para importações e para bolsas de pesquisadores. Então, os projetos vão ser suspensos e isso prejudica a economia do país, porque muitas dessas pesquisas são feitas em colaboração com a indústria", explica o presidente da ABC. As dificuldades na área da ciência e tecnologia têm preocupado a Confederação Nacional da Indústria (CNI), que tem atuado junto com entidades ligadas à ciência pela liberação do FNDTC. Davidovich ressalta que as dificuldades na área da ciência e tecnologia afetam a economia em geral. "Costumo dizer que a economia é importante demais para ficar apenas nas mãos dos economistas. A economia não é uma ciência exata e é facilmente ligada à política", diz. "Não existe apenas um caminho para a economia, ela envolve opções políticas. E a política econômica adotada atualmente não está privilegiando, por exemplo, o capital produtivo. Ela tem privilegiado o capital financeiro. O mercado financeiro também faz parte do sistema, mas ele por si só não produz riqueza." Ele comenta que uma área muito afetada pela falta de investimentos na ciência é a de pesquisas relacionadas diretamente à biodiversidade. "O Brasil tem Amazônia, Cerrado, Pantanal… Essa biodiversidade pode, por exemplo, ser fonte de novos medicamentos e garantir remédios para várias doenças com preços muito mais baratos", acrescenta Davidovich. "Por exemplo, há um anti-inflamatório e antioxidante poderoso que é produzido em um laboratório da Suíça e é vendido no Brasil por R$ 1,2 mil cada miligrama. Esse produto vem de uma planta da Amazônia. O Brasil poderia estar vendendo por esse preço lá fora e mais barato aqui. Podemos baratear medicamentos e exportar, mas precisamos de indústria para escala de produção e de pesquisas", diz. "Há um ciclo que envolve a academia e a indústria que permitiria o barateamento de medicamentos novos. E isso agrega valor comercial ao país por meio de novos remédios." Os impactos desses cortes são diversos e afetam praticamente todas as áreas de pesquisa, destaca o cientista. "Isso está atingindo, por exemplo, a Embrapa (que é fundamental para desenvolver técnicas para a agropecuária). Outra área é a capacidade computacional do Brasil, que é necessária para várias áreas, inclusive a Defesa Nacional, mas estamos defasados por falta de investimentos", diz. A BBC News Brasil questionou o MCTI sobre os impactos do atual orçamento da pasta para a pesquisa em todo o país. Porém, o ministério não respondeu até a publicação deste texto. 'Temos o pior de dois mundos' Davidovich concluiu a graduação em física há mais de 50 anos e desde essa época atua na área de pesquisa relacionada à física quântica. Em meados da década de 70 se tornou doutor em física, após concluir os estudos na Universidade de Rochester, nos Estados Unidos. Atuando há mais de cinco décadas na ciência, ele não acreditava que presenciaria uma fase tão complicada como a atual. "Durante a ditadura militar nós tivemos fortes investimentos em pesquisas. Foi nesse período que foram fundadas a Embrapa, a Embraer e a Finep. Então havia um projeto nacional para a ciência. Porém, havia um ataque por questões ideológicas. Nós tínhamos recursos, mas, por outro lado, havia uma questão política muito importante", declara. "Agora temos o pior dos mundos: não temos recursos e, além disso, temos ataques à ciência. Esses ataques ocorrem de várias formas. Primeiro pelo negacionismo da ciência, como na insistência pelo uso de medicamentos que já foram comprovados que são ineficazes para combater a covid-19 (como a hidroxicloroquina). Além disso, há ataques frequentes a pesquisadores e professores", diz o cientista. Apesar das dificuldades, ele relata ter notado que muitas pessoas passaram a aprender mais sobre a importância da ciência durante a pandemia. "A população viu que a ciência é importante, as pessoas saem da vacinação e agradecem ao SUS (Sistema Único de Saúde). Então, a população está vendo (a importância da ciência)", diz. "Agora, o governo está vendo essa importância? Me parece que não", declara Davidovich. "Há uma simultaneidade, infelizmente. Há uma pandemia e também há o corte de orçamento para a ciência e tecnologia. Isso é um contrassenso. É um paradoxo."
Categorias: Notícias de RSS

Em documentário sobre a mãe, cineasta aborda preconceito e insegurança financeira

dom, 13/06/2021 - 06:00

“Duty free” mostra as dificuldades de uma mulher de 75 anos que perde o emprego, mas também as descobertas que faz ao lado do filho O que fazer quando sua mãe, de 75 anos, perde um emprego do qual depende para fechar as contas do mês porque não tem nenhuma reserva financeira e, ainda por cima, é a responsável por seu irmão mais velho, que sofre de esquizofrenia? O jornalista Sian-Pierre Regis transformou a própria mãe, Rebecca Danigelis, em protagonista do documentário “Duty free”, que discute o preconceito contra idosos e insegurança financeira, mas também é uma homenagem à resiliência e à vida. Sian-Pierre Regis e Rebecca Danigelis: o jornalista transformou a própria mãe em protagonista do seu documentário Divulgação O filme fez parte da programação do 2021 do Age+Action, uma iniciativa do Conselho Nacional para o Envelhecimento (NCOA em inglês), criado nos EUA com o objetivo de fomentar condições para que todos tenham o direito de envelhecer com saúde e segurança financeira. Ilustra bem a situação de cerca de 25 milhões de norte-americanos que não têm qualquer poupança para se manter na velhice – no Brasil, estima-se que 90% não guardam dinheiro para a aposentadoria. Dispensada do cargo de supervisora dos serviços de housekeeping (arrumação e limpeza) de um hotel, Rebecca recebe o equivalente a duas semanas de salário e o aviso de que teria um ano para deixar o pequeno apartamento que ocupava no mesmo prédio. Suas economias haviam sido usadas para bancar os estudos de Regis que, aos 32 anos e igualmente sem poupança, decide que é hora de mostrar a gratidão que sente por todos os sacrifícios que ela fez e resgatar sua autoestima. O ponto de partida para a jornada de mãe e filho é uma lista de desejos de Rebecca: coisas que vão da abertura de uma conta no Instagram a fazer uma aula de hip hop; de ordenhar uma vaca a visitar a Inglaterra, sua terra natal e lugar onde vive a primogênita, fruto do primeiro casamento, que não vê há dez anos. O passo seguinte é uma vaquinha virtual que arrecada o suficiente para acompanharmos as aventuras da dupla – o ápice é o aniversário de 77 anos, comemorado com um voo de paraquedas no Havaí. O documentário acompanha a batalha de Rebecca para se familiarizar com as redes sociais e conseguir um novo emprego, até ter êxito num hotel em Nova York, onde Regis mora. Também exibe momentos dramáticos, como a entrevista com Joanne, a filha que deixou aos cuidados da irmã, porque estava sozinha e doente nos EUA. Ficam claras as marcas emocionais dessa separação. Retratada em diversas reportagens, tornou-se uma celebridade, com mais 47 mil seguidores no Instagram, muitos em situação semelhante: pessoas qualificadas que não conseguem um lugar no mercado de trabalho porque passaram dos 60 anos. Quando o filme acaba, fica a vontade de que todos possam ter sua lista de desejos realizada. “Duty free” aborda o preconceito contra idosos e insegurança financeira Divulgação
Categorias: Notícias de RSS

Brasil registra mais de 485 mil mortes por Covid-19, com 2.008 em 24h

sab, 12/06/2021 - 20:00
País contabiliza 486.358 óbitos e 17.376.998 casos, segundo balanço do consórcio de veículos de imprensa com dados das secretarias de Saúde. Média móvel de óbitos está em 1.961 por dia. Brasil tem 2.008 mortes por Covid em 24 horas e total chega a 486.358 O Brasil registrou 2.008 mortes por Covid-19 nas últimas 24 horas, totalizando neste sábado (12) 486.358 óbitos desde o início da pandemia. Com isso, a média móvel de mortes nos últimos 7 dias chegou a 1.961. Em comparação à média de 14 dias atrás, a variação foi de +6% e indica tendência de estabilidade nos óbitos decorrentes do vírus. É o 25º dia seguido de estabilidade na comparação com duas semanas atrás. Isso significa que o ritmo atual das mortes por Covid tem se assemelhado mais a um platô do que a uma queda ou a um aumento na curva, e isso em patamar bastante elevado. Os números estão no novo levantamento do consórcio de veículos de imprensa sobre a situação da pandemia de coronavírus no Brasil, consolidados às 20h deste sábado. O balanço é feito a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde. Veja a sequência da última semana na média móvel: Domingo (6): 1.629 Segunda (7): 1.664 Terça (8): 1.714 Quarta (9): 1.727 Quinta (10): 1.764 Sexta (11): 1.912 Sábado (12): 1.961 São agora 33 dias com a média de mortes abaixo da marca de 2 mil. De 17 de março até 10 de maio, foram 55 dias seguidos com essa média acima de 2 mil. No pior momento desse período, a média chegou ao recorde de 3.125, no dia 12 de abril. Seis estados aparecem com tendência de alta nas mortes: AM, PB, PR, PE, RJ e RN. Oficialmente, o Ceará não registrou nenhuma morte por Covid hoje, mas a Secretaria de Saúde do estado não sabe se isso ainda é reflexo da instabilidade no sistema de coleta de dados, notada nesta sexta-feira (11). Ainda segundo a secretaria, caso tenham ocorrido mortes por Covid, esses dados podem aparecer nos próximos dias. O estado de Roraima não divulgou novos dados de mortes neste sábado. Segundo a secretaria, o sistema estadual que centraliza os números de óbitos não é alimentado pelos municípios em fins de semana e feriados. Em casos confirmados, desde o começo da pandemia 17.376.998 brasileiros já tiveram ou têm o novo coronavírus, com 75.778 desses confirmados no último dia. A média móvel nos últimos 7 dias foi de 67.430 novos diagnósticos por dia. Isso representa uma variação de +10% em relação aos casos registrados em duas semanas, o que indica tendência de estabilidade também nos diagnósticos. Mortes e casos de coronavírus no Brasil e nos estados Mortes e casos por cidade Veja como está a vacinação no seu estado Brasil, 12 de junho Total de mortes: 486.358 Registro de mortes em 24 horas: 2.008 Média de novas mortes nos últimos 7 dias: 1.961 por dia (variação em 14 dias: +6%) Total de casos confirmados: 17.376.998 Registro de casos confirmados em 24 horas: 75.778 Média de novos casos nos últimos 7 dias: 67.430 por dia (variação em 14 dias: +10%) Estados Subindo (6 estados): AM, PB, PR, PE, RJ e RN Em estabilidade (16 estados): AC, AL, AP, BA, ES, GO, MA, MT, MS, MG, PA, PI, RS, SC, SP e SE Em queda (3 estados e o DF): CE, DF, RO e TO Não divulgou (1 estado): RR Essa comparação leva em conta a média de mortes nos últimos 7 dias até a publicação deste balanço em relação à média registrada duas semanas atrás (entenda os critérios usados pelo G1 para analisar as tendências da pandemia). Vale ressaltar que há estados em que o baixo número médio de óbitos pode levar a grandes variações percentuais. Os dados de médias móveis são, em geral, em números decimais e arredondados para facilitar a apresentação dos dados. Vacinação O Brasil passou da marca de mais de 78 milhões de doses de vacinas aplicadas, somando a primeira e a segunda doses, segundo dados do consórcio de veículos de imprensa, divulgado às 20h deste sábado (12). No total, são 78.078.860 doses aplicadas. A primeira dose foi aplicada em 54.433.932 pessoas, o que equivale a 25,71% da população. Já a segunda dose foi aplicada em 23.644.928, o que dá 11,17% da população. No total, somando a primeira e a segunda doses, 78.078.860 doses da vacina foram aplicadas. Veja a variação das mortes por estado Sul PR: +20% RS: +15% SC: -6% Sudeste ES: -12% MG: +2% RJ: +34% SP: 0% Centro-Oeste DF: -16% GO: +13% MS: +11% MT: +9% Norte AC: -13% AM: +48% AP: +15% PA: +6% RO: -20% RR: o estado não divulgou novos dados até as 20h. Considerando os dados até as 20h de sexta (11), estava em -15% (estabilidade) TO: -20% Nordeste AL: +14% BA: -2% CE: -21% MA: +6% PB: +22% PE: +21% PI: +13% RN: +49% SE: -2% Brasil Sul Sudeste Centro-Oeste Norte Nordeste Consórcio de veículos de imprensa Os dados sobre casos e mortes de coronavírus no Brasil foram obtidos após uma parceria inédita entre G1, O Globo, Extra, O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e UOL, que passaram a trabalhar, desde o dia 8 de junho, de forma colaborativa para reunir as informações necessárias nos 26 estados e no Distrito Federal (saiba mais). Veja vídeos de novidades sobre vacinas contra a Covid-19:
Categorias: Notícias de RSS

Lance de US$ 28 milhões vence vaga para acompanhar Bezos em viagem espacial

sab, 12/06/2021 - 15:29

Leilão foi encerrado sete minutos após abertura; identidade do vencedor não foi divulgada. Inauguração do Blue Origin está prevista para o próximo mês. Jeff Bezos, fundador da Blue Origin, dentro de cápsula New Shepard Reuters Uma vaga para acompanhar o bilionário Jeff Bezos em uma viagem espacial saiu por US$ 28 milhões durante um leilão ao vivo neste sábado (12), concluindo o processo de licitação para a inauguração do Blue Origin no próximo mês. Quatro minutos após a abertura do leilão de telefones ao vivo no sábado, os lances ultrapassaram US$ 20 milhões. O leilão foi encerrado sete minutos após abertura — a identidade do vencedor não foi divulgada. O voo automatizado será o 16º da empresa, mas será o primeiro com humanos a bordo. O lançamento, em 20 de julho, pelo sistema New Shepard da Blue Origin, no oeste do Texas (EUA), será um momento importante, uma vez que empresas dos EUA se empenham em uma nova era de viagens espaciais comerciais privadas. Antes da viagem, os passageiros terão de consultar um médico sobre suas condições de saúde para voar em um New Shepard. Além disso, precisam suportar forças gravitacionais de até 5,5 vezes o seu peso normal durante a descida e três vezes o peso por até dois minutos na subida. Por conta dos riscos, os viajantes deverão assinar um termo para reconhecer os riscos de uma viagem espacial. New Shepard opera em uma zona desértica do Texas Blue Origin via BBC O fundador da Blue Origin e executivo da Amazon.com Inc, Bezos, o homem mais rico do mundo e um entusiasta do espaço ao longo da vida, tem competido contra seus companheiros aspirantes a bilionários aeronautas Richard Branson e Elon Musk para ser o primeiro dos três a viajar além da atmosfera da Terra. “Ver a Terra do espaço muda você. Muda sua relação com este planeta, com a humanidade”, disse Bezos, em um vídeo antes do leilão final, acrescentando que seu irmão Mark se juntará a ele na viagem. Como o processo de licitação de um mês que conduziu ao leilão ao vivo foi encerrado na quinta-feira (10), o valor vencedor foi de US$ 4,8 milhões, alimentado por inscrições de mais de 6 mil pessoas de pelo menos 143 países, disse a Blue Origin. "Colocar o homem mais rico do mundo e uma das figuras mais reconhecidas dos negócios no espaço é uma propaganda massiva do espaço como um domínio para exploração, industrialização e investimento", disse Adam Jonas, analista do Morgan Stanley, a clientes no início deste mês.
Categorias: Notícias de RSS

FDA autoriza envio de 3 milhões de doses da vacina da Janssen para o Brasil

sab, 12/06/2021 - 11:21
Aprovação da agência americana reguladora de medicamentos era aguardada pelo Ministério da Saúde. Previsão é a de que os imunizantes cheguem nesta terça-feira (15) no aeroporto de Guarulhos. A agência americana reguladora de medicamentos, FDA, aprovou neste sábado (12) o envio de 3 milhões de doses da vacina da Janssen para o Brasil. A previsão é a de que os imunizantes cheguem nesta terça-feira (15) ao Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos, na Grande São Paulo. Nesta quinta-feira (10) a Johnson & Johnson anunciou que a agência reguladora dos Estados Unidos aumentou de três para quatro meses e meio o prazo de validade da vacina contra Covid-19 da Janssen. Segundo o Ministério da Saúde, as vacinas serão distribuídas para as capitais por conta da logística e tem validade até o dia 27 de junho (veja mais abaixo). Como este imunizante é aplicado em dose única, uma aplicação da vacina da Janssen equivale a duas doses das demais vacinas que estão sendo aplicadas no Brasil (Pfizer, CoronaVac e AstraZeneca). O que já se sabe sobre o imunizante da Janssen e o acordo feito com o Brasil: Total de doses: O acordo entre a farmacêutica e o governo é de um total de 38 milhões de doses a serem entregues no segundo semestre Capitais: Por causa da validade curta do lote de 3 milhões, o Ministério aconselha que os estados apliquem as vacinas do lote antecipado somente nas capitais e de maneira rápida Desembarque: O carregamento deverá chegar pelo aeroporto internacional de Guarulhos, em São Paulo. Custo: Apesar do prazo de validade muito próximo do vencimento, Ministério da Saúde informou que pagou o mesmo valor por cada dose, de US$ 10. Na terça-feira (8), o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, confirmou durante o seu depoimento à CPI da Covid que o lote com as de doses da Janssen tem validade até 27 de junho, que consultou os conselhos de saúde antes de aceitar a remessa e que o país corria o risco de perder as vacinas se houvesse demora no posicionamento do FDA. VÍDEO: 'Temos que fazer uma estratégia para aplicar essas 3 milhões de doses em um prazo muito rápido', afirma Queiroga sobre vacina da Janssen No dia 4 de junho, Queiroga anunciou que o governo conseguiu antecipar com a farmacêutica a entrega de 3 milhões - de 38 milhões de doses - da vacina para junho, mas não informou na ocasião que o prazo de validade expirará no final do mês. Logística Assim que chegarem ao Brasil, as vacinas serão enviadas ao centro de distribuição logístico de Guarulhos, onde serão inspecionadas pelo Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS) que testará a qualidade das doses. A previsão é a de que o imunizante comece a ser distribuído aos estados em 48 horas, ou seja, nesta quinta-feira (17). Que vacina é essa? Janssen (Johnson&Johnson) A vacina O imunizante da Janssen tem eficácia de 66% contra casos moderados e graves e de 85% contra casos graves da Covid-19. Ele foi testado no Brasil durante a fase de estudos clínicos e recebeu a autorização de uso emergencial da Anvisa em 31 de março. O Brasil firmou acordo com a Janssen de receber um total de 38 milhões de doses com entregas no 3º e no 4º trimestre de 2021. Ele foi assinado pelo Ministério da Saúde e pela empresa em 18 de março. A vacina requer a aplicação só de uma dose, ao contrário da maioria das vacinas aplicadas atualmente contra a Covid, que exigem duas doses. A temperatura de armazenamento e transporte da vacina não oferece desafios à logística, uma vez que pode ser mantida entre 2ºC e 8ºC em por até três meses. Diferente das vacinas CoronaVac e AstraZeneca/Oxford, o imunizante da Janssen não tem previsão de parceria para ser produzido no Brasil. VÍDEOS: veja mais notícias sobre as vacinas contra a Covid-19
Categorias: Notícias de RSS

Índia lança teste de Covid para ser feito em casa

sab, 12/06/2021 - 09:12
Exame caseiro custa US$ 3,40 e resultado fica pronto em 15 minutos, mas é preciso ter um smartphone para realizá-lo. Uma pequena startup indiana acaba de lançar um teste de coronavírus que pode ser feito em casa, o primeiro do tipo na Índia e que pode ajudar, graças ao seu baixo custo, a identificar casos de infecção neste país de 1,3 bilhão de habitantes. O CoviSelf foi lançado no início do mês e é o primeiro teste de diagnóstico que pode ser realizado em casa aprovado na Índia, que se recupera lentamente de uma mortífera segunda onda epidêmica. IgG e IgM positivo para Covid: entenda significado das siglas e diferença entre teste rápido e PCR Quais os tipos de exames para Covid-19 e por que os testes rápidos geram controvérsia O país registra cerca de 30 milhões de infecções e mais de 350.000 mortes, segundo dados oficiais. Mas os números reais podem ser muito maiores, de acordo com especialistas, devido à falta de testes de diagnóstico e mortes que não foram atestadas como tal. A startup Mylab Discovery Solutions, que projetou o teste, acredita que o amplo acesso ao CoviSelf - vendido a 250 rupias (US$ 3,40) - pode aliviar os laboratórios e melhorar o registro de casos. Agência reguladora dos EUA aprova teste de Covid feito em casa O teste também inclui um código QR que permite conectar-se a um aplicativo que dá o resultado 15 minutos depois e o envia para uma central oficial que centraliza a contagem dos casos. Teste de Covid-19 por saliva utiliza técnica mais simples e barata que o RT-PCR; veja perguntas e respostas "Nossa capacidade de produção atual é de 10 milhões de testes por semana", de acordo com Shrikant Pawar, gerente da Mylab Discovery Solutions. No entanto, o teste só pode ser usado por quem possui um smartphone, o que limita seu alcance na Índia, especialmente em áreas rurais, onde as conexões são precárias e o uso da internet não é generalizado. VÍDEOS: Veja novidades sobre as vacinas contra a Covid-19
Categorias: Notícias de RSS

Estudos mostram que máscaras devem ser mantidas contra reinfecção e transmissão da Covid-19

sab, 12/06/2021 - 05:00
Pesquisas apontam que nem mesmo jovens saudáveis estão livres de serem infectados mais de uma vez e que vacinados podem contrair a Covid e transmitir o vírus, uma vez que a vacina não é 100% eficaz contra a transmissão. Bolsonaro quer desobrigar uso de máscara em brasileiros vacinados e que já pegaram Covid Na contramão do anúncio feito pelo presidente Jair Bolsonaro na quinta-feira (11), de que o uso de máscara poderá ser desobrigado para os que já foram vacinados ou para os que já tiveram o coronavírus, estudos sobre transmissão por vacinados e reinfecção pela Covid-19 comprovam a importância da máscara para frear a circulação do vírus e controlar a pandemia. PROTEÇÃO INDISPENSÁVEL: Qual máscara é mais eficiente e qual evitar: guia do G1 dá dicas O infectologista Marcelo Otsuka ressalta que a máscara é uma política de saúde pública contra o coronavírus "no mundo todo" e que apenas os países que conseguiram controlar o vírus já começaram a flexibilizar o uso do item pelos vacinados. "Poderemos começar a deixar de usar a máscara somente quando vacinarmos 75% da população no país e a taxa de infecção caia significativamente, para 0,3 ou 0,5 e se mantenha estável. Atualmente, nossa taxa de infecção é de cerca de 1,0. É muito alta", diz Otsuka. Abaixo, em tópicos, o resumo do que se sabe até o momento sobre transmissão por quem já foi vacinado: Quem já foi vacinado pode se infectar, pois as vacinas foram prioritariamente desenvolvidas para evitar a forma grave da Covid-19, hospitalizações e óbitos, não contra o vírus. E, uma vez infectado, a pessoa pode transmitir; Estudo preliminar na Inglaterra mostrou que infectados pelo coronavírus que tomaram as vacinas da Pfizer ou Oxford/AstraZeneca tinham menor probabilidade de transmitir o coronavírus, mas ainda tinham 50% de chances de transmissão (leia detalhes abaixo); Estudo preliminar com profissionais da saúde em Israel mostrou que vacina da Pfizer reduziu a transmissão em até 75%; o mesmo resultado não deve ser alcançado na população em geral; Pesquisadores avaliam que é necessário uma "vigilância ativa" que compare vacinados e não vacinados para demonstrar o comportamento da transmissão entre os imunizados a longo prazo. O infectologista Robério Dias Leite lembra que nenhuma das vacinas desenvolvidas contra o coronavírus são totalmente eficazes. "Quem foi vacinado pode ter Covid-19, pois nenhuma vacina é 100% eficaz e, ainda que numa forma leve ou mesmo assintomática, também pode transmitir", afirma. Sobre a possibilidade de se infectar mais de uma pelo coronavírus, Dias Leite alerta que "quem já teve Covid pode ter novamente e transmitir, sobretudo no contexto de emergência das variantes", diz. Abaixo, em tópicos, o resumo do que se sabe até o momento sobre a reinfecção por quem já teve o coronavírus: Quem teve o coronavírus adquire algum tipo de imunidade natural, mas há diversos relatos de casos de pessoas reinfectadas; Não apenas a reinfecção é possível, como também já foi observado pessoas que se infectaram mais de duas vezes (leia exemplos abaixo); Idosos a partir de 65 anos têm mais chances de serem reinfectados; A reinfecção é possível mesmo entre jovens saudáveis; É possível ser reinfectado por uma linhagem semelhante à da primeira vez em que contraiu o vírus, não sendo necessário ser exposto a uma variante nova e mais agressiva; Pessoas que tiveram casos leves de Covid podem ter reinfecção com sintomas mais fortes; Quem teve a forma branda da doença pode não desenvolver anticorpos, mesmo que por um período curto. Variante brasileira do coronavírus oferece risco maior de reinfecção Transmissão por vacinados O primeiro estudo a divulgar resultados preliminares sobre a transmissão em vacinados foi realizado com a vacina de Oxford/AstraZeneca e publicado em fevereiro, na revista "The Lancet". Segundo os cientistas da Universidade de Oxford, a vacina pode reduzir em até 67,6% a transmissão do coronavírus nas pessoas que tomaram as doses em um esquema diferente: meia dose na primeira e uma dose padrão na segunda. Já entre os que foram imunizados com as duas doses na quantidade padrão, a redução da transmissão foi menor, de 54,1%. Covid-19: mapa mostra transmissão 'extremamente alta' em quase todo o Brasil Outro estudo preliminar publicado de fevereiro, feito com profissionais da saúde de um hospital em Israel, demonstrou que a vacina da Pfizer/BioNTech reduziu em até 75% a transmissão do coronavírus menos de um mês após a aplicação da primeira dose. Os resultados foram publicados na revista "The Lancet". Apesar do bom resultado, os cientistas israelenses pontuaram que eles precisavam "de validação adicional por meio de vigilância ativa" e que as reduções vistas nos profissionais de saúde podem ser diferentes das vistas na população em geral, uma vez que estes profissionais estão mais expostos ao vírus e a cepas mais virulentas e infecciosas. Já um estudo preliminar publicado em abril pela Public Health England (PHE), agência de saúde da Inglaterra, mostrou que vacinados com os imunizantes da Pfizer ou Oxford/AstraZeneca tinham entre 38% e 49% menos probabilidade de transmitir o vírus dentro de casa para os moderadores que ainda não tinham tomado a vacina. Os pesquisadores observaram pessoas infectadas pelo coronavírus três semanas depois de tomarem uma dose. Estes resultados demonstram, segundo os especialistas, que, enquanto não se alcançar a imunidade de rebanho, vacinados têm que usar máscara, uma vez que a vacina por si só não é totalmente eficaz. "Vacinados têm que usar máscara. Estamos cansados de ver pacientes que se infectaram mesmo depois da vacina. Isso acontece porque ela previne contra os casos graves, mas não contra a infecção. Você pode estar vacinado e ser infectado", afirma Otsuka. E uma vez infectado, a pessoa transmitirá o vírus. Os cientistas afirmam que ainda é necessário mais estudos para saber o momento exato em que será seguro vacinados deixarem de usar a máscara em locais públicos. Entre os países que começaram a flexibilizar o uso do item pelos vacinados, como Reino Unido, Israel e Estados Unidos, Otsuka destaca que são países que imunizaram - quando cada indivíduo tomou as duas doses - quase metade da população. "Os países que estão deixando de usar máscaras são os que estão com a vacinação muito avançada, com mais de 40% da população totalmente imunizada", diz Otsuka. Nos EUA, pessoas totalmente vacinadas contra Covid não precisam mais usar máscara Dias Leite lembra que, no caso do Brasil, além da transmissão descontrolada e da presença de variantes, o país vacinou cerca de 11% da população. "A liberação do uso de máscaras para vacinados só poderá ser recomendada quando tivermos uma parcela significativa da população vacinada, jamais num cenário de absoluto descontrole em que nos encontramos no Brasil, infelizmente", afirma Dias Leite. Reinfecção por Covid Idosos foram os mais propensos a uma reinfecção por coronavírus, segundo um estudo dinamarquês publicado em março na revista científica "The Lancet". Ao analisar um grupo de mais de 4 milhões pessoas na Dinamarca por cerca de um ano, observou-se que, enquanto os mais jovens (de zero a 64 anos) apresentaram uma taxa de proteção de cerca de 80% para novas infecções, em pacientes com 65 anos ou mais, essa proteção despencou para 47%. Enfermeira é diagnosticada com Covid-19 três vezes em um ano no litoral de SP O mesmo estudo dinamarquês demonstrou que as pessoas que já foram infectadas desenvolvem proteção contra a Covid-19, mas esta imunidade natural não é permanente e dura cerca de seis meses apenas. Por isso, o artigo ressaltou que esse tipo de proteção não é uma medida confiável para controlar a pandemia e que a vacinação e medidas como distanciamento social e uso de máscara não podem ser deixados de lado. Já um estudo da Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto apontou um período ainda menor para a imunidade natural, menor que dois meses: os pesquisadores observaram o caso de uma jovem de 24 anos que se reinfectou 50 dias após a primeira infecção. Nos dois casos a jovem apresentou sintomas. O estudo foi publicado na Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical. Um estudo americano sobre reinfecção descobriu um intervalo ainda menor entre a primeira e a segunda: foram apenas de 48 dias. O paciente era jovem, um homem de 25 anos, e a segunda infecção foi mais grave, resultando em internação com suporte de oxigênio. Em abril, outro estudo americano afirmou que a reinfecção por Covid-19 é possível mesmo entre jovens saudáveis. Os cientistas analisaram cerca de 3 mil jovens fuzileiros navais de 18 a 20 anos por seis semanas e observaram que anticorpos gerados na primeira infecção não evitaram nova infecção. O risco de contrair a doença novamente, entretanto, foi cinco vezes menor quando se comparado com os jovens que ainda não tiveram a Covid-19. Também em abril, um estudo da Fiocruz em parceria com o Instituto D’Or e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) descobriu que quem já teve Covid com sintomas muito leves, ou assintomática, podem ter reinfecção com sintomas mais fortes. Isso aconteceu porque, segundo os cientistas, as pessoas que tiveram a forma branda da doença da primeira vez não desenvolveram nenhum anticorpo contra o coronavírus. “A manutenção daqueles cuidados básicos de distanciamento social, uso de máscara, higiene das mãos, álcool gel e sabão. O vírus não está controlado, a pandemia não está controlada, o vírus continua circulando e as pessoas que já tiveram a doença estão sujeitas a serem reinfectadas”, disse Mário Dal Poz, professor do Instituto de Medicina Social da Uerj, ao Jornal Nacional em abril. Outro estudo brasileiro, desta vez da Unicamp, identificou quatro casos de reinfecção pela Covid-19 em profissionais da saúde causadas por variantes consideradas de "não preocupação". A conclusão dos cientistas é possível um paciente ser reinfectado por uma linhagem semelhante à da primeira vez, sendo possível contrair o vírus novamente mesmo em cenários onde as linhagens mais agressivas estejam controladas. Os resultados foram publicados na revista científica do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos.
Categorias: Notícias de RSS

Menores de 20 anos morrem por Covid-19 no Brasil 7 vezes mais do que em países desenvolvidos

sex, 11/06/2021 - 20:38

Os dados são de um estudo da UFMG publicado na revista The Lancet. Crianças também precisam usar máscaras de proteção contra o coronavírus Eliane Neves/Fotoarena/Agência O Globo A taxa de mortalidade de crianças e adolescentes infectados pelo coronavírus no Brasil é sete vezes maior do que em países desenvolvidos. Das pessoas de 20 anos ou menos infectadas pela doença que foram internadas no ano passado, 7,5% acabaram morrendo. No Reino Unido, por exemplo, esse índice é de cerca de 1%. Anvisa autoriza vacina da Pfizer contra Covid-19 para adolescentes a partir dos 12 anos A informação é resultado de uma pesquisa realizada na Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O estudo foi publicado na The Lancet, uma das revistas científicas mais prestigiadas do mundo. Anvisa autoriza vacina da Pfizer contra Covid-19 para adolescentes a partir dos 12 anos O levantamento revelou também que as regiões Norte e Nordeste têm os piores índices de mortalidade entre crianças e adolescentes que contraíram o coronavírus. As menores taxas ficam na região Sudeste. Os pesquisadores concluíram que essa diferença tem relação com a circulação de novas variantes, que foram registradas primeiro no Amazonas. Mas a disparidade também ocorre devido à falta de infraestrutura hospitalar, como afirma uma das responsáveis pelo levantamento, professora da Faculdade de Medicina da UFMG, Ana Cristina Simões e Silva. "Existe um déficit no nosso país em relação à atenção. Algumas regiões são desprovidas de determinados recursos. O acesso, quando a criança precisa de ventilação mecânica, vaga em UTI, algumas regiões têm restrição em relação a isso. Então a gente viu que, realmente, isso impacta em uma taxa de óbito mais elevada mesmo', explica. 'As regiões mais pobres tendem a ter um percentual em torno de três vezes maior do que as outras regiões", disse ela. O estudo também identificou que a mortalidade entre crianças e adolescentes indígenas é duas vezes maior, comparada com outras raças. Além disso, jovens de classes sociais mais baixas e com comorbidades morreram mais, segundo o levantamento. Uma tendência que estudos sobre os adultos infectados também já revelaram. As análises por idade mostraram que os adolescentes entre 12 a 19 anos e as crianças menores de 2 anos têm mais risco de morrer pelo coronavírus. Os pesquisadores da UFMG avaliaram os casos de mais de 11 mil pacientes, com dados do Sistema de Informação da Vigilância Epidemiológica da Gripe, do Ministério da Saúde, um banco de dados nacional com pacientes dos sistemas público e privado. Foram analisados todos os casos confirmados de Covid-19 em pessoas menores de 20 anos, entre fevereiro do ano passado e janeiro de 2021, um total de 11.613 pacientes infectados. Esta é a pesquisa com o maior número de pacientes pediátricos da doença já analisados no mundo, até o momento, segundo os estudiosos da UFMG. O estudo recebeu verba da FAPEMIG, Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais, e do CNPq, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Veja os vídeos mais assistidos do G1 Minas:
Categorias: Notícias de RSS

Brasil registra 2.215 mortes por Covid em 24 horas; média móvel volta a ficar acima de 1,9 mil após 18 dias

sex, 11/06/2021 - 20:01

País contabiliza 484.350 óbitos e 17.301.220 casos, segundo balanço do consórcio de veículos de imprensa com informações das secretarias de Saúde. O Brasil registrou 2.215 mortes por Covid-19 nas últimas 24 horas, totalizando nesta sexta-feira (11) 484.350 óbitos desde o início da pandemia. Com isso, a média móvel de mortes nos últimos 7 dias chegou a 1.912 --voltando a ficar acima de 1,9 mil após 18 dias. Em comparação à média de 14 dias atrás, a variação foi de +4% e indica tendência de estabilidade nos óbitos decorrentes do vírus. É o 24º dia seguido de estabilidade na comparação com duas semanas atrás. Isso significa que o ritmo atual das mortes por Covid tem se assemelhado mais a um platô do que a uma queda ou a um aumento na curva, e isso em patamar bastante elevado. E após 51 dias com essa variação em relação a duas semana indicando valores negativos, esta é a primeira vez que a tendência aparece acima de 0%. Os números estão no novo levantamento do consórcio de veículos de imprensa sobre a situação da pandemia de coronavírus no Brasil, consolidados às 20h desta sexta. O balanço é feito a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde. Veja a sequência da última semana na média móvel: Evolução da média móvel de óbitos por Covid no Brasil na última semana Editoria de Arte/G1 Sábado (5): 1.641 Domingo (6): 1.629 Segunda (7): 1.664 Terça (8): 1.714 Quarta (9): 1.727 Quinta (10): 1.764 Sexta (11): 1.912 São agora 32 dias com a média de mortes abaixo da marca de 2 mil. De 17 de março até 10 de maio, foram 55 dias seguidos com essa média acima de 2 mil. No pior momento desse período, a média chegou ao recorde de 3.125, no dia 12 de abril. Cinco estados aparecem com tendência de alta nas mortes: AM, RN, PE, PB, RS. O estado do Ceará não divulgou novo número de óbitos registrados até as 20h. Segundo a secretaria, o levantamento foi impossibilitado por instabilidade no sistema estadual que concentra os dados. Em casos confirmados, desde o começo da pandemia 17.301.220 brasileiros já tiveram ou têm o novo coronavírus, com 86.061 desses confirmados no último dia. A média móvel nos últimos 7 dias foi de 65.609 novos diagnósticos por dia. Isso representa uma variação de +8% em relação aos casos registrados em duas semanas, o que indica tendência de estabilidade também nos diagnósticos. Mortes e casos de coronavírus no Brasil e nos estados Mortes e casos por cidade Veja como está a vacinação no seu estado Brasil, 11 de junho Total de mortes: 484.350 Registro de mortes em 24 horas: 2.215 Média de novas mortes nos últimos 7 dias: 1.912 (variação em 14 dias: +4%) Total de casos confirmados: 17.301.220 Registro de casos confirmados em 24 horas: 86.061 Média de novos casos nos últimos 7 dias: 65.609 por dia (variação em 14 dias: +8%) Estados Em alta (5 estados): AM, RN, PE, PB, RS Em estabilidade (18 estados e o DF): AL, MT, GO, RJ, AP, PI, MS, PR, SP, PA, MA, BA, SE, SC, ES, DF, TO, MG, RR Em queda (2 estados): AC, RO Não divulgou (1 estado): CE Essa comparação leva em conta a média de mortes nos últimos 7 dias até a publicação deste balanço em relação à média registrada duas semanas atrás (entenda os critérios usados pelo G1 para analisar as tendências da pandemia). Vale ressaltar que há estados em que o baixo número médio de óbitos pode levar a grandes variações percentuais. Os dados de médias móveis são, em geral, em números decimais e arredondados para facilitar a apresentação dos dados. Vacinação Mais de 23,6 milhões de pessoas já tomaram duas doses de vacinas contra a Covid, número que representa 11,16% da população do país. É o que apontam os dados do consórcio de veículos de imprensa, divulgado às 20h desta sexta-feira (11). São 23.630.516 que tomaram a segunda dose. A primeira dose foi aplicada em 53.842.583 pessoas, o que equivale a 25,43% da população. No total, somando a primeira e a segunda doses, 77.473.099 doses da vacina foram aplicadas. Veja a variação das mortes por estado Sul PR: +7% RS: +16% SC: -5% Sudeste ES: -8% MG: -15% RJ: +10% SP: +7% Centro-Oeste DF: -8% GO: +11% MS: +7% MT: +13% Norte AC: -21% AM: +53% AP: +9% PA: +1% RO: -26% RR: -15% TO: -8% Nordeste AL: +14% BA: 0% CE: o estado não divulgou novos dados até as 20h. Considerando os dados até 20h de quinta (10), estava em -2% (estabilidade) MA: 0% PB: +24% PE: +32% PI: +8% RN: +44% SE: -2% Brasil Sul Sudeste Centro-Oeste Norte Nordeste Consórcio de veículos de imprensa Os dados sobre casos e mortes de coronavírus no Brasil foram obtidos após uma parceria inédita entre G1, O Globo, Extra, O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e UOL, que passaram a trabalhar, desde o dia 8 de junho, de forma colaborativa para reunir as informações necessárias nos 26 estados e no Distrito Federal (saiba mais). Veja vídeos de novidades sobre vacinas contra a Covid-19:
Categorias: Notícias de RSS

Indústria de bebidas ganhou bilhões com consumo ilegal de álcool por menores nos EUA, diz estudo

sex, 11/06/2021 - 18:12

Percentual do valor arrecadado com a venda de bebidas a menores caiu de 2011 a 2016. Ainda assim, pesquisadores consideram que autoridades devem formar políticas para que as fabricantes revertam o lucro com esse comércio irregular para a prevenção do uso do álcool por crianças e adolescentes. Pessoas brindando copos com cerveja Giovanna Gomes / Unsplash / Divulgação Fabricantes de bebidas alcoólicas ganharam US$ 17 bilhões com o consumo de álcool por menores de idade nos Estados Unidos em 2016, mostrou um estudo publicado na quinta-feira (9) por quatro pesquisadores na revista científica "Journal of Studies on Alcohol and Drugs". Esse valor representa cerca de 7,4% dos mais de US$ 237 bilhões arrecadados pela indústria das bebidas naquele ano. É um percentual significante, mas já foi maior: em 2011, o montante ganho pelas fabricantes com venda ilegal de bebidas para menores chegava a 10% (US$ 20,9 bilhões) do total. Leia também: Consumo de cerveja 'migra' para dentro de casa com a pandemia Em 7 anos, brasileiro passou a beber mais e a fumar menos Pesquisa indica mais consumo de álcool como efeito do isolamento VÍDEO: veja como saber se você é dependente do álcool Alcoolismo: como saber se você é dependente do álcool? O estudo também mostrou que o consumo de álcool por jovens chegou a 8,6% de toda a bebida colocada à venda em 2016 — menos do que os 11,73% registrados em 2011. Os autores criticam, no artigo, a contradição entre as campanhas contra o uso de álcool por menores de idades e o fato de as fabricantes lucrarem com esse público. "Isso mostra uma oportunidade para criar e fazer cumprir políticas para que as empresas usem esses lucros da indústria para ajudar a atingir uma meta de prevenção do consumo de álcool por jovens", dizem os autores. Vale lembrar que, nos Estados Unidos, a idade mínima para a compra de bebidas alcoólicas de acordo com a lei é 21 anos — diferentemente do Brasil, onde essa idade mínima é de 18 anos. Em parte da Europa, autoriza-se o consumo de alguns tipos de bebidas, com menor teor alcoólico, a partir dos 16. Veja no VÍDEO abaixo: misturar álcool com energético pode acelerar batimentos cardíacos Combinar bebida alcoólica com energético pode acelerar os batimentos e aumentar a pressão Venda de álcool a menores é crime no Brasil O Estatuto da Criança e do Adolescente proíbe a venda ou fornecimento de bebidas alcoólicas a menores de 18 anos, e prevê prisão e multa aos infratores. Veja abaixo o que diz a lei: Art. 243. Vender, fornecer, servir, ministrar ou entregar, ainda que gratuitamente, de qualquer forma, a criança ou a adolescente, bebida alcoólica ou, sem justa causa, outros produtos cujos componentes possam causar dependência física ou psíquica: Pena - detenção de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa, se o fato não constitui crime mais grave. VÍDEOS: mais assistidos do G1 nos últimos 7 dias
Categorias: Notícias de RSS

Na CPI, especialistas criticam 'negacionismo' e afirmam que mentira sobre cloroquina 'mata'

sex, 11/06/2021 - 17:51
Microbiologista Natalia Pasternak e sanitarista Claudio Mairovitch disseram ter visto 'sabotagem sistemática' a ações que poderiam reduzir circulação do vírus e transmissão da Covid. VÍDEO: 'Esse negacionismo da Ciência, perpetuado pelo próprio Governo, mata', diz Natalia Pasternak Em oito horas de depoimento à CPI da Covid nesta sexta-feira (11), a microbiologista Natalia Pasternak e o médico sanitarista Claudio Maierovitch criticaram o "negacionismo" durante a pandemia, apontaram riscos para o incentivo ao uso da cloroquina e defenderam medidas restritivas para conter o avanço da doença. Natalia Pasternak tem doutorado em microbiologia e é fundadora do instituto Questão de Ciência. Ex-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Maierovitch é médico sanitarista da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Os dois foram convidados a fazer avaliações sobre a situação da doença no país e as políticas adotadas no enfrentamento à Covid-19. VÍDEO: 'O plano de imunização que tivemos é um plano pífio', diz Cláudio Maierovitch Para os especialistas, o plano de imunização foi "pífio"; o governo federal não apoiou o desenvolvimento de imunizantes nacionais; faltou coordenação para gerir o controle da doença; e houve orientações erradas por representantes do Executivo, entre eles o presidente Jair Bolsonaro. "Tem havido sabotagem sistemática a todas as iniciativas que visam a redução da circulação do vírus e da transmissão da doença", disse Maierovitch. LEIA TAMBÉM: 'Ciência não tem dois lados', diz especialista a senador defensor do tratamento precoce 'Essa mentira mata', diz microbiologista à CPI sobre cloroquina 'Rebanho se aplica a animais, e fomos tratados dessa forma', diz sanitarista à CPI Ao comentar o alto número de mortes no país, superior a 480 mil, Maierovitch apontou que as mortes têm sido banalizadas no Brasil. "Acredito que uma parte dessa anestesia tem uma relação muito forte com a comunicação e como, muitas vezes, exemplos e orientações oficiais cassam a iniciativa das pessoas para se proteger. Então, não apenas nesses exemplos, às vezes até estapafúrdios, como de que só ‘os maricas’ é que se protegem ou coisa do tipo, as pessoas perdem a possibilidade de extrair de si uma energia para se proteger”, afirmou. Natalia Pasternak diz que cloroquina não funciona em animais nem em humanos Cloroquina 'nunca funcionou' Um dos principais pontos de crítica da audiência, a indicação da cloroquina "nunca funcionou" para a Covid-19, conforme ressaltou Natalia Pasternak. Conforme destacou a microbiologista, a medicação já foi testada e falhou. Natalia Pasternak também criticou a divulgação do remédio pelo governo. "Negar a ciência e usar esse negacionismo em políticas públicas não é falta de informação, é uma mentira e, no caso triste do Brasil, é uma mentira orquestrada, orquestrada pelo governo federal e pelo Ministério da Saúde", disse Pasternak. "E essa mentira mata, porque ela leva pessoas a comportamentos irracionais, que não são baseados em ciência. Isso não é só para a cloroquina. Isso serve para o uso de máscaras, serve para o distanciamento social, para a compra de vacinas que não foi feita em tempo para proteger a nossa população", reforçou. A microbiologista detalhou que o remédio apenas teve eficácia para impedir a entrada do vírus em testes feitos in vitro em células de rins de macaco. VÍDEO: 'Rebanho se aplica a animais, e fomos tratados desta forma', diz Cláudio Maierovitch Vacinas x imunidade de rebanho Os especialistas também ressaltaram que o governo optou pela chamada imunidade de rebanho em vez de priorizar a vacinação no país. A imunidade de rebanho pressupõe que o país supere a pandemia por meio de um alto número de infectados, o que, em tese, deixaria grande parcela da população imunizada. Só que essa estratégia, de acordo com especialistas, não funciona para a Covid. Isso porque muitas pessoas morreriam no processo e, além disso, quem já teve a doença pode ser reinfectado. "Rebanho se aplica a animais, e fomos tratados dessa forma. Acredito que a população brasileira tem sido tratada dessa forma ao se tentar produzir imunidade de rebanho às custas de vidas humanas", afirmou Maierovitch. "Infelizmente, o governo brasileiro se manteve na posição de produzir imunidade de rebanho – com essa conotação toda – para a nossa população, ao invés de adotar as medidas reconhecidas pela ciência para enfrentar esta crise”, adicionou o sanitarista. Na avaliação dele, o plano de imunização brasileiro – que seria realmente eficaz para conter o vírus – foi "pífio" e não desenvolveu uma estratégia para a aquisição de vacinas. O ex-presidente da Anvisa se disse "estarrecido" ao ver o "desestímulo oficial" para a produção nacional de imunizantes. "Certamente, o cenário teria sido muito diferente se houvesse uma política oficial não apenas de busca da compra de imunizantes, mas de busca de articulações e de acordos para a produção nacional”, disse. Na mesma linha, Natalia Pasternak reforçou que a imunidade só é alcançada com campanhas de vacinação. "A gente não controlou doenças, como a varíola, deixando todo mundo ficar doente, para ver o que ia dar. E a varíola esteve com a gente durante milhares de anos. Mas por que ela nunca foi embora? Por que ela só foi embora com vacina? Porque, efetivamente, imunidade de rebanho, ou seja, fazer a doença parar de circular, só se consegue com vacina", disse Pasternak. VÍDEO: 'Nós precisamos de lockdown, nós precisamos de confinamento', diz Cláudio Maierovitch Medidas restritivas Durante a audiência, os especialistas foram questionados sobre quais medidas recomendariam caso assumissem o comando do enfrentamento da doença. A primeira ação, segundo Maierovitch, seria um "lockdown", isto é, o isolamento rígido, de 21 dias. Ele defendeu a "interrupção por três semanas de todas as atividades que não são consideradas absolutamente essenciais para a manutenção da vida das pessoas". "Nós precisamos de lockdown, nós precisamos de confinamento. Temos experiência mundial suficiente para saber da eficácia dessa medida", afirmou, ao citar Portugal como exemplo. "Não há mais dúvida quanto à efetividade desse tipo de medida, e não há dúvida alguma de que aquele país que vem ostentando, com tanta frequência, o maior número diário de mortes do mundo, essa medida está indicada por um período mínimo, de duas semanas, que certamente faria a curva mergulhar", afirmou o ex-presidente da Anvisa. Natalia Pasternak reconheceu que o lockdown "é um grande desafio" em um país com alta desigualdade social. "Muitas vezes, parece até hipocrisia dizer para as pessoas ficarem em casa quando elas mal têm casa onde poderiam ficar, e elas precisam sair para trabalhar e precisam pegar transporte público para pôr comida na mesa. Não é uma opção. Não é tão simples para a maior parte da população brasileira falar em home office, ficar em casa, ficar na frente do computador. Isso é um privilégio para poucos”, afirmou. “Então, o que que a gente precisa garantir? Primeiro, que esses poucos que têm esse privilégio de ficar em casa, que não precisam trabalhar todo dia, sair, pegar transporte público para pôr comida na mesa, mas que conseguem trabalhar na segurança de suas casas, fiquem nas suas casas, e não fazendo festinhas”, disse a microbiologista.
Categorias: Notícias de RSS